{"id":43569,"date":"2019-09-23T14:00:15","date_gmt":"2019-09-23T14:00:15","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=43569"},"modified":"2019-09-23T14:48:58","modified_gmt":"2019-09-23T14:48:58","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=43569","title":{"rendered":"Diz-me o que twittas e  dir-te-ei se \u00e9s \u00e9tico!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>M\u00e1rio Tavares da Silva<\/strong><\/span>, Expresso online (013 03\/04\/2019)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2019-04-03-Diz-me-o-que-twittas-e-dir-te-ei-se-es-etico\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\"><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/EE013.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\"><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<p>De h\u00e1 uns anos a esta parte, assiste-se a um crescente protagonismo, outrora para muitos inimagin\u00e1vel, das mat\u00e9rias e m\u00faltiplas quest\u00f5es ligadas \u00e0 \u00e9tica e \u00e0s dimens\u00f5es que a mesma em regra convoca. \u00c9, pois, sem surpresa de esp\u00e9cie alguma que constatamos que nas escolas, dos mais pequenos at\u00e9 \u00e0s dos mais gra\u00fados, universidades, centros de investiga\u00e7\u00e3o, \u00f3rg\u00e3os de soberania e, ainda, numa densa constela\u00e7\u00e3o de outras organiza\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas, os seus respons\u00e1veis se enleiam na procura de respostas para as diversas quest\u00f5es da \u00e9tica, emprestando muito do seu tempo e recursos ao desenvolvimento das inerentes e morosas tarefas que as mesmas reclamam.<\/p>\n<p>Vivemos, por assim dizer, numa insuflada bolha de \u00e9tica, qual esp\u00e9cie rara de \u00faltima moda em que socialmente soa sempre bem e d\u00e1 <em>curriculum<\/em> dizer que se \u00e9 \u00e9tico, fazer <em>tweets<\/em> sobre \u00e9tica e ter <em>likes<\/em>, muitos de prefer\u00eancia, mesmo de quem de \u00e9tico tem pouco ou mesmo quase nada. Por toda a parte, mas sobretudo nos muitos palcos que as novas plataformas de comunica\u00e7\u00e3o nos proporcionam, tornou-se pr\u00e1tica corrente discursar sobre a \u00e9tica, sobretudo, estranhamente, sobre a falta de \u00e9tica dos outros, como se n\u00f3s pr\u00f3prios encarn\u00e1ssemos o paladino da \u00e9tica ou, como a miudagem de hoje gosta de verberar nas redes sociais, a \u00faltima bolacha do pacote.<\/p>\n<p>Por breves momentos, esta nova moda traz-me \u00e0 mem\u00f3ria o velhinho jogo da \u201cGl\u00f3ria\u201d que, numa das suas mais conhecidas e \u00faltimas vers\u00f5es, nos coloca numa selva, chefiada pela zebra \u201cGl\u00f3ria\u201d, aqui e agora para este efeito rebatizada de zebra \u201c\u00c9tica\u201d que, de forma altiva e muito respeit\u00e1vel, dita quem avan\u00e7a, recua e, sobretudo, quem fica preso nas in\u00fameras armadilhas existentes ao longo de todo o percurso.<\/p>\n<p>\u00c9 um jogo ardiloso e de sofrida resili\u00eancia, viciando quem o joga e fazendo sofrer quem dele tem que sair ou quem nele nunca logra participar. As regras, como n\u00e3o podia deixar de ser, s\u00e3o simples e de f\u00e1cil aprendizagem. Basta ler e lan\u00e7ar os dados.<\/p>\n<p>Neste nosso jogo da zebra \u201c\u00c9tica\u201d todos os jogadores partem do zero, pois todos se presumem \u00e9ticos at\u00e9 prova em contr\u00e1rio, sendo que aquele que o n\u00e3o \u00e9, por qualquer raz\u00e3o objetiva e por todos tida como incontorn\u00e1vel, nele n\u00e3o pode participar.<\/p>\n<p>Nesta medida, a quest\u00e3o do jogo da Zebra \u201c\u00c9tica\u201d est\u00e1 muito bem identificada para quem quiser jogar.<\/p>\n<p>Seremos n\u00f3s capazes, nas adversidades e contrariedades que a agitada e crepitante vida nos atravessa no caminho, de alcan\u00e7ar a desejada gl\u00f3ria de sermos \u00e9ticos?