{"id":44392,"date":"2020-03-01T16:54:39","date_gmt":"2020-03-01T16:54:39","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44392"},"modified":"2020-03-01T16:54:42","modified_gmt":"2020-03-01T16:54:42","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-3-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44392","title":{"rendered":"Quantos inform\u00e1ticos s\u00e3o necess\u00e1rios para enroscar uma l\u00e2mpada?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><b style=\"color: #d8070f;\">Pedro Moura <\/b><\/span><b style=\"color: #d8070f;\"><\/b><\/span>, Vis\u00e3o online<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/visao.sapo.pt\/opiniao\/2020-02-27-quantos-informaticos-sao-necessarios-para-enroscar-uma-lampada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Visao580.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>S\u00e3o boas inten\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o chegam, n\u00e3o t\u00eam chegado. Faltam 75 mil profissionais de TIC, e a este ritmo esta diferen\u00e7a entre o que somos e o que poder\u00edamos ser vai aumentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<p>Sendo a minha vida profissional baseada em Tecnologias de Informa\u00e7\u00e3o e Computa\u00e7\u00e3o (TIC), \u00e9 triste para mim constatar que Portugal continua a n\u00e3o conseguir ultrapassar o seu d\u00e9fice estrutural nesta \u00e1rea relativamente aos nossos cong\u00e9neres Europeus. A \u2018economia digital\u2019 j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a miragem distante de h\u00e1 umas d\u00e9cadas atr\u00e1s: os pa\u00edses que n\u00e3o conseguirem acompanhar (ou ultrapassar) a marcha dos tempos no que \u00e0 tecnologia toca ficar\u00e3o inevitavelmente mais d\u00e9beis e dependentes econ\u00f3mica, social e culturalmente. As TIC devem ser uma aposta estrat\u00e9gica <em>de facto<\/em> (ou seja, n\u00e3o <em>no papel<\/em>) para que Portugal consiga almejar algum dia sair da cepa torta a n\u00edvel econ\u00f3mico.<\/p>\n<p>O gr\u00e1fico abaixo demonstra claramente este nosso atraso no contexto da Europa relativamente ao indicador (Eurostat) de percentagem de popula\u00e7\u00e3o empregada na \u00e1rea de ICT. Este indicador d\u00e1 uma medida da din\u00e2mica entre procura (organiza\u00e7\u00f5es que necessitam de profissionais TIC) e oferta (profissionais TIC dispon\u00edveis). \u00c9 sobejamente sabido que hoje em dia esta \u2018procura\u2019 \u00e9 muitos n\u00edveis superiores \u00e0 \u2018oferta\u2019, pelo que o principal constrangimento para a melhoria de Portugal neste indicador ter\u00e1 de passar sobretudo pelo aumento da \u2018oferta\u2019, i.e., de profissionais de TIC dispon\u00edveis, pois estes ser\u00e3o imediatamente absorvidos por um tecido empresarial absolutamente necessitado neste campo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"605\" src=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Gra\u0301fico-1024x605.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-44393\" srcset=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Gra\u0301fico-1024x605.png 1024w, https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Gra\u0301fico-300x177.png 300w, https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Gra\u0301fico-768x454.png 768w, https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Gra\u0301fico-1536x908.png 1536w, https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Gra\u0301fico-2048x1211.png 2048w, https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Gra\u0301fico-1170x692.png 1170w, https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Gra\u0301fico-1320x780.png 1320w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Torna-se, contudo, necess\u00e1rio analisar estes\ndados numa perspetiva temporal, para se perceber e compreender a evolu\u00e7\u00e3o deste\ntema. <\/p>\n\n\n\n<p>A tabela abaixo, compilada a partir de dados\np\u00fablicos do Eurostat e Pordata, d\u00e1-nos esta perspetiva, permitindo-nos as\nseguintes conclus\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>O indicador de percentagem de popula\u00e7\u00e3o\nempregada em TIC tem aumento em EU28 e Portugal. No entanto a dist\u00e2ncia de\nPortugal \u00e0 m\u00e9dia de EU28 tem-se mantido inalterada (m\u00e9dia de -1,4 pontos\npercentuais), mostrando uma incapacidade para conseguirmos recuperar e\nconvergir este indicador com a m\u00e9dia EU28;<\/li><li>Assumindo que Portugal consegue ter a mesma\ncapacidade de utiliza\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o empregada em TIC que o resto da Europa\n(nada indica o contr\u00e1rio), os indicadores (5), (6) e sobretudo o (7) mostram\nque o <em>Gap<\/em> (diferen\u00e7a entre valor potencial e valor real de profissionais\nempregado de TIC, ou seja, teoricamente quantos profissionais de TIC \u2018faltam\u2019\nem Portugal) tem aumentado nos \u00faltimos anos (de cerca de 42.000 em 2014 para\n74.500 em 2018, um aumento de 77%!);<\/li><li>Avaliando-se a hip\u00f3tese que o nosso sistema\nde Ensino Superior deveria ser o principal contribuinte para a melhoria destes\nindicadores (\u2018fornecendo\u2019 profissionais de TIC para o mercado interno), da\nleitura do indicador (8) facilmente se percebe que esta hip\u00f3tese \u00e9 claramente\ninsuficiente, pois mesmo com uma ligeira evolu\u00e7\u00e3o positiva nos \u00faltimos anos, o\nn\u00famero de diplomados em TIC por ano tem representado consistentemente menos de\n10% das necessidades totais de profissionais empregados de IT.