{"id":43977,"date":"2019-11-18T12:15:31","date_gmt":"2019-11-18T12:15:31","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=43977"},"modified":"2019-11-18T12:15:33","modified_gmt":"2019-11-18T12:15:33","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-3-2-2-3-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=43977","title":{"rendered":"\u00c9 mesmo importante diminuir a corrup\u00e7\u00e3o? Efeitos no Crescimento, Desigualdade e Pobreza"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><b>Tiago Neves Sequeira<\/b><\/span><b style=\"color: #d8070f;\"> <\/b><\/span>, Vis\u00e3o online<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/opiniao\/silnciodafraude\/2019-11-07-E-mesmo-importante-diminuir-a-corrupcao--Efeitos-no-Crescimento-Desigualdade-e-Pobreza\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Visao564.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>O efeito da redu\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o sente-se no crescimento no longo prazo. Os governos, com um horizonte temporal relativamente curto (da legislatura), mesmo que estejam focados no aumento do crescimento do pa\u00eds, podem n\u00e3o ter incentivos para combater a corrup\u00e7\u00e3o. Fica, tamb\u00e9m, a necessidade de saber se o efeito da redu\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o na redu\u00e7\u00e3o da desigualdade, ou dos n\u00edveis de pobreza, se sente no decurso dos horizontes temporais dos pol\u00edticos ou se, tamb\u00e9m, os ultrapassa.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<p>A grande maioria dos estudos acad\u00e9micos que pretendem estudar a rela\u00e7\u00e3o entre a corrup\u00e7\u00e3o e o crescimento econ\u00f3mico t\u00eam encontrado um efeito negativo da corrup\u00e7\u00e3o no crescimento. Este efeito \u00e9, ainda, mais acentuado nos pa\u00edses relativamente mais pobres. O efeito quantitativo, isto \u00e9, a resposta \u00e0 quest\u00e3o, <em>quanto um pais ganha em crescimento ou riqueza quando reduz a corrup\u00e7\u00e3o,<\/em> continua a ser amplamente discutida e sujeita a controv\u00e9rsia.<\/p>\n<p>Um estudo muito recente de Pedro Ba\u00e7\u00e3o, In\u00eas Gaspar e Marta Sim\u00f5es, publicado no \u00e2mbito do CeBER \u2013 Centro de Investiga\u00e7\u00e3o em Economia e Gest\u00e3o da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (<a href=\"https:\/\/www.uc.pt\/en\/uid\/ceber\/working-paper?key=8bf5971f\">https:\/\/www.uc.pt\/en\/uid\/ceber\/working-paper?key=8bf5971f<\/a>)<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> d\u00e1 um contributo muito importante para responder \u00e0 quest\u00e3o de quanto Portugal enriqueceria se diminu\u00edsse um pouco a sua corrup\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de conclu\u00edrem que o efeito da redu\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o se sente no crescimento no longo prazo, os autores concluem, tamb\u00e9m, em linha com a literatura internacional que, para Portugal, o efeito quantitativo \u00e9 apenas modesto!<\/p>\n<p>Esta conclus\u00e3o pode, por si s\u00f3, contribuir para explicar porque os governos, com um horizonte temporal relativamente curto (da legislatura), mesmo que estejam focados no aumento do crescimento do pa\u00eds, n\u00e3o t\u00eam incentivos para combater a corrup\u00e7\u00e3o. Se o efeito positivo deste combate s\u00f3 se sentir\u00e1, muito provavelmente, fora do horizonte da elei\u00e7\u00e3o ou re-elei\u00e7\u00e3o dos agentes pol\u00edticos em fun\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o o interesse dos mesmos em reduzir a corrup\u00e7\u00e3o ser\u00e1 diminuto.<\/p>\n<p>De acordo com estes autores, se o n\u00edvel de corrup\u00e7\u00e3o em Portugal se reduzisse para o n\u00edvel da Alemanha, o nosso pa\u00eds apenas se tornaria 1,7% mais rico do que \u00e9 hoje. Estes resultados querem, tamb\u00e9m, significar que a converg\u00eancia de Portugal com a Europa mais rica n\u00e3o se pode fazer (apenas) combatendo a corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o em torno dos efeitos da corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 bem mais vasta, tal como reconhecido por estes e outros autores, do que a quantifica\u00e7\u00e3o do seu efeito na riqueza dos pa\u00edses, sendo que o efeito da mesma em vari\u00e1veis de <em>distribui\u00e7\u00e3o de rendimento<\/em>, de <em>pobreza<\/em>, e em geral, de <em>bem-estar<\/em>, das sociedades costuma ser mais evidente do que o efeito que a mesma provoca na riqueza. A corrup\u00e7\u00e3o fere muito mais a vida e o bem-estar dos mais pobres do que dos mais ricos. A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 simples: os mais pobres n\u00e3o conseguem ter recursos suficientes necess\u00e1rios para pagar pela corrup\u00e7\u00e3o (por exemplo, pagar subornos a agentes p\u00fablicos). Por outro lado, os mais ricos, n\u00e3o s\u00f3 conseguem ter esses recursos, como muito provavelmente conseguem os seus objetivos (por exemplo, licen\u00e7as para abrir empresas, construir casas, emiss\u00e3o de documentos oficiais como passaportes) de forma muito mais c\u00e9lere do que esperando que as m\u00e1quinas burocr\u00e1ticas dos Estados funcionem. Ora esta diferen\u00e7a entre ricos e pobres, na presen\u00e7a da corrup\u00e7\u00e3o, alarga ainda mais o fosso entre ambos, tornando as sociedades corruptas mais desiguais.<\/p>\n<p>Fica, tamb\u00e9m, a necessidade de saber se para o nosso, e outros pa\u00edses, o efeito da redu\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o na redu\u00e7\u00e3o da desigualdade, ou dos n\u00edveis de pobreza, se sente no decurso dos horizontes temporais dos pol\u00edticos ou se, tamb\u00e9m, os ultrapassa.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Trabalho aceite para publica\u00e7\u00e3o na revista cient\u00edfica <em>Notas Econ\u00f3micas<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tiago Neves Sequeira , Vis\u00e3o online O efeito da redu\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o sente-se no crescimento no longo prazo. 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