{"id":42693,"date":"2019-03-10T19:05:20","date_gmt":"2019-03-10T19:05:20","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=42693"},"modified":"2019-03-10T19:05:24","modified_gmt":"2019-03-10T19:05:24","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=42693","title":{"rendered":"Pensamento Econ\u00f3mico dos Papas Jo\u00e3o Paulo II, Bento XVI e Francisco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso, Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/649317\/pensamento-economico-dos-papas-joao-paulo-ii-bento-xvi-e-francisco?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Oscar-Afonso-mar2019.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201cA crise financeira que atravessamos faz-nos esquecer que, na sua origem, h\u00e1 uma crise antropol\u00f3gica profunda: a nega\u00e7\u00e3o da primazia do ser humano\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<article>O Papa Jo\u00e3o Paulo II, na enc\u00edclica Centesimus Annus (1991), apresentou um discurso duro contra os sistemas econ\u00f3micos e pol\u00edticos que sacrificam a dignidade humana aos interesses ideol\u00f3gicos ou econ\u00f3micos, tanto os de cariz marxista como os que se inspiram em formas injustas de capitalismo. Refletiu quer sobre o socialismo quer sobre o liberalismo, \u00e0 luz da queda da URSS e da domina\u00e7\u00e3o do capitalismo no cen\u00e1rio mundial. Sobre o capitalismo e no contexto de afirma\u00e7\u00e3o da efici\u00eancia do \u201cmercado livre\u201d, escreveu \u201cVimos que \u00e9 inaceit\u00e1vel dizer que a derrota do chamado \u201csocialismo real\u201d deixa o capitalismo como o \u00fanico modelo de organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica. \u00c9 necess\u00e1rio quebrar as barreiras e os monop\u00f3lios que deixam tantas pessoas \u00e0 margem do desenvolvimento e facultar a todos (...) as condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas (...).\u201d<\/p>\n<p>Perguntou se \u201co capitalismo deve ser o objetivo dos pa\u00edses que fazem agora os esfor\u00e7os para reconstruir a sua economia e sociedade\u201d, para reconhecer que \u201cA resposta \u00e9 obviamente complexa. Se por capitalismo se entende um sistema econ\u00f3mico que reconhece o papel fundamental e positivo da empresa, do mercado, da propriedade privada e da consequente responsabilidade pelos meios de produ\u00e7\u00e3o, bem como da livre criatividade humana no sector da economia, ent\u00e3o a resposta \u00e9 (...) afirmativa (...). Mas se por capitalismo se entende um sistema em que a liberdade (...) n\u00e3o est\u00e1 circunscrita a uma estrutura jur\u00eddica forte que a ponha ao servi\u00e7o da liberdade humana na sua totalidade e que a v\u00ea como um aspecto particular da liberdade, o n\u00facleo do que \u00e9 \u00e9tico e religioso, ent\u00e3o a resposta \u00e9 (...) negativa.\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o apoiava nem o capitalismo nem o comunismo, nem propunha uma terceira via entre os dois ou algum modelo econ\u00f3mico pr\u00f3prio. Considerava que a contribui\u00e7\u00e3o da Igreja \u00e9 a doutrina social cat\u00f3lica, que, no modo prof\u00e9tico, \u201creconhece o valor positivo do mercado e da empresa, mas que ao mesmo tempo aponta que estes precisam de ser orientados para o bem comum.\u201d Na exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica Ecclesia in America, em 1999, discutiu o \u201cneoliberalismo\u201d e acrescentou mais peso ao argumento de que a doutrina social cat\u00f3lica continuava cr\u00edtica das sociedades atuais voltadas para o mercado e as injusti\u00e7as que perpetuam.<\/p>\n<p>Tendo em conta as enc\u00edclicas Caritas in Veritate, a Deus Caritas Est e a Spe Salvi, o papel da Igreja estava tamb\u00e9m bem delimitado no pensamento econ\u00f3mico do Papa Bento XVI. N\u00e3o existe economia \u00e9tica, ligada ao fator social, preocupada com o problema da desigualdade e empenhada em combater quest\u00f5es urgentes como a fome, sem valores morais extra-estatais, sem uma garantia de que a pol\u00edtica tem de onde extrair princ\u00edpios morais verdadeiros e, assim, humanizar o sistema econ\u00f3mico. A Igreja teria esse papel, sem se confundir, mas ao mesmo tempo sem se sujeitar ao Estado, apresentando-se como a fonte de enriquecimento da pol\u00edtica e da economia com princ\u00edpios \u00e9ticos, sem os quais a mentalidade t\u00e9cnica contempor\u00e2nea seria incapaz de evoluir. O papa Bento XVI desejava lembrar \u00e0s na\u00e7\u00f5es que o motor da sociedade \u00e9 o Homem, n\u00e3o os instrumentos que ele utiliza. Portanto, o bem-estar humano \u00e9 condi\u00e7\u00e3o sine qua non para o bem-estar da economia e da pol\u00edtica. Entre esses e outros motivos desqualifica tanto o capitalismo quanto o comunismo, ambos fazem uma separa\u00e7\u00e3o clara de \u00e9tica e economia, elemento considerado inaceit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Na enciclica Caritas in Veritate, publicada no p\u00f3s-crise 2008 (em Julho de 2009), abordou enfaticamente quest\u00f5es econ\u00f3micas, esclarecendo que n\u00e3o cabe \u00e0 Igreja oferecer solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas para os problemas econ\u00f3micos, mas que a Igreja pode apontar prioridades e valores. Mencionou v\u00e1rios pontos pertinentes \u00e0 doutrina social da Igreja, tais como a fome, ecologia, problemas relacionados com as migra\u00e7\u00f5es, bio\u00e9tica e demografia. As \u201cjanelas do Vaticano\u201d devem t\u00ea-lo ajudado a perceber a crise econ\u00f3mica em que a Europa estava mergulhada e que comprometia a f\u00e9.