{"id":44130,"date":"2019-12-28T00:30:24","date_gmt":"2019-12-28T00:30:24","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44130"},"modified":"2019-12-28T00:30:26","modified_gmt":"2019-12-28T00:30:26","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-3-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44130","title":{"rendered":"Crescimento econ\u00f3mico com ou sem corrup\u00e7\u00e3o? O caso de Portugal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><b style=\"color: #d8070f;\">Pedro Cunha Neves <\/b><\/span><b style=\"color: #d8070f;\"><\/b><\/span>, Vis\u00e3o online<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/visao.sapo.pt\/opiniao\/2019-12-20-crescimento-economico-com-ou-sem-corrupcao-o-caso-de-portugal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Visao570.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Estudos recentes mostram que o controlo da corrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem um efeito poderoso sobre o ritmo de crescimento econ\u00f3mico em Portugal. Este resultado \u00e9 surpreendente dado, por um lado, os n\u00edveis relativamente elevados de corrup\u00e7\u00e3o em Portugal no conjunto dos pa\u00edses desenvolvidos e, por outro, os efeitos nocivos que a corrup\u00e7\u00e3o pode ter ao \u201clegitimar\u201d a pr\u00e1tica de a\u00e7\u00f5es fraudulentas na sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<p>Num estudo recente, um grupo de professores e investigadores da Universidade do Minho debru\u00e7ou-se sobre a an\u00e1lise dos fatores determinantes do crescimento econ\u00f3mico nas \u00faltimas d\u00e9cadas em Portugal. O estudo, intitulado \u201cCrescimento da Economia Portuguesa\u201d e promovido pela \u201cAssocia\u00e7\u00e3o Miss\u00e3o Crescimento\u201d, procurou identificar os principais fatores por detr\u00e1s do fraco crescimento da economia portuguesa registado ao longo deste s\u00e9culo. Procurou tamb\u00e9m quantificar em que montante \u00e9 que a taxa de crescimento econ\u00f3mico em Portugal poderia aumentar caso o pa\u00eds registasse, num conjunto de dimens\u00f5es tidas como cruciais para o crescimento e para o desenvolvimento econ\u00f3mico, um desempenho semelhante ao dos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia e da OCDE mais bem posicionados.<\/p>\n<p>Os resultados do estudo mostram que \u00e9 sobretudo ao n\u00edvel da dimens\u00e3o capital humano que os efeitos sobre o crescimento econ\u00f3mico s\u00e3o mais pronunciados. Por exemplo, se a percentagem da popula\u00e7\u00e3o adulta com pelo menos o ensino secund\u00e1rio completo fosse igual \u00e0 da mediana dos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia e OCDE, o crescimento econ\u00f3mico anual portugu\u00eas seria superior ao que \u00e9 hoje em 1,26 pontos percentuais. Considerando que a taxa m\u00e9dia de crescimento anual da economia portuguesa durante este s\u00e9culo foi inferior a 1%, um aumento daquela magnitude faria muita diferen\u00e7a. Tal facto n\u00e3o \u00e9 completamente inesperado, tendo em conta, por um lado, o papel crucial para o crescimento econ\u00f3mico que a teoria econ\u00f3mica e os dados emp\u00edricos atribuem \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e ao capital humano e, por outro, o d\u00e9fice significativo, por todos conhecido, que o nosso pa\u00eds apresenta a este n\u00edvel.<\/p>\n<p>Os resultados do estudo evidenciam ainda que melhorias ao n\u00edvel do sistema banc\u00e1rio teriam tamb\u00e9m impactos muito significativos sobre o crescimento da economia portuguesa. Por exemplo, melhorias ao n\u00edvel da efici\u00eancia operacional ou da quantidade de cr\u00e9dito malparado poderiam amentar o crescimento anual em 0,67 e 0,91 pontos percentuais, respetivamente. Com base em estudos anteriores, os autores real\u00e7am a ideia de que o padr\u00e3o do financiamento concedido pela banca durante o in\u00edcio deste s\u00e9culo, assente na concess\u00e3o maci\u00e7a de cr\u00e9dito a setores menos produtivos, prejudicou o crescimento da economia portuguesa.