{"id":4469,"date":"2012-09-13T13:47:30","date_gmt":"2012-09-13T13:47:30","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=4469"},"modified":"2017-04-08T08:21:26","modified_gmt":"2017-04-08T08:21:26","slug":"a-economia-nao-registada-em-portugal-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=4469","title":{"rendered":"A Economia N\u00e3o Registada em Portugal (2010)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/ApresentacaoIndice20111.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2517 alignnone\" title=\"Actualiza\u00e7\u00e3o de dados - 2011\" alt=\"buttonpdf\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/buttonpdf.png\" width=\"112\" height=\"27\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">1. A economia que se processa no territ\u00f3rio nacional mas n\u00e3o \u00e9 contabilizada no c\u00e1lculo do produto interno bruto constitui a\u00a0<strong>economia n\u00e3o registada<\/strong>. \u00c9 composta de diversos conjuntos, nem sempre com fronteiras entre si claras. A\u00a0<strong>economia subterr\u00e2nea<\/strong>\u00a0corresponde ao produto que se furta \u00e0 contabiliza\u00e7\u00e3o por raz\u00f5es dominantemente fiscais. A\u00a0<strong>economia ilegal<\/strong>\u00a0corresponde ao produto que n\u00e3o \u00e9 contabilizado porque resulta de atividades ilegais, pelos seus fins ou pelos meios utilizados. A\u00a0<strong>economia informal<\/strong>\u00a0corresponde ao produto criado por atividades essencialmente associadas a uma estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia ou melhoria de condi\u00e7\u00f5es de vida das fam\u00edlias.<!--more--><br \/>\nO que na atividade econ\u00f3mica est\u00e1 encoberto, incluindo muitos procedimentos ilegais, n\u00e3o pode ser calculado diretamente. N\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es, estat\u00edsticas, compil\u00e1veis sobre elas. H\u00e1 que proceder por estimativa, utilizando metodologias perfeitamente justificadas e metodologicamente corretas.<br \/>\nH\u00e1 diversas metodologias, todas elas poss\u00edveis, devendo-se aplicar umas ou outras conforme a sociedade a que se pretende analisar, conforme a aten\u00e7\u00e3o mais focada nesta ou naquela parcela da economia n\u00e3o registada, conforme os custos de cada um dos procedimentos.<br \/>\nA\u00a0<a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/e002.pdf\" target=\"_blank\">metodologia<\/a>\u00a0utilizada pelo Observat\u00f3rio recorre a justificados e testados modelos matem\u00e1ticos e foca a sua aten\u00e7\u00e3o mais fortemente sobre a economia subterr\u00e2nea.2. A estimativa de um valor da economia n\u00e3o registada n\u00e3o tem o\u00a0<strong>rigor<\/strong>\u00a0de uma soma de dados estat\u00edsticos comprovados, n\u00e3o tem a precis\u00e3o do tra\u00e7ar de uma reta com uma r\u00e9gua, mas tem a possibilidade de calcular o montante aproximado, com uma margem de erro que rondar\u00e1 os 2,5% para cima ou para baixo.<br \/>\nN\u00e3o tem rigor milim\u00e9trico ao calcular o seu montante num ano, mas tem-no quando se mede a evolu\u00e7\u00e3o havida. A manuten\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos de c\u00e1lculo e dos indicadores d\u00e1 a certeza que as tend\u00eancias de aumento ou diminui\u00e7\u00e3o existem nos c\u00e1lculos porque elas existem na realidade.3. Os c\u00e1lculos feitos no Observat\u00f3rio ([<a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/wp004.pdf\" target=\"_blank\">1<\/a>], [<a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/Own031.pdf\" target=\"_blank\">2<\/a>], [<a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/Own041.pdf\" target=\"_blank\">3<\/a>], [<a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/ENR_TribContas_18Out2011.pdf\" target=\"_blank\">4<\/a>] e [<a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/ENR_AI%202010.pdf\" target=\"_blank\">5<\/a>]) mostram que h\u00e1 uma tend\u00eancia de aumento desde o in\u00edcio do per\u00edodo considerado e que para 2010, \u00faltimo ano para que \u00e9 poss\u00edvel o c\u00e1lculo, voltou a aumentar passando de 24,2% para 24,8% do Produto Interno Bruto de Portugal.