{"id":43114,"date":"2019-06-20T17:39:45","date_gmt":"2019-06-20T17:39:45","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=43114"},"modified":"2019-06-20T17:40:47","modified_gmt":"2019-06-20T17:40:47","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-2-2-3-2-2-2-3-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=43114","title":{"rendered":"Bendita Comiss\u00e3o de Inqu\u00e9rito"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Ricardo Passos<\/strong><\/span>, Vis\u00e3o online<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/opiniao\/silnciodafraude\/2019-06-20-Bendita-Comissao-de-Inquerito\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Visao544.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>O circo medi\u00e1tico montado \u00e0 volta de Berardo mais n\u00e3o serve do que desviar as aten\u00e7\u00f5es dos verdadeiros problemas. Importa perceber o que aconteceu, como aconteceu e que n\u00e3o se repita, porque no fim quando s\u00e3o feitos os \u201cwrite-offs\u201d das m\u00e1s opera\u00e7\u00f5es, o Estado (N\u00f3s) \u00e9 que assumimos as perdas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><!--more--><\/p>\n<p>A comiss\u00e3o de inqu\u00e9rito \u00e0 recapitaliza\u00e7\u00e3o da Caixa Geral de Dep\u00f3sitos e \u00e0 gest\u00e3o do banco tem tido o papel \u00edmpar de mostrar ao comum dos portugueses porque \u00e9 que o Estado (leia-se n\u00f3s) foi chamado a injectar mais dinheiro no banco e como \u00e9 que determinados actos de gest\u00e3o foram aprovados e supervisionados.<\/p>\n<p>A CGD tem por Miss\u00e3o \u201c<em>contribuir de forma decisiva para o desenvolvimento econ\u00f3mico nacional, num quadro de evolu\u00e7\u00e3o equilibrada entre rentabilidade, crescimento e solidez financeira, acompanhado por uma prudente gest\u00e3o dos riscos, que reforce a estabilidade do sistema financeiro nacional<\/em>\u201d. Portanto n\u00e3o \u00e9 de todo aceit\u00e1vel que a CGD seja utilizada como instrumento para financiamentos mal justificados e muito menos quando a pr\u00e1tica \u00e9 recorrente, do conhecimento da supervisor e nada tenha sido feito.<\/p>\n<p>Tenho aqui de voltar ao tema Jos\u00e9 Berardo. Sim, eu sei, j\u00e1 toda a gente falou dele, inclusive nesta sec\u00e7\u00e3o o Pedro Moura fez sobre ele uma cr\u00f3nica deliciosa. Mais concretamente quero referir-me \u00e0 opera\u00e7\u00e3o de financiamento pela CGD da compra de ac\u00e7\u00f5es do BCP. O circo medi\u00e1tico montado \u00e0 volta de Berardo mais n\u00e3o serve do que desviar as aten\u00e7\u00f5es dos verdadeiros problemas. Importa perceber o que aconteceu, como aconteceu e que n\u00e3o se repita, porque no fim quando s\u00e3o feitos os \u201cwrite-offs\u201d das m\u00e1s opera\u00e7\u00f5es, o Estado (N\u00f3s) \u00e9 que assumimos as perdas.<\/p>\n<p>N\u00e3o me custa de todo aceitar, apesar da fantasia que a possa acompanhar, a \u201cteoria da conspira\u00e7\u00e3o\u201d do Filipe Pinhal. Eu tamb\u00e9m acredito que algu\u00e9m (?) definiu como des\u00edgnio tomar uma posi\u00e7\u00e3o de controlo no BCP, algu\u00e9m (Berardo) deu a cara e algu\u00e9m (CGD) financiou. A ser assim, percebe-se porque \u00e9 que ningu\u00e9m pediu a Jos\u00e9 Berardo colateral da opera\u00e7\u00e3o para al\u00e9m das pr\u00f3prias ac\u00e7\u00f5es. Percebe-se tamb\u00e9m o \u00e0 vontade com que ele afirma na sua audi\u00e7\u00e3o que \u201cele n\u00e3o deve nada a ningu\u00e9m\u201d e que at\u00e9 \u201cfez um favor aos bancos\u201d. Para o financiamento ser assim, n\u00e3o tendo o mesmo seguido os processos estabelecidos no normativo da CGD, percebe-se tamb\u00e9m que algu\u00e9m foi conivente com esse des\u00edgnio.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio da E&amp;Y \u00e9 taxativo. Existe um elevado n\u00famero de opera\u00e7\u00f5es que levaram a preju\u00edzos que ou n\u00e3o tinham parecer de risco ou n\u00e3o tiveram parecer de risco favor\u00e1vel, ou tiveram parecer de risco condicionado, mas depois as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram acauteladas. Porqu\u00ea? Como? A audi\u00e7\u00e3o dos ex-administradores da CGD na comiss\u00e3o de inqu\u00e9rito pauta-se por \u201cn\u00e3o me lembro\u201d, \u201cantigamente era normal ser assim\u201d, \u201c\u00e9 preciso ver al\u00e9m do parecer do risco\u201d, \u201cpensei que estava tudo bem\u201d. Tem sido deprimente ouvi-los.