{"id":43378,"date":"2019-08-01T09:26:28","date_gmt":"2019-08-01T09:26:28","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=43378"},"modified":"2019-08-01T09:29:37","modified_gmt":"2019-08-01T09:29:37","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=43378","title":{"rendered":"Alice no Pa\u00eds da (maravilhosa) Corrup\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Ant\u00f3nio Gomes Dias <\/strong><\/span>, Vis\u00e3o online<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/opiniao\/silnciodafraude\/2019-08-01-Alice-no-Pais-da--maravilhosa--Corrupcao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/VisaoE550.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a>Estamos cansados por continuarmos nos tempos da \u201cvelha senhora\u201d, onde os t\u00edtulos, apelidos e prest\u00edgio social eram suficientes para perpetuar a riqueza dos mais avantajados. Estamos cansados por ainda hoje se viver um clima de subservi\u00eancia em que os poderosos, apenas por o serem, tudo podem.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<p>Ao escolher o tema desta cr\u00f3nica, com o objetivo de abordar um tema atual, refleti sobre o relat\u00f3rio final da comiss\u00e3o parlamentar de inqu\u00e9rito \u00e0 CGD e \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o, ainda que limitada, da lista agregada dos grandes devedores dos bancos que recorreram \u00e0 ajuda p\u00fablica. Por\u00e9m, dada a massifica\u00e7\u00e3o de not\u00edcias, sendo certo que algumas pouco acrescentam, decidi nada escrever sobre estes assuntos.<\/p>\n<p>Estamos cansados do desvario dos bancos, estamos cansados porque foi a n\u00f3s, popula\u00e7\u00e3o deste pequeno e belo pa\u00eds, a quem foi pedido, ou melhor, exigido, esfor\u00e7os significativos que em muitos casos adiaram sonhos, realiza\u00e7\u00f5es e at\u00e9 mesmo o dia-a-dia.<\/p>\n<p>Estamos cansados porque fomos n\u00f3s, an\u00f3nimos cidad\u00e3os, que emigramos, adiamos projetos, vimos sal\u00e1rios congelados, sofremos um \u201cenorme aumento de impostos\u201d, vimos os bancos executar as penhoras das nossas casas e sentimos, na mesa, a chamada \u201ccrise econ\u00f3mica e financeira\u201d.<\/p>\n<p>Estamos cansados porque fomos n\u00f3s que pagamos, estamos cansados por ainda estarmos a pagar, estamos cansados porque todos, num amplo exerc\u00edcio de cidadania, fomos correspons\u00e1veis pelas pr\u00e1ticas de muito poucos.<\/p>\n<p>Estamos cansados da arbitrariedade de \u201cquem pode\u201d, estamos cansados da sua fraca mem\u00f3ria, estamos cansados do seu \u201cesquecimento\u201d.<\/p>\n<p>Estamos cansados por continuarmos nos tempos da \u201cvelha senhora\u201d, onde os t\u00edtulos, apelidos e prest\u00edgio social eram suficientes para perpetuar a riqueza dos mais avantajados. Estamos cansados por ainda hoje se viver um clima de subservi\u00eancia em que os poderosos, apenas por o serem, tudo podem.<\/p>\n<p>E agora, sem querer cansar quem j\u00e1 est\u00e1 cansado, pe\u00e7o a vossa aten\u00e7\u00e3o para alguns dados que nos obrigam a refletir:<\/p>\n<ul>\n<li>Segundo o relat\u00f3rio \u201cThe costs of corruption across the EU\u201d apresentado no final de 2018 no Parlamento Europeu, os custos associados \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o em Portugal somam cerca de 18,2 mil milh\u00f5es de euros por ano (7,9% do PIB), mais que o or\u00e7amento da sa\u00fade, mais do dobro do montante gasto em educa\u00e7\u00e3o, mais de metade do or\u00e7amento total das despesas sociais.<\/li>\n<li>Entre 2015 e 2018, de acordo com o Relat\u00f3rio Anual de Seguran\u00e7a Interna, foram iniciados 3453 inqu\u00e9ritos por Corrup\u00e7\u00e3o. Destes, s\u00f3 128 deram origem a acusa\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, pasme-se, apenas 3,7%.