{"id":43664,"date":"2019-09-23T14:27:58","date_gmt":"2019-09-23T14:27:58","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=43664"},"modified":"2019-09-23T14:28:04","modified_gmt":"2019-09-23T14:28:04","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-15","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=43664","title":{"rendered":"O espa\u00e7o da liberdade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Pedro Moura<\/strong><\/span>, Expresso online (017 02\/05\/2019)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2019-05-02-O-espaco-da-liberdade\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/EE017.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<p><strong>O presente de Anivers\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 umas semanas, tendo ido comprar um presente para oferecer no anivers\u00e1rio de um familiar (um mi\u00fado de 7 anos), vi um jogo sobre explora\u00e7\u00e3o espacial numa prateleira que me chamou a aten\u00e7\u00e3o. Continha naves, planetas, curiosidades cient\u00edficas, um rol de elementos que despertaram a minha aten\u00e7\u00e3o infantil.<\/p>\n<p>Enquanto crescia o Espa\u00e7o era dos temas coisas que mais gostava. Lembro-me de ver avidamente todas as s\u00e9ries sobre o tema (Galatica, Era Uma Vez o Espa\u00e7o, Buck Rogers, Ulisses XXI, Espa\u00e7o 1999, etc) e de devorar todos os livros e enciclop\u00e9dias a que conseguia deitar m\u00e3os.<\/p>\n<p>O Espa\u00e7o enchia o meu imagin\u00e1rio juvenil e estimulava-me a curiosidade para a descoberta da ci\u00eancia. Sobretudo, criou em mim um culto pessoal de atra\u00e7\u00e3o pelo desconhecido e de interroga\u00e7\u00e3o permanente sobre grandes quest\u00f5es que ultrapassam largamente a esfera humana, como por exemplo onde est\u00e1 o universo, o que \u00e9 o tempo ou o nada, ou se estaremos sozinhos nesta grande imensid\u00e3o. Ainda hoje s\u00e3o quest\u00f5es que me provocam arrepios e me apaixonam. Frente a estas e outras quest\u00f5es c\u00f3smicas, confesso ter por vezes pouca paci\u00eancia para a estupidez humana.<\/p>\n<p>Voltando \u00e0 narrativa principal, ao ver o tal jogo sobre explora\u00e7\u00e3o espacial senti-me naturalmente compelido a escolh\u00ea-lo como oferenda ao jovem aniversariante. No entanto, antes de tomar uma decis\u00e3o destas tento sempre perceber se estou a comprar um presente para outra pessoa, ou se estou a basear a decis\u00e3o no meu pr\u00f3prio gosto e a \u2018comprar para mim\u2019. E sim, estava. Perguntando-me se o meu primo iria gostar do presente, olhei para o lado e vi um jogo similar mas em que o tema era a geografia, pa\u00edses, etc. E disse para quem ia comigo algo como \u2018acho melhor levar o jogo da geografia, pois os putos hoje em dia j\u00e1 n\u00e3o acham gra\u00e7a \u00e0s coisas do Espa\u00e7o como n\u00f3s ach\u00e1vamos\u2019. E assim fiz, foi a geografia a eleita.<\/p>\n<p>Ora, geografia \u00e9 um tema interessante, mas... o Espa\u00e7o \u00e9 o Espa\u00e7o. \u00c9 o limite, a fronteira, o enorme desconhecido. Na altura tudo isto me passou, mas por alguma raz\u00e3o esta quest\u00e3o do menor interesse da miudagem de hoje pelas coisas extraterrenas ficou a cozinhar em lume brando dentro da minha mente.<\/p>\n<p><strong>O filme<\/strong><\/p>\n<p>Dias mais tarde, indo de viagem longa, decidi rever um filme de que gostei muito: o <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Interstellar_(film)\">Interstellar<\/a>. \u00c9 um filme fabuloso, com uma est\u00f3ria inspiradora e pormenores t\u00e9cnicos fabulosos, tendo tido suporte cient\u00edfico de um f\u00edsico te\u00f3rico estabelecido (<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Kip_Thorne\">Kip Thorne<\/a>), o que o torna imensamente realista. A est\u00f3ria resumida \u00e9 que o Planeta Terra se est\u00e1 a tornar inabit\u00e1vel, e a NASA (na altura uma entidade escondida do p\u00fablico que n\u00e3o via com bons olhos gastar-se dinheiro com explora\u00e7\u00e3o espacial) leva a cabo uma s\u00e9rie de miss\u00f5es com vista \u00e0 descoberta de outros mundos onde a civiliza\u00e7\u00e3o humana pudesse renascer. Uma das cita\u00e7\u00f5es do filme que mais me ficou foi a do personagem principal (Cooper) ao dizer \u201c<em>It\u2019s like we\u2019ve forgotten who we are. <\/em><em>Explorers, pioneers, not caretakers\u2026 We\u2019re not meant to save the world. <\/em><em>We\u2019re meant to leave it.