{"id":43242,"date":"2019-07-06T07:54:40","date_gmt":"2019-07-06T07:54:40","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=43242"},"modified":"2019-08-15T10:09:00","modified_gmt":"2019-08-15T10:09:00","slug":"conhecemos-os-custos-da-criminalidade-economico-financeira-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=43242","title":{"rendered":"A \u00e9tica sob um outro prisma"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Antonio Carlos Hencsey, Revista Inspire-c<\/strong><\/span> (Edi\u00e7\u00e3o 10 - Jun. de 2019), <\/p>\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/revistainspirec.com.br\/a-etica-sob-outro-prisma\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a> <a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Artigo-Inspire-C-A-e\u0301tica-sob-um-outro-prisma.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n\n\n<div>\n<p><b>Resumo<\/b>: Como a criminologia empresarial e a psicologia social embasam a tomada de decis\u00e3o \u00e9tica de um indiv\u00edduo? Junto \u00e0 filosofia, estas duas ci\u00eancias possuem metodologia e experi\u00eancia para explicar muito do que fazemos, escolhemos e somos quando o tema \u00e9 fazer o certo e o errado.\n<b>Palavras Chave<\/b>: flexibilidade moral, \u00e9tica, criminologia empresarial, psicologia social\n...<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div>\n<p style=\"text-align: left;\"><\/p><wp-block data-block=\"core\/more\"><\/wp-block>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que a \u00e9tica, a psicologia social e a criminologia empresarial t\u00eam em comum? A resposta \u00e9: Tudo. Essas tr\u00eas belas ci\u00eancias conversam entre si t\u00e3o bem quanto os instrumentos un\u00edssonos regidos por um bom maestro, ou toques de luz e sombra dando vida a uma linda obra de arte.<\/p>\n<p>A busca do certo pelo certo, encontrar o equil\u00edbrio entre o indiv\u00edduo e o coletivo e as diversas motiva\u00e7\u00f5es para o porque nos comportamos da forma como o fazemos \u00e9 parte do que procuram fil\u00f3sofos, psic\u00f3logos e criminologistas, e neste texto, venho apresentar a vis\u00e3o das duas destas \u00e1reas de conhecimento.<\/p>\n<p>Como psic\u00f3logo e criminologista empresarial tenho o privil\u00e9gio de ver a beleza da compreens\u00e3o, viv\u00eancia e aplica\u00e7\u00e3o do certo e do errado como um caleidosc\u00f3pio, em toda a sua complexidade de formas, cores e transmuta\u00e7\u00e3o.&nbsp; O que \u00e9 ser \u00e9tico, e o que leva um ser humano a transgredir regras, acordos e at\u00e9 mesmo a lei em raz\u00e3o de contextos, momentos, quest\u00f5es pessoais ou profissionais.<\/p>\n<p>Bom, uma primeira imagem deste caleidosc\u00f3pio \u00e9 que nem sempre aquele que age de forma eticamente impec\u00e1vel diante de um est\u00edmulo espec\u00edfico ter\u00e1 o mesmo comportamento ilibado diante de outro diferente. Parece \u00f3bvio, mas n\u00e3o \u00e9. Isso contradiz muitas das cren\u00e7as do senso comum e do julgamento coletivo sobre a \u00e9tica. Pensem em quantas vezes ouviram que quem para na faixa de pedestres \u00e9 o mesmo indiv\u00edduo que obviamente pagar\u00e1 uma propina, e se ainda n\u00e3o o fez, certamente far\u00e1 no futuro. E a fala vai al\u00e9m, normalmente \u00e9 seguida de: s\u00e3o pessoas assim que deixam o pa\u00eds pior e n\u00e3o permitir\u00e3o nossa transforma\u00e7\u00e3o em uma na\u00e7\u00e3o s\u00f3lida e integra. Uma pausa, antes que o leitor me critique quero deixar claro que sou completamente contra o motorista que para sobre a faixa de pedestres. Agora, vamos voltar a an\u00e1lise original.