{"id":42907,"date":"2019-07-27T10:29:21","date_gmt":"2019-07-27T10:29:21","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=42907"},"modified":"2019-07-27T18:28:48","modified_gmt":"2019-07-27T18:28:48","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-45","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=42907","title":{"rendered":"O mito da racionalidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Carlos Pimenta<\/strong><\/span>, Dinheiro Vivo (JN \/ DN)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/opiniao\/o-mito-da-racionalidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\"><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/DV055.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\"><\/a><\/p>\n<div>\n<p>A transpar\u00eancia da actividade econ\u00f3mica mais n\u00e3o \u00e9 do que uma concep\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica de maior valida\u00e7\u00e3o do neofide\u00edsmo nos mercados e da prossecu\u00e7\u00e3o dum maior risco de fraude<\/p>\n<p>...<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<p>1. O nosso h\u00e1bito quando falamos de Ci\u00eancia \u00e9 recordarmo-nos das v\u00e1rias disciplinas que existem nessa \u00e1rea do conhecimento cr\u00edtico, diferenciando-se umas das outras pelos seus objectos de estudo e pelas metodologias adoptadas para a sua elabora\u00e7\u00e3o (todos sabemos das diferen\u00e7as entre a F\u00edsica e a Antropologia, por exemplo, mais que que n\u00e3o seja porque conduziram a diferentes contextos institucionais \ua7f7 op\u00e7\u00f5es de percurso escolar, institui\u00e7\u00f5es de ensino superior, locais de investiga\u00e7\u00e3o de actividade profissional, etc.) mas frequentemente \u00e9 esquecido que dentro de cada uma delas h\u00e1 diferentes formas de pensar, seja porque estamos perante problemas novos que carecem de explica\u00e7\u00e3o, seja porque h\u00e1 distintas formas de observar, pensar e agir face ao mesmo problema. N\u00e3o \u00e9 \u00abcada cabe\u00e7a sua senten\u00e7a\u00bb porque a ci\u00eancia exige determinada metodologia e duas pessoas seguindo o mesmo percurso de an\u00e1lise t\u00eam de chegar \u00e0 mesma conclus\u00e3o, h\u00e1 coer\u00eancia l\u00f3gica, h\u00e1 realidade e preocupa\u00e7\u00e3o da sua interpreta\u00e7\u00e3o objectiva, h\u00e1 modelos, teorias e as suas correspondentes preocupa\u00e7\u00f5es de funda\u00e7\u00e3o, com tudo isto, de explica\u00e7\u00f5es coerentes. Contudo, pela considera\u00e7\u00e3o de qual \u00e9 o objecto de estudo, a metodologia, as hip\u00f3teses de trabalho (al\u00e9m de outros factores) em cada ci\u00eancia h\u00e1 diversas leituras tendencialmente objectivas do que se estuda, h\u00e1 diferentes paradigmas.<\/p>\n<p>O que se passa na ci\u00eancia que estuda a actividade econ\u00f3mica? Como afirmamos em s\u00edntese em <em>Racionalidade, \u00c9tica e Economia<\/em> (p. 162):<\/p>\n<ol>\n<li>Na l\u00edngua portuguesa \u201ceconomia\u201d \u00e9 um termo poliss\u00e9mico e, se usado sem precis\u00e3o, \u00e9 amb\u00edguo. A sua utiliza\u00e7\u00e3o exige o esclarecimento sobre se estamos a referirmo-nos \u00e0 ci\u00eancia que estuda uma determinada realidade (\u201cEconomia\u201d) ou ao objecto cient\u00edfico dessa ci\u00eancia, a uma certa leitura da sociedade, isto \u00e9, de certos aspectos da realidade, da viv\u00eancia social (\u201ceconomia\u201d).<\/li>\n<li>A Economia estuda uma parte da sociedade, observando esta atrav\u00e9s de um \u201cfiltro conceptual\u201d e uma metodologia. Essa leitura parcial assumida como objecto de an\u00e1lise constitui o seu objecto cient\u00edfico. Centrado neste, reconhecendo uma sua mudan\u00e7a, distinguimos v\u00e1rios paradigmas da Economia.<\/li>\n<li>Numa an\u00e1lise global, reconhece-se que a Economia \u00e9 uma ci\u00eancia (social). Contudo devemos estar atentos para que as \u201cideias feitas\u201d, as hip\u00f3teses inaplic\u00e1veis e uma indefini\u00e7\u00e3o associada ao <em>c\u00e6teris paribus<\/em> [\u201cmantendo-se tudo o resto constante\u201d] n\u00e3o violem a abertura \u00e0 novidade, a possibilidade da falseabilidade e a repetibilidade do caminho percorrido.