{"id":44570,"date":"2020-03-26T23:35:34","date_gmt":"2020-03-26T23:35:34","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44570"},"modified":"2020-03-26T23:35:36","modified_gmt":"2020-03-26T23:35:36","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44570","title":{"rendered":"L\u00edtio: a verdadeira hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso<\/strong><\/span>, Expresso online (050 19\/12\/2019)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2019-12-19-Litio-a-verdadeira-historia-1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/50-OAfonso-dez2019.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n\n\n<p>A\ncr\u00f3nica de hoje visa continuar a refletir sobre a entrega de uma licen\u00e7a com\ndireitos exclusivos de minera\u00e7\u00e3o de l\u00edtio, na zona de Montalegre, a uma empresa\nconstitu\u00edda tr\u00eas dias antes da decis\u00e3o e que n\u00e3o tem nenhum hist\u00f3rico de\natividade ou <em>know-how<\/em> na minera\u00e7\u00e3o e\nprodu\u00e7\u00e3o de l\u00edtio. Qualquer pessoa entende que o recurso\n\u00e9 importante, mas o que realmente importa em termos econ\u00f3micos \u00e9 a capacidade\npara produzir um produto que possa ser vendido. Como \u00e9 poss\u00edvel que um neg\u00f3cio t\u00e3o\nsens\u00edvel esteja ent\u00e3o centrado numa empresa que: Ainda n\u00e3o tem atividade e j\u00e1\nest\u00e1 envolvida em processos nos tribunais por lit\u00edgios entre os s\u00f3cios! Apresenta\ncomo \"consultor\" financeiro um ex-governante socialista! Nasceu com a\nmorada de uma junta de freguesia controlada pelo PS! No projeto que submeteu ao\ngoverno se comprometeu a apresentar um capital social de um milh\u00e3o de euros,\nmas que afinal s\u00e3o s\u00f3 50 mil euros! A este prop\u00f3sito, o banco de investimento <em>FinnCap<\/em>\nfala em \u201cd\u00e9fice de credibilidade\u201d quando se refere ao diminuto valor de mercado das empresas que tencionam levar a\ncabo explora\u00e7\u00f5es de l\u00edtio na Europa comparado com o custo de estabelecer minas\ne refinarias.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 dado como\ncerto que o l\u00edtio \u00e9 uma mat\u00e9ria-prima fundamental para diversas tecnologias\nfuturas, particularmente para armazenamento de energia. Em abono da verdade, trata-se\nde um ponto muito discut\u00edvel, pois h\u00e1 quem considere que dentro de uma d\u00e9cada\nou menos, ser\u00e1 uma tecnologia obsoleta, uma vez que j\u00e1 h\u00e1 outras alternativas\nem estudo e testes. Por exemplo, o grafeno para os telem\u00f3veis, o hidrog\u00e9nio e\ncombust\u00edveis sint\u00e9ticos para os autom\u00f3veis el\u00e9tricos. Que fique claro, a\n\u201ccorrida\u201d ao l\u00edtio \u2013 a ter motiva\u00e7\u00f5es defens\u00e1veis bondosas \u2013 s\u00f3 pode dever-se \u00e0\nprevis\u00e3o de aumento de produ\u00e7\u00e3o de baterias para os carros el\u00e9tricos. Em termos\nde compara\u00e7\u00e3o, um smartphone Samsung Galaxy J5 gasta cerca de um grama de\nl\u00edtio, enquanto uma bateria de um Tesla 70 kWh necessita de 12 Kg de l\u00edtio. Ou\nseja, as ordens de grandeza n\u00e3o s\u00e3o compar\u00e1veis. Por outro lado, a constru\u00e7\u00e3o atual\nde baterias, por exemplo, dos smartphones utiliza outros metais (ex. o\ncobalto), conhecido pela extra\u00e7\u00e3o em \u00c1frica \u00e0 custa de trabalho infantil em\ncondi\u00e7\u00f5es desumanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Seja onde for,\na explora\u00e7\u00e3o de metais nunca teve nada de \u201cverde\u201d e a explora\u00e7\u00e3o de l\u00edtio para\nconstru\u00e7\u00e3o de baterias em Portugal n\u00e3o ter\u00e1 tamb\u00e9m nada de \u201cverde\u201d. Mas isso\npronto s\u00e3o as contradi\u00e7\u00f5es dos socialistas que defendem o ambiente para as\ntelevis\u00f5es, mas tamb\u00e9m as minas, e a