{"id":44600,"date":"2020-03-28T12:21:18","date_gmt":"2020-03-28T12:21:18","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44600"},"modified":"2020-03-28T12:21:21","modified_gmt":"2020-03-28T12:21:21","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-53-2-2-2-2-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44600","title":{"rendered":"CoronaCrise"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\"><span style=\"color: #d8070f\"><strong>\u00d3scar Afonso<\/strong><\/span>, Dinheiro Vivo (JN \/ DN)<\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/opiniao\/coronacrise\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Cr\u00f3nica-46_OA_24Mar2020.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p>A melhor das medidas \u00e9 a descida imediata e muit\u00edssimo significativa da carga fiscal, porque beneficia todos na propor\u00e7\u00e3o da atividade desenvolvida<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: left\"><!--more--><\/p>\n<p>Observo que a cada dia se discutem n\u00fameros de infetados e mortos para insinuar que s\u00e3o poucos e que est\u00e1 tudo controlado. Evidentemente que uma morte \u00e9 muito e quanto aos contaminados a verdade \u00e9 que o n\u00famero de testes administrados tem decrescido \u2013 dia 20: 2122, dia 21: 1913, dia 22: 1832, dia 23: 1645; dia 24: 1419 \u2013, mas ainda assim aumenta o n\u00famero de infetados! Obviamente, j\u00e1 todos sabemos, que a taxa de crescimento tem estado artificialmente camuflada. Basta pensar como pode a evolu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de casos suspeitos ser muito mais acelerado do que o n\u00famero de infetados. Poupando nos testes, infetados n\u00e3o testados continuam a contaminar inocentemente.<\/p>\n<p>Asseguram-nos que \u201cat\u00e9 agora n\u00e3o faltou nada e n\u00e3o \u00e9 previs\u00edvel que venha a faltar\u201d, mas depois ouvimos e lemos testemunhos de profissionais de sa\u00fade que nos dizem o contr\u00e1rio: \u201cesta carga emocional aliada \u00e0s dificuldades de recursos, deixa-nos sem ch\u00e3o\u201d, \u201cparece-me que a comunica\u00e7\u00e3o social foi afastada das imedia\u00e7\u00f5es e s\u00f3 se avan\u00e7am informa\u00e7\u00f5es que d\u00e3o jeito\u201d, \u201cestamos com medo\u201d, \u201cdevo estar j\u00e1 contaminado\u201d, .... Cada um que acredite em quem achar mais cred\u00edvel, os pol\u00edticos ou os profissionais de sa\u00fade! Se n\u00e3o faltasse nada certamente n\u00e3o havia encerramento de centros de sa\u00fade por contamina\u00e7\u00e3o nem havia 160 profissionais de sa\u00fade j\u00e1 infetados.<\/p>\n<p>Bem sei, como se diz, que a mentira piedosa consola a natureza humana, mas quando est\u00e1 em causa a vida vale a pena tal consolo? A menos que seja cegueira mental, que, como dizia Saramago, \u201cfaz com que n\u00e3o reconhe\u00e7amos o que temos \u00e0 frente.\u201d O tempo vai acabar por revelar a verdade porque, infelizmente neste caso, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel enganar a natureza. No meio de tanta contradi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sei o que est\u00e1 para chegar quanto \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a e quanto aos meios de combate. Sei que cresce a inseguran\u00e7a e a sensa\u00e7\u00e3o de perda de controlo. Sei que os meios eram insuficientes e que os novos n\u00e3o chegam, sejam ventiladores, m\u00e1scaras ou testes r\u00e1pidos. Esperava-se muito do contr\u00e1rio do que se v\u00ea e ouve, embora n\u00e3o houvesse grande esperan\u00e7a que fosse diferente. A espera e a mentira ajudam a propaga\u00e7\u00e3o, e contribui para gerar p\u00e2nico.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o quero continuar a escrever sobre a morte, prefiro continuar a cr\u00f3nica com economia, que, neste contexto, tem uma import\u00e2ncia bem menor, mas que, para alguns, parece ser apenas o que conta, reduzindo tudo a euros. \u00c0s vezes fico com a sensa\u00e7\u00e3o que o objetivo n\u00e3o \u00e9 chegar ao fim com o menor n\u00famero de mortos poss\u00edvel, mas com a menor quebra do PIB poss\u00edvel. A este prop\u00f3sito, na imprensa portuguesa e mundial, abundam coment\u00e1rios e previs\u00f5es de economistas sobre o impacto do coronav\u00edrus (o diabo, que infelizmente chegou). Sobre Portugal j\u00e1 vi de tudo, desde crescimento de 1% -- s\u00f3 para rir, claro! \u2013 at\u00e9 quebras de 10%. Posso acrescentar mais previs\u00f5es? A minha relut\u00e2ncia decorre do facto de que n\u00f3s, economistas, pouco sabemos de sa\u00fade e temos pouco ou nenhum acesso ao desconhecido futuro.