<\/p>\n<p>At\u00e9 poderemos encontrar indiv\u00edduos tolerantes, ou como chamamos na criminologia moralmente flex\u00edveis para ambos os desvios, mas isso n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3rio. Na pr\u00e1tica, tanto na sociedade como nas empresas, podemos ver pessoas que s\u00e3o flex\u00edveis para um dos atos, mas n\u00e3o para o outro. Vemos diversos casos onde o indiv\u00edduo pode at\u00e9 mesmo ser ferrenhamente contr\u00e1rios a pagar propina mesmo sendo sistem\u00e1ticos \u201cestacionadores\u201d em faixas de pedestres. Um dos fatores de grande import\u00e2ncia que interfere neste processo \u00e9 a autopercep\u00e7\u00e3o de honestidade que o indiv\u00edduo possui ao concluir cada a\u00e7\u00e3o. Ao realizar comportamentos, grande parte dos indiv\u00edduos almeja se sentir minimamente bem consigo, mantendo uma percep\u00e7\u00e3o de honestidade em suas decis\u00f5es e aceitando seus atos tendo ao menos uma boa justificativa para ter realizado o que fez, em caso de disson\u00e2ncia. Se pagar propina, por exemplo n\u00e3o puder ser compreendido como algo compreens\u00edvel, aceit\u00e1vel ou toler\u00e1vel gerando repulsa e uma auto percep\u00e7\u00e3o negativa a de racionalizar esse desvio diminui a probabilidade de autoengano impedindo a elimina\u00e7\u00e3o da culpa pela transposi\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios valores ou valores da microcultura do indiv\u00edduo e consequentemente este comportamento dificilmente ser\u00e1 realizado. &nbsp;<\/p>\n<p>Por outro lado o indiv\u00edduo pode se sentir perfeitamente sint\u00f4nico parando o seu carro em uma faixa de pedestres, prejudicando dezenas de pessoas, impedindo o fluxo de idosos e cadeirantes colocando valores individuais acima do bem comum e aceitando esse comportamento como algo toler\u00e1vel. Nestes casos o controle do comportamento e o seu balizamento moral n\u00e3o \u00e9 interno, aut\u00f4nomo, mas sim precisa de um elemento externo que potencialmente o conduzir\u00e1 atrav\u00e9s da puni\u00e7\u00e3o, evita\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo ou educa\u00e7\u00e3o a uma nova probabilidade de conduta mais aderente aos acordos coletivos.<\/p>\n<p>A segunda imagem formada do nosso caleidosc\u00f3pio \u00e9 que a flexibilidade moral tem um misto de fluidez com estabilidade. Conforme vimos, pessoas n\u00e3o s\u00e3o totalmente boas tampouco totalmente m\u00e1s, e nem poderiam ser apesar de muitos quererem acreditar nisso. Essa realidade dificulta muito o trabalho de quem vive trabalhando com o tema \u00e9tica, sejam fil\u00f3sofos, psic\u00f3logos sociais ou criminologistas, uma vez que \u00e9 bastante comum termos de desmistificar a exist\u00eancia de r\u00f3tulos como \u201c\u00edcone da honestidade\u201d ou \u201co eterno pilantra\u201d. Essa vis\u00e3o dicot\u00f4mica da integridade humana torna extremamente complicada a rela\u00e7\u00e3o das pessoas com erros, transforma\u00e7\u00f5es e evolu\u00e7\u00f5es, pois se um indiv\u00edduo \u00e9 visto como um pagador de propina contumaz certamente ele ser\u00e1, para sempre, a causa da desgra\u00e7a da empresa ou, porque n\u00e3o, do Pa\u00eds sem nunca ter a chance de rever os seus valores. Em um papel oposto, por\u00e9m igualmente ou mais dif\u00edcil est\u00e1 o \u201csr. Honesto\u201d, aquele que \u00e9 colocado em um pedestal seja na empresa ou na sociedade como pilar dos valores e representante do que \u00e9 certo. Na pr\u00e1tica vemos que essa pessoa perde o direito de errar, assim como perde o direito de ser flex\u00edvel para uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es, e quando o faz torna-se alvo de violentos ataques daqueles que, flex\u00edveis como ele o tinham como salvador.