<\/p>\n<p>Ou ficaremos, pelo contr\u00e1rio, resignados e impotentes, retidos e sequestrados nas nossas pr\u00f3prias armadilhas e noutras que outros tantos, estrategicamente, nos pretendam colocar no caminho?<\/p>\n<p>Este \u00e9 o moderno dilema do jogador da \u00e9tica. Para a alcan\u00e7ar e assim sobreviver eticamente entre os seus pares, est\u00e1 preparado para fazer de tudo. <em>Tweetar<\/em>, religiosa e abnegadamente, sobre a \u00e9tica, escrever infind\u00e1veis cr\u00f3nicas sobre \u00e9tica, como ali\u00e1s eu pr\u00f3prio fa\u00e7o para me manter vivo no jogo, elaborar pormenorizados c\u00f3digos de \u00e9tica, urdir c\u00f3digos de conduta polvilhados de celestiais princ\u00edpios e publicitar intricados regulamentos de controlo, quase sempre pejados de normas t\u00e3o complexas na sua reda\u00e7\u00e3o que se anulam reciprocamente, desvirtuando o sentido \u00faltimo que inicialmente se pretendeu perseguir. As entidades est\u00e3o hoje, mais do que nunca, fortemente pressionadas por uma agenda medi\u00e1tica ditada na implac\u00e1vel arena das redes sociais, que n\u00e3o controlam, procurando por todos os meios fazer permanentemente prova de vida. Todos querem jogar e ningu\u00e9m est\u00e1 disposto a perder.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, assiste-se nesta irrespir\u00e1vel atmosfera a uma preval\u00eancia da forma sobre a subst\u00e2ncia, pois mais do que documentos textualmente estruturados e semanticamente refinados, como os que pululam atualmente pelas diferentes organiza\u00e7\u00f5es do Estado, o que importa na realidade \u00e9 criar condi\u00e7\u00f5es efetivas para que tais documentos possam ter uma aplicabilidade pr\u00e1tica real e uma adequada e eficaz consecu\u00e7\u00e3o dos objetivos inicialmente tra\u00e7ados.<\/p>\n<p>Imp\u00f5e-se, nesta medida, aplicar e fazer aplicar os instrumentos \u00e9ticos de que as organiza\u00e7\u00f5es disp\u00f5em nas suas mais variadas formas, convocando todos para um resultado que a todos aproveita.<\/p>\n<p>Os c\u00f3digos, \u00e9ticos e de conduta, devem constituir nesta medida um incentivo efetivo \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de melhores pr\u00e1ticas entre os colaboradores das entidades, envolvendo-os e impelindo-os ao seu adequado cumprimento, avalia\u00e7\u00e3o e controlo e, sempre que necess\u00e1rio, \u00e0 sua imediata e esclarecida revis\u00e3o.<\/p>\n<p>Espera-se, neste contexto, que tais documentos, formalmente irrepreens\u00edveis em muitos dos casos, possam ser algo mais do que meros reposit\u00f3rios de boas inten\u00e7\u00f5es, acrescentando-se \u00e0 sua natureza eminentemente program\u00e1tica um efetivo valor na atividade desenvolvida.<\/p>\n<p>\u00c9 que tal como o jogo da \u201cGl\u00f3ria\u201d sofreu m\u00faltiplas vers\u00f5es na sua j\u00e1 longa e fascinante exist\u00eancia, tamb\u00e9m as organiza\u00e7\u00f5es devem repensar permanentemente o tabuleiro de riscos em que desenvolvem a sua atividade, pois os riscos de ontem poder\u00e3o n\u00e3o ser mais os de hoje e os de hoje ser\u00e3o, certamente, bem diferentes dos que encontrar\u00e3o amanh\u00e3.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rio Tavares da Silva, Expresso online (013 03\/04\/2019)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,282],"tags":[],"class_list":["post-43569","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-expresso-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43569","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=43569"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43569\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43688,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43569\/revisions\/43688"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=43569"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=43569"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=43569"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}