{"id":42837,"date":"2019-04-13T18:24:32","date_gmt":"2019-04-13T18:24:32","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=42837"},"modified":"2019-04-13T18:26:38","modified_gmt":"2019-04-13T18:26:38","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-37-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=42837","title":{"rendered":"Nepotismo, amiguismo e clientelismo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\"><span style=\"color: #d8070f\"><strong>\u00d3scar Afonso<\/strong><\/span>, Dinheiro Vivo (JN \/ DN)<\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/opiniao\/nepotismo-amiguismo-e-clientelismo\/https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/opiniao\/da-ignorancia-a-fraude\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Cr\u00f3nica_21_OA_13abril2019.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a>As pr\u00e1ticas de gest\u00e3o meritocr\u00e1ticas s\u00e3o fundamentais para o desenvolvimento de um pa\u00eds, mas, em Portugal, chocam com tra\u00e7os at\u00e1vicos de mentalidade<\/p>\n<div>\n<p>...<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: left\"><!--more--><\/p>\n<p>Sobre a teia de rela\u00e7\u00f5es familiares que caracteriza o governo portugu\u00eas j\u00e1 praticamente tudo foi dito, sendo que, excluindo os pr\u00f3prios, a rede de rela\u00e7\u00f5es dos pr\u00f3prios e os que entendem o partido como um clube acima de tudo, todos os restantes portugueses acham a \u201ccoisa\u201d desprez\u00edvel. Na cr\u00f3nica do passado dia 16 de fevereiro, quando ainda n\u00e3o se falava sobre a teia de rela\u00e7\u00f5es familiares no governo, escrevi sobre o tema \u201cA Cunha, uma realidade portuguesa ainda no s\u00e9c. XXI\u201d. Quando o fiz pensava tamb\u00e9m nessa teia e num facto que tem escapado \u00e0 discuss\u00e3o, mas que deixo \u00e0 considera\u00e7\u00e3o dos jornalistas: investiguem quem s\u00e3o os assessores dos deputados e, em particular, dos deputados europeus.<\/p>\n<p>Dizia ent\u00e3o que uma quest\u00e3o pertinente e muito atual continua a ser a discuss\u00e3o em torno do tema Meritocracia <em>versus<\/em> \u201cCunha\u201d, representativa do nepotismo, do amiguismo, do clientelismo e de outros sin\u00f3nimos, todos eles indicativos do quanto \u00e9, ou pode ser, f\u00e1cil para determinadas \u201celites\u201d obter empregos (e promo\u00e7\u00f5es) ambicionados pela maioria da popula\u00e7\u00e3o. Essas \u201celites\u201d, desenvolvidas no interior de <em>lobbies<\/em> partid\u00e1rios ou de outros grupos de interesse organizados, entendem que deve ser assim por quest\u00f5es meramente consuetudin\u00e1rias e, como tal, \u00e9 um direito que lhes assiste, sabe-se l\u00e1 porqu\u00ea, com que racionalidade e l\u00f3gica impl\u00edcita \u2013 entendem-se os donos disto tudo e, de facto, s\u00e3o-no.<\/p>\n<p>A constitui\u00e7\u00e3o do governo portugu\u00eas \u00e9 a prova provada que, em Portugal, est\u00e1 institucionalizado que n\u00e3o \u00e9 o m\u00e9rito que determina a afeta\u00e7\u00e3o de empregos e as promo\u00e7\u00f5es, mas sim a \u201c Cunha\u201d ou, vulgarmente conhecida por fator \u201cC\u201d. E, enquanto for assim, h\u00e1 apenas um prot\u00f3tipo de democracia, pois a \u201cCunha\u201d direciona\/condiciona o voto. De facto, dificilmente se consegue um emprego, a sua manuten\u00e7\u00e3o ou uma promo\u00e7\u00e3o por m\u00e9rito pr\u00f3prio, sendo, no entanto, tal situa\u00e7\u00e3o facilitada quando se tem amigos ou familiares bem posicionados ou se pertence a um grupo privilegiado.