{"id":44061,"date":"2019-12-07T22:14:12","date_gmt":"2019-12-07T22:14:12","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44061"},"modified":"2019-12-07T22:14:16","modified_gmt":"2019-12-07T22:14:16","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-3-9","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=44061","title":{"rendered":"No princ\u00edpio era o verbo&#8230;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><b><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">M\u00e1rio Tavares da Silva, Jornal i<\/span><\/span><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/679019\/no-principio-era-o-verbo-?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><b><\/b><b><\/b><b><\/b><b><\/b><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/M\u00e1rio-Tavares-da-Silva-dez2019.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p><i>Assistimos ao crescimento de um verdadeiro mercado digital de compra e venda de dados que tendemos a confiar a quem os solicita<\/i><\/p>\n<p><i><\/i><!--more--><\/p>\n<article>\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article>\n<article>\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<p>\u201cConsentir\u201d \u00e9, provavelmente, nos tempos de profunda e intensa revolu\u00e7\u00e3o digital que vivemos, o verbo que mais se atravessa no nosso caminho.<br \/>Ainda h\u00e1 bem pouco tempo, quando me preparava para satisfazer mais um dos meus incontrol\u00e1veis impulsos consumistas, acrescentando mais um livro \u00e0 j\u00e1 minha extensa estante (por vezes questiono-me, sinceramente, se nesta vida terei tempo para os ler a todos\u2026mas, na d\u00favida, vou continuando a comprar\u2026), a diligente funcion\u00e1ria que me atendia, perguntou-me se j\u00e1 tinha cart\u00e3o de cliente, ao que retorqui amavelmente dizendo que n\u00e3o.<\/p>\n<p>Perante as vantagens do mesmo, que depressa se apressou a debitar, n\u00e3o hesitei. Avan\u00e7\u00e1mos ent\u00e3o para o miraculoso cart\u00e3o de cliente.<br \/>Pediu-me os elementos\u2026 os do costume\u2026nome, morada, telefone e, se poss\u00edvel, um e-mail para futuras divulga\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias e outros eventos. Anui e dei-lhe a informa\u00e7\u00e3o pretendida.<br \/>Conclu\u00edda esta simples opera\u00e7\u00e3o, e quando me preparava j\u00e1 para agarrar no meu livrinho e vir embora, qual n\u00e3o foi o meu espanto quando vi sair da m\u00e1quina colocada em cima do balc\u00e3o um papel que, e n\u00e3o estou a exagerar, teria certamente a extens\u00e3o pr\u00f3xima daquelas faturas de hipermercado em v\u00e9speras de Natal, com uma letra t\u00e3o pequena que, se fosse lida, demoraria seguramente mais tempo do que o livro que acabara de comprar\u2026<br \/>\u201cPreciso que me assine aqui, por favor, em como consente na utiliza\u00e7\u00e3o dos seus dados\u201d\u2026 disse melodiosamente a zelosa funcion\u00e1ria, ao mesmo tempo que esticava o longo papel que a m\u00e1quina acabara de imprimir\u2026<br \/>Fiquei sem pinta de sangue, ganhei coragem e perguntei se era mesmo necess\u00e1rio\u2026ao que ela, simpaticamente, respondeu \u201cfaz parte das condi\u00e7\u00f5es de utiliza\u00e7\u00e3o do cart\u00e3o de cliente\u2026!\u201d<br \/>Ou seja, ou era assim ou bem podia dizer adeus ao miraculoso cart\u00e3o de cliente\u2026<br \/>Esta pequena hist\u00f3ria, experienciada na primeira pessoa, serve para ilustrar um dos principais problemas com que hoje nos defrontamos quanto \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o, abusiva refira-se, que as empresas em geral fazem dos dados que n\u00f3s, na maior parte dos casos de forma pouca ou nada esclarecida, tendemos voluntariamente a fornecer.<br \/>Mas \u00e9 uma hist\u00f3ria que se repete em m\u00faltiplas plataformas dispon\u00edveis online que oferecem bens e servi\u00e7os a troco, claro est\u00e1, do respetivo pagamento e do preenchimento pr\u00e9vio de pesados formul\u00e1rios requerendo informa\u00e7\u00e3o diversa, ena maior parte dos casos sens\u00edvel, do comprador e das suas prefer\u00eancias consumistas. <br \/>Existe, por detr\u00e1s destas plataformas, um modelo de neg\u00f3cio estruturado e de elevada efic\u00e1cia, envolvendo as mais insuspeitas empresas na prossecu\u00e7\u00e3o de um objetivo principal que passa, em boa verdade, n\u00e3o tanto por vender bens ou servi\u00e7os mas sim por obter dados e informa\u00e7\u00e3o diversas, relativos aos perfis de consumo dos respetivos utilizadores para, ato cont\u00ednuo, os vender a outras empresas vampiras, por valores inimagin\u00e1veis.<br \/>Ora tudo isto faz com que os nossos dados sejam encarados como um dos mais valiosos bens atualmente transacionados no mercado, sem qualquer controlo ou regula\u00e7\u00e3o, permitindo \u00e0s empresas que os det\u00e9m, preparar e dirigir eficazmente publicidade personalizada e, por essa via, maximizar pornograficamente os seus j\u00e1 consider\u00e1veis lucros. Essas empresas recolhem a informa\u00e7\u00e3o que lhes chega, tendo por base os in\u00fameros formul\u00e1rios que preenchemos online quando aderimos a um determinado website ou quando compramos o \u00faltimo CD do Post Maloneou, ainda, quando concordamos com a pol\u00edtica de cookies na visualiza\u00e7\u00e3o de um inovador e apelativo site de rob\u00f3tica.<br \/>Assistimos pois, pelos dias que correm, ao crescimento de um verdadeiro mercado digital de compra e venda de dados que atua, impune e sem regula\u00e7\u00e3o, comercializando massivamente, de forma \u00ednvia, inapropriada e despudorada, a informa\u00e7\u00e3o que de boa-f\u00e9, todos e cada um de n\u00f3s, tendemos a confiar a quem no-la solicita.<br \/>O quadro \u00e9 agravado pois a utiliza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o ou do website \u00e9 condicionada ao nosso pr\u00e9vio consentimento sendo que este ou \u00e9 total ou, n\u00e3o o sendo, nada feito.<br \/>Urge, nesta medida, iniciarmos todos (governo, institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, sociedade civil e, em particular, empresas tecnol\u00f3gicas) no espa\u00e7o p\u00fablico um esfor\u00e7o de discuss\u00e3o e de consensualiza\u00e7\u00e3o das medidas consideradas priorit\u00e1rias \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um adequado ambiente de seguran\u00e7a, confian\u00e7a e previsibilidade em que todos saibamos exatamente qual o destino e a utiliza\u00e7\u00e3o dos dados que diariamente, seja em ambiente real seja em ambiente virtual, fornecemos \u00e0s mais diversas entidades.<br \/>Esse \u00e9, porventura, um dos mais importantes debates a que, no curto prazo, nos deveremos propor, seja em prol de uma maior transpar\u00eancia na rela\u00e7\u00e3o das empresas e entidades p\u00fablicas com os cidad\u00e3os, seja igualmente em benef\u00edcio de uma mais efetiva (e desejada) prote\u00e7\u00e3o da privacidade dos dados relativos a todos e a cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<article><\/article>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/article>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rio Tavares da Silva, Jornal i Assistimos ao crescimento de um verdadeiro mercado digital de compra e venda de dados que tendemos a confiar a quem os solicita<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-44061","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44061","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=44061"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44061\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44062,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/44061\/revisions\/44062"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=44061"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=44061"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=44061"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}