{"id":44497,"date":"2020-03-25T00:50:42","date_gmt":"2020-03-25T00:50:42","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44497"},"modified":"2020-03-25T00:50:46","modified_gmt":"2020-03-25T00:50:46","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44497","title":{"rendered":"Incompatibilidades e impedimentos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Rute Serra<\/strong><\/span>, Expresso online (034 28\/08\/2019)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2019-08-28-Incompatibilidades-e-impedimentos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" class=\" wp-image-19 alignleft\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\"><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/34-RuteS-ago2019.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"14\" height=\"14\" title=\"Ficheiro PDF\" class=\"alignleft wp-image-2032\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\"><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n\n\n<p>Hoje, tal como ontem, permanece\ncerta a conclus\u00e3o alcan\u00e7ada por El-Rei de Portugal D. Afonso V no s\u00e9culo XV,\nquando a prop\u00f3sito da acumula\u00e7\u00e3o de cargos e of\u00edcios p\u00fablicos, preconizou tal\ncomo \u201cmuito odioso aos of\u00edcios e muito mais aos povos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o duvidamos que tenha sido\npor ser muito \u201codioso aos povos\u201d (isto \u00e9, aos cidad\u00e3os portugueses) que as\nmat\u00e9rias relacionadas com as acumula\u00e7\u00f5es e incompatibilidades de altos cargos\np\u00fablicos e pol\u00edticos, na imin\u00eancia das idas a banhos, ap\u00f3s tr\u00eas anos de avan\u00e7os\ne recuos descompassados, tardos e em v\u00e9speras de elei\u00e7\u00f5es, fossem alvo de\naten\u00e7\u00e3o legislativa. Manifesta-se-nos, contudo, como um mist\u00e9rio insond\u00e1vel,\nporque motivo se demora uma legislatura inteira a aprovar diplomas fundamentais\ndo Estado de Direito democr\u00e1tico. N\u00e3o que devam ser aprovados \u00e0 pressa, mas n\u00e3o\n\u00e9 isso precisamente que ocorre neste sprint de fim de legislatura?<\/p>\n\n\n\n<p>E l\u00e1 se reuniram\nensoissadamente os doutos pareceres dos <em>amicus\ncuriae<\/em>, respigaram-se mais umas moxinifadas daqui e dal\u00e9m e eis que surge a\nLei n.\u00ba 52\/2019 de 31 de julho que aprova o regime das incompatibilidades e\nimpedimentos dos titulares de cargos pol\u00edticos e altos cargos p\u00fablicos. <\/p>\n\n\n\n<p>E sim, j\u00e1 existia desde 1993\nlegisla\u00e7\u00e3o muito id\u00eantica, mas cuja interpreta\u00e7\u00e3o literal levaria ao absurdo\n(porventura essa velha magia da hermen\u00eautica jur\u00eddica), como se ouviu\npublicamente defender. Em causa n\u00e3o est\u00e1 a bondade do texto anterior,\neventualmente manchado de excesso de zelo ao proibir que um cunhado do titular\ndo cargo pol\u00edtico estivesse inibido de contratar publicamente, por causa do\ngrau de parentesco. O que realmente sobressai \u00e9 a exist\u00eancia por mais de vinte\nanos, de letra morta vertida em legisla\u00e7\u00e3o, a debilitar gratuitamente a\ncredibilidade dos por ela visados, mas tamb\u00e9m a dos seus autores. Haveria de\nser prestada aten\u00e7\u00e3o a legisla\u00e7\u00e3o v\u00e1ria relativa \u00e0 administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica nestas\ncircunst\u00e2ncias, pois n\u00e3o \u00e9 este caso \u00fanico.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das vicissitudes, tal\nn\u00e3o dealba dos tempos modernos, pois j\u00e1 as proibi\u00e7\u00f5es sobre parentesco de oficiais\np\u00fablicos constantes das Ordena\u00e7\u00f5es Manuelinas, para que \u201cse evitem alguns\ninconvenientes\u201d eram ami\u00fade desrespeitadas, tendo chegado at\u00e9, j\u00e1 no s\u00e9culo\nXVIII, a ser toleradas\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Se quisermos saber ao certo\ncomo decorreu o processo legislativo, n\u00e3o ser\u00e1 atrav\u00e9s da consulta da p\u00e1gina da\nComiss\u00e3o Eventual para o Refor\u00e7o da Transpar\u00eancia no Exerc\u00edcio de Fun\u00e7\u00f5es\nP\u00fablicas, em fun\u00e7\u00f5es desde 2016, dispon\u00edvel no website do Parlamento, que conseguimos.