{"id":42849,"date":"2019-04-18T11:17:22","date_gmt":"2019-04-18T11:17:22","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=42849"},"modified":"2019-04-22T20:38:14","modified_gmt":"2019-04-22T20:38:14","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=42849","title":{"rendered":"Felizmente os animais vivem pouco!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Lu\u00edsa Fontes Neves<\/strong><\/span>, Vis\u00e3o online<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/opiniao\/silnciodafraude\/2019-04-18-Felizmente-os-animais-vivem-pouco\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Visao535.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>O Estado, tardia, mas felizmente, publicou as Lei 69\/2014 e 27\/2016, esqueceu-se foi de preparar, planear, controlar e fiscalizar, promovendo assim a cria\u00e7\u00e3o de novas associa\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos, novos abrigos de animais n\u00e3o legalizados ou autorizados\u2026 Consequentemente reproduzem-se as falsas associa\u00e7\u00f5es, os falsos pedit\u00f3rios p\u00fablicos, os falsos abrigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<p>Devia ter 5 ou 6 anos de idade quando, por influ\u00eancia da minha M\u00e3e, entrou um c\u00e3o em casa. Penso que a minha M\u00e3e j\u00e1 teria cumprido os 80 anos, quando faleceu o \u00faltimo. Mas apesar de ter convivido (e vivido) tantos anos, com animais na fam\u00edlia, apenas h\u00e1 7 anos decidi assumir para mim pr\u00f3pria essa responsabilidade quando, por acaso, vi uma foto na internet e 2 dias depois, fiz 800kms para trazer para casa aquela cadela com menos de 3 meses, a Petra Augusta.<\/p>\n<p>De um dia para o outro, a minha vida (im)perfeita de profissional aprumada, dedicada \u00e0s quest\u00f5es empresariais, no meu mundinho financeiro, transforma-se num mundo novo, inicialmente maravilhoso, mas que, com o tempo, se torna assustador quando vivencio o horror que pode ser nascer c\u00e3o, ou gato, em Portugal.<\/p>\n<p>Nas redes sociais, o assunto \u00e9 tema a cada segundo com not\u00edcias de c\u00e3es e gatos abandonados. N\u00e3o \u00e9 fen\u00f3meno novo, mas desde que as redes sociais existem que o n\u00famero de animais abandonados e em perigo, parece ter crescido exponencialmente\u2026<\/p>\n<p>Claro que nos anos 80 e 90, quando v\u00edamos um c\u00e3o sozinho na rua, n\u00e3o \u00edamos aos gritos pelas ruas a pedir \u201cajudem!\u201d \u201csalvem-no!\u201d \u201cquem o acolhe?\u201d\u2026 Nem telefon\u00e1vamos esbaforidas \u00e0s nossas amigas que viviam em Barcelos para nos ajudarem com o animal que estava abandonado no Algarve\u2026 E, muito menos, se pediam ajudas monet\u00e1rias como atualmente, e corriqueiramente, se faz.<\/p>\n<p>Mas o que parece ser uma evid\u00eancia \u00e9 que, com ou sem redes sociais, o n\u00famero de animais dom\u00e9sticos (c\u00e3es e gatos) abandonados, em Portugal, \u00e9 crescente.<\/p>\n<p>E n\u00e3o s\u00f3 esta evid\u00eancia parece ser do conhecimento geral da sociedade, como inclusivamente se lida com ela, como um \u201cmal necess\u00e1rio\u201d ou, em determinadas circunst\u00e2ncias, como \u201cefeitos colaterais\u201d da pr\u00f3pria sociedade.<\/p>\n<p>Um desses \u201cefeitos colaterais\u201d, parece advir da publica\u00e7\u00e3o da Lei 69\/2014 \u201c<em>criminalizando os maus tratos a animais de companhia<\/em> (\u2026)\u201d, seguida da da Lei 27\/2016 a qual \u201c<em>aprova medidas para a cria\u00e7\u00e3o de uma rede de centros de recolha oficial de animais e estabelece a proibi\u00e7\u00e3o do abate de animais errantes como forma de controlo da popula\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d publicada a 23 Agosto de 2016.<\/p>\n<p>Afinal, estas 2 novas Leis, t\u00e3o desejadas pelos protetores de animais, pareciam trazer \u201cefeitos colaterais\u201d.<\/p>\n<p>Quando em Agosto de 2017, decorrido um ano da publica\u00e7\u00e3o da Lei 27\/2016 que proibia o abate de animais dom\u00e9sticos em Centros de Recolha Oficiais \u2013 CRO - (ex \u201ccanis municipais\u201d), a ordem dos veterin\u00e1rios declara verificar-se um aumento de 22% de animais abandonados face ao ano anterior, e que, em cerca de 7 meses, j\u00e1 haviam sido recolhidos 14.000 animais, todos os jornais publicaram a not\u00edcia como muito alarmante.<\/p>\n<p>Omite-se, claro, at\u00e9 porque n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel contabilizar, que o n\u00famero de animais recolhidos e registrados nos CRO eram uma \u00ednfima parte daqueles recolhidos em abrigos privados, associa\u00e7\u00f5es e casas de particulares.<\/p>\n<p>Se de acordo com a DGAV (Direc\u00e7\u00e3o Geral de Agricultura e Veterin\u00e1ria), existem apenas 139 Centros de Recolha Oficiais, com instala\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, num universo de 308 munic\u00edpios, \u00e9 f\u00e1cil perceber que n\u00e3o s\u00e3o contabilizados milhares de outros animais dom\u00e9sticos, distribu\u00eddos por quase 300 Associa\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o animal, juridicamente constitu\u00eddas (das quais, apenas 62 com abrigos devidamente autorizados).