{"id":43739,"date":"2019-10-08T11:03:48","date_gmt":"2019-10-08T11:03:48","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=43739"},"modified":"2019-10-08T11:03:53","modified_gmt":"2019-10-08T11:03:53","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-20","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=43739","title":{"rendered":"Populismo e corrup\u00e7\u00e3o \u2013 duas faces da mesma moeda?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>M\u00e1rio Tavares da Silva<\/strong><\/span>, Expresso online (019 15\/05\/2019)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2019-05-15-Populismo-e-corrupcao--duas-faces-da-mesma-moeda-\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/EE019.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<p>A vida tem riscos e ainda bem que assim \u00e9. Felizmente para n\u00f3s, uns controlamos. Outros, para nosso azar, nem por isso. Sucede, no entanto, que na sociedade digital dos metadados, dos algoritmos, das criptomoedas e das <em>fake news<\/em>, a equa\u00e7\u00e3o est\u00e1 manifestamente desequilibrada, com assinal\u00e1vel vantagem para os segundos. E esse simples facto n\u00e3o constitui seguramente uma boa not\u00edcia para a vitalidade dos regimes democr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>A este prop\u00f3sito, trago \u00e0 mem\u00f3ria a ainda hoje inspiradora ideia de Winston Churchill quando vaticinava, com raz\u00e3o refira-se, que \u201c\u2026<em>a democracia \u00e9 o pior dos regimes, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de todos os outros<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Mas se assim \u00e9, porque crescem ent\u00e3o os movimentos populistas um pouco por toda a parte?<\/p>\n<p>Estaremos n\u00f3s a renegar mundialmente \u00e0 democracia liberal, entreabrindo a porta a alguma esp\u00e9cie de autoritarismo populista?<\/p>\n<p>Em alguns pa\u00edses europeus e do outro lado do Atl\u00e2ntico, mas n\u00e3o s\u00f3, antev\u00eaem-se sinais de preocupa\u00e7\u00e3o ou, pelo menos, que nos devem fazer parar um pouco e pensar.<\/p>\n<p>Sobretudo, porque vivemos um tempo em que o populismo surge como uma esp\u00e9cie de paracetamol, indicado que est\u00e1 para o alivio das dores persistentes da nossa democracia, oferecendo \u00e0s massas discursos pungentes e avassaladores que num \u00edmpeto de uma irracionalidade ancestral e prim\u00e1ria, elas desejam ardentemente ouvir.<\/p>\n<p>Os seguidores s\u00e3o como que arrastados pela for\u00e7a do carisma dos respetivos l\u00edderes, combinada, por sua vez, com uma ardilosa e eficaz propaganda que se desenvolve, em grande parte, no palco principal das redes sociais, doutrinando-os, enganadora e insidiosamente, com recurso a uma cartilha ideol\u00f3gica salv\u00edfica que a todos promete, sem exce\u00e7\u00e3o, libertar da impiedosa guilhotina democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u00c9 a ideia, repetida <em>ad nauseam<\/em>, do \u00abn\u00f3s\u00bb contra \u00abeles\u00bb, travestindo-se, aqui e ali, como nos ensina Umberto Eco, na forma mais perigosa de intoler\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Num tempo de crise das m\u00faltiplas e diversas soberanias nacionais, em larga medida resultante da amputa\u00e7\u00e3o de significativas parcelas de soberania econ\u00f3mica, or\u00e7amental e territorial dos Estados e, tamb\u00e9m, de uma clara intensifica\u00e7\u00e3o dos fluxos migrat\u00f3rios mundiais, o populismo campeia, gangrenando e corroendo impiedosamente os alicerces da democracia e aspirando, desenfreadamente, \u00e0 lideran\u00e7a de uma (in) desejada nova (des) ordem mundial.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes populistas autorit\u00e1rios comungam de uma mesma estrat\u00e9gia, carregando as notas discursivas aqui e ali, em fun\u00e7\u00e3o da dor sentida pelos seus seguidores. Defendem, entre outras coisas, que as economias est\u00e3o sequestradas pelos investimentos estrangeiros, que n\u00e3o existe espa\u00e7o para a empregabilidade dos nacionais perante o gigantesco fluxo migrat\u00f3rio e que as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas n\u00e3o s\u00e3o credoras de confian\u00e7a.<\/p>\n<p>A ascens\u00e3o do populismo marca pois por assim dizer e de forma decisiva, o regresso \u00e0 pol\u00edtica do confronto, personalizada num l\u00edder que encarna em si todas as chagas n\u00e3o cauterizadas dos seus seguidores, contando, pelo caminho, com o precioso aux\u00edlio de uma disfar\u00e7ada democracia de plataformas, cuja principal miss\u00e3o \u00e9 a de irradiar mensagens de \u00f3dio e de suspei\u00e7\u00e3o sobre tudo o que possa parecer democr\u00e1tico e sobre tudo o que possa transpirar liberdade. A ambi\u00e7\u00e3o desmedida dos seus lideres pauta-se por um programa de desmantelamento do sistema democr\u00e1tico e dos pesos e contrapesos que o equilibram, jogando tudo no plano da total submiss\u00e3o ao seu controlo das institui\u00e7\u00f5es cr\u00edticas que oxigenam o sistema.<\/p>\n<p>Persegue-se, ao fim e ao cabo, a substitui\u00e7\u00e3o da ordem pelo caos, da normalidade pela emerg\u00eancia de um estado de total ingovernabilidade, em que os seguidores se preocupam n\u00e3o tanto com os seus medos individuais, mas com os seus medos coletivos. \u00c9, de uma forma simplista, a explos\u00e3o dos medos pelo medo de todos.<\/p>\n<p>Os populistas reprimem e ostracizam as minorias, atacam dissidentes, estrangulam direitos e liberdades individuais e esmagam sempre, sem tergiversar, todos os que se atravessem no seu caminho.<\/p>\n<p>No final do dia, e se nada for feito, as contas ser\u00e3o dram\u00e1ticas para todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Desprovidos de liberdades individuais e na aus\u00eancia total de institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, em especial as de controlo, o passo para o abismo ser\u00e1 curto, r\u00e1pido e extremamente doloroso.<\/p>\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o instalar-se-\u00e1, definitivamente, como principal suporte \u00e0 perenidade das lideran\u00e7as autorit\u00e1rias.<\/p>\n<p>O problema j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1 apenas o de existir corrup\u00e7\u00e3o, pois tamb\u00e9m ela existe nos sistemas democr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a, que n\u00e3o \u00e9 de somenos, \u00e9 que nada existir\u00e1 ent\u00e3o para a conter.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rio Tavares da Silva, Expresso online (019 15\/05\/2019)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,282],"tags":[],"class_list":["post-43739","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-expresso-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43739","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=43739"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43739\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43757,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43739\/revisions\/43757"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=43739"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=43739"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=43739"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}