<\/div>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"quadro estat\u00edstico\" alt=\"ENR em Portugal\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/ENR01.jpg\" width=\"500\" height=\"106\" border=\"0\" \/><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Evolu\u00e7\u00e3o ENR\" alt=\"ENR em Portugal gr\u00e1fico\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/ENR02.jpg\" width=\"500\" height=\"292\" border=\"0\" \/><br \/>\nPara garantir a comparabilidade dos dados o Produto Interno Bruto de refer\u00eancia \u00e9 calculado com base nos pre\u00e7os em vigor num dado ano fixo. Considerou-se o ano de 2000 como base. Assim podemos dizer que\u00a0<strong>a economia n\u00e3o registada em 2010 ronda os 32.183 milh\u00f5es de euros<\/strong>. Para se ter uma ideia da grandeza deste n\u00famero, alguns termos de compara\u00e7\u00e3o e c\u00e1lculos significativos na conjuntura nacional contempor\u00e2nea:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Um milh\u00e3o de euros em notas de 100\u20ac teriam uma altura de vinte cent\u00edmetros. 32183 milh\u00f5es correspondem a uma pilha de 6,4 quil\u00f3metros de altura de notas de 100\u20ac.<\/li>\n<li>Se n\u00e3o houvesse economia n\u00e3o registada, admitindo uma carga fiscal m\u00e9dia de 20%, o deficit do Or\u00e7amento Geral do Estado seria de apenas 2,9% do PIB.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Como podemos \u201cdetetar\u201d no nosso quotidiano esta economia n\u00e3o registada?<br \/>\nPodemos detetar na manipula\u00e7\u00e3o contabil\u00edstica das empresas e nos relat\u00f3rios fraudulentos das empresas. Podemos detetar nas manipula\u00e7\u00f5es dos pre\u00e7os de transfer\u00eancia e na subfactura\u00e7\u00e3o e sobrefatura\u00e7\u00e3o em opera\u00e7\u00f5es internacionais. Podemos detetar na utiliza\u00e7\u00e3o dos \u201cpara\u00edsos fiscais\u201d para, com a complac\u00eancia de todas as autoridades, fugir ao pagamento de impostos onde a riqueza foi criada. Podemos detetar na exist\u00eancia de empresas fantasma. Podemos detetar nas opera\u00e7\u00f5es fict\u00edcias na Uni\u00e3o Europeia para se receber IVA em vez de se o pagar. Podemos detetar nas manipula\u00e7\u00f5es fraudulentas das opera\u00e7\u00f5es alfandeg\u00e1rias. Podemos detetar na utiliza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o privilegiada e nas opera\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o para se agir \u201cda forma mais conveniente\u201d. Podemos detetar em muitas outras situa\u00e7\u00f5es.<br \/>\nTamb\u00e9m podemos detetar no servi\u00e7o que \u00e9 prestado sem fatura, mas seria um erro social e politicamente dram\u00e1tico atribuir a esta situa\u00e7\u00e3o a responsabilidade total, diriamos principal, da economia n\u00e3o registada em Portugal.<br \/>\nAlguns textos produzidos pelo Observat\u00f3rio podem ajudar a explicar melhor algumas destas situa\u00e7\u00f5es (<a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?cat=72\">\u00bb\u00bb\u00bb<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. A economia que se processa no territ\u00f3rio nacional mas n\u00e3o \u00e9 contabilizada no c\u00e1lculo do produto interno bruto constitui a\u00a0economia n\u00e3o registada. \u00c9 composta de diversos conjuntos, nem sempre com fronteiras entre si claras. A\u00a0economia subterr\u00e2nea\u00a0corresponde ao produto que se furta \u00e0 contabiliza\u00e7\u00e3o por raz\u00f5es dominantemente fiscais. 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