<\/p>\n<p>E porque \u00e9 que depois do empr\u00e9stimo, as ac\u00e7\u00f5es dadas em colateral n\u00e3o foram vendidas? Segundo Faria de Oliveira, \u201cn\u00e3o foi por n\u00e3o quererem executar, que n\u00e3o as execut\u00e1mos\u201d, mas se a CGD vendesse as ac\u00e7\u00f5es do BCP poderia por em risco aquele banco. \u201cEra um risco sist\u00e9mico significativo\u201d. Que eu saiba, risco sist\u00e9mico \u00e9 da compet\u00eancia do Banco de Portugal, n\u00e3o da CGD. Foi promovida alguma reuni\u00e3o com o BdP e com os outros bancos do sistema? Al\u00e9m disso, o pre\u00e7o de venda n\u00e3o influencia os r\u00e1cios de solvabilidade do BCP, \u00e9 apenas o valor de refer\u00eancia entre quem compra e quem vende. \u00c9 claro que ao vender, o pre\u00e7o iria baixar e como tal iria influenciar todos os colateriais de empr\u00e9stimos que a CGD tinha e como tal poderia ter de fazer execu\u00e7\u00f5es em s\u00e9rie, mas a avalia\u00e7\u00e3o dos colaterais tem de ser feita permanentemente. N\u00e3o venderam, mas n\u00e3o foi por isso que o valor das ac\u00e7\u00f5es n\u00e3o desceu constantemente. Onde foi parar o risco sist\u00e9mico? No fim a CGD ficou com uma m\u00e3o cheia de nada como colateral. A decis\u00e3o de n\u00e3o executar a venda faz algum sentido?<\/p>\n<p>Pensar que nos Valores da CGD e dos seus colaboradores est\u00e1 escrito: <em>\u201cRigor\u2026\u201d, \u201cTranspar\u00eancia na informa\u00e7\u00e3o\u2026\u201d, \u201cSeguran\u00e7a das aplica\u00e7\u00f5es\u2026\u201d, \u201cResponsabilidade organizacional e pessoal pelas pr\u00f3prias ac\u00e7\u00f5es\u2026\u201d, \u201cIntegridade, entendida como o escrupuloso cumprimento legal, regulamentar, contratual e dos valores \u00e9ticos e princ\u00edpios de atua\u00e7\u00e3o adotados\u201d, \u201cRespeito pelos interesses confiados\u2026\u201d<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o consegui reconhecer estes valores nas entrevistas. Mais franco foi Armando Vara: \u201cManda quem pode\u201d.<\/p>\n<p>Exemplar: Almerindo Marques. N\u00e3o compactuou com pr\u00e1ticas com que n\u00e3o concordava e demitiu-se, alertando quem tinha de alertar.<\/p>\n<p>Uma palavra para a Supervis\u00e3o. Desde os alertas de Almerindo Marques em 2002 a Vitor Const\u00e2ncio at\u00e9 \u00e0 auditoria realizada pela E&amp;Y a pedido de Paulo Macedo, aparentemente nada foi feito. Pelo meio, j\u00e1 em 2011 o pr\u00f3prio Banco de Portugal havia detectado problemas graves e insufici\u00eancias nos processos de concess\u00e3o e controlo de cr\u00e9dito e emitido um relat\u00f3rio. Mariana Mort\u00e1gua confrontou Carlos Costa com esse relat\u00f3rio e ele n\u00e3o soube explicar que recomenda\u00e7\u00f5es concretas haviam sido emitidas e qual o grau de cumprimento das mesmas.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Carlos Costa enquanto Administrador da CGD no per\u00edodo 2004-2006 deveria conhecer esses processos. Mas em entrevista \u00e0 SIC diz que s\u00f3 \u201cocasionalmente\u201d ia \u00e0s reuni\u00f5es do conselho alargado de cr\u00e9dito, porque \u201cn\u00e3o tinha compet\u00eancias de cr\u00e9dito, nem compet\u00eancias de acompanhamento de clientes, nem de risco, nem de controlo, portanto a minha participa\u00e7\u00e3o no conselho alargado de cr\u00e9dito destinava-se a assegurar o n\u00famero de administradores necess\u00e1rios para que a decis\u00e3o pudesse ter lugar\u201d. Ou seja, fazia n\u00famero. Fazendo n\u00famero, criava qu\u00f3rum e assim na pr\u00e1tica permitia que fossem tomadas decis\u00f5es sem que o n\u00famero necess\u00e1rio de administradores competentes estivessem presentes. Certamente n\u00e3o \u00e9 uma boa pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Na minha opini\u00e3o, quer o processo de nomea\u00e7\u00e3o dos Administradores da CGD, quer o de nomea\u00e7\u00e3o do governador do Banco de Portugal, entidade encarregue da Supervis\u00e3o, deveria ser submetido a escrut\u00ednio alargado. Veja-se o exemplo dos Estados Unidos onde o presidente do FED \u00e9 proposto pelo Presidente mas tem de ser confirmado por uma comiss\u00e3o especial do Senado no seguimento de um conjunto minucioso de entrevistas e an\u00e1lise curricular.<\/p>\n<p>Por c\u00e1, Administradores, Supervisores e Auditores que s\u00f3 v\u00eaem quando s\u00e3o instados a ver, n\u00e3o s\u00e3o responsabilizados pelos seus actos. As den\u00fancias morrem sem investiga\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 consequ\u00eancias para a m\u00e1 gest\u00e3o.<\/p>\n<p>Bendita Comiss\u00e3o de Inqu\u00e9rito. Vamos confiando nas comiss\u00f5es de inqu\u00e9rito parlamentares para dissipar o nevoeiro que cobre tudo o que diz respeito \u00e0 banca em Portugal. Esperemos que o futuro seja melhor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ricardo Passos, Vis\u00e3o online O circo medi\u00e1tico montado \u00e0 volta de Berardo mais n\u00e3o serve do que desviar as aten\u00e7\u00f5es dos verdadeiros problemas. 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