{"id":43863,"date":"2019-10-27T20:35:46","date_gmt":"2019-10-27T20:35:46","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=43863"},"modified":"2019-10-31T12:24:03","modified_gmt":"2019-10-31T12:24:03","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-3-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=43863","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as qualitativas na fraude"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><b>Carlos Pimenta, Jornal i<\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/675118\/mudancas-qualitativas-na-fraude?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><b><\/b><b><\/b><b><\/b><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Carlos-Pimenta-out2019.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Em meados do s\u00e9culo XX aumenta a preocupa\u00e7\u00e3o com esta problem\u00e1tica, com destaque para os estudos de Sutherland e Cressey<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<article>\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article>\n<article>\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\"><span style=\"font-size: inherit;\">1. \u00c9 habitual dizer-se que as fraudes econ\u00f3mico-financeiras sempre existiram. Quem o afirma talvez tenha raz\u00e3o, porque sempre existiram pessoas desonestas que tentam aproveitar-se da realidade envolvente para aumentar o seu patrim\u00f3nio.<br \/>Contudo uma tal an\u00e1lise \u00e9 manifestamente insuficiente e enganadora porque escamoteia factos fundamentais: frequ\u00eancia das referidas fraudes, tipos de fraude, valores envolvidos, impactos sociais.<br \/>A grande fraude da Enron (uma das empresas mais importantes da energia dos EUA e do mundo) em 2001, envolvendo mais de 60 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares e impactos em cadeia, \u00e9 um momento de viragem na import\u00e2ncia das fraudes nas empresas, da aten\u00e7\u00e3o dada ao problema, e da legisla\u00e7\u00e3o sobre esta tem\u00e1tica.<br \/>Entretanto em meados do s\u00e9culo XX aumenta a preocupa\u00e7\u00e3o com esta problem\u00e1tica, com destaque para os estudos de Sutherland e Cressey.<br \/>O aumento das fraudes associada aos longos anos de prosperidade econ\u00f3mica, \u00e0 import\u00e2ncia crescente do sistema financeiro e da sua relativa autonomiza\u00e7\u00e3o, do desenvolvimento tecnol\u00f3gico e \u00e0 mundializa\u00e7\u00e3o de grande percentagem da actividade econ\u00f3mica refor\u00e7am esta situa\u00e7\u00e3o. Ideologicamente o sonho do \u00abfim da hist\u00f3ria\u00bb, a f\u00e9 no funcionamento autom\u00e1tico dos \u00abmercados\u00bb ampliam as tend\u00eancias referidas.<br \/>Com a crise do in\u00edcio do actual s\u00e9culo a evolu\u00e7\u00e3o conjuntural da economia inverteu, a onda esvaziou os recursos e o desenvolvimento e muitas, e violentas, fraudes surgiram por todo o lado. A falta generalizada de liquidez criou condi\u00e7\u00f5es para a criminalidade econ\u00f3mica internacional prosperar na actividade econ\u00f3mica legal.<br \/>2. Contudo houve alguns exemplos anteriores de refer\u00eancia. \u00c9 o caso da fraude de Charles Ponzi praticada em 1920 e que ainda hoje \u00e9 conhecida pelo seu apelido: \u201copera\u00e7\u00e3o sofisticada de investimento do tipo esquema em pir\u00e2mide que envolve a promessa de pagamento de rendimentos anormalmente altos aos investidores \u00e0 custa do dinheiro pago pelos investidores que chegarem posteriormente, em vez da receita gerada por qualquer neg\u00f3cio real\u201d.<br \/>\u00c9 tamb\u00e9m nessa d\u00e9cada que se d\u00e1 em Portugal, que tendemos a considerar pa\u00eds de \u00abbrandos costumes\u00bb, uma das grandes fraudes, com contornos \u00abinovadores\u00bb: a fraude de Alves Reis.<br \/>Portugal, com vastas col\u00f3nias e epicentro de interesse em Angola, tinha sa\u00eddo h\u00e1 poucos anos da monarquia. A instabilidade pol\u00edtica (rotatividade de respons\u00e1veis governamentais, descontentamento popular, nomeadamente pelos sucessivos aumentos de pre\u00e7os, multiplicados por vinte em pouco mais de uma d\u00e9cada, I Guerra Mundial e muit\u00edssimos mortos) e a \u00abinstabilidade econ\u00f3mica\u00bb (d\u00edvida p\u00fablica, inconvertibilidade da moeda em ouro, \u201co com\u00e9rcio e os investimentos privados surgiam tempestivamente\u201d, previs\u00f5es de boa conjuntura futura, col\u00f3nias profundamente subdesenvolvidas) imperavam.<br \/>A fraude consistia na emiss\u00e3o de notas de 500 escudos, em nome do Banco de Portugal e fabricadas na empresa inglesa Waterlow &amp; Sons de Londres \ua7f7 onde eram fabricadas as notas oficiais daquela institui\u00e7\u00e3o \ua7f7, custando cerca de 75 c\u00eantimos o fabrico por unidade, aparecendo o com\u00e9rcio em Angola como pretexto. A sua concretiza\u00e7\u00e3o envolveu a falsifica\u00e7\u00e3o de assinaturas, colaboradores vivendo no estrangeiro e exercendo fun\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, v\u00e1rias negocia\u00e7\u00f5es aparentemente oficiais, \u00abfreelancers no mercado negro da moeda\u00bb, abertura de m\u00faltiplas contas banc\u00e1rias e a cria\u00e7\u00e3o de um banco legalmente constitu\u00eddo.<br \/>3. N\u00e3o houve \u00abbrandos costumes\u00bb para a organiza\u00e7\u00e3o e pr\u00e1tica da fraude, mas houve-os na surdez em rela\u00e7\u00e3o a muitas informa\u00e7\u00f5es levantadas pela imprensa da \u00e9poca \ua7f7 nomeadamente no importante jornal di\u00e1rio O S\u00e9culo \ua7f7, no comportamento de diversas autoridades p\u00fablicas e na fiscaliza\u00e7\u00e3o.<br \/>4. Para mais pormenores ver o livro Fraude em Portugal \u2013 Causas e Contextos, de 2017, p\u00e1g. 59\/99<\/span><\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<article><\/article>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/article>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta, Jornal i Em meados do s\u00e9culo XX aumenta a preocupa\u00e7\u00e3o com esta problem\u00e1tica, com destaque para os estudos de Sutherland e Cressey<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-43863","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43863","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=43863"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43863\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43872,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43863\/revisions\/43872"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=43863"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=43863"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=43863"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}