<\/p>\n<p>Bom, tudo isso para dizer que a flexibilidade moral tem um misto de fluidez com estabilidade, e em que sentido: na criminologia podemos separar o <em>spectrum <\/em>de flexibilidade moral e 5 grupos, cada um com caracter\u00edsticas distintas e o ser humano est\u00e1 em cada uma destas categorias de acordo com o est\u00edmulo ao qual \u00e9 exposto. Posso estar em um quando dirijo e tenho a possibilidade de falar ao celular simultaneamente assim como posso estar em outro quando sou convidado a fraudar um processo de compras na empresa na qual trabalho. Somos diferentes de acordo com a percep\u00e7\u00e3o moral que temos das situa\u00e7\u00f5es e como veremos, dependendo do contexto que se apresenta.<\/p>\n<p>Assim, iniciamos pela baixa flexibilidade moral que consiste em uma moral aut\u00f4noma, \u00e9 o indiv\u00edduo como auto regulador do seu comportamento. Seria o est\u00e1gio mais evolu\u00eddo da constru\u00e7\u00e3o moral uma vez que a pessoa internaliza os valores do certo e age simplesmente por ser o certo. A busca pelo respeito coletivo, exemplo, preserva\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios princ\u00edpios r\u00edgidos \u00e9 o que direcionam a tomada de decis\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 necessidade de controles externos. Regras servem somente como formaliza\u00e7\u00e3o do acordo. O processo de educa\u00e7\u00e3o e aculturamento \u00e9tico foi completo e internalizado&nbsp; trazendo reflex\u00e3o do porque o respeito e conviv\u00eancia s\u00e3o fundamentais, assim, diante de situa\u00e7\u00f5es onde h\u00e1 aplica\u00e7\u00e3o direta desta percep\u00e7\u00e3o moral, o sujeito se nega veementemente a realizar a\u00e7\u00f5es ou fazer parte de ambientes onde essa pr\u00e1tica \u00e9 operada por sentir que essa realidade fere a sua dignidade o seu existir.<\/p>\n<p>A m\u00e9dia baixa flexibilidade \u00e9 tamb\u00e9m r\u00edgida em sua negativa em rela\u00e7\u00e3o a a\u00e7\u00e3o, por\u00e9m sua motiva\u00e7\u00e3o para o comportamento \u00e9 distinta. A moral, antes aut\u00f4noma j\u00e1 passa a ser refletida em uma proje\u00e7\u00e3o feita no olhar do outro. Calma, eu explico. O indiv\u00edduo, quando exposto a situa\u00e7\u00f5es onde conflitos morais ocorram, um processo \u00e9 acionado seja por recorda\u00e7\u00e3o totalmente mental ou por gatilhos f\u00edsicos, visuais, auditivos ou outros onde fatores de grande afetividade e representatividade emocional s\u00e3o colocados como freios morais, tecnicamente chamados de fatores inibidores, a fim de refor\u00e7ar os valores individuais aprendidos e at\u00e9 ent\u00e3o estimados. Os refor\u00e7adores morais t\u00eam enorme import\u00e2ncia no processo de motiva\u00e7\u00e3o para a\u00e7\u00e3o correta, n\u00e3o porque o indiv\u00edduo por si n\u00e3o possua a moral preservada, mas porque existem situa\u00e7\u00f5es onde o ser por algu\u00e9m ou para algu\u00e9m ou at\u00e9 mesmo por alguma causa \u00e9 um elemento potencializador que d\u00e1 sentido \u00e0 \u00e9tica. Um elemento importante neste caso \u00e9 na m\u00e9dia baixa flexibilidade o indiv\u00edduo n\u00e3o age por medo de ser punido pelo seu refor\u00e7ador moral. Em muitos casos o seu refor\u00e7ador moral nem mesmo sabe de sua influ\u00eancia. Pode at\u00e9 mesmo ser aquele antepassado j\u00e1 falecido que serve de exemplo por suas conquistas ou um parente beb\u00ea que levar\u00e1 anos para entender o que se passa.