{"id":44180,"date":"2020-01-04T16:09:47","date_gmt":"2020-01-04T16:09:47","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44180"},"modified":"2020-01-04T16:09:49","modified_gmt":"2020-01-04T16:09:49","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44180","title":{"rendered":"A d\u00e9cada perdida"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jorge Fonseca de Almeida, Jornal de Neg\u00f3cios<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/www.jornaldenegocios.pt\/opiniao\/colunistas\/jorge-fonseca-de-almeida\/detalhe\/a-decada-perdida?ref=Opini%C3%A3o_grupo1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a>N\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos \u201clixo t\u00f3xico\u201d na verdade aos olhos dos mercados internacionais n\u00f3s \u00e9ramos o \u201clixo t\u00f3xico\u201d. As sucessivas avalia\u00e7\u00f5es das ag\u00eancias de rating assim proclamavam.\u00a0<\/p>\n<div class=\"noticiaTitle\">\n<div>\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI ficar\u00e1 na hist\u00f3ria econ\u00f3mica portuguesa como uma d\u00e9cada perdida, uma d\u00e9cada de estagna\u00e7\u00e3o, uma d\u00e9cada de emigra\u00e7\u00e3o, uma d\u00e9cada de aumento do atraso portugu\u00eas em rela\u00e7\u00e3o ao pelot\u00e3o da frente, uma d\u00e9cada em que fomos ultrapassados por outros pa\u00edses europeus e de outras latitudes. Uma d\u00e9cada que come\u00e7ou j\u00e1 depois da grande crise financeira de 2008, mas em que os nossos governantes em vez de se precaverem insistiam que a banca portuguesa \"n\u00e3o tinha ativos t\u00f3xicos\" e que o mercado imobili\u00e1rio \"n\u00e3o estava sobrevalorizado\". N\u00e3o se aperceberam que o \"lixo t\u00f3xico\" de que os outros falavam inclu\u00edam todos os investimentos nos e dos bancos portugueses.<br \/>N\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos \"lixo t\u00f3xico\" na verdade aos olhos dos mercados internacionais n\u00f3s \u00e9ramos o \"lixo t\u00f3xico\". As sucessivas avalia\u00e7\u00f5es das ag\u00eancias de rating assim proclamavam.<br \/>O estrangulamento financeiro n\u00e3o tardou. Excessivamente endividado no estrangeiro o sistema financeiro portugu\u00eas colapsou quando o financiamento externo parou. Dos bancos privados portugueses n\u00e3o resta nenhum mesmo depois de enormes ajudas estatais. O Millennium bcp passou para os angolanos primeiro e depois para os chineses, o BPI para os espanh\u00f3is, o Banif para os espanh\u00f3is, o BES com novo nome para os americanos. S\u00f3 a Caixa se mant\u00e9m portuguesa.<br \/>Sem apoio dos bancos a economia real tamb\u00e9m entrou em contra\u00e7\u00e3o. O desemprego aumentou e a emigra\u00e7\u00e3o ressurgiu a n\u00edveis nunca vistos.<br \/>Perante a crise o governo desistiu, chamou o FMI e submeteu-se convictamente a uma austeridade draconiana. Anos de recess\u00e3o, empobrecimento, diminui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, de decl\u00ednio social e civilizacional.<br \/>A geringon\u00e7a deu esperan\u00e7a, parou a sangria da emigra\u00e7\u00e3o, do retrocesso social, da recess\u00e3o econ\u00f3mica, mas n\u00e3o conseguiu retornar o pa\u00eds aos n\u00edveis de antes da crise.<br \/>Dois indicadores: primeiro popula\u00e7\u00e3o residente 2010: 10,572 milh\u00f5es, 2018: 10,276, i.e. 296 mil pessoas a menos; PIB de Portugal a pre\u00e7os constantes: 2010 \u2013 190 666 milh\u00f5es de euros, 2018 197,741, i.e. um pequeno crescimento m\u00e9dio de menos de 0,5% por ano.<br \/>O atraso portugu\u00eas aumentou, em 2010 o nosso PIB per capita era de 81% da m\u00e9dia da Uni\u00e3o Europeia em 2018 era de 75%. Os outros avan\u00e7am n\u00f3s ficamos para tr\u00e1s.<br \/>Passados 10 anos o sistema financeiro continua fr\u00e1gil \u2013 as inje\u00e7\u00f5es no Novo Banco a\u00ed est\u00e3o para atest\u00e1-lo \u2013 o mercado interno n\u00e3o recuperou, o decl\u00ednio populacional continua, os sal\u00e1rios mant\u00e9m-se abaixo dos de 2010, no imobili\u00e1rio vivemos nova bolha.<br \/>Desta d\u00e9cada desastrosa n\u00e3o soube o governo retirar as li\u00e7\u00f5es e entramos agora na terceira d\u00e9cada do s\u00e9culo com a mesma fragilidade com que inici\u00e1mos a que agora finda.<\/p>\n<div class=\"noticiaTitle\">\n<div class=\"showLerMais\">\n<div class=\"showLerMais\">\n<div class=\"showLerMais\">\n<div class=\"showLerMais\">\n<p><em>Economista<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Fonseca de Almeida, Jornal de Neg\u00f3cios N\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos \u201clixo t\u00f3xico\u201d na verdade aos olhos dos mercados internacionais n\u00f3s \u00e9ramos o \u201clixo t\u00f3xico\u201d. 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