{"id":44728,"date":"2020-04-28T19:33:03","date_gmt":"2020-04-28T19:33:03","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44728"},"modified":"2020-04-28T19:33:06","modified_gmt":"2020-04-28T19:33:06","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44728","title":{"rendered":"E agora Portugal?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso<\/strong><\/span>, Expresso online (062 11\/03\/2020)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><del><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2020-03-11-E-agora-Portugal--1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/del><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/62-\u00d3scar-Afonso-mar2020.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n\n\n<p>O Norte, onde se concentra boa parte da produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os e das exporta\u00e7\u00f5es do pa\u00eds, tem sido, por agora, o principal palco do surto coronav\u00edrus, mas ir\u00e1 naturalmente alastrar-se por todo o territ\u00f3rio. Sem um plano nacional de conting\u00eancia (pelo menos at\u00e9 3\u00aa-feira, dia 10 de mar\u00e7o), institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e empresas ir\u00e3o, tendencialmente e de modo casu\u00edstico, incentivar os funcion\u00e1rios a trabalhar em casa, e encerrar\u00e3o temporariamente linhas de produ\u00e7\u00e3o. A produ\u00e7\u00e3o diminuir\u00e1 necessariamente e o abrandamento da atividade internacional tamb\u00e9m ter\u00e1 impacto nas exporta\u00e7\u00f5es de bens e servi\u00e7os. Acresce que a redu\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio mundial afeta pre\u00e7os, atingindo, tamb\u00e9m, por esta via, exportadores. Atividades caracterizadas pela reuni\u00e3o de grande n\u00famero de pessoas \u2013 eventos, f\u00e9rias, viagens e outras atividades sociais \u2013 ir\u00e3o ser continuamente limitadas e os efeitos no turismo, que j\u00e1 representa uma parcela significativa do PIB (Produto Interno Bruto), ser\u00e3o brutais, afetando o restante da economia. Este contexto, conjugado com a queda de confian\u00e7a, as interrup\u00e7\u00f5es nas cadeias de abastecimento e a incerteza subjacente que ir\u00e1 adiar aquisi\u00e7\u00f5es e investimentos, j\u00e1 teve \u2013 e dever\u00e1 continuar a ter \u2013 impacto nas bolsas de valores, seguindo-se uma tend\u00eancia de instabilidade nos mercados financeiros pelo mundo. O choque n\u00e3o ser\u00e1, portanto, apenas na oferta agregada, mas tamb\u00e9m na procura agregada: por medo ou imposi\u00e7\u00e3o, as pessoas deixam de trabalhar e investir, mas tamb\u00e9m de viajar, fazer compras ou at\u00e9 de sair \u00e0 rua.<\/p>\n\n\n\n<p>Que isto ir\u00e1 impactar negativamente no crescimento econ\u00f3mico \u00e9 algo que obviamente ningu\u00e9m duvida. A quest\u00e3o \u00e9 quanto; teremos abrandamento do crescimento do PIB ou quebra do PIB? Sem o dito plano de conting\u00eancia nacional, a correr bem haver\u00e1 abrandamento do d\u00e9bil crescimento econ\u00f3mico que nos tem caracterizado, deixando de ser poss\u00edvel alcan\u00e7ar os m\u00edseros 2%. A correr mal haver\u00e1 quebra do PIB. No curto prazo, a diminui\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f3mica ter\u00e1 impacto na diminui\u00e7\u00e3o da receita fiscal \u2013 menor cobran\u00e7a de impostos \u2013 e dever\u00e1 afetar positivamente a despesa p\u00fablica \u2013 desde logo porque previsivelmente aumentar\u00e3o as despesas com a sa\u00fade, mas no pior cen\u00e1rio podem aumentar outras despesas sociais. No longo prazo, menos crescimento hoje significa pior n\u00edvel de vida no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>O que pode ser feito pelas autoridades para minimizar previs\u00edveis efeitos dram\u00e1ticos?