<\/p>\n<p>O Papa Francisco, na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Evangelii Gaudium, acaba por ir mais longe ao abordar a necessidade da economia contribuir para a dignidade da pessoa humana, apelando a valores como a solidariedade, a doa\u00e7\u00e3o, a equidade, a liberdade, a fraternidade e o amor ao pr\u00f3ximo. Faz uma an\u00e1lise contempor\u00e2nea, afirmando que o capitalismo, deixado \u00e0 sua sorte, sem autorreferencial, \u00e9 um sistema que se move em fun\u00e7\u00e3o dos seus pr\u00f3prios prop\u00f3sitos e que exclui muitos. Quando o Papa Francisco fala do amor pelo dinheiro, revela que essa \u00e9, por excel\u00eancia, a forma de exist\u00eancia do capitalismo \u201cselvagem\u201d, que expurga os valores acima referidos. Valores que foram sendo dissolvidos pelo esp\u00edrito competitivo dos mercados e pela consequente valoriza\u00e7\u00e3o excessiva do dinheiro e do consumismo. Alerta ent\u00e3o para a necessidade de atender aos marginalizados, para quem viver \u00e9 sobreviver, e mostrar a parte da realidade que tende a esconder-se \u00e0 nossa consci\u00eancia. Mostrar que mesmo quando a economia vai bem muitos v\u00e3o mal.<\/p>\n<p>\u201cA necessidade de resolver as causas estruturais da pobreza n\u00e3o pode esperar; e n\u00e3o apenas por uma exig\u00eancia pragm\u00e1tica de obter resultados e ordenar a sociedade, mas (...) para a curar (...)\u201d, porque \u201c(...) enquanto n\u00e3o forem (...) solucionados os problemas dos pobres, renunciando \u00e0 autonomia absoluta dos mercados e da especula\u00e7\u00e3o financeira e atacando as causas estruturais da desigualdade social, n\u00e3o se resolver\u00e3o os problemas do mundo e, em definitivo, problema algum. A desigualdade \u00e9 a raiz dos males sociais (..). Assim como o mandamento \u2018n\u00e3o matar\u2019 assegura o valor da vida humana, tamb\u00e9m hoje devemos dizer \u2018n\u00e3o a uma economia da exclus\u00e3o e da desigualdade social\u2019. Esta economia mata\u201d, desejando com isso afirmar \u201cn\u00e3o\u201d ao dinheiro que governa, em vez de servir. Efetivamente, antes de existir o dinheiro, j\u00e1 existia a vida, j\u00e1 existiam necessidades sociais, j\u00e1 existiam seres humanos.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata, pois, de erradicar o capitalismo, ou de rejeitar o dinheiro ou o lucro, trata-se de obter dinheiro e lucro com \u00e9tica e de retirar a explora\u00e7\u00e3o do centro do lucro. Efetivamente, \u201ca dignidade de cada pessoa humana e o bem comum s\u00e3o quest\u00f5es que deveriam estruturar toda a pol\u00edtica econ\u00f3mica\u201d, mas, em vez disso, assistiu-se \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o dos mercados das peias reguladoras e disciplinadoras do Estado, e a sociedade humana transformou-se numa \u201csociedade de mercado\u201d: o mercado que devia existir para ajudar o homem a viver uma vida melhor, passou a ordenar, a dominar, a vida humana. H\u00e1 que \u201cn\u00e3o (...) confiar nas for\u00e7as cegas e na m\u00e3o invis\u00edvel do mercado\u201d, sendo que infelizmente \u201choje, tudo entra no jogo da competitividade e da lei do mais forte, onde o poderoso engole o mais fraco. (...) O ser humano \u00e9 considerado (...) como um bem de consumo que se pode usar e depois lan\u00e7ar fora. (...) Uma das causas desta situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o (...) com o dinheiro, porque aceitamos (...) o seu dom\u00ednio (...). A crise financeira que atravessamos faz-nos esquecer que, na sua origem, h\u00e1 uma crise antropol\u00f3gica profunda: a nega\u00e7\u00e3o da primazia do ser humano.\u201d A crise financeira \u00e9, pois, o produto da desregula\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m e, sobretudo, da subtra\u00e7\u00e3o do homem do centro da atividade econ\u00f3mica.<\/p>\n<p>E, num desej\u00e1vel novo contexto, aos governos deve exigir-se uma interven\u00e7\u00e3o conjunta, dado que, com a globaliza\u00e7\u00e3o, os atos econ\u00f3micos se difundem no mundo inteiro. Por isso \u201c(...) nenhum governo pode agir \u00e0 margem de uma responsabilidade comum\u201d, porque \u201cse realmente queremos alcan\u00e7ar uma economia global saud\u00e1vel, precisamos (...) de um modo mais eficiente de interac\u00e7\u00e3o que (...) assegure o bem-estar econ\u00f3mico a todos os pa\u00edses (...).\u201d<\/p>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Jornal i \u201cA crise financeira que atravessamos faz-nos esquecer que, na sua origem, h\u00e1 uma crise antropol\u00f3gica profunda: a nega\u00e7\u00e3o da primazia do ser humano\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-42693","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42693","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=42693"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42693\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42694,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42693\/revisions\/42694"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=42693"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=42693"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=42693"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}