\nO que digamos, se revela pouco\u2026 transparente, precisamente. Assim, aquilo que\npodemos por hora averiguar resulta do confronto entre os dois textos legais. E\no que dali, afinal, sobressai? <\/p>\n\n\n\n<p>Relativamente aos impedimentos\n(anterior artigo 8\u00ba e atual artigo 9\u00ba) verifica-se um relaxamento das\nproibi\u00e7\u00f5es, o que n\u00e3o significa necessariamente menos transpar\u00eancia. A\nobriga\u00e7\u00e3o de publicita\u00e7\u00e3o online da contrata\u00e7\u00e3o p\u00fablica efetuada por parentes,\ncom entidades tuteladas pelo ocupante do cargo pol\u00edtico ou p\u00fablico, \u00e9 disso exemplo.\nTudo ir\u00e1 depender da efic\u00e1cia do novo regime sancionat\u00f3rio previsto, que\nreparte entre o Tribunal Constitucional (TC) e o Minist\u00e9rio P\u00fablico a\nresponsabilidade para aplica\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es e intentar as a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo regime sancionat\u00f3rio n\u00e3o\nsurge sem um pre\u00e7o, contudo: as obriga\u00e7\u00f5es declarativas das pessoas abrangidas\npela aplica\u00e7\u00e3o desta lei, passam a ser fiscalizadas pela nova Entidade da\nTranspar\u00eancia, organismo \u201csat\u00e9lite\u201d a instalar no TC(caso caibam nas instala\u00e7\u00f5es),\ncom esta \u00fanica compet\u00eancia no \u00e2mago da sua cria\u00e7\u00e3o. Livra-se assim aquele\ntribunal deste odioso inerte. E vistas bem as coisas, d\u00e1-se de algum modo raz\u00e3o\na quem na discuss\u00e3o plen\u00e1ria da lei de 1993 e face \u00e0 ent\u00e3o novel compet\u00eancia de\nfiscaliza\u00e7\u00e3oatribu\u00edda ao TC sobre aquelas declara\u00e7\u00f5es, acusou o proponente da\nlei de querer transformar aquele Tribunal numa \u201cpol\u00edcia das declara\u00e7\u00f5es\u201d,\n\u201cmanga de alpaca das declara\u00e7\u00f5es\u201d, \u201cjulgador das declara\u00e7\u00f5es\u201d e\u2026 (a meu ver a\nmais espirituosa express\u00e3o) \u201cmeirinho ou beleguim dos declarantes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Distra\u00e7\u00f5es \u00e0 parte, o que\nparece evidente \u00e9 que aos cargos pol\u00edticos e altos cargos p\u00fablicos, considerando\na responsabilidade derivada da sua ocupa\u00e7\u00e3o e o relevo social alcan\u00e7ado pelos\nseus protagonistas, subjaz como fim \u00faltimo a realiza\u00e7\u00e3o do interesse p\u00fablico e\no respeito pelo princ\u00edpio administrativo b\u00e1sico da imparcialidade. E \u00e9 a defesa\ndisto que n\u00e3o deve admitir m\u00e3o branda.A defini\u00e7\u00e3o assertiva da globalidade da\nlegisla\u00e7\u00e3o correlacionada (como seja a que se refere ao cometimento de crimes\nda responsabilidade de titulares de cargos pol\u00edticos), ainda n\u00e3o obtida,\nincrementar\u00e1, por seu turno, a essencial confian\u00e7a que os \u201cpovos\u201d t\u00eam que\nmanter nos seus dirigentes p\u00fablicos e pol\u00edticos. <\/p>\n\n\n\n<p>Sem delongas sobre a oportunidade\nda publica\u00e7\u00e3o da lei, a t\u00e9cnica leg\u00edstica utilizada e as solu\u00e7\u00f5es preconizadas,\nquest\u00f5es que o Observat\u00f3rio de Economia e Gest\u00e3o de Fraude estar\u00e1 sempre dispon\u00edvel\npara debater nos f\u00f3runs adequados enquanto elemento ativo da sociedade civil,\nconvir\u00e1 que, em especial, n\u00e3o se venha a revelar mais um nado morto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rute Serra, Expresso online (034 28\/08\/2019)<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,282],"tags":[],"class_list":["post-44497","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-expresso-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44497","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=44497"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44497\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44518,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44497\/revisions\/44518"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=44497"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=44497"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=44497"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}