{"id":44105,"date":"2019-12-22T00:25:09","date_gmt":"2019-12-22T00:25:09","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44105"},"modified":"2019-12-22T00:25:11","modified_gmt":"2019-12-22T00:25:11","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44105","title":{"rendered":"A maldi\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jorge Fonseca de Almeida, Jornal de Neg\u00f3cios<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/www.jornaldenegocios.pt\/opiniao\/colunistas\/jorge-fonseca-de-almeida\/detalhe\/a-maldicao-das-exportacoes?ref=Opini%C3%A3o_grupo1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a>Nos \u00faltimos anos tem prevalecido a ideia de que as empresas se devem orientar para os mercados externos esquecendo e ignorando o mercado interno.<\/p>\n<div class=\"noticiaTitle\">\n<div>\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Esta ideia foi posta em pr\u00e1tica pelos sucessivos governos (PS\/CDS\/PSD) atrav\u00e9s dos mecanismos ao seu dispor: incentivos, subs\u00eddios, apoios, prefer\u00eancia no cr\u00e9dito, fundos comunit\u00e1rios.<\/p>\n<p>pub<br \/>As consequ\u00eancias, desta orienta\u00e7\u00e3o para a exporta\u00e7\u00e3o, s\u00e3o desastrosas e de longo prazo e traduzem-se em empobrecimento e emigra\u00e7\u00e3o fatores que consubstanciam o decl\u00ednio de qualquer na\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Vejamos, ent\u00e3o, porque \u00e9 que o modelo exportador n\u00e3o \u00e9 positivo para o pa\u00eds:<br \/><br \/>1\u00ba Porque produzindo essencialmente para exportar implica, necessariamente, tudo ter de importar;<br \/><br \/>2\u00ba Portugal exporta bens de baixo valor acrescentado como sapatos, t\u00eaxteis e produtos agr\u00edcolas (como o vinho), cuja competitividade assenta n\u00e3o na tecnologia, n\u00e3o no design ou na marca, mas nos baixos sal\u00e1rios e tamb\u00e9m produtos de tecnologias interm\u00e9dias, como carros e equipamentos, mas que s\u00e3o produzidas por empresas estrangeiras sendo, neste caso, o nosso valor acrescentado limitado \u00e0 m\u00e3o-de-obra barata. Mais recentemente come\u00e7amos a exportar tamb\u00e9m servi\u00e7os (turismo, servi\u00e7os de call centers internacionais, offshoring de alguns servi\u00e7os administrativos) igualmente assentes na m\u00e3o-de-obra barata. Exporta\u00e7\u00f5es significam, pois, baixos sal\u00e1rios e concorr\u00eancia com os pa\u00edses em desenvolvimento da \u00c1sia e da \u00c1frica. N\u00e3o tem de necessariamente ser assim, mas dado o perfil acad\u00e9mico do pa\u00eds, acaba por ser assim. Na verdade desde os anos 60 do s\u00e9culo passado que o \u00e9 e nada indica que o deixe de ser.<br \/><br \/>Portugal, por outro lado, importa muito incluindo os produtos de alto valor acrescentado (tecnologia, maquinaria, etc.).<br \/><br \/>3\u00ba Desta forma ao produzir para exporta\u00e7\u00e3o garantimos um deficit permanente como efetivamente temos tido.<br \/><br \/>4\u00ba A \u00fanica forma de reduzir esse deficit estrutural e a consequente divida externa \u00e9 restringir o consumo ao m\u00ednimo, i.e. viver permanentemente na pen\u00faria. Por isso Portugal tem uma elevada taxa de pobreza que ronda os 20% da popula\u00e7\u00e3o e com mais 20% dos portugueses pouco acima da linha de pobreza. As exporta\u00e7\u00f5es significam sacrif\u00edcios materiais e pobreza para 40% da popula\u00e7\u00e3o. Para fugir \u00e0 mis\u00e9ria largos extratos da popula\u00e7\u00e3o s\u00f3 t\u00eam um caminho: a emigra\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Se este sistema econ\u00f3mico n\u00e3o for alterado Portugal manter-se-\u00e1 na cauda da Europa por muitas e longas d\u00e9cadas.<br \/><br \/>Vemos outros povos europeus, espanh\u00f3is, checos, suecos, eslovenos, para n\u00e3o falar de alem\u00e3es, holandeses e outros, a prosperar e n\u00f3s ficamos pobres e agradecidos pela \"ajuda\" que nos d\u00e3o atrav\u00e9s de fundos comunit\u00e1rios de incentivo \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o.<br \/><br \/>Na verdade s\u00f3 interessa especializar-se nas exporta\u00e7\u00f5es quem venda produtos de alto valor acrescentado e importe maioritariamente produtos de baixo valor acrescentado. \u00c9 o caso da Alemanha, da Coreia, do Jap\u00e3o e at\u00e9 da China. N\u00e3o \u00e9, nem ser\u00e1 no futuro previs\u00edvel, o caso de Portugal.<br \/><br \/>H\u00e1 outro caminho. O da substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, o da aposta no mercado interno, o da educa\u00e7\u00e3o e da ci\u00eancia, o do investimento nas empresas p\u00fablicas e privadas de m\u00e9dia e grande dimens\u00e3o. Por acr\u00e9scimo vir\u00e3o as exporta\u00e7\u00f5es, mas garantir, dentro de limites poss\u00edveis, o autoabastecimento \u00e9 imprescind\u00edvel para o pa\u00eds prosperar e n\u00e3o se transformar numa regi\u00e3o perif\u00e9rica de uma Europa permanentemente em crise.<\/p>\n<div class=\"noticiaTitle\">\n<div class=\"showLerMais\">\n<div class=\"showLerMais\">\n<div class=\"showLerMais\">\n<div class=\"showLerMais\">\n<p><em>Economista<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Fonseca de Almeida, Jornal de Neg\u00f3cios Nos \u00faltimos anos tem prevalecido a ideia de que as empresas se devem orientar para os mercados externos esquecendo e ignorando o mercado interno. \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,141],"tags":[],"class_list":["post-44105","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-de-negocios"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44105","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=44105"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44105\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44106,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44105\/revisions\/44106"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=44105"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=44105"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=44105"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}