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a taxa de desemprego de membros, familiares e amigos do partido que nos governa? Imagino que seja nula e que os \u201cempregos\u201d sejam apetec\u00edveis a qualquer cidad\u00e3o com m\u00e9rito. \u00c9 avassalador verificar como os mesmos nomes de fam\u00edlia aparecem repetidamente nos cargos p\u00fablicos, nas administra\u00e7\u00f5es e na lideran\u00e7a de grandes empresas. Usualmente carreiristas de apropriadas juventudes partid\u00e1rias, acabam membros de governos, administradores de algumas das grandes empresas portuguesas e que fazem vida a gravitar entre cargos pol\u00edticos e o sector privado. Ali\u00e1s, \u00e9 do conhecimento p\u00fablico a exist\u00eancia de colaboradores que quase n\u00e3o contribuem em termos de trabalho \u2013 muitos seriam mais rent\u00e1veis fora do sistema \u2013 e, no entanto, s\u00e3o muito bem pagos. Poder-se-\u00e1 falar de uma forma de remunera\u00e7\u00e3o feita \u00e0 medida dos poderes familiares ou pol\u00edticos vigentes, havendo necessariamente uma delapida\u00e7\u00e3o injusta dos rendimentos que penaliza o resto da sociedade. A certa altura foi constitu\u00edda a Comiss\u00e3o de Recrutamento e Sele\u00e7\u00e3o para a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica (CRESAP), mas que s\u00f3 \u00e9 tida em conta quando o resultado corresponde ao desejado. \u00c9 legitimo pensar que serviu apenas para criar mais empregos para <em>relatives<\/em>, <em>boys<\/em> e <em>girls<\/em>.<\/p>\n<p>Como se verificou, a crise provocou desemprego, congelou carreiras, e fez com que jovens formados e altamente qualificados, n\u00e3o tendo oportunidades em Portugal, tenham sido (e continuam a ser) obrigados a emigrar. Rumam racionalmente para pa\u00edses cujas sociedades s\u00e3o bem mais meritocr\u00e1ticas. Efetivamente, com a multiplica\u00e7\u00e3o sem precedentes de licenciaturas e mestrados, a frustra\u00e7\u00e3o \u00e9 enorme quando se constata que a meritocracia como m\u00e9todo de sele\u00e7\u00e3o de recursos humanos \u00e9, quando muito, muito incipiente.<\/p>\n<p>As pr\u00e1ticas de gest\u00e3o meritocr\u00e1ticas s\u00e3o fundamentais para o desenvolvimento econ\u00f3mico em qualquer pa\u00eds, mas, em Portugal, chocam com tra\u00e7os at\u00e1vicos de mentalidade. Existem estruturas mentais retr\u00f3gradas muito enraizadas, que lideram organiza\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e empresas \u00e2ncora para o crescimento econ\u00f3mico. Assiste-se a um desenrolar de enredos mesquinhos do amiguismo e compadrios, e at\u00e9 a manipula\u00e7\u00f5es e vingan\u00e7as que, numa altura de plena globaliza\u00e7\u00e3o, compromete a t\u00e3o necess\u00e1ria <em>Compliance<\/em> com as boas pr\u00e1ticas e, por arrastamento, o desenvolvimento econ\u00f3mico.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo (JN \/ DN) As pr\u00e1ticas de gest\u00e3o meritocr\u00e1ticas s\u00e3o fundamentais para o desenvolvimento de um pa\u00eds, mas, em Portugal, chocam com tra\u00e7os at\u00e1vicos de mentalidade &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":63,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,279],"tags":[],"class_list":["post-42837","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-dinheiro-vivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42837","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/63"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=42837"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42837\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42839,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42837\/revisions\/42839"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=42837"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=42837"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=42837"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}