<\/p>\n<p>\u00c9 na m\u00e9dia flexibilidade que as coisas come\u00e7am a se complicar. Quando todo ser humano passa a ser vulner\u00e1vel e pass\u00edvel de coisas que ele, em sua arrog\u00e2ncia racional, acredita ser imune.<\/p>\n<p>A palavra chave aqui \u00e9 press\u00e3o. Todo ser humano \u00e9 vulner\u00e1vel diante de algum tipo de press\u00e3o, seja ela tempo, meta, autoridade, grupo, aceita\u00e7\u00e3o... Press\u00f5es internas, press\u00f5es externas. Press\u00f5es mais constantes ou mais espor\u00e1dicas. A grande quest\u00e3o \u00e9, como lidamos com as nossas press\u00f5es? Reagimos a elas com o dom\u00ednio que achamos que temos? Aqueles que responderam sim a essa pergunta sugiro que leiam o livro \u201cObedi\u00eancia a Autoridade\u201d de Stanley Milgram, um cl\u00e1ssico da psicologia social.<\/p>\n<p>N\u00e3o somos racionais diante quando nos vemos em momentos de grande tens\u00e3o emocional e \u00e9 natural que nossas escolhas \u00e9ticas ficam comprometidas assim como diversas outras frentes. Assim, pessoas boas podem optar por a\u00e7\u00f5es que n\u00e3o fariam em outros momentos simplesmente para se verem livres da pesada mochila cheia de pedras que carregam. Neste ponto recebo normalmente duas perguntas: Quer dizer ent\u00e3o que se fazem errado motivadas por uma press\u00e3o elas n\u00e3o tem culpa? E tamb\u00e9m, todo mundo que \u00e9 pressionado ent\u00e3o faz escolhas anti\u00e9ticas?<\/p>\n<p>Vamos l\u00e1, fazer errado \u00e9 sempre errado e ponto. E nem sempre que uma pessoa \u00e9 pressionada ela far\u00e1 errado.&nbsp; Qual o mecanismo de acionamento da press\u00e3o e qual a rela\u00e7\u00e3o dela com a \u00e9tica?<\/p>\n<p>Uma pessoa quando sofre uma press\u00e3o diante da qual se sente indefesa por diversos motivos que podemos conversar em outro artigo, pode entrar em um estado de ansiedade que a levar\u00e1 a uma busca de solu\u00e7\u00e3o do problema. Se n\u00e3o identificar, n\u00e3o se recordar ou n\u00e3o acreditar que n\u00e3o pode por algum motivo buscar ajuda para uma solu\u00e7\u00e3o \u00e9tica desta quest\u00e3o ela passa a se ver em um dilema: Enfrento sozinha esse problema, mantendo rigidamente os meus valores morais que n\u00e3o compactuam com o que \u00e9 errado ou cedo \u00e0 press\u00e3o e fa\u00e7o o que preciso para me ver livre desse peso?<\/p>\n<p>Percebam que n\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o f\u00e1cil. N\u00e3o se trata de comprar uma bicicleta ou ir ao cinema. Aqui falamos de um conflito onde h\u00e1 o sofrimento entre abrir m\u00e3o de um valor e a submiss\u00e3o. Criminologicamente vemos que quanto mais distante a possibilidade de uma solu\u00e7\u00e3o \u00e9tica para o problema e quanto mais grave a percep\u00e7\u00e3o da ilicitude do ato que o individuo ter\u00e1 se submeter, maior a dor. Por outro lado, existindo uma possibilidade de agir de acordo com os seus valores, em sintonia com os princ\u00edpios morais que regem sua tomada de decis\u00e3o prim\u00e1ria essa pode ser a escolha realizada, desde que haja seguran\u00e7a para que seja enfrentada a press\u00e3o. Essa escolha \u00e9 o que chamamos de independ\u00eancia sem seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Nestes casos, pensando na \u00e9tica aplicada aos neg\u00f3cios, costumo dizer que a cultura \u00e9tica entre outras formas, deve ser trabalhada seguindo um modelo de treinamento para pilotos de avi\u00e3o. \u00c9 bastante prov\u00e1vel que nem todos os pilotos estiveram em situa\u00e7\u00f5es de crise com