{"id":42788,"date":"2019-03-30T23:51:52","date_gmt":"2019-03-30T23:51:52","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=42788"},"modified":"2019-03-30T23:51:55","modified_gmt":"2019-03-30T23:51:55","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=42788","title":{"rendered":"A morte da poupan\u00e7a, um pa\u00eds sem futuro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/651411\/a-morte-da-poupanca-um-pais-sem-futuro?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Jos\u00e9-Ant\u00f3nio-Moreira-mar2019.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Um pa\u00eds sem poupan\u00e7a n\u00e3o tem futuro, nem \u00e9 independente no presente. N\u00e3o \u00e9 por acaso que parte substancial das mais importantes empresas portuguesas \u00e9 perten\u00e7a de entidades estrangeiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<article>\n<article>\n<article>\n<section id=\"corpo\">\n<article>Julgo que o mesmo acontecer\u00e1 ao leitor. De vez em quando, sem perceber porqu\u00ea, lembro-me de coisas ou situa\u00e7\u00f5es esquecidas no s\u00f3t\u00e3o da mem\u00f3ria. Vou em busca delas, nem sempre sabendo onde as procurar. Recentemente lembrei-me que h\u00e1 alguns anos alimentei um blog pessoal. J\u00e1 nem o nome dele sabia. Com esfor\u00e7o, encontrei-o, tal como o havia deixado quando o abandonei. Sete anos passaram desde ent\u00e3o. \u00c9 engra\u00e7ado voltar a ler o que ent\u00e3o escrevi, voltar atr\u00e1s no tempo, entrar num contexto que me era familiar e agora me parece estranho. Bem, \u00e0s vezes as coisas n\u00e3o mudaram assim tanto.<\/p>\n<p>Em 10\/3\/2012 escrevi: \u201cA terminar, uma nota sobre poupan\u00e7a. As estat\u00edsticas mostram que a taxa portuguesa, que tr\u00eas dezenas de anos atr\u00e1s era das mais elevadas do mundo, conhece dias pouco risonhos. Mesmo assim, por estranho que possa parecer, aumentou \u2026 desde que a crise financeira despoletou em 2008. O futuro deixou de ter o grau de certeza que pens\u00e1vamos ter \u2026 Tamb\u00e9m neste dom\u00ednio, a assimetria \u00e9 a regra: 80% da poupan\u00e7a \u00e9 assegurada por 20% dos cidad\u00e3os; 30% dos cidad\u00e3os apresentam uma \u2018taxa de poupan\u00e7a negativa\u2019, significando que o respetivo padr\u00e3o de consumo \u00e9 superior ao rendimento pessoal.<\/p>\n<p>Dada a import\u00e2ncia da poupan\u00e7a nacional para o financiamento da economia, evitando (ou reduzindo) o recurso ao financiamento externo, seria desej\u00e1vel que se adotassem pol\u00edticas ativas de educa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os para a poupan\u00e7a, come\u00e7ando pelas crian\u00e7as na escola.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, os Governos, nos \u00faltimos anos, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o t\u00eam investido neste dom\u00ednio como, pelo contr\u00e1rio, atrav\u00e9s de interven\u00e7\u00f5es como, por exemplo, a altera\u00e7\u00e3o das regras de remunera\u00e7\u00e3o dos Certificados de Aforro, propiciaram incentivos para \u2026 que n\u00e3o se poupe.\u201d<\/p>\n<p>Fui revisitar o assunto, consultei as estat\u00edsticas do INE \/ Pordata:<\/p>\n<p>2000 10,1<br \/>\n2001 10,6<br \/>\n2002 10,7<br \/>\n2003 10,3<br \/>\n2004 10,0<br \/>\n2005 9,4<br \/>\n2006 8,4<br \/>\n2007 7,5<br \/>\n2008 7,3<br \/>\n2009 10,9<br \/>\n2010 9,7<br \/>\n2011 7,8<br \/>\n2012 8,3<br \/>\n2013 8,3<br \/>\n2014 5,5<br \/>\n2015 5,7<br \/>\n2016 5,3<br \/>\n2017 5,1<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil constatar que nestes quase 20 anos cobertos pelas estat\u00edsticas a evolu\u00e7\u00e3o da taxa de poupan\u00e7a, com exce\u00e7\u00e3o dos denominados \u201canos da crise\u201d, tem vindo a verificar uma tend\u00eancia decrescente acentuada. Atualmente \u00e9 pouco superior a 4%, longe dos quase 12% verificados pela m\u00e9dia da Zona Euro.