substitui\u00e7\u00e3o, j\u00e1 agora, dos paralelos nas\nruas de localidades por alcatr\u00e3o, como \u00e9 o caso de Matosinhos onde resido! Ficar\u00e1\napenas o \u201ccinzento\u201d e o \u201cpreto\u201d no pobre interior \u2013 a destrui\u00e7\u00e3o da paisagem e\ndo patrim\u00f3nio arquitet\u00f3nico, as limita\u00e7\u00f5es de acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel, a\ndificuldade de acesso a solos ar\u00e1veis n\u00e3o contaminados, o agravamento do estado\nde sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es, os impedimentos no acesso a propriedades confinantes\ncom as explora\u00e7\u00f5es, a mudan\u00e7a nas din\u00e2micas sociais da comunidade, a perda de\natratividade tur\u00edstica, a desvaloriza\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis, e claro um ainda maior abandono\ndo j\u00e1 abandonado Tr\u00e1s-os-Montes \u2013, e fica desde j\u00e1 o \u201ccinzento\u201d e o \u201cpreto\u201d que\nenvolvem o interesse t\u00e3o voraz pelo neg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>Aparentemente,\nfoi no contexto atual de crescente dinamismo da procura de l\u00edtio que o governo\nPortugu\u00eas desejou patrocinar a constitui\u00e7\u00e3o do grupo de trabalho, sob despacho\ndo secret\u00e1rio de Estado da energia n\u00ba 15040\/2016, publicado no Di\u00e1rio da\nRep\u00fablica, s\u00e9rie 2, de 13 de dezembro de 2016, de modo a identificar e\ncaracterizar o l\u00edtio em Portugal, bem como as respetivas &nbsp;atividades econ\u00f3micas e a possibilidade de\nprodu\u00e7\u00e3o de l\u00edtio met\u00e1lico em unidades espec\u00edficas de processamento e\nbeneficiamento. Neste processo estranho, duas perguntas simples emergem, desde\nlogo, na cabe\u00e7a de qualquer portugu\u00eas: (i) Que crit\u00e9rios foram usados pelo\ngoverno para a constitui\u00e7\u00e3o do grupo de trabalho? (ii) Qual ser\u00e1 o verdadeiro\ninteresse do neg\u00f3cio?<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m do j\u00e1\nexposto, as duas perguntas decorrem tamb\u00e9m do seguinte facto. Ao que consta, nove\ndos onze locais identificados como \u00e1reas de l\u00edtio s\u00e3o \u00e1reas classificadas com\ngrande valor comunit\u00e1rio \u2013 creio que oito s\u00e3o \u00e1reas da Rede Natura 2000 e uma \u00e9\numa \u00e1rea protegida, um parque natural. Creio ainda poder afirmar que, no caso\nde Montalegre, por exemplo, a explora\u00e7\u00e3o mineira com contrato celebrado vai\nafetar \u00e1reas que s\u00e3o patrim\u00f3nio agr\u00edcola mundial, reserva da biosfera, e que a\nmaior parte do concelho integra a Rede Natura 2000! \u00c9 importante destacar que o\nrelat\u00f3rio sobre o l\u00edtio, produzido pelo grupo de trabalho, d\u00e1 \u2013 naturalmente \u2013 pouca\naten\u00e7\u00e3o a essa grande restri\u00e7\u00e3o e n\u00e3oconsidera, em termos de an\u00e1lise\nfinanceira, a import\u00e2ncia de preservar os valores naturais, o que, no m\u00ednimo,\nsugere uma deprecia\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia desse recurso. Confirma-se que para o PS s\u00f3\n\u00e9 crucial preservar os valores naturais quando h\u00e1 interesse pol\u00edtico!<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m de\nsalientar, para compreender a estranheza disto tudo, que os recursos de l\u00edtio\nexistentes em Portugal s\u00e3o irrelevantes na esfera mundial, pois correspondem a\nmenos de 1% (total mundial: 54,175 milh\u00f5es de ton; Total Portugal: 130.000 ton,\ndados USGS de 2019), havendo, quando muito, uma enorme especula\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o \u00e0\nvolta do l\u00edtio. Na verdade, n\u00e3o h\u00e1 escassez atual de l\u00edtio. Ali\u00e1s, o pre\u00e7o tem\nvindo a descer no \u00faltimo ano, ainda mais com a not\u00edcia anunciada pela China que\npode produzir l\u00edtio