{"id":44612,"date":"2020-03-28T18:54:07","date_gmt":"2020-03-28T18:54:07","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44612"},"modified":"2020-03-28T18:54:10","modified_gmt":"2020-03-28T18:54:10","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44612","title":{"rendered":"Como o bom senso leva ao desastre"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jorge Fonseca de Almeida, Jornal de Neg\u00f3cios<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/www.jornaldenegocios.pt\/opiniao\/colunistas\/jorge-fonseca-de-almeida\/detalhe\/como-o-bom-senso-leva-ao-desastre?ref=Opini%C3%A3o_grupo2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Estamos numa guerra, n\u00e3o \u00e9 altura para tomar medidas equilibradas. \u00c9 altura para concentrar for\u00e7as sobre o ponto fraco do inimigo. \u00c9 assim que se vencem as guerras<\/p>\n<div class=\"noticiaTitle\">\n<div>\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Ao agir sob o preceito \"m\u00e1xima precau\u00e7\u00e3o, m\u00ednima perturba\u00e7\u00e3o\" o Governo do PS procura equilibrar dois opostos, guiando-se pelo bom senso e tomando decis\u00f5es \u00e0 medida que a situa\u00e7\u00e3o o exige. Esta \u00e9, contudo, a receita italiana que levou ao desastre naquele pa\u00eds que conta quase o dobro de mortos da China que tem uma popula\u00e7\u00e3o dezenas de vezes superior \u00e0 de It\u00e1lia.<\/p>\n<p>A analogia com a guerra continua a aplicar-se neste caso de emerg\u00eancia nacional. Numa guerra n\u00e3o \u00e9 boa estrat\u00e9gia responder com bom senso e \u00e0 medida que a situa\u00e7\u00e3o o exige. Na guerra a melhor estrat\u00e9gia \u00e9 a que concentra sabiamente as suas for\u00e7as e as faz incidir decisivamente sobre o ponto mais fraco do advers\u00e1rio derrotando-o.<br \/><br \/>Sabemos que o forte do v\u00edrus \u00e9 a sua r\u00e1pida dissemina\u00e7\u00e3o atingindo todos. Em contrapartida o seu ponto fraco \u00e9 a aus\u00eancia de contacto. Sem contacto n\u00e3o se espalha, morre, desaparece. Assim foi vencido na China com sucesso em apenas 4 meses (dezembro a mar\u00e7o). Mas \u00e9 preciso fazer incidir todas as for\u00e7as nesse ponto fraco.<br \/><br \/>N\u00e3o empregar todas as for\u00e7as, ser equilibrado, permite ao v\u00edrus continuar a propagar-se, continuar a infetar, continuar a matar. \u00c9 como se perante uma invas\u00e3o defend\u00eassemos a fronteira terrestre mas permit\u00edssemos a entrada pela fronteira mar\u00edtima. Ou cortamos a propaga\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o cortamos, n\u00e3o h\u00e1 ponto interm\u00e9dio, n\u00e3o h\u00e1 ponto de equil\u00edbrio, n\u00e3o h\u00e1 lugar ao bom senso no sentido de meio-termo.<br \/><br \/>Outro erro\/crime que nos preparamos para cometer mas que j\u00e1 foi anunciado \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o de regras de racionamento dos servi\u00e7os de sa\u00fade quando a situa\u00e7\u00e3o se agudizar. Quando os ventiladores n\u00e3o chegam, quando os rem\u00e9dios n\u00e3o chegam t\u00eam de ser racionados, o que significa que ser\u00e3o canalizados para uns e recusados a outros.<br \/><br \/>As regras anunciadas parecem orientar-se para a recusa de servi\u00e7os de sa\u00fade aos mais velhos, aos diab\u00e9ticos e a outros doentes cr\u00f3nicos para os dar aos jovens e saud\u00e1veis. Parece, novamente, ser l\u00f3gico e de bom senso.<br \/><br \/>Como chama a aten\u00e7\u00e3o o New York Times de 21 de mar\u00e7o \u00faltimo, num excelente artigo intitulado \"The Hardest questions Doctors may face. Who will be saved? Who Whon\u2019t?\", por baixo deste bom senso encontramos uma pol\u00edtica classista e racista. \u00c9 que os pobres t\u00eam mais probabilidades de ser diab\u00e9ticos, pela m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o a que t\u00eam de se sujeitar, e de ter outras doen\u00e7as cr\u00f3nicas. E \u00e9 tamb\u00e9m conhecida a menor condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade dos negros dos bairros perif\u00e9ricos obrigados a condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias prop\u00edcias a muitas doen\u00e7as. E ser\u00e3o estes que pelas regras \"t\u00e9cnicas\" morrer\u00e3o sem assist\u00eancia. \u00c9 que estas regras \"t\u00e9cnicas\" s\u00e3o na verdade classistas e racistas.<br \/><br \/>Por \u00faltimo pode ser, como salienta o artigo do New York Times, p\u00e9ssimo desligar\/recusar um ventilador a um idoso para o dar a um jovem. Essa decis\u00e3o aparentemente sensata pode aumentar o n\u00famero de mortos. \u00c9 que o idoso provavelmente morrer\u00e1 sem o ventilador e o jovem muito provavelmente recuperar\u00e1 sem o ventilador. Assim em vez de salvar duas vidas acaba-se por matar uma pessoa.<br \/><br \/>Numa situa\u00e7\u00e3o similar nos EUA, continua o artigo do NY Times, quando os ventiladores n\u00e3o eram suficientes os hospitais colocaram pessoal junto das camas para manter a ventila\u00e7\u00e3o de forma manual. N\u00e3o \u00e9 uma tarefa t\u00e9cnica. Tamb\u00e9m temos esse plano? Est\u00e3o a ser treinadas pessoas para essa tarefa ou simplesmente deixamos morrer o doente?<br \/><br \/>Os primeiros crit\u00e9rios de exclus\u00e3o foram estabelecidos pelo ex\u00e9rcito napole\u00f3nico e era simples: os feridos mais graves tinham prioridade independentemente da patente do ferido. <br \/><br \/>Nos EUA os crit\u00e9rios de exclus\u00e3o s\u00e3o debatidos pelos m\u00e9dicos mas tamb\u00e9m pela sociedade como o artigo do New York Times \u00e9 a prova. Em Portugal os crit\u00e9rios de exclus\u00e3o est\u00e3o a ser j\u00e1 estabelecidos. \u00c9 bom que essa discuss\u00e3o n\u00e3o se fa\u00e7a longe dos holofotes e longe dos interessados.<br \/><br \/>Estamos numa guerra, n\u00e3o \u00e9 altura para tomar medidas equilibradas. \u00c9 altura para concentrar for\u00e7as sobre o ponto fraco do inimigo. \u00c9 assim que se vencem as guerras.<\/p>\n<div class=\"noticiaTitle\">\n<div class=\"showLerMais\">\n<div class=\"showLerMais\">\n<div class=\"showLerMais\">\n<div class=\"showLerMais\">\n<p><em>Economista<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Fonseca de Almeida, Jornal de Neg\u00f3cios Estamos numa guerra, n\u00e3o \u00e9 altura para tomar medidas equilibradas. \u00c9 altura para concentrar for\u00e7as sobre o ponto fraco do inimigo. \u00c9 assim que se vencem as guerras \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,141],"tags":[],"class_list":["post-44612","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-de-negocios"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44612","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=44612"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44612\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44613,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44612\/revisions\/44613"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=44612"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=44612"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=44612"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}