<\/li>\n<li>Dos restantes 1527 (44%) foram arquivados e 1176 (34%) foram findos por outros motivos (n\u00e3o explicados nos referidos relat\u00f3rios). Os restantes, em princ\u00edpio, foram alvo de suspens\u00e3o provis\u00f3ria.<\/li>\n<li>Falta ainda saber, dos poucos que deram origem a acusa\u00e7\u00e3o, quantos deram ou vir\u00e3o a dar penas efetivas devidamente sancionadas pelo nosso sistema judicial.<\/li>\n<li>Poderia ainda referir-me aos inqu\u00e9ritos iniciados por outros crimes de \u00edndole econ\u00f3mica e financeira, entre outros, abuso de poder, branqueamento de capitais, peculato, fraude fiscal, desvio de subven\u00e7\u00f5es, prevarica\u00e7\u00e3o ou administra\u00e7\u00e3o danosa, mas como n\u00e3o quero cansar o leitor, adianto que a percentagem de inqu\u00e9ritos arquivados \u00e9 muito superior aos que deram origem a acusa\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Pois bem, se existe corrup\u00e7\u00e3o e as entidades oficiais abrem muitos inqu\u00e9ritos que n\u00e3o se convertem em acusa\u00e7\u00f5es, o que se passa? S\u00e3o os inqu\u00e9ritos abertos por den\u00fancias maliciosas e infundadas, n\u00e3o se tendo verificado qualquer crime? A obten\u00e7\u00e3o de ind\u00edcios que suportem a verifica\u00e7\u00e3o do crime \u00e9 insuficiente? A obten\u00e7\u00e3o de provas \u00e9 imposs\u00edvel? Estar\u00e3o os diversos agentes preparados para a investiga\u00e7\u00e3o deste tipo de crimes?<\/p>\n<p>Sem querer estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o direta entre os factos, com o objetivo de promover a discuss\u00e3o, at\u00e9 agora quase silenciosa, recordo que no recente relat\u00f3rio divulgado pela GRECO (grupo de estados contra a corrup\u00e7\u00e3o), Portugal \u00e9 o pa\u00eds com maior propor\u00e7\u00e3o de recomenda\u00e7\u00f5es anticorrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o implementadas, aparecendo em \u00faltimo lugar entre 26 pa\u00edses Europeus.<\/p>\n<p>E desculpem\u2026 sei que est\u00e3o cansados. Mas permitam-me questionar o papel das autoridades de supervis\u00e3o. S\u00e3o ou n\u00e3o s\u00e3o Autoridades? Como s\u00e3o nomeados os seus respons\u00e1veis? S\u00e3o respons\u00e1veis pelos seus atos? Existem coniv\u00eancias que resultam do excesso de confian\u00e7a entre as partes? E a supervis\u00e3o externa funciona? Porque n\u00e3o s\u00e3o solicitadas auditorias preventivas? Porque n\u00e3o investir em profissionais qualificados, respons\u00e1veis e pass\u00edveis de efetiva responsabiliza\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Num pa\u00eds que democratizou o ensino, num pa\u00eds de \u201cdoutores\u201d, embora uns, por apelido, por amizade ou pelo cargo que exercem, sejam mais doutores que outros, continuamos a ser provincianos.<\/p>\n<p>Estamos cansados por n\u00e3o termos garantias de que alguma coisa se aprendeu, e na verdade, parece-me que de facto nada aprendemos.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se somos a Alice, o Gato, o Coelho ou mesmo o Chapeleiro Louco. Certo, \u00e9 que n\u00e3o somos a Rainha de Copas\u2026 Por isso, em desabafo, dizemos - ESTAMOS CANSADOS!<\/p>\n<p>Por\u00e9m, apesar de cansados, inocentes como a Alice, continuamos CONFIANTES!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Gomes Dias , Vis\u00e3o online Estamos cansados por continuarmos nos tempos da \u201cvelha senhora\u201d, onde os t\u00edtulos, apelidos e prest\u00edgio social eram suficientes para perpetuar a riqueza dos mais avantajados. 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