a 1\/9 do custo atual. Os custos de explora\u00e7\u00e3o do l\u00edtio das\nnossas serras, extra\u00e7\u00e3o e separa\u00e7\u00e3o da rocha encaixante onde existe s\u00e3o cerca\nde 5 vezes superiores ao do l\u00edtio que existe nas salmouras da Am\u00e9rica do Sul ou\nna Austr\u00e1lia ocidental. Tudo isto contribui, pois, para que este neg\u00f3cio \u201ccheire\na esturro\u201d e para a pertin\u00eancia da pergunta: Quais ser\u00e3o ent\u00e3o efetivamente as\nverdadeiras motiva\u00e7\u00f5es do neg\u00f3cio? O que se l\u00ea da rea\u00e7\u00e3o dos investidores \u00e9 apenas\nque h\u00e1 uma \u201cjanela de oportunidade\u201d que se abrir\u00e1 daqui por meia d\u00fazia de anos\ne que pouco durar\u00e1, pelo que os riscos para o nosso pa\u00eds s\u00e3o imensos.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que o governo est\u00e1 a jogar com a roleta\nrussa de um mercado inst\u00e1vel, imprevis\u00edvel e onde outros t\u00eam muito mais poder\nde controlar o jogo. A <em>Savannah Resources<\/em>\ntem uma abordagem \u201cprudente\u201d e sustenta que ir\u00e1 enviar concentrado de l\u00edtio\npara a China para refinar nos primeiros anos e s\u00f3 ir\u00e1 construir a refinaria em\nPortugal quando se assegurar uma parceria. Diz tamb\u00e9m que, para maximizar\nprodu\u00e7\u00e3o e recuperar os custos, pensa trazer concentrado de l\u00edtio da \u00c1frica e\ndo Brasil pelo porto de Leix\u00f5es para o refinar. Neste contexto, torna-se pois\nnatural pensar que a motiva\u00e7\u00e3o do investimento \u00e9 esbanjar recursos \u2013 fundos\ncomunit\u00e1rios \u2013 com alguns (os mesmos de sempre)!<\/p>\n\n\n\n<p>O\nrelat\u00f3rio do grupo de trabalho tamb\u00e9m faz refer\u00eancia \u00e0 necessidade de garantir\numa economia social ea explora\u00e7\u00e3o ambientalmente sustent\u00e1vel dos recursos\ngeol\u00f3gicos. Mas depois, enfim, todas as recomenda\u00e7\u00f5es e propostas focam apenas\na sustentabilidade econ\u00f3mica direta do projeto. Esperava-se uma an\u00e1lise\nfinanceira verdadeiramente independente dos custos associados \u00e0 minimiza\u00e7\u00e3o dos\nimpactos, n\u00e3o apenas em termos de restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica em superf\u00edcie, mas\nfundamentalmente no que diz respeito \u00e0s \u00e1guas e lamas contaminadas, bem como subprodutos\nsem potencial de reutiliza\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m se esperava encontrar uma an\u00e1lise da\npegada ecol\u00f3gica, incluindo as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa associadas ao\nprocesso de transforma\u00e7\u00e3o, cujo custo pode representar 1\/5 dos custos\noperacionais da produ\u00e7\u00e3o de concentrados de l\u00edtio.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido aos\ncustos de explora\u00e7\u00e3o, o relat\u00f3rio faz refer\u00eancia \u00e0 import\u00e2ncia da reciclagem de\nprodutos em fim de vida, nomeadamente baterias de i\u00f5es de l\u00edtio, implementando\num sistema de economia circular. Mas esse processo de reciclagem \u00e9 complexo e\ncaro, o que significa que a recupera\u00e7\u00e3o de baterias em fim de vida \u00fatil \u00e9\neconomicamente invi\u00e1vel por si mesmo. Atualmente apenas uma pequena percentagem\nde baterias pode ser reciclada e apenas um pa\u00eds executa a reciclagem: a China e\nfazendo-o com meios incomparavelmente superiores aos nossos, mas reciclando\nsomente cerca de 10% das baterias em fim de vida. S\u00f3 para ter uma ideia das\ndificuldades associadas \u00e0 reciclagem, a Tesla, por exemplo, est\u00e1 ainda a\nestudar a reciclagem das suas baterias. Ser\u00e1 que se deseja que a reciclagem\nvenha a ser mais um novo \u201cneg\u00f3cio\u201destranho a somar \u00e0 estranheza do anterior?! A\nreciclagem das baterias em fim de vida permitir\u00e1 certamente o recurso a mais\nfundos comunit\u00e1rios que, assim, ser\u00e3o tamb\u00e9m \u201capropriados\u201d pelas pessoas certas.