{"id":43268,"date":"2019-07-07T23:46:11","date_gmt":"2019-07-07T23:46:11","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=43268"},"modified":"2019-07-11T16:56:18","modified_gmt":"2019-07-11T16:56:18","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=43268","title":{"rendered":"A fraude: menino ou menina?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Carlos Pimenta, Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/663940\/a-fraude-menino-ou-menina-?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Carlos-Pimenta-julho2019.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>O que \u00e9 fundamental reter \u00e9 que as fraudes surgem inevitavelmente no contexto das rela\u00e7\u00f5es entre os indiv\u00edduos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<article>\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article>\n<article>\n<article>\n<div class=\"large-9 medium-12 small-12 columns\">\n<article>1. Fui recentemente questionado sobre o sexo da fraude. Por outras palavras, sobre a maior ou menor probabilidade de uma fraude ser cometida por um homem ou uma mulher.<\/p>\n<p>Embora o problema j\u00e1 tenha sido levantado algumas vezes as dificuldades para uma resposta precisa s\u00e3o grandes:<\/p>\n<p>Por defini\u00e7\u00e3o as fraudes \ua7f7 baseando-se no logro, num fingimento n\u00e3o percept\u00edvel para as v\u00edtimas \ua7f7 n\u00e3o s\u00e3o observ\u00e1veis necessariamente, logo estud\u00e1veis, com uma quantifica\u00e7\u00e3o exacta e uma observa\u00e7\u00e3o generaliz\u00e1vel a todas as situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>S\u00f3 conhecemos efectivamente as fraudes detectadas e estas reflectem inevitavelmente apenas uma parte dos acontecimentos, incidem num tipo espec\u00edfico de fraude e exprimem inevitavelmente um determinado contexto social. Numa sociedade, ou numa organiza\u00e7\u00e3o empresarial, onde a grande percentagem de actuantes s\u00e3o cidad\u00e3os do sexo masculino, tamb\u00e9m h\u00e1 uma fort\u00edssima probabilidade de os defraudadores o serem, o que \u00e9 irrelevante para responder \u00e0 pergunta.<\/p>\n<p>Detectadas fraudes de um determinado tipo realizadas por cidad\u00e3os de um determinado sexo, qual \u00e9 a import\u00e2ncia em percentagem que lhe devemos atribuir? Calculamos a partir da quantidade de vezes que a cometeu ou a partir do seu valor? Os resultados geralmente s\u00e3o bastante diferentes. Se num ano forem cometidas 1000 fraudes no valor total de 1 milh\u00e3o de euros e um cidad\u00e3o cometeu uma \u00fanica fraude de 750 mil euros, esse indiv\u00edduo cometeu 0,1% das fraudes (pela frequ\u00eancia), o que \u00e9 insignificante, mas 75% delas (em valor), o que \u00e9 muito relevante. Na nossa opini\u00e3o o significativo \u00e9 em valor \ua7f7 n\u00e3o apenas por uma mera op\u00e7\u00e3o de quantifica\u00e7\u00e3o mas tamb\u00e9m porque estamos a falar, na nossa opini\u00e3o, da diferen\u00e7a entre fraudes oportunistas, aproveitando uma determinada situa\u00e7\u00e3o, e fraudes estruturalmente organizadas, com um grande peso das elites sociais e do crime organizado \ua7f7, n\u00e3o deixando de ser importante ter dados para as duas vias de c\u00e1lculo. Contudo s\u00e3o poucos os trabalhos quantificados que fa\u00e7am essa dupla abordagem.<\/p>\n<p>O que \u00e9 fundamental reter \u00e9 que as fraudes surgem inevitavelmente no contexto das rela\u00e7\u00f5es entre os indiv\u00edduos (acontecimento social) num determinado contexto cultural (maneira de ser e estar em sociedade) e estes aspectos reflectem tamb\u00e9m as determinantes individuais, do foro \u00abpsicol\u00f3gico\u00bb, de cada um os defraudadores.<\/p>\n<p>2. N\u00e3o estar\u00e1 a resposta, parcelar, em constata\u00e7\u00f5es como estas: \u00abo aumento da representa\u00e7\u00e3o feminina na administra\u00e7\u00e3o das empresas diminui a probabilidade de fraude\u00bb?<\/p>\n<p>Uma tal informa\u00e7\u00e3o, que conjuga a an\u00e1lise em valor (s\u00e3o os administradores que em valor lideram as fraudes nas empresas) com a refer\u00eancia ao sexo, n\u00e3o ser\u00e1 concludente?