{"id":42978,"date":"2019-05-21T23:38:40","date_gmt":"2019-05-21T23:38:40","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=42978"},"modified":"2019-05-21T23:38:42","modified_gmt":"2019-05-21T23:38:42","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=42978","title":{"rendered":"A Tartaruga, o Sapo e o Escorpi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Alexandre Almeida, Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/658609\/a-tartaruga-o-sapo-e-o-escorpiao?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Alexandre-Almeida-mai2019.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>N\u00e3o podemos ignorar a natureza humana e a das institui\u00e7\u00f5es, nem assumir que tudo ser\u00e1 agora diferente s\u00f3 porque h\u00e1 um rio novo para atravessar.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<article>\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>\n<article>\n<div>\n<section id=\"corpo\">\n<p>Sou sportinguista, sofredor por destino e sonhador convicto. Sempre que h\u00e1 um \u201cerro grave\u201d potencial, no est\u00e1dio de Alvalade, ainda imperam insultos num bom portugu\u00eas em desuso, incluindo improp\u00e9rios de primeira \u00e1gua como salafr\u00e1rio. Tal contrasta com a simplicidade e acutil\u00e2ncia do meu Norte adotivo em que rapidamente se usa o vern\u00e1culo mais intenso e puro para revelar o estado de alma e de insatisfa\u00e7\u00e3o perante a injusti\u00e7a. Futebol \u00e0 parte, mais do que discutir se o \u00e1rbitro do \u00faltimo jogo \u00e9 corrupto, incompetente ou simplesmente humano, apetece-me transpor esse vern\u00e1culo para caracterizar e qualificar as pr\u00e1ticas do setor financeiro e para o regulador. Cada dia temos um novo epis\u00f3dio repulsivo do desplante, da arrog\u00e2ncia e da inc\u00faria que marcaram uma \u00e9poca de desenvolvimento selv\u00e1tico da economia portuguesa fortemente alicer\u00e7ada no sistema financeiro e na coniv\u00eancia, passividade ou incapacidade do sistema pol\u00edtico em regular. A \u00faltima novela \u00e9 repulsiva e atentat\u00f3ria da paz social. Descobrimos que dever 1000 milh\u00f5es de euros n\u00e3o \u00e9 relevante e \u00e9 at\u00e9 um favor do Berardo \u00e0 CGD. Ao mesmo tempo, muitas fam\u00edlias perderam as suas casas na crise, perdem as suas casas por desemprego e perdem as poupan\u00e7as do seu trabalho pelos devaneios, compadrios, irresponsabilidade e impunidade do sistema financeira.<\/p>\n<p>Descobrimos que se podem obter cr\u00e9ditos de milh\u00f5es de euros com cartas de conforto e sem garantias enquanto aos jovens das startups portuguesas se lhes pedem o carro, a casa, o c\u00e3o e a sogra como garantias de um empr\u00e9stimo. E, pasme-se, deparamos com um Estado verdadeiramente impotente na regula\u00e7\u00e3o e na justi\u00e7a social e que nada faz a n\u00e3o ser observar e pagar a conta.<\/p>\n<p>N\u00e3o contesto a import\u00e2ncia da banca, mas podemos pelo menos exigir mais transpar\u00eancia e responsabilidade, menos leviandade com os \u201cfortes\u201d e menos arrog\u00e2ncia com os fracos. A Banca tem responsabilidades sociais para al\u00e9m de patrocinar uns eventos e uns lares. E o Estado tem um dever com todos n\u00f3s de garantir a justi\u00e7a e a paz social e n\u00e3o se demitir de ser forte com os fortes, rejeitando de forma veemente estas pr\u00e1ticas, o desplante e desrespeito a que assistimos na televis\u00e3o, e assumindo de forma efetiva o seu papel de regulador. Para isso, importa perceber que nada mudou. N\u00e3o \u00e9 porque alguns gestores foram substitu\u00eddos, porque os ativos maus foram absorvidos pelos programas de aux\u00edlio do Estado e agora a banca at\u00e9 j\u00e1 come\u00e7a a dar lucro, que algo mudou efetivamente e que, sobretudo, o sistema se tornou transparente.<\/p>\n<p>Temos de compreender a natureza das institui\u00e7\u00f5es financeiras e das pessoas que as governam, os seus interesse e motiva\u00e7\u00f5es e n\u00e3o assumir que porque mud\u00e1mos os cromos, tudo ser\u00e1 diferente. N\u00e3o \u00e9 linguagem, a postura ou o saldo banc\u00e1rio que garantem de verdadeira integridade, qualidade e retid\u00e3o.J\u00e1 dev\u00edamos ter aprendido isso. Mas se n\u00e3o o aprendemos, deixem-me resumir-vos a f\u00e1bula do sapo (em algumas vers\u00f5es tartaruga) e do escorpi\u00e3o de Tushkan. Um escorpi\u00e3o queria atravessar o rio mas n\u00e3o sabia nadar. Pediu ajuda a um sapo. O Sapo respondeu que n\u00e3o o faria pois ele acabaria por o matar. Mas o escorpi\u00e3o retorquiu que nunca o mataria porque sen\u00e3o morreria tamb\u00e9m no meio do rio. Perante tal argumento, o sapo aceitou atravessar o escorpi\u00e3o. A meio da travessia, o escorpi\u00e3o matou o sapo e antes de morrer, o sapo perguntou: \u201cPorque fizeste isso? Vamos morrer os dois!\u201d E o escorpi\u00e3o respondeu: \u201cporque \u00e9 a minha natureza\u201d.<\/p>\n<p>A moral desta hist\u00f3ria \u00e9 a de que n\u00e3o podemos ignorar a natureza humana e a das institui\u00e7\u00f5es, nem assumir que tudo ser\u00e1 agora diferente s\u00f3 porque h\u00e1 um rio novo para atravessar. A banca n\u00e3o \u00e9 o diabo mas n\u00e3o foi por terem mudado as pessoas que passou a ser santa ou que algo efetivamente mudou nas suas pr\u00e1ticas porque tal seria contranatura. E a capacidade de regula\u00e7\u00e3o do Estado faliu. N\u00e3o foi suficiente e \u00e9 impotente para fazer algum tipo de justi\u00e7a. \u00c9 com base nesta premissa que o sistema deve ser pensado e regulado de forma efetiva, alterando os pressupostos de financiamento e impondo regras de funcionamento, principalmente, no \u00e2mbito de ajudas e programas p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Como sociedade em transi\u00e7\u00e3o temos de ter coragem de mudar, de exigir mais e de fazer diferente. V\u00eam a\u00ed os inc\u00eandios. Devemos venerar quem \u00e9 verdadeiramente her\u00f3i todos os dias, os que d\u00e3o sem nada pedirem, os que lutam corajosamente contra a f\u00faria da natureza, a inc\u00faria do Estado (e de todos n\u00f3s), o crime de alguns e os interesses econ\u00f3micos dos que o alimentam. Esque\u00e7amos os salafr\u00e1rios (como gostaria de empregar um vern\u00e1culo mais nortenho) e exijamos mudan\u00e7a ou tudo ser\u00e1 igual!<\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/article>\n<div id=\"meioartigos\">\u00a0<\/div>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/article>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alexandre Almeida, Jornal i N\u00e3o podemos ignorar a natureza humana e a das institui\u00e7\u00f5es, nem assumir que tudo ser\u00e1 agora diferente s\u00f3 porque h\u00e1 um rio novo para atravessar.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-42978","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42978","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=42978"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42978\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42980,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42978\/revisions\/42980"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=42978"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=42978"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=42978"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}