{"id":43340,"date":"2019-07-22T00:07:29","date_gmt":"2019-07-22T00:07:29","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=43340"},"modified":"2019-07-22T00:07:32","modified_gmt":"2019-07-22T00:07:32","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=43340","title":{"rendered":"Fraude acad\u00e9mica e castigo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/665319\/fraude-academica-e-castigo?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Jos\u00e9-Ant\u00f3nio-Moreira-julho2019.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201cTem de haver toler\u00e2ncia zero!\u201d<\/p>\n<p>Fim de ano letivo, reuni\u00e3o de respons\u00e1veis pelos diversos cursos, ordem de trabalhos onde se inclu\u00eda um ponto relativo \u00e0 fraude acad\u00e9mica.<\/p>\n<p>Entrados neste, os presentes foram confrontados com as estat\u00edsticas anuais, que mostravam crescimento. A discuss\u00e3o come\u00e7ou pela eterna quest\u00e3o que estes temas sempre trazem: \u201cSignifica que h\u00e1 mais fraude, ou \u00e9 apenas sinal de que os docentes, guardi\u00f5es primeiros da verdade acad\u00e9mica, est\u00e3o mais despertos para a necessidade de reportarem os casos detetados?\u201d<\/p>\n<p>Desta vez a quest\u00e3o beneficiou de informa\u00e7\u00e3o adicional que ajudou a clarificar as posi\u00e7\u00f5es e evitou o tradicional entrincheiramento de posi\u00e7\u00f5es: verificara-se o crescimento do n\u00famero de alunos estrangeiros defraudadores; havia algumas reclama\u00e7\u00f5es de alunos a prop\u00f3sito da falta de verdade na avalia\u00e7\u00e3o por via da fraude cometida por colegas.<\/p>\n<p>Duas pe\u00e7as de informa\u00e7\u00e3o que ajudaram a consolidar a ideia de que o problema se tem vindo a agravar e, adicionalmente, introduziam matizes diferentes nas tradicionais cores com que se pinta a fraude acad\u00e9mica.<\/p>\n<p>Os alunos estrangeiros, s\u00e3o tradicionalmente olhados como menos defraudadores, por via dos enquadramentos institucionais e culturais de onde s\u00e3o provenientes que, em geral, se caraterizam por acrescido rigor e exig\u00eancia nestas mat\u00e9rias. O crescimento da fraude acad\u00e9mica neste grupo poderia, portanto, ser olhado \u2013 e foi-o \u2013 como um reflexo da perce\u00e7\u00e3o de tais alunos quanto \u00e0 extrema permissividade do sistema de ensino portugu\u00eas neste dom\u00ednio, porventura exponenciada pelo \u201cpassa a palavra\u201d de compatriotas seus que por c\u00e1 haviam passado. Preocupante, sem d\u00favida.<\/p>\n<p>Reclama\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 injusti\u00e7a introduzida no processo de avalia\u00e7\u00e3o, pela ocorr\u00eancia de fraude, \u00e9 novidade, pelo menos com a frequ\u00eancia verificada nos tempos mais recentes. Ainda s\u00e3o relativamente poucas, mas espera-se que constituam sinal de uma mudan\u00e7a de atitude face ao tradicional benepl\u00e1cito com que os alunos defraudadores eram olhados pelos seus pares, para quem eram aut\u00eanticos \u201cher\u00f3is\u201d, capazes de ludibriarem as regras sem se machucarem. Pela press\u00e3o que estas reclama\u00e7\u00f5es v\u00eam colocar sobre os guardi\u00f5es, mas tamb\u00e9m pelo que cont\u00eam de cr\u00edtica social, s\u00e3o arma importante no combate \u00e0 fraude acad\u00e9mica.<\/p>\n<p>\u201cTem de haver toler\u00e2ncia zero!\u201d, sugeriu com voz forte um dos presentes. Para justificar a sua posi\u00e7\u00e3o, fez eco de uma conversa que em tempos tivera com um colega finland\u00eas, em que este lhe explicou que o pa\u00eds tinha circunscrito a fraude acad\u00e9mica a n\u00edveis irrelevantes a partir do momento em que a penaliza\u00e7\u00e3o passou a ser a expuls\u00e3o do defraudador da universidade. Ningu\u00e9m colocou em causa a veracidade de tal explica\u00e7\u00e3o na medida em que alguns anos antes, com direito a not\u00edcia de jornal di\u00e1rio, um aluno portugu\u00eas, em mobilidade Erasmus numa institui\u00e7\u00e3o de ensino finlandesa, foi recambiado de volta para Portugal, sem contempla\u00e7\u00f5es, quando, no decurso de uma prova de exame, um vigilante constatou que um c\u00f3digo de leis que estava pousado em cima da mesa desse aluno continha pequenas notas explicativas na margem das folhas. A tal toler\u00e2ncia zero!<\/p>\n<p>Depressa os presentes tomaram consci\u00eancia de que na sua institui\u00e7\u00e3o, nas institui\u00e7\u00f5es de ensino portuguesas como um todo, tal castigo para o crime de fraude acad\u00e9mica n\u00e3o era exequ\u00edvel. No limite, se houver reincid\u00eancia, o aluno defraudado tender\u00e1 a ser sujeito a um processo disciplinar que, se puder provar o ato, lhe dar\u00e1 como san\u00e7\u00e3o a impossibilidade de se submeter a novo exame no ano em que a fraude ocorreu, e lavrar\u00e1 o facto no processo do aluno (sem outra divulga\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Qualquer que seja o \u00e2ngulo pelo qual se olhe tal castigo, ressalta a convic\u00e7\u00e3o de que \u00e9 demasiado brando. Para o aluno, em termos contabil\u00edsticos, a expetativa de benef\u00edcio ao cometer o crime tende a ser superior \u00e0 expetativa de custo na eventualidade de ser apanhado. O castigo, em tal caso, n\u00e3o funciona como desincentivo \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1tica criminosa.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o caminhava para o t\u00e9rmino. No restante tempo dedicado \u00e0 discuss\u00e3o da fraude acad\u00e9mica, atendendo \u00e0s armas dispon\u00edveis, a estrat\u00e9gia de \u201ctoler\u00e2ncia zero\u201d ficou-se pela sugest\u00e3o de um conjunto de medidas, onde pontuaram o aumento da aten\u00e7\u00e3o dos guardi\u00f5es, bem como o respetivo posicionamento nas salas, no decurso da vigil\u00e2ncia das provas; a elabora\u00e7\u00e3o destas em moldes em que as respostas sejam dadas na pr\u00f3pria folha do enunciado; o evitar a utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas de calcular com mem\u00f3rias; a disponibiliza\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplas vers\u00f5es da prova nos casos em que esta cont\u00e9m quest\u00f5es com resposta de escolha m\u00faltipla. Enfim, paliativos num jogo cujas regras est\u00e3o enviesadas \u00e0 partida.<\/p>\n<p>A universidade continua a ser um microcosmo da sociedade onde se insere.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Jornal i \u201cTem de haver toler\u00e2ncia zero!\u201d Fim de ano letivo, reuni\u00e3o de respons\u00e1veis pelos diversos cursos, ordem de trabalhos onde se inclu\u00eda um ponto relativo \u00e0 fraude acad\u00e9mica. Entrados neste, os presentes foram confrontados com as estat\u00edsticas anuais, que mostravam crescimento. 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