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"304\" src=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Tabela-1024x304.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-44394\" srcset=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Tabela-1024x304.png 1024w, https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Tabela-300x89.png 300w, https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Tabela-768x228.png 768w, https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Tabela-1536x456.png 1536w, 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(atualiza\u00e7\u00e3o de\nconhecimentos de TIC para profissionais de TIC ou outras \u00e1reas), e por uma\naposta s\u00e9ria (n\u00e3o a que atualmente \u00e9 feita garantidamente) no fomentar da cria\u00e7\u00e3o\nde startups de base TIC a partir das suas fileiras de docentes e discentes;<\/li><li>As empresas, quem de mais perto sofre a dor\nde falta de profissionais TIC, tem de abandonar uma cultura de exigir que os\n\u2018outros\u2019 (governo, universidades, etc) resolvam o seu problema, e passarem a\nser uma parte ativa e integrante deste prop\u00f3sito, promovendo (eventualmente com\nparcerias) processos de Up-Skilling para os seus empregados e investindo\nativamente em programas de Re-Skilling de empregados atuais ou profissionais\ndispon\u00edveis no mercado;<\/li><li>O Governo tem obviamente um papel fundamental\nenquanto l\u00edder na resolu\u00e7\u00e3o deste problema, n\u00e3o s\u00f3 ao n\u00edvel das grandes\norienta\u00e7\u00f5es, da cria\u00e7\u00e3o de alian\u00e7as transversais \u00e0 sociedade e de eventuais\nincentivos que possa dar para programas de combate a este d\u00e9fice de TIC, mas\ntamb\u00e9m na cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es para a atra\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia de profissionais\nTIC oriundos de outras geografias tais como um programa VISA Tech que seja\nrealmente c\u00e9lere e desburocratizado, incentivos para a perman\u00eancia de estrangeiros\nem Portugal, com especial foco em regi\u00f5es fora dos grandes centros urbano, e\npromo\u00e7\u00e3o de Portugal como um destino de excel\u00eancia para profissionais TIC.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Portugal est\u00e1 num dos Centros do Mundo, olhando\nem toda a volta do Atl\u00e2ntico para 3 continentes, com uma timezone compat\u00edvel com\ntodos eles, temos uma excelente capacidade de lidar e comunicar com pessoas de\ntodas as culturas, as condi\u00e7\u00f5es enquanto pa\u00eds s\u00e3o do melhor ao n\u00edvel mundial\n(seguran\u00e7a, custo de vida, clima, etc), somos reconhecidos hoje em dia como\nexcelentes profissionais de TIC por todo o mundo, pelo que n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o nenhuma\npara n\u00e3o nos fazermos devidamente como um HUB de TIC de refer\u00eancia a n\u00edvel\nmundial, quer localmente quer trabalhando remotamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Certamente muitas pessoas dir\u00e3o que muito se\ntem feito nos \u00faltimos anos, que h\u00e1 excelentes iniciativas em curso e uma enorme\nvontade por parte de governantes e empresas de assumir as TIC como um vetor\nestrat\u00e9gico de desenvolvimento. Estou certo que sim. S\u00e3o boas inten\u00e7\u00f5es, mas\nn\u00e3o chegam, n\u00e3o t\u00eam chegado. Faltam 75 mil profissionais de TIC, e a este ritmo\nesta diferen\u00e7a entre o que somos e o que poder\u00edamos ser vai aumentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem vai responder ao futuro quando nos\nperguntarem porque n\u00e3o fizemos mais?<\/p>\n\n\n\n<p>Fontes:<\/p>\n\n\n\n<p>- <a href=\"https:\/\/ec.europa.eu\/eurostat\/web\/digital-economy-and-society\/data\/database\">https:\/\/ec.europa.eu\/eurostat\/web\/digital-economy-and-society\/data\/database<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>- <a href=\"https:\/\/www.pordata.pt\/\">https:\/\/www.pordata.pt\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Moura , Vis\u00e3o online S\u00e3o boas inten\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o chegam, n\u00e3o t\u00eam chegado. 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