{"id":44709,"date":"2020-04-25T11:20:25","date_gmt":"2020-04-25T11:20:25","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44709"},"modified":"2020-04-25T11:20:34","modified_gmt":"2020-04-25T11:20:34","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-53-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44709","title":{"rendered":"Austeridade: sim ou n\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\"><span style=\"color: #d8070f\"><strong>\u00d3scar Afonso<\/strong><\/span>, Dinheiro Vivo (JN \/ DN)<\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/opiniao\/austeridade-sim-ou-nao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Cr\u00f3nica-48_OA_23Abr2020.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p>Podem levar-nos a acreditar que n\u00e3o haver\u00e1 austeridade, mas n\u00e3o nos livramos de um enorme \u201caperto do cinto\u201d<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: left\"><!--more--><\/p>\n<p>Em 2008 a crise surgiu no sistema financeiro e, por causa disso, os Bancos Centrais foram capazes de salvar o sistema financeiro e a economia com inje\u00e7\u00f5es massivas de liquidez, suavizando, desse modo, a queda da produ\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, a crise atual, provocada pela dissemina\u00e7\u00e3o do corona v\u00edrus, teve in\u00edcio na esfera produtiva, porque teve de parar depois do bloqueio imposto pelo governo para combater a pandemia e proteger vidas, e acabar\u00e1 por ter necessariamente impacto no sistema financeiro.<\/p>\n<p>Quem, no in\u00edcio da pandemia, insistia em afirmar \u201cvai ficar tudo bem\u201d, creio que j\u00e1 ter\u00e1 compreendido que tal n\u00e3o passava de um slogan motivacional. Sei que muitos ainda permanecem em nega\u00e7\u00e3o, mas porque quase toda a atividade econ\u00f3mica n\u00e3o essencial foi interrompida, a crise j\u00e1 se revela na situa\u00e7\u00e3o financeira terr\u00edvel em que muitos portugueses se encontram. A economia portuguesa j\u00e1 se encontrava em dificuldades antes da pandemia, pois tinha (e tem) uma estrutura produtiva fr\u00e1gil, dependia imenso da atividade tur\u00edstica trabalho-intensiva, e n\u00e3o foi capaz de diminuir o volume da d\u00edvida.<\/p>\n<p>Perante o novo cen\u00e1rio de crise na produ\u00e7\u00e3o e no consumo, diversos governos apostam na utiliza\u00e7\u00e3o massiva da pol\u00edtica fiscal, acreditando, e bem, que o combate aos efeitos econ\u00f3micos e sociais da crise passa por opera\u00e7\u00f5es fiscais ousadas. Paralelamente, consideram que \u00e9 necess\u00e1rio ampliar a oferta de cr\u00e9dito sem colocar em causa que o sistema banc\u00e1rio est\u00e1 sempre limitado pelo risco do cr\u00e9dito. A Alemanha, a Holanda ou a Finl\u00e2ndia, por exemplo, onde a quebra de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o ter\u00e1 sido certamente t\u00e3o acentuada como em Portugal \u2013 possuem estruturas produtivas mais fortes, n\u00e3o dependem do turismo, a d\u00edvida p\u00fablica \u00e9 menor e n\u00e3o h\u00e1 risco de press\u00e3o pelos mercados \u2013 est\u00e3o a anunciar medidas com um impacto or\u00e7amental direto que s\u00e3o impens\u00e1veis em Portugal: 4,4% do PIB na Alemanha, 2,7% na Holanda e 1,7% na Finl\u00e2ndia.<\/p>\n<p>Perante a amea\u00e7a da pandemia, Portugal teve uma vantagem temporal, podendo, previamente, observar o impacto do Covid19 noutros pa\u00edses e adotar medidas eficazes para enfrentar o surto, adaptando o \u201csubfinanciado\u201d Sistema Nacional de Sa\u00fade. Apesar da situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria de muitas habita\u00e7\u00f5es, da informalidade que existe no mercado de trabalho portugu\u00eas (quando comparado com o dos pa\u00edses mais desenvolvidos da Uni\u00e3o Europeia) e da vulnerabilidade social, o isolamento social ocorreu e \u201ccorreu bem\u201d. Interrogo-me at\u00e9 se um pa\u00eds com uma estrutura produtiva t\u00e3o fr\u00e1gil, assente em micro e pequenas empresas, com uma taxa de poupan\u00e7a t\u00e3o reduzida e d\u00edvidas p\u00fablica, privada e externa colossais devia ter optado pela solu\u00e7\u00e3o mais f\u00e1cil de colocar todos em casa at\u00e9 maio. N\u00e3o sei se n\u00e3o deveria ter conduzido medidas mais espec\u00edficas de prote\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a dos idosos e dos mais vulner\u00e1veis em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 restante popula\u00e7\u00e3o e ter atendido \u00e0 incid\u00eancia regional da pandemia. Com o procedimento seguido achatou naturalmente a curva de cont\u00e1gio, n\u00e3o colocando em causa o Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade, mas ser\u00e1 que o mesmo cen\u00e1rio n\u00e3o poderia ter sido igualmente poss\u00edvel com menores custos econ\u00f3micos e sociais?<\/p>\n<p>Em face das medidas tomadas para conter a propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, da estrutura produtiva, da capacidade das fam\u00edlias e das empresas, e das medidas de pol\u00edtica econ\u00f3mica para aliviar e acelerar o processo de recupera\u00e7\u00e3o, acredito que a recupera\u00e7\u00e3o portuguesa possa resultar num processo muito lento. A quebra de atividade econ\u00f3mica inicial foi muit\u00edssimo abrupta porque o confinamento foi severo e porque a estrutura produtiva portuguesa \u00e9, como referido, fr\u00e1gil e muito dependente do exterior \u2013 em particular, do desaparecido turismo.<\/p>\n<p>Pelo que se afigura vir a ser a ajuda da Uni\u00e3o Europeia, a incapacidade dos agentes econ\u00f3micos nacionais porque, num passado recente, a poupan\u00e7a parece que foi tida como algo de retrogrado, e a (in)capacidade do governo nacional face \u00e0 d\u00edvida p\u00fablica existente e \u00e0 press\u00e3o dos mercados, muitas empresas nunca mais retomar\u00e3o a sua atividade e a incerteza ser\u00e1 permanente com consumidores e investidores muito cautelosos, especialmente se tiverem que pagar d\u00edvidas.<\/p>\n<p>A queda abrupta que a decis\u00e3o seguida determinou, a posi\u00e7\u00e3o de partida e as (insuficientes) medidas de est\u00edmulo econ\u00f3mico determinar\u00e3o uma recupera\u00e7\u00e3o certamente muito lenta. Assim, como costumo dizer, podem levar-nos a acreditar que n\u00e3o haver\u00e1 austeridade, mas n\u00e3o nos livramos de um enorme \u201caperto do cinto\u201d. Espera-se que, pelo menos, o governo preserve o rendimento dos mais vulner\u00e1veis, embora pare\u00e7a seguir o caminho contr\u00e1rio.<\/p>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo (JN \/ DN) Podem levar-nos a acreditar que n\u00e3o haver\u00e1 austeridade, mas n\u00e3o nos livramos de um enorme \u201caperto do cinto\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":63,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,279],"tags":[],"class_list":["post-44709","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-dinheiro-vivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44709","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/63"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=44709"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44709\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44710,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44709\/revisions\/44710"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=44709"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=44709"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=44709"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}