<\/p>\n\n\n\n<p>Sem grande f\u00e9 no governo nacional que nem um plano de conting\u00eancia parece conseguirelaborar e implementar, que j\u00e1 disse uma coisa e o seu contr\u00e1rio e que vai decidindo casuisticamente, muitos poder\u00e3o pensar que \u201cn\u00e3o h\u00e1 problema, porque o Banco Central Europeu ajudar\u00e1 com uma pol\u00edtica monet\u00e1ria expansionista\u201d. Infelizmente tal n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel. Na sequ\u00eancia da inje\u00e7\u00e3o massiva de liquidez no sistema financeiro, os juros j\u00e1 est\u00e3o negativos pelo que a pol\u00edtica monet\u00e1ria j\u00e1 esgotou o seu potencial de ajuda, tornando, ainda assim, suport\u00e1veis para j\u00e1 os custos das gigantescas d\u00edvidas p\u00fablica e privada.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros poder\u00e3o pensar que \u201cas contas p\u00fablicas est\u00e3o agora bem, pelo que o governo pode conduzir uma pol\u00edtica or\u00e7amental expansionista\u201d. Infelizmente, no caso portugu\u00eas, tal tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Com um crescimento marginal do PIB ou, no pior cen\u00e1rio, com quebra no PIB, um d\u00e9fice or\u00e7amental em torno dos 3% pode resultar simplesmente da dimens\u00e3o da crise \u2013 diminui\u00e7\u00e3o da receita conjugada com aumento da despesa necess\u00e1ria \u2013 e tal significaria um aumento do j\u00e1 monstruoso peso da d\u00edvida no PIB, para al\u00e9m do usual aumento da j\u00e1 gigantesca d\u00edvida em valor absoluto. Eu tenho d\u00favidas que seja poss\u00edvel garantir o acesso do pa\u00eds ao mercado da d\u00edvida p\u00fablica eternamente caso o peso da d\u00edvida no PIB continue a aumentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Conclus\u00e3o: nem de longe nem de perto, Portugal est\u00e1 preparado para enfrentar uma recess\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nestas alturas que vemos a falta que nos faz uma economia competitiva, que n\u00e3o esteja t\u00e3o dependente do contexto e, sobretudo, da conjuntura internacional. \u00c9 nesta altura que iremos observar que foi um erro fingir que est\u00e1vamos bem, que foi lament\u00e1vel voltar \u00e0 tend\u00eancia pouco saud\u00e1vel de penaliza\u00e7\u00e3o da competitividade ganha no per\u00edodo de ajustamento (ainda) recente, e que devemos \u201cmeditar\u201d pelo azar com certos pol\u00edticos \u201ccarreiristas\u201d de <em>show off<\/em> que temos, porque, ignorando quem sabe, tamb\u00e9m n\u00e3o foram capazes de proporcionar um contexto atrativo para investimento produtivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem possibilidade de ajuda pelas pol\u00edticas monet\u00e1ria e or\u00e7amental, e sem moeda para desvalorizar, a menos que, por obra e gra\u00e7a do comportamento de todos, o surto viral em curso seja passageiro, \u201cno fim do dia\u201d a competitividade necess\u00e1ria para repor a economia no trilho vai ser de novo conseguida \u00e0 custa dos sal\u00e1rios e do (des)emprego: se houver abrandamento, os sal\u00e1rios poder\u00e3o permanecer congelados e o desemprego aumentar\u00e1 um pouco; se houver quebra, os sal\u00e1rios diminuir\u00e3o de novo e o desemprego disparar\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>E, pronto, n\u00e3o sa\u00edmos disto: pensos r\u00e1pidos para tudo, gest\u00e3o casu\u00edstica da \u201ccoisa p\u00fablica\u201d, passa culpas, contradi\u00e7\u00f5es e sempre muito pouca ambi\u00e7\u00e3o em nome da manuten\u00e7\u00e3o do poder.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Expresso online (062 11\/03\/2020)<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,282],"tags":[],"class_list":["post-44728","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-expresso-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44728","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=44728"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44728\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44729,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44728\/revisions\/44729"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=44728"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=44728"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=44728"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}