seus avi\u00f5es a beira de um colapso na vida real, mas todos certamente passaram por essa situa\u00e7\u00e3o talvez centenas de vezes em simuladores. Repetiram diversas e diversas cenas at\u00e9 tornar as situa\u00e7\u00f5es de press\u00e3o t\u00e3o autom\u00e1ticas que podem encontrar suas sa\u00eddas me maneira praticamente n\u00e3o racional. O stress neste caso n\u00e3o causa um estreitamento do campo espacial e temporal como causa em pessoas comuns, simplesmente porque os pilotos foram preparados para reagir sem pensar. Quando preparamos pessoas a reagirem diante de dilemas \u00e9ticos e eliminamos a possibilidade de press\u00f5es como chefes amea\u00e7ando empregos, clientes chantageando com diante de metas inalcan\u00e7\u00e1veis ou at\u00e9 mesmo parceiros de trabalho cometendo ass\u00e9dio o certo aparece aos olhos como a sa\u00edda poss\u00edvel, obviamente desde que a empresa seja realmente correta e as coisas funcionem. N\u00e3o adianta nada um excelente piloto em um avi\u00e3o sem querosene e sem pe\u00e7as.<\/p>\n<p>A m\u00e9dia alta flexibilidade j\u00e1 lida com quest\u00f5es morais de uma forma diferente dos n\u00edveis anteriores. Enquanto at\u00e9 aqui o valor era a prioridade e respeit\u00e1-lo era o centro, agora a moral universal e o bem comum passam a dar lugar a uma vis\u00e3o mais racional. Press\u00f5es e princ\u00edpios d\u00e3o lugar a incentivos. Vale a pena agir bem? Vale a pena descumprir o que combinamos? O que \u00e9 melhor? E por mais que outros possam ser levados em considera\u00e7\u00e3o, o elemento central desta reflex\u00e3o \u00e9 o individuo tomador de decis\u00e3o. A tomada de decis\u00e3o \u00e9tica, se \u00e9 que podemos chamar assim \u00e9 individualista, mesmo que atinja outras pessoas de forma positiva. Da mesma maneira \u00e9 o n\u00e3o agir de antiteticamente visando s\u00f3 a evita\u00e7\u00e3o da puni\u00e7\u00e3o ou perda de um elemento desejado. Se pensarmos bem, h\u00e1 uma grande diferen\u00e7a entre pessoas que fazem trabalhos volunt\u00e1rios porque se preocupam genuinamente com os outros e aqueles que querem <em>likes<\/em> e reconhecimentos de terceiros ao divulgarem suas a\u00e7\u00f5es. Na pr\u00e1tica todos fazem o bem, voc\u00ea pode dizer, para os assistidos n\u00e3o faz diferen\u00e7a, mas a ess\u00eancia \u00e9 distinta. Se houvesse uma lei, por mais absurdo que seja esse exemplo, que proibisse trabalhos sociais de serem postados nas redes sociais, ser\u00e1 que ambos continuariam suas atividades igualmente? Ser\u00e1 que a motiva\u00e7\u00e3o seria a mesma? O mesmo empenho? Talvez sim... Talvez n\u00e3o... Na pr\u00e1tica digo a voc\u00eas, j\u00e1 vi mais n\u00e3o do que sim. Em muitas empresas vi mais gente descumprindo regras, cometendo fraudes, desviando comportamentos quando o contexto mudava e seus incentivos externos eram retirados do que o contr\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n<p>Da mesma forma vemos pessoas que buscam ganhos e diante do certo e do errado avaliam a conjuntura fazendo quase que uma leitura econ\u00f4mica da \u00e9tica. No final, o maior peso da balan\u00e7a \u00e9 o que vale.