<\/p>\n<p>N\u00e3o conhecendo o futuro, podemos come\u00e7ar por falar no passado. E o passado recente j\u00e1 revelava que a economia mundial n\u00e3o ia bem. Havia manifesta\u00e7\u00f5es de crescimento mais lento nos Estados Unidos (EUA) e na China, havia a guerra comercial EUA-China, o Brexit, e conflitos no Oriente M\u00e9dio. No final do ano passado, in\u00edcio deste ano, veio o novo choque, oriundo da China, sendo a sua dimens\u00e3o ainda desconhecida. Neste contexto de enorme incerteza, os mercados desconfiam da palavra dos pol\u00edticos, com raz\u00e3o, pelo que as informa\u00e7\u00f5es oficiais negativas tendem a ser ampliadas e as positivas descontadas. Sem verdade, as expectativas dos agentes econ\u00f3micos est\u00e3o naturalmente de rastos, depois de terem estado em alta fruto das pol\u00edticas monet\u00e1rias expansivas dos bancos centrais. O otimismo come\u00e7ou por dar lugar ao pessimismo e este j\u00e1 deu lugar ao p\u00e2nico.<\/p>\n<p>E Portugal? A economia portuguesa, pouco competitiva e muito dependente do turismo, entrou em 2020 com uma d\u00edvida gigantesca que, em valor absoluto, n\u00e3o parou de aumentar. Estava presa por \u201cpin\u00e7as\u201d, pelo arame de uma taxa de juro praticamente nula, assegurada pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelos fundos da Uni\u00e3o Europeia (UE). Mesmo que nada sucedesse internamente, uma desacelera\u00e7\u00e3o da economia internacional teria um efeito consider\u00e1vel sobre as nossas exporta\u00e7\u00f5es e perspetivas de crescimento. Infelizmente, o contexto alarmante do coronav\u00edrus em Portugal diz-nos que haver\u00e1 muito tempo de muito fraca atividade econ\u00f3mica. Bem sabemos que, economicamente, o pa\u00eds vai continuar a ritmo lento. Com muito pouco rigor, podemos ter uma ideia do que se ir\u00e1 passar em termos de taxa de crescimento se atendermos ao n\u00famero de semanas de inatividade. Se a inatividade corresponder a 5, 8, 11 ou 14 semanas ent\u00e3o \u00e9 de prever uma quebra no PIB a rondar, respetivamente, os 9,6%, 15,4%, 21,2% ou 26,9%. Em qualquer dos casos ser\u00e1 uma trag\u00e9dia, embora naturalmente com dimens\u00f5es muito diferentes.<\/p>\n<p>Tal significa um aumento do j\u00e1 monstruoso peso da d\u00edvida no PIB, para al\u00e9m do usual aumento em valor absoluto, que agora vai ter naturalmente de crescer muit\u00edssimo mais: o BCE vai ter de ir ainda mais longe do que j\u00e1 foi, comprando d\u00edvida portuguesa. Significa, enfim, que continuamos presos por um arame, s\u00f3 que agora esse arame estar\u00e1 todo enferrujado, quase a partir, mas ficamos, espero eu, finalmente a saber que n\u00e3o podemos confiar em quem nos mente.<\/p>\n<p>H\u00e1 muito ligada \u201c\u00e0 vida\u201d pelo ventilador UE\/BCE, perante este choque na procura e na oferta, a economia portuguesa precisar\u00e1 de um apoio direto \u00e0s empresas e \u00e0s fam\u00edlias. Porque \u00e9 o que faz sentido e porque se o governo pretende que sejam as institui\u00e7\u00f5es europeias a suportar o custo do choque faz sentido que os agentes econ\u00f3micos nacionais exijam essa postura do estado. A meu ver, a melhor das medidas \u00e9 a descida imediata e muit\u00edssimo significativa da carga fiscal (IRS, IRC, IVA e contribui\u00e7\u00f5es para a Seguran\u00e7a Social), porque beneficia todos na propor\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f3mica desenvolvida, conjugada com o refor\u00e7o dos subs\u00eddios de desemprego, do pagamento de baixas e lay-offs, do apoio ao pagamento de rendas e presta\u00e7\u00f5es de empr\u00e9stimos da compra de casa. O que est\u00e1 em curso, a concess\u00e3o de avales e garantias \u00e0s empresas para obter empr\u00e9stimos e a permiss\u00e3o do adiamento de obriga\u00e7\u00f5es fiscais, \u00e9 a garantia de que muitas n\u00e3o voltar\u00e3o a laborar. Quem, neste cen\u00e1rio, est\u00e1 disposto a ficar (mais) endividado? Esta medida faria sentido se no passado recente tudo estivesse bem, se a crise n\u00e3o fosse t\u00e3o grave e fosse muito tempor\u00e1ria.<\/p>\n<p>Seja pela dimens\u00e3o da crise, seja pelas medidas at\u00e9 agora adotadas, o que nos espera, nos pr\u00f3ximos tempos, n\u00e3o \u00e9 mesmo nada de bom.<\/p>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo (JN \/ DN) A melhor das medidas \u00e9 a descida imediata e muit\u00edssimo significativa da carga fiscal, porque beneficia todos na propor\u00e7\u00e3o da atividade desenvolvida<\/p>\n","protected":false},"author":63,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,279],"tags":[],"class_list":["post-44600","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-dinheiro-vivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44600","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/63"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=44600"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44600\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44602,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44600\/revisions\/44602"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=44600"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=44600"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=44600"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}