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio do\ngrupo de trabalho sugere ainda o estabelecimento de um recurso geol\u00f3gico destinado\na apoiar a\u00e7\u00f5es de conhecimento, conserva\u00e7\u00e3o, prote\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o debens\ngeol\u00f3gicos. Finalmente, o relat\u00f3rio tamb\u00e9m considera que seria uma vantagem\nextrair valor para a popula\u00e7\u00e3o (pobre) local e nacional, sem cometer o mesmo\nerro dos contratos de hidrocarbonetos, nos quais a compensa\u00e7\u00e3o financeira ao\nEstado Portugu\u00easrepresenta apenas 10% dos lucros, considerando que seria tamb\u00e9m\nimportante estabelecero mecanismo de responsabilidade social corporativa mais\ncomo um incentivo para agir do que como umaobriga\u00e7\u00e3o.Se o interesse pelo pobre interior\n\u00e9 assim t\u00e3o relevante e n\u00e3o \u00e9 apenas \u201cdiscurso\u201d para a TV, espanta-me que, no\ncen\u00e1rio catastr\u00f3fico de avan\u00e7o do processo, n\u00e3o se admita que t\u00e3o esperada significativa\ncompensa\u00e7\u00e3o financeira n\u00e3o seja atribu\u00edda na totalidade ao munic\u00edpio, ou seja, n\u00e3o\nseja concedida \u00e0s marginalizadas popula\u00e7\u00f5es locais que carregam os custos. O Estado\nj\u00e1 beneficiaria da intensa receita fiscalesperada e chegaria, ou n\u00e3o?!<\/p>\n\n\n\n<p>Em\nsuma, ogrupo de trabalho, cuja independ\u00eancia coloco em causa, concluiu que o\nmineral de l\u00edtio de Portugal \u00e9 econ\u00f3mica etecnologicamente recuper\u00e1vel. Por\u00e9m, esqueceu\n(como sempre acontece com o interior) a regi\u00e3o e os que l\u00e1 vivem e deu pouca\naten\u00e7\u00e3o \u00e0s restri\u00e7\u00f5es ambientais, algo que n\u00e3o deve acontecer se se quiser\ncriar uma estrat\u00e9gia de longo prazo, capazde contabilizar todos os custos\nassociados. Cada est\u00e1giodo ciclo de vida de um mineral acarreta riscos ao meio\nambiente e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. A contabiliza\u00e7\u00e3o dessas externalidades pode dobrar ou\ntriplicar o pre\u00e7o da explora\u00e7\u00e3o, potencializando a reciclagem e os segundos\nusos. Al\u00e9m disso, os verdadeiros impactos negativos s\u00e3o muito maiores doque os\nn\u00famerossugerem, n\u00e3o apenas porque alguns impactos n\u00e3o foram levados em\nconsidera\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m porquealguns deles, apesar de identificados, dependem\ndo clima inst\u00e1vel ou ainda n\u00e3o est\u00e3oquantificados. Contabilizar esses impactos\ntornaria certamente as fontes de energia renov\u00e1veis, juntamente com\ninvestimentos em m\u00e9todos de efici\u00eancia e armazenamento, economicamente\ncompetitivas em rela\u00e7\u00e3o aos combust\u00edveis f\u00f3sseis.Em particular, \u00e9 importante de\numa vez por todas entender como os impactos da extra\u00e7\u00e3o e processamento\nafetar\u00e3o o ambiente e sa\u00fade humana na regi\u00e3o, uma vez que \u00e9 a\u00ed que tudo ter\u00e1\nlugar.<\/p>\n\n\n\n<p>O\ncrescente uso e prefer\u00eancia por ve\u00edculos el\u00e9tricos ter\u00e1, sem d\u00favida, fortes\nimpactos econ\u00f3micos imediatos, especialmente no caso de l\u00edtio e outros metais\nnecess\u00e1rios para a constru\u00e7\u00e3o de baterias. No entanto, essa tend\u00eancia aparentemente\naltru\u00edsta e genu\u00edna tem muitos efeitos perversos, colocando muita press\u00e3o nesse\nrecurso escasso e na sua capacidade de responder \u00e0 procura.O futuro da extra\u00e7\u00e3o\ne processamento de l\u00edtio teriade garantir boas empresas, responsabilidade\nsocial e ambiental, incluindo recupera\u00e7\u00e3o e regenera\u00e7\u00e3o ambiental da\u00e1rea\nexplorada para ser usufru\u00edda pela sociedade, em conformidade com a legisla\u00e7\u00e3o\nem vigor.Em Portugal, no entanto, tal desiderato lan\u00e7a muitas d\u00favidas e\nincertezas se tivermos em conta o passivo ambiental que resultou da atividade\nextrativa anterior, revelando-se o Estado sempre incapaz de o evitar \u2013 a\nextra\u00e7\u00e3o nunca foi de todo verde! E n\u00e3o foi (apenas) a legisla\u00e7\u00e3o que falhou...!