<\/p>\n<p>M\u00faltiplas podem ser as raz\u00f5es apontadas para uma taxa t\u00e3o baixa. Entre as mais comummente referidas costuma estar o atual baixo n\u00edvel das taxas de juro (que \u00e9 comum aos restantes pa\u00edses europeus), a que se soma uma tributa\u00e7\u00e3o de quase um ter\u00e7o sobre os juros e outras remunera\u00e7\u00f5es obtidas em aplica\u00e7\u00f5es da poupan\u00e7a.<\/p>\n<p>Estes fatores por certo contribuem de forma negativa para o cen\u00e1rio de (falta) de poupan\u00e7a atualmente existente em Portugal. No entanto, talvez mais importante seja o facto de continuar a n\u00e3o existir uma pol\u00edtica p\u00fablica estruturada de educa\u00e7\u00e3o para a poupan\u00e7a.<\/p>\n<p>Com frequ\u00eancia, ao fim do dia, enquanto deixo o olhar vaguear pelo jornal, a televis\u00e3o, sintonizada num canal p\u00fablico, transmite um programa de entretenimento, um concurso que tem como pr\u00e9mio um montante monet\u00e1rio de 50.000 \u20ac. Uma das perguntas que o moderador, invariavelmente, coloca ao concorrente \u00e9 sobre o destino que daria a tal montante se vencesse o concurso (o que nunca acontece). Com a exce\u00e7\u00e3o de uma concorrente de meia-idade, que referiu que o investiria na aquisi\u00e7\u00e3o de uma habita\u00e7\u00e3o, os restantes, novos e menos novos, homens e mulheres, sistematicamente referem como destino desse montante o financiamento de viagens.<\/p>\n<p>N\u00e3o est\u00e1 em causa a import\u00e2ncia do viajar na vida das pessoas. Por\u00e9m, \u00e9 preocupante este panorama, sobretudo num pa\u00eds onde a generalidade das fam\u00edlias est\u00e1 endividada por muitos e muitos anos, fruto de empr\u00e9stimos para a casa, o carro, os m\u00f3veis e o resto. Depois das dores provocadas pela \u00faltima crise econ\u00f3mica, aparentemente j\u00e1 esquecidas, a pr\u00f3xima voltar\u00e1, inexoravelmente, a trazer consider\u00e1vel aperto financeiro aos endividados, que poderia ser suavizado por um \u201cp\u00e9-de-meia\u201d, mesmo que modesto.<\/p>\n<p>\u00c9 esta aposta no presente, como se o futuro n\u00e3o existisse, que explicar\u00e1, tamb\u00e9m, a baixa taxa referida. Uma aposta perigosa, porque um pa\u00eds sem poupan\u00e7a n\u00e3o tem futuro, nem \u00e9 independente no presente. N\u00e3o \u00e9 por acaso que parte substancial das mais importantes empresas portuguesas, por vezes a totalidade do capital, \u00e9 perten\u00e7a de entidades estrangeiras. \u00c9 consequ\u00eancia da incapacidade do pa\u00eds gerar poupan\u00e7a. A este n\u00edvel macroecon\u00f3mico n\u00e3o se espera que cada um, individualmente, pense primeiro no pa\u00eds, no bem comum. \u00c9 ao governo que cabe faz\u00ea-lo. O que n\u00e3o tem acontecido.<\/p>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Jornal i Um pa\u00eds sem poupan\u00e7a n\u00e3o tem futuro, nem \u00e9 independente no presente. N\u00e3o \u00e9 por acaso que parte substancial das mais importantes empresas portuguesas \u00e9 perten\u00e7a de entidades estrangeiras.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-42788","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42788","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=42788"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42788\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42790,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42788\/revisions\/42790"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=42788"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=42788"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=42788"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}