{"id":42557,"date":"2019-02-20T09:47:19","date_gmt":"2019-02-20T09:47:19","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=42557"},"modified":"2019-02-20T09:47:22","modified_gmt":"2019-02-20T09:47:22","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-33","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=42557","title":{"rendered":"A \u201cCunha\u201d, uma realidade portuguesa ainda no s\u00e9c. XXI"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso<\/strong><\/span>, Dinheiro Vivo (JN \/ DN)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/opiniao\/a-cunha-uma-realidade-portuguesa-ainda-no-sec-xxi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/DV032.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><strong>As pr\u00e1ticas de gest\u00e3o meritocr\u00e1ticas, em Portugal, chocam com tra\u00e7os at\u00e1vicos de mentalidade.<\/strong><\/p>\n<div>\n<p>...<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<p>Quest\u00e3o pertinente e muito atual continua a ser a discuss\u00e3o em torno do tema Meritocracia <em>versus<\/em> \u201cCunha\u201d, representativa do amiguismo, do clientelismo e de outros sin\u00f3nimos, todos eles indicativos do quanto \u00e9, ou pode ser, f\u00e1cil para determinadas \u201celites\u201d obter empregos (e promo\u00e7\u00f5es) ambicionados pela maioria da popula\u00e7\u00e3o. Essas \u201celites\u201d, desenvolvidas no interior de <em>lobbies<\/em> partid\u00e1rios ou de outros grupos de interesse organizados, entendem que deve ser assim por quest\u00f5es meramente consuetudin\u00e1rias e, como tal, \u00e9 um direito que lhes assiste, sabe-se l\u00e1 porqu\u00ea, com que racionalidade e l\u00f3gica impl\u00edcita.<\/p>\n<p>Por analogia, podemos equiparar tal discuss\u00e3o \u00e0 lei da oferta e da procura, em que, face a necessidades ilimitadas (compar\u00e1veis aqui \u00e0 procura dos melhores empregos) e a recursos escassos (equiparados aqui \u00e0 raridade da oferta de empregos), o pre\u00e7o (representativo aqui do m\u00e9rito) deveria apresentar-se como o elemento diferenciador ou medidor que permitiria a desejada afeta\u00e7\u00e3o. Acontece que em Portugal est\u00e1 institucionalizado que n\u00e3o \u00e9 o pre\u00e7o (leia-se m\u00e9rito) que determina a afeta\u00e7\u00e3o de empregos e as promo\u00e7\u00f5es, mas sim a \u201c Cunha\u201d ou, vulgarmente conhecida por fator \u201cC\u201d. Enquanto for assim, h\u00e1 apenas um prot\u00f3tipo de democracia pois a \u201cCunha\u201d direciona\/condiciona o voto. De facto, dificilmente se consegue um emprego, a sua manuten\u00e7\u00e3o ou uma promo\u00e7\u00e3o por m\u00e9rito pr\u00f3prio, sendo, no entanto, tal situa\u00e7\u00e3o facilitada quando se tem amigos ou familiares bem posicionados ou se pertence a um grupo privilegiado.<\/p>\n<p>Como se verificou, a crise provocou desemprego, congelou carreiras, e fez com que jovens formados e altamente qualificados, n\u00e3o tendo oportunidades em Portugal, tenham sido (e continuam a ser) obrigados a emigrar. Rumam racionalmente para pa\u00edses cujas sociedades s\u00e3o bem mais meritocr\u00e1ticas. Efetivamente, com a multiplica\u00e7\u00e3o sem precedentes de licenciaturas e mestrados, a frustra\u00e7\u00e3o \u00e9 enorme quando se constata que a meritocracia como m\u00e9todo de sele\u00e7\u00e3o de recursos humanos \u00e9, quando muito, muito incipiente.<\/p>\n<p>\u00c9 avassalador verificar como os mesmos nomes de fam\u00edlia aparecem repetidamente nos cargos p\u00fablicos, nas administra\u00e7\u00f5es e na lideran\u00e7a de grandes empresas. Ali\u00e1s, \u00e9 do conhecimento p\u00fablico a exist\u00eancia de colaboradores que quase n\u00e3o contribuem em termos de trabalho \u2013 muitos seriam mais rent\u00e1veis fora do sistema \u2013 e, no entanto, s\u00e3o muito bem pagos. Poder-se-\u00e1 falar de uma forma de remunera\u00e7\u00e3o feita \u00e0 medida dos poderes familiares ou pol\u00edticos vigentes, havendo necessariamente uma delapida\u00e7\u00e3o injusta dos rendimentos que penaliza o resto da sociedade.<\/p>\n<p>As pr\u00e1ticas de gest\u00e3o meritocr\u00e1ticas s\u00e3o fundamentais para o desenvolvimento econ\u00f3mico em qualquer pa\u00eds, mas, em Portugal, chocam com tra\u00e7os at\u00e1vicos de mentalidade. Existem estruturas mentais retr\u00f3gradas muito enraizadas, que lideram organiza\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e empresas \u00e2ncora para o crescimento econ\u00f3mico. Assiste-se a um desenrolar de enredos mesquinhos do amiguismo e compadrios, e at\u00e9 a manipula\u00e7\u00f5es e vingan\u00e7as que, numa altura de plena globaliza\u00e7\u00e3o, compromete a t\u00e3o necess\u00e1ria <em>Compliance<\/em> com as boas pr\u00e1ticas e, por arrastamento, o desenvolvimento econ\u00f3mico.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo (JN \/ DN) As pr\u00e1ticas de gest\u00e3o meritocr\u00e1ticas, em Portugal, chocam com tra\u00e7os at\u00e1vicos de mentalidade. &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,279],"tags":[],"class_list":["post-42557","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-dinheiro-vivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42557","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=42557"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42557\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42561,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42557\/revisions\/42561"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=42557"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=42557"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=42557"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}