\nAcresce que as reservas existentes em Portugal deixam muitas d\u00favidas sobre a\nviabilidade do investimento.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1\nainda quem diga que seria importante n\u00e3o concentrar a grande quantidade de\nimpactos negativosde extra\u00e7\u00e3o e processamento em apenas alguns locais.Se\nPortugal fosse um pa\u00eds que possu\u00edsse desertos como o de Atacama (Chile) ou o\ndeserto de Vit\u00f3ria (Austr\u00e1lia) poder\u00edamos, a\u00ed sim, escolher. Ainda assim,\nembora o Chile possua 52% das\nreservas mundiais, a sua extra\u00e7\u00e3o tem causando danos irrevers\u00edveis no deserto\nde Atacama, no seu ecossistema, e nas comunidades vizinhas. Quem o diz \u00e9 Sergio Cubillos, presidente do Conselho dos Povos Atacame\u00f1os. De igual\nmodo, B\u00e1rbara Jerez Henr\u00edquez, professora e investigadora da Escola de Servi\u00e7o\nSocial da Universidade de Valpara\u00edso, acredita que a explora\u00e7\u00e3o do l\u00edtio no\ndeserto de Atacama transformou o local numa \u201czona de sacrif\u00edcio\u201d.Matilde L\u00f3pez\nMu\u00f1oz, professora de biologia que atualmente trabalha como acad\u00e9mica na Universidade\ndo Chile, com doutoramento em ci\u00eancias sociais, ecol\u00f3gicas e econ\u00f3micas,\nestranha que \u201cexistam tr\u00eas pa\u00edses essencialmente ricos em l\u00edtio. \u2026 a Bol\u00edvia...\nArgentina... (mas) o mineral \u00e9 simplesmente extra\u00eddo aqui (Chile)\u201d. Por tudo o j\u00e1 referido,\nmas tamb\u00e9m porque se trata de um pa\u00eds pequeno, com um territ\u00f3rio bastante\nhumanizado e um povoamento na maior parte dos casos dispersos, n\u00e3o \u00e9 ambiental\ne socialmente, na minha opini\u00e3o, defens\u00e1vel (e sustent\u00e1vel) a explora\u00e7\u00e3o mineira\n\u201ca c\u00e9u aberto\u201d em Portugal. A \u00fanica op\u00e7\u00e3o certa \u00e9, naturalmente, n\u00e3o haver! No\ncaso portugu\u00eas, a pouca f\u00e9 no governo refor\u00e7a essa op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste\nneg\u00f3cio estranho, certamente motivados por desejo de acesso a fundos europeus, que\nservem uma elite, h\u00e1 ainda raz\u00f5es de sobra para acreditarmos que a legisla\u00e7\u00e3o\ntem vindo a ser \u201cpreparada\/cozinhada\u201d por forma a favorecer o processo. Se\nassim n\u00e3o fosse, alegisla\u00e7\u00e3o deveria, no m\u00ednimo, ser alvo de uma an\u00e1lise muito\ns\u00e9ria e independente. N\u00e3o \u00e9, pois, aceit\u00e1vel que alguns desejem enriquecer\nainda mais \u00e0 custa dos direitos sociais, ambientais e econ\u00f3micos das\ncomunidades locais.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Expresso online (050 19\/12\/2019)<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,282],"tags":[],"class_list":["post-44570","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-expresso-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44570","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=44570"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44570\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44571,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44570\/revisions\/44571"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=44570"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=44570"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=44570"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}