<\/p>\n<p>Na nossa opini\u00e3o n\u00e3o, embora seja um dado emp\u00edrico a ter em conta. De facto, numa sociedade masculina em conselhos de administra\u00e7\u00e3o estamos perante uma amostra representativa da sociedade? N\u00e3o ser\u00e1 antes parte de uma estrat\u00e9gia de afirma\u00e7\u00e3o? H\u00e1 alguma rela\u00e7\u00e3o entre esta constata\u00e7\u00e3o e o que acontecer\u00e1 quando, eventualmente, a realidade for parit\u00e1ria? N\u00e3o sabemos.<\/p>\n<p>3. Se pegarmos nos estudos sobre a \u00abmoral fiscal\u00bb (\u00e1rea que abrange todos os cidad\u00e3os adultos) constatamos que diversos estudos apontam para uma maior moral, logo menos fraude fiscal, por parte das mulheres, mas ou s\u00e3o constata\u00e7\u00f5es emp\u00edricas sem justifica\u00e7\u00f5es ou estas s\u00e3o muito variadas. Alguns exemplos:<\/p>\n<p>- \u00abdiferen\u00e7a de valores entre o homem e a mulher ou menores taxas de participa\u00e7\u00e3o feminina no trabalho\u00bb;<\/p>\n<p>- \u00aba pesquisa psicol\u00f3gica social sugeriu que as mulheres s\u00e3o mais complacentes e menos auto-suficientes do que os homens, mas descobertas de pesquisas na \u00faltima d\u00e9cada mostraram que o g\u00e9nero pode influenciar a conformidade fiscal (...) um n\u00edvel significativamente mais elevado de moral fiscal do que os homens.\u00bb;<\/p>\n<p>- \u00abapesar da sabedoria convencional sobre a moral fiscal mais alta das mulheres, a literatura est\u00e1 longe de ser un\u00e2nime sobre os efeitos do g\u00e9nero\u00bb;<\/p>\n<p>- na Europa a \u00abmoral fiscal tende a ser maior entre mulheres e pessoas casadas\u00bb;<\/p>\n<p>- considerando essencialmente os pa\u00edses subdesenvolvidos constata-se a mais elevada moral fiscal das mulheres.<\/p>\n<p>Contudo estas conclus\u00f5es resultam de estudos com diferentes metodologias e quantifica\u00e7\u00f5es e nem todos apontam no mesmo sentido, como foi salientado explicitamente num trabalho recente:<\/p>\n<p>- \u00abAs descobertas sobre diferen\u00e7as de g\u00e9nero em valores morais s\u00e3o amb\u00edguas. Homens e mulheres s\u00e3o igualmente tolerantes ao suborno, mas as mulheres s\u00e3o mais tolerantes \u00e0 evas\u00e3o fiscal, mantendo o tempo e outros factores constantes. Ambas as constata\u00e7\u00f5es levantam quest\u00f5es sobre a universalidade das alega\u00e7\u00f5es e descobertas ocidentais de que as mulheres s\u00e3o mais morais\u00bb<\/p>\n<p>4. No meio desta controv\u00e9rsia que concluir, mesmo que provisoriamente?<\/p>\n<p>Considerando<\/p>\n<p>- fundamental que os estudos assentem em inqu\u00e9ritos individuais aplicados a amostras significativas, e que tenham em conta as leis psicol\u00f3gicas que explicam concludentemente alguns tipos e fraudes,<\/p>\n<p>- tendo presente que nas avalia\u00e7\u00f5es o sexo est\u00e1 sempre interligado com outras vari\u00e1veis sociais, pr\u00e9 ou coexistentes,<\/p>\n<p>e mesmo admitindo que \u00e9 poss\u00edvel extrapolar de um tipo de fraude para todas as restantes, podemos provisoriamente concluir que n\u00e3o h\u00e1 raz\u00f5es suficientes para considerar que as fraudes t\u00eam sexo.<\/p>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta, Jornal i O que \u00e9 fundamental reter \u00e9 que as fraudes surgem inevitavelmente no contexto das rela\u00e7\u00f5es entre os indiv\u00edduos.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-43268","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43268","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=43268"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43268\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43275,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43268\/revisions\/43275"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=43268"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=43268"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=43268"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}