<\/p>\n<p>O estudo analisou \u00a0ainda em que medida \u00e9 que o crescimento econ\u00f3mico portugu\u00eas poderia aumentar com melhorias no funcionamento das institui\u00e7\u00f5es. Os resultados mostram que n\u00e3o tanto como nos dois casos anteriores. Ainda que o fator institucional seja, como se sabe, um dos determinantes fundamentais do crescimento econ\u00f3mico (captando um conjunto muito diversificado de dimens\u00f5es, que v\u00e3o desde a efici\u00eancia governativa at\u00e9 ao funcionamento do sistema judicial, do grau de instabilidade s\u00f3cio-pol\u00edtica at\u00e9 ao n\u00edvel de corrup\u00e7\u00e3o, respeito das liberdades econ\u00f3micas e fundamentais, etc.), no caso de Portugal os efeitos estimados no \u00e2mbito do estudo s\u00e3o moderados. Apesar de o nosso pa\u00eds se encontrar abaixo da mediana (e bem abaixo dos 10 pa\u00edses mais bem colocados) em dom\u00ednios como o controlo da corrup\u00e7\u00e3o e a qualidade da regula\u00e7\u00e3o, melhorias a estes n\u00edveis teriam efeitos pouco expressivos no crescimento do PIB \u2013 0,32 pontos percentuais no caso da qualidade da regula\u00e7\u00e3o e 0,06 pontos percentuais no caso do controlo da corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 curioso o efeito estimado pouco expressivo que o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o em Portugal teria sobre o crescimento econ\u00f3mico. Tanto mais que a esta conclus\u00e3o tinha j\u00e1 chegado um outro estudo recente elaborado por investigadores da Universidade de Coimbra, j\u00e1 comentado numa cr\u00f3nica neste espa\u00e7o no m\u00eas passado.<\/p>\n<p>Querer\u00e1 isto dizer que a corrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o interessa ou interessa pouco para o crescimento econ\u00f3mico? N\u00e3o necessariamente. Em primeiro lugar, porque o efeito da corrup\u00e7\u00e3o tende a diferir de pa\u00eds para pa\u00eds, de acordo com o seu n\u00edvel de desenvolvimento e a qualidade das suas institui\u00e7\u00f5es. Tende, em particular, como v\u00e1rios estudos demonstram, a ser mais pernicioso para o crescimento econ\u00f3mico em pa\u00edses menos desenvolvidos, onde a qualidade institucional \u00e9 mais reduzida. Em segundo lugar, porque a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 um conceito complexo, multidimensional e de dif\u00edcil quantifica\u00e7\u00e3o. Existem v\u00e1rios \u00edndices de corrup\u00e7\u00e3o, cada um deles captando diferentes dimens\u00f5es do fen\u00f3meno, pelo que \u00e9 prov\u00e1vel que a utiliza\u00e7\u00e3o de diferentes \u00edndices possa conduzir a diferentes estimativas quanto ao seu efeito sobre o crescimento econ\u00f3mico. Em terceiro lugar, mas n\u00e3o menos importante, porque a corrup\u00e7\u00e3o tende a arrastar consigo outros efeitos nocivos, dificilmente captados nos \u00edndices existentes. Designadamente, a corrup\u00e7\u00e3o e a incapacidade ou falta de vontade para a combater, tendem a \u201clegitimar\u201d comportamentos fraudulentos numa sociedade. Mesmo que o controlo da corrup\u00e7\u00e3o possa ter um papel menos significativo para o crescimento da economia portuguesa, certamente n\u00e3o queremos construir um ambiente social e econ\u00f3mico em que a falta de \u00e9tica e a fraude econ\u00f3mica sejam recorrentes. Sem d\u00favida que, combatendo eficazmente a corrup\u00e7\u00e3o e reduzindo os comportamentos il\u00edcitos na atividade econ\u00f3mica, Portugal e a economia portuguesa ter\u00e3o um desenvolvimento mais saud\u00e1vel a longo prazo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Cunha Neves , Vis\u00e3o online Estudos recentes mostram que o controlo da corrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem um efeito poderoso sobre o ritmo de crescimento econ\u00f3mico em Portugal. 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