<\/p>\n<p>Penso n\u00e3o estar enganada quando, restringindo-me \u00e0s associa\u00e7\u00f5es formalmente constitu\u00eddas, afirmo que vivem em abrigos muito mais que 20.000 animais dom\u00e9sticos.<\/p>\n<p>Deparamo-nos, ent\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 com o \u201cefeito colateral\u201d da nova legisla\u00e7\u00e3o que vem proteger os animais dom\u00e9sticos, mas principalmente com aquele fen\u00f3meno meio \u201ctuga\u201d que \u00e9 a perce\u00e7\u00e3o, reconhecimento e conv\u00edvio com uma gigantesca economia paralela, a que chamo EPA, economia paralela dos animais.<\/p>\n<p>Na EPA o fluxo monet\u00e1rio \u00e9 gigantesco, grotesco, sem controlo, crescente, profundamente fraudulento, altru\u00edsta e simultaneamente ego\u00edsta, que atinge valores n\u00e3o quantific\u00e1veis, que teriam certamente express\u00e3o tanto no c\u00e1lculo do crescimento econ\u00f3mico como nas estat\u00edsticas de fraude (burla qualificada, burla inform\u00e1tica, fraude fiscal, etc).<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1, certamente, do conhecimento comum que uma associa\u00e7\u00e3o\/abrigo que acolhe cerca de 500 animais, necessita de ter um or\u00e7amento anual de cerca de 100.000 Eur pois al\u00e9m da alimenta\u00e7\u00e3o e veterin\u00e1rios, h\u00e1 uma imensid\u00e3o de servi\u00e7os associados por trabalhadores remunerados, limpezas, obras, transportes, lavandarias, etc., etc.. E que, com tal or\u00e7amento apenas \u00e9 poss\u00edvel alimentar animais com ra\u00e7\u00f5es de baixa gama, colocar 10 ou 15 animais por boxe (quando n\u00e3o s\u00e3o 50) sem qualquer esp\u00e9cie de luxo. Porque s\u00e3o mesmo necess\u00e1rios 100.000 eur anuais para engavetar, alimentar e manter vivos em condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de salubridade, 500 animais que, naquelas condi\u00e7\u00f5es vivem, frequentemente at\u00e9 \u00e0 sua morte, sem serem adotados.<\/p>\n<p>E \u00e9 disto que a EPA se alimenta.<\/p>\n<p>Porque mesmo ap\u00f3s decidir estabelecer a proibi\u00e7\u00e3o do abate de animais errantes, o Estado parece estar praticamente ausente na sua prote\u00e7\u00e3o\u2026 N\u00e3o existem leis de esteriliza\u00e7\u00e3o massiva dos animais n\u00e3o reprodutores, ou programas de esteriliza\u00e7\u00e3o a n\u00edvel nacional, ou acesso \u00e0 esteriliza\u00e7\u00e3o dos animais a pre\u00e7os aceit\u00e1veis ou subsidiados. N\u00e3o se aplica, efetivamente, a Lei que criminaliza o abandono e maus tratos a animais e, principalmente, n\u00e3o se investe em educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o c\u00edvica que \u00e9, e sempre ser\u00e1, o motor do desenvolvimento de qualquer sociedade.<\/p>\n<p>Mas voltando \u00e0 EPA, parece ser que, a origem destes gigantescos fluxos financeiros adv\u00e9m quase na totalidade de donativos particulares. Com a t\u00f3nica numa elevada carga emocional, voluntariado e altru\u00edsmo se v\u00e3o angariando verdadeiras fortunas para pagar veterin\u00e1rios, alimenta\u00e7\u00e3o, medicamentos, alojamentos, gas\u00f3leo, \u00e1gua, luz, etc.<\/p>\n<p>Mas com o vislumbre destas \u201cfortunas\u201d v\u00eam de arrasto a gan\u00e2ncia, a fraude, o desapego, e mais maus tratos aos animais, crescendo desmesuradamente um mundo paralelo ao da prote\u00e7\u00e3o: o da extors\u00e3o e da burla, \u00edntimos aliados da EPA que, como uma erva daninha, cresce desmesuradamente, sem controlo algum.<\/p>\n<p>O Estado, tardia, mas felizmente, publicou as Lei 69\/2014 e 27\/2016, esqueceu-se foi de preparar, planear, controlar e fiscalizar, promovendo assim a cria\u00e7\u00e3o de novas associa\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos, novos abrigos de animais n\u00e3o legalizados ou autorizados\u2026 Consequentemente reproduzem-se as falsas associa\u00e7\u00f5es, os falsos pedit\u00f3rios p\u00fablicos, os falsos abrigos.<\/p>\n<p>E eles, os animais? Damo-nos por felizes por viverem pouco tempo, pois cada ano que vivem, s\u00e3o milhares que v\u00e3o alimentando a EPA.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00edsa Fontes Neves, Vis\u00e3o online O Estado, tardia, mas felizmente, publicou as Lei 69\/2014 e 27\/2016, esqueceu-se foi de preparar, planear, controlar e fiscalizar, promovendo assim a cria\u00e7\u00e3o de novas associa\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos, novos abrigos de animais n\u00e3o legalizados ou autorizados\u2026 Consequentemente reproduzem-se as falsas associa\u00e7\u00f5es, os falsos pedit\u00f3rios p\u00fablicos, os falsos abrigos.<\/p>\n","protected":false},"author":53,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-42849","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42849","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/53"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=42849"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42849\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42852,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42849\/revisions\/42852"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=42849"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=42849"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=42849"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}