{"id":43357,"date":"2019-11-15T11:04:22","date_gmt":"2019-11-15T11:04:22","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=43357"},"modified":"2019-11-16T15:05:42","modified_gmt":"2019-11-16T15:05:42","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=43357","title":{"rendered":"Economia paralela (final)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Carlos Pimenta<\/strong><\/span>, Dinheiro Vivo (JN \/ DN)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/opiniao\/economia-paralela-final\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/DV071.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p>A economia n\u00e3o registada calculada \u00e9 apenas uma estimativa e como tal deve ser assumida, e n\u00e3o como um valor exacto<\/p>\n<p>...<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<p>Nas duas cr\u00f3nicas anteriores<\/p>\n<ul>\n<li>constat\u00e1mos que a economia paralela capta a actividade econ\u00f3mica n\u00e3o contida na contabilidade nacional;<\/li>\n<li>porque h\u00e1 pessoas, individuais ou colectivas, ou que est\u00e3o \u00e0 margem do normal funcionamento dos mercados (economia informal), ou que exercem actividades proibidas pela lei (economia ilegal) ou, ainda, deliberadamente violando as regras fiscais (economia subterr\u00e2nea).<\/li>\n<li>Constat\u00e1mos que a economia paralela pode ter aspectos positivos em certas situa\u00e7\u00f5es de desenvolvimento e do andamento c\u00edclico da economia, essencialmente associados ao emprego e \u00e0 supera\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria (essencialmente pela economia informal);<\/li>\n<li>e que a economia subterr\u00e2nea est\u00e1 aqu\u00e9m da totalidade da fraude fiscal, pois uma parte significativa desta exige a inclus\u00e3o de valores na contabilidade das empresas e, consequentemente, na contabilidade nacional.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Hoje procuraremos responder a uma \u00faltima quest\u00e3o que nos \u00e9 feita frequentemente: Como \u00e9 poss\u00edvel quantificar o que n\u00e3o \u00e9 observ\u00e1vel?<\/p>\n<p>De uma forma gen\u00e9rica diremos que nos devemos socorrer de toda a informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel, tendo grande aten\u00e7\u00e3o \u00e0 veracidade das informa\u00e7\u00f5es recolhidas e \u00e0 realidade de cada pa\u00eds e \u00e9poca. S\u00e3o exemplos dessas informa\u00e7\u00f5es os resultados das actividades das pol\u00edcias \u00a0e as suas estimativas (ex. em rela\u00e7\u00e3o ao tr\u00e1fico de droga); a compara\u00e7\u00e3o de dados e seus diferenciais (ex. consumo de electricidade segundo as empresas e produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o e o seu uso pelas actidades observadas); a utiliza\u00e7\u00e3o da moeda (ex. sabendo que certas opera\u00e7\u00f5es exigem notas de elevado valor ou que certas igualdades s\u00e3o inevit\u00e1veis entre vari\u00e1veis \u00abreais\u00bb e \u00abmonet\u00e1rias\u00bb); os resultado de inqu\u00e9ritos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, etc.<\/p>\n<p>Estes eram os procedimentos habituais h\u00e1 umas d\u00e9cadas, mas que chocavam com v\u00e1rias dificuldades: h\u00e1 muitos aspectos da realidade que ficam por analisar; alguns procedimentos s\u00e3o muito caros ou exigem muito tempo; muitas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o confidenciais; certas actividades t\u00eam impactos difusos; os erros de estimativa e c\u00e1lculo s\u00e3o diversos; h\u00e1 uma certa subordina\u00e7\u00e3o epistemol\u00f3gica aos paradigmas cient\u00edficos socialmente dominantes, etc. \u00a0A estes problemas de c\u00e1lculo junta-se um outro: as t\u00e9cnicas dos diversos pa\u00edses s\u00e3o diferentes de um para o outro e s\u00e3o alter\u00e1veis no tempo, o que dificulta, ou inviabiliza, a comparabilidade dos dados no tempo e no espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Este \u00faltimo problema seria resolvido pela utiliza\u00e7\u00e3o de um \u00fanico modelo, como o m\u00e9todo monet\u00e1rio (ex. MV=PQ) ou de indicador global (ex. utiliza\u00e7\u00e3o da electricidade), mas aumentava, eventualmente o erro.<\/p>\n<p>Nos anos 80\/90 foi descoberto o m\u00e9todo da vari\u00e1vel latente, possuindo rigor matem\u00e1tico, que consiste em calcular a economia paralela (vari\u00e1vel latente) a partir de um conjunto de dados estat\u00edsticos que s\u00e3o indicadores, causas ou consequ\u00eancias da economia paralela. A utiliza\u00e7\u00e3o das mesmas vari\u00e1veis em diversas situa\u00e7\u00f5es torna os dados compar\u00e1veis. Da\u00ed se ter generalizado a utiliza\u00e7\u00e3o dos modelos MIMIC: a vari\u00e1vel latente \u00e9 calculada a partir de uma bateria de indicadores e causas.<\/p>\n<p>Muitos problemas foram solucionados com a utiliza\u00e7\u00e3o destes modelos.<\/p>\n<p>Contudo nestes modelos h\u00e1 dois, eventualmente tr\u00eas, problemas: (a) As \u00abcausas\u00bb e as \u00abconsequ\u00eancias\u00bb t\u00eam de ser dados sistematicamente dispon\u00edveis estatisticamente, pelo que tendem a n\u00e3o englobar muita da actividade ilegal; (b) subestima outras informa\u00e7\u00f5es que existem dispon\u00edveis, a que fizemos alus\u00e3o anteriormente; (c) muitas vezes na escolha das vari\u00e1veis h\u00e1, implicitamente, a adop\u00e7\u00e3o de\u00a0 modelo te\u00f3rico da Economia de um determinado paradigma (ex. o da \u00abracionalidade econ\u00f3mica\u00bb, ao admitir que pagar o m\u00ednimo de impostos \u00e9 uma quest\u00e3o de \u00abefici\u00eancia\u00bb econ\u00f3mica).<\/p>\n<p>Por outras palavras,<\/p>\n<ol>\n<li>a economia n\u00e3o registada calculada \u00e9 apenas uma estimativa e como tal deve ser assumida, e n\u00e3o como um valor exacto;<\/li>\n<li>pode haver algum conflito entre as compara\u00e7\u00f5es no tempo e no espa\u00e7o, devendo-se verificar como foram feitos os c\u00e1lculos e considerar apenas o diacr\u00f3nico ou o sincr\u00f3nico;<\/li>\n<li>tende a subestimar, ou a n\u00e3o considerar, uma grande parte da economia ilegal.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Consideramos que o modelo MIMIC ao utilizar dados estat\u00edsticos dispon\u00edveis conduz essencialmente ao c\u00e1lculo do que \u00e9 considerado a \u00abeconomia sombra\u00bb: economia subterr\u00e2nea e economia informal. Subestima a economia ilegal.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta, Dinheiro Vivo (JN \/ DN) A economia n\u00e3o registada calculada \u00e9 apenas uma estimativa e como tal deve ser assumida, e n\u00e3o como um valor exacto &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,279],"tags":[],"class_list":["post-43357","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-dinheiro-vivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43357","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=43357"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43357\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43953,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43357\/revisions\/43953"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=43357"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=43357"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=43357"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}