\u201d<\/em><\/p>\n<p>A moral do filme anda muito \u00e0 volta do confronto entre uma atitude de cuidado pelo que existe e se conhece (ficarem-se pela Terra e aceitarem o final, serem \u2018caretakers\u2019), e uma atitude de explora\u00e7\u00e3o e descoberta do desconhecido em busca de uma situa\u00e7\u00e3o desconhecida (irem em busca de novos mundos ou possibilidades, serem \u2018explorers\u2019).<\/p>\n<p>Mais uma vez este tema do Espa\u00e7o voltou a encher os meus pensamentos, pois encontrei fortes resson\u00e2ncias entre os temas deste filme e algumas perspetivas pessoais sobre o mundo como ele \u00e9 hoje em dia.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>A reflex\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Acho que h\u00e1 falta de paix\u00e3o pelo desconhecido hoje em dia. A isto chama-se conformismo. Mas \u00e9 um conformismo mascarado, pois o dia-a-dia das pessoas \u00e9 marcado por ansiedade, temor, tristeza, medo. A vida sabe a algo azedo mas anest\u00e9sico. Embalados por esse imenso mundo que s\u00e3o os ecr\u00e3s sobre os quais vivemos, entretidos com tudo menos o importante, nem notamos no encarquilhamento mental que sofremos. Quando a nossa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o da nossa posi\u00e7\u00e3o imediata, a satisfa\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea e o conforto sem condi\u00e7\u00f5es, o que se est\u00e1 a dar em troca \u00e9 a liberdade pessoal e a capacidade, a coragem de olhar para l\u00e1 do horizonte do ecr\u00e3 e ver que h\u00e1 mundo, h\u00e1 universo.<\/p>\n<p>Custa-me conceber um mundo cheio de gente conformada, pois n\u00e3o concebo viver num mundo sem liberdade, sem sonhos, sem vontade de desafio. Sem Espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Talvez a maioria de n\u00f3s devamos ser \u2018caretakers\u2019, mas n\u00e3o podemos nunca deixar de ter \u2018explorers\u2019 (ou de sermos todos tamb\u00e9m um pouco \u2018explorers\u2019, sob pena de sucumbirmos \u00e0s nossas tend\u00eancias para a mesquinhez, o imobilismo e a vassalagem.<\/p>\n<p>Quem \u00e9 escravo geralmente disfar\u00e7a essa realidade com ilus\u00f5es e berloques (mentais e materiais) para se convencer do contr\u00e1rio, mas n\u00e3o deixa de ser escravo, vive num Espa\u00e7o que come\u00e7a no seu umbigo e acaba no umbigo dos seus mestres, proibido sequer de pensar que h\u00e1 algo para l\u00e1 desses parcos horizontes. O pior escravo \u00e9 o que se acha livre (o que me trouxe \u00e0 cabe\u00e7a as recentes comemora\u00e7\u00f5es do 25 de Abril, mas n\u00e3o sigamos por a\u00ed).<\/p>\n<p>Foi sempre atrav\u00e9s da paix\u00e3o pelo desconhecido que a ra\u00e7a humana evoluiu. A ousadia e a coragem s\u00e3o necess\u00e1rias \u00e0 vida em liberdade, \u00e0 exist\u00eancia de um futuro. Para se ser livre tem-se de ter a no\u00e7\u00e3o que n\u00e3o somos nunca totalmente livres, pois h\u00e1 sempre algo que desconhecemos. E tem de se querer dobrar esse desconhecido, sempre.<\/p>\n<p>Por isto tudo, provavelmente na pr\u00f3xima ocasi\u00e3o oferecerei o jogo do Espa\u00e7o, e n\u00e3o da Geografia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Moura, Expresso online (017 02\/05\/2019)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,282],"tags":[],"class_list":["post-43664","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-expresso-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43664","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=43664"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43664\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43680,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43664\/revisions\/43680"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=43664"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=43664"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=43664"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}