<\/p>\n<p>E por fim temos a alta flexibilidade, a quem na criminologia chamamos de predadores e a psicologia definimos como tra\u00e7os sociop\u00e1ticos. Aqui uma considera\u00e7\u00e3o importante. N\u00e3o falo da patologia e sim de tra\u00e7os que aparecem na tomada de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Neste estado a pessoa desconsidera a moral em sua tomada de decis\u00e3o, a satisfa\u00e7\u00e3o de suas necessidades \u00e9 a prioridade e a arrog\u00e2ncia juntamente com o que chamamos de mente criminosa ou conhecimento do caminho para a ilicitude s\u00e3o predominantes. Isso significa, n\u00e3o s\u00e3o novatos. J\u00e1 estiveram aqui varias vezes. Sabem o que fazer e como fazer. Est\u00e3o preparados para se defender, argumentar e contra argumentar caso forem pegos e est\u00e3o bem com isso. N\u00e3o h\u00e1 conflito. Suas atitudes contrarias \u00e0 \u00e9tica s\u00e3o sint\u00f4nicas como um negativo \u00e0 autonomia da baixa flexibilidade.<\/p>\n<p>\u00c9 o fulano que bebe e dirige, e diz que sabe o que faz defendendo firmemente a sua posi\u00e7\u00e3o. Bate de frente com todos afirmando que mesmo alcoolizado \u00e9 um excelente motorista. Faz isso com extrema frequ\u00eancia e n\u00e3o considera em nenhum momento estar errado. Errado est\u00e3o os outros que lhe incomodam com essa palermice. V\u00eddeos de acidentes n\u00e3o o comovem. Burro \u00e9 aquele que n\u00e3o sabe beber e dirigir diz ele. Se n\u00e3o sabe n\u00e3o fa\u00e7a!<\/p>\n<p>Esperto que \u00e9, tem aplicativos que burlam os controles isso quando n\u00e3o \u00e9 ele o desenvolvedor de um. &nbsp;<\/p>\n<p>O nosso problema come\u00e7a quando esse mesmo indiv\u00edduo de alta flexibilidade \u00e9 eleito ser humano do ano por salvar milhares de pessoas de um genoc\u00eddio na \u00c1frica, \u00e0s quartas feiras faz sopa para moradores de rua embaixo do minhoc\u00e3o, dois meses atr\u00e1s teve que decidir entre pagar ou n\u00e3o uma propina para conseguir importar 50.000 caixas de medicamentos para salvar crian\u00e7as doentes e vez ou outra trai a sua esposa com uma mulher por quem \u00e9 apaixonado desde a inf\u00e2ncia. Quem ele \u00e9?<\/p>\n<p>Existes muitas outras imagens que a psicologia e a criminologia podem formar nesse caleidosc\u00f3pio quando o assunto \u00e9 \u00e9tica. A import\u00e2ncia que o contexto, influ\u00eancias, erros, cultura, dilemas, racionalidade, irracionalidade t\u00eam para a nossa tomada de decis\u00e3o .... Esse \u00e9 um universo amplo, maravilhoso e que permite reflex\u00f5es e pr\u00e1ticas bastante interessantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Isso nos mostra como \u00e9 rico esse tema e demonstra o espa\u00e7o no nosso pa\u00eds para que tenhamos a\u00e7\u00f5es que transformem a sociedade para o que queremos ser.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antonio Carlos Hencsey, Revista Inspire-c (Edi\u00e7\u00e3o 10 &#8211; Jun. de 2019), Resumo: Como a criminologia empresarial e a psicologia social embasam a tomada de decis\u00e3o \u00e9tica de um indiv\u00edduo? Junto \u00e0 filosofia, estas duas ci\u00eancias possuem metodologia e experi\u00eancia para explicar muito do que fazemos, escolhemos e somos quando o tema \u00e9 fazer o certo&hellip; <a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=43242\">Ler mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,281],"tags":[],"class_list":["post-43242","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-texto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43242","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=43242"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43242\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43451,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43242\/revisions\/43451"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=43242"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=43242"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=43242"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}