<\/li>\n<li>Falar em Economia \u00e9 uma simplifica\u00e7\u00e3o perante a coexist\u00eancia de diversos paradigmas alternativos, que fazem leituras bastante diferentes entre si. Temos que saber em cada momento quando falamos em Economia a que paradigma nos referimos, em que paradigma nos situamos.<\/li>\n<li>De entre v\u00e1rios crit\u00e9rios de classifica\u00e7\u00e3o da Economia em paradigmas assumimos como central a que se centra no conte\u00fado do objecto cient\u00edfico (O1: produ\u00e7\u00e3o, reparti\u00e7\u00e3o e troca; O2: gest\u00e3o da escassez; O3: escolha racional [gest\u00e3o \u00f3ptima dos recursos escassos]).<\/li>\n<\/ol>\n<p>2. A \u00abescolha racional\u00bb \u00e9 o paradigma actualmente dominante socialmente apesar dos seguintes aspectos:<\/p>\n<ol>\n<li>Assimetria da informa\u00e7\u00e3o entre intervenientes na economia aumentar com as desigualdades de poder econ\u00f3mico, financeiro, social e pol\u00edtico e estas tenderem a aumentar mundial e nacionalmente e ser essa a tend\u00eancia l\u00f3gica do actual paradigma.<\/li>\n<li>Outras ci\u00eancias, nomeadamente a Psicologia, as Neuroci\u00eancias e diversos cruzamentos interdisciplinares, mostrarem inequivocamente a inevitabilidade da escolha limitada, o que conduz \u00e0 tend\u00eancia da ci\u00eancia \u00abEconomia\u00bb transforar-se num conhecimento do \u00abdever ser\u00bb, numa nega\u00e7\u00e3o epistemol\u00f3gica.<\/li>\n<li>A viv\u00eancia em sociedade exigir inevitavelmente regras de relacionamento entre os seus elementos (o que alguns autores chamam uma \u00abracionalidade axiol\u00f3gica\u00bb) em que se inclui a \u00e9tica, aspecto totalmente ignorado pelo presente paradigma marcado pelo individualismo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Neste contexto a racionalidade instrumental \u00e9 imperativa e a \u00abefici\u00eancia\u00bb dos resultados \u00e9 o elemento condutor fundamental ou exclusivo da actua\u00e7\u00e3o dos \u00abagentes econ\u00f3micos\u00bb. Todos estes aspectos facilitam duas tend\u00eancias fundamentais:<\/p>\n<ul>\n<li>A entrada dos economistas numa cultura diferencial (para utilizar a linguagem de Sutherland) de cometimento de fraude. Uma das poss\u00edveis justifica\u00e7\u00f5es para o aumento destas no per\u00edodo de dom\u00ednio deste paradigma.<\/li>\n<li>A op\u00e7\u00e3o por uma f\u00e9 inabal\u00e1vel no funcionamento eficiente dos mercados econ\u00f3micos, a eles se devendo subordinar toda a viv\u00eancia social.<\/li>\n<\/ul>\n<p>3. A transpar\u00eancia da actividade econ\u00f3mica \ua7f7 associada \u00e0 cren\u00e7a da possibilidade da vontade individual superar as leis objectivas do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista em que vivemos \ua7f7 mais n\u00e3o \u00e9 do que uma concep\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica de maior valida\u00e7\u00e3o do neofide\u00edsmo nos mercados e da prossecu\u00e7\u00e3o dum maior risco de fraude.<\/p>\n<p>Significa isto que a luta pela transpar\u00eancia \u00e9 inevitavelmente uma nega\u00e7\u00e3o do que ela aparenta ser?<\/p>\n<p>N\u00e3o, se aplicada \u00e0 actividade pol\u00edtica e administrativa, desde que respeitando determinados princ\u00edpios, como retomaremos na pr\u00f3xima cr\u00f3nica.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta, Dinheiro Vivo (JN \/ DN) A transpar\u00eancia da actividade econ\u00f3mica mais n\u00e3o \u00e9 do que uma concep\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica de maior valida\u00e7\u00e3o do neofide\u00edsmo nos mercados e da prossecu\u00e7\u00e3o dum maior risco de fraude &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,279],"tags":[],"class_list":["post-42907","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-dinheiro-vivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42907","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=42907"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42907\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43362,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42907\/revisions\/43362"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=42907"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=42907"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=42907"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}