{"id":42368,"date":"2019-01-20T00:21:02","date_gmt":"2019-01-20T00:21:02","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=42368"},"modified":"2019-01-20T00:21:04","modified_gmt":"2019-01-20T00:21:04","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=42368","title":{"rendered":"A probabilidade da fraude e da corrup\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/642510\/a-probabilidade-da-fraude-e-da-corrupcao?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Ji157.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a>A fraude e a corrup\u00e7\u00e3o s\u00e3o solu\u00e7\u00f5es alternativas para alcan\u00e7ar o dinheiro necess\u00e1rio para concretizar sonhos que de outro modo n\u00e3o passariam disso mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<article>O estilo de vida das sociedades atuais \u2013 autodenominadas sociedades modernas \u2013 trouxe-nos e mant\u00e9m-nos convictamente cientes (e sobretudo profundamente dependentes) da exist\u00eancia de um novo Deus.<\/p>\n<p>Trata-se de um Deus com caracter\u00edsticas distintas dos outros, daqueles dos Templos e dos Rituais Lit\u00fargicos. Mas, \u00e0 sua maneira, tem igualmente os seus rituais e os seus mist\u00e9rios. Tem uma enorme capacidade para conferir um certo sentido \u00e0s nossas vidas, que assim v\u00e3o ficando cada vez mais enleadas e dependentes dele.<\/p>\n<p>Refiro-me, claro, ao dinheiro e a tudo o que ele representa em termos de poder e de simbolismo para cada sujeito e para a sociedade no seu todo.<\/p>\n<p>Por si s\u00f3 e em termos puramente materiais, o dinheiro pouco ou nada \u00e9. De facto e bem vistas as coisas, s\u00e3o pequenos peda\u00e7os de metal com impress\u00f5es em baixo-relevo e tiras de papel pintado que circulam de m\u00e3o em m\u00e3o. Peda\u00e7os de metal e tiras de papel materialmente iguais a tantos outros com que nos cruzamos em espa\u00e7os menos dignos e limpos e aos quais n\u00e3o damos qualquer valor por se tratar verdadeiramente de lixo.<\/p>\n<p>Mas o dinheiro, bem o dinheiro \u00e9 diferente. O dinheiro \u00e9 mesmo muito diferente\u2026<\/p>\n<p>Por uma esp\u00e9cie de arte m\u00e1gica ou de transe coletiva em que todos estamos mergulhados, independentemente de termos mais ou menos consci\u00eancia disso (a maioria das pessoas n\u00e3o tem esta consci\u00eancia), acreditamos, sustentamos e validamos que cada um desses peda\u00e7os de metal e tiras de papel tem um determinado valor associado.<\/p>\n<p>E o transe vai de tal modo longe, que o dinheiro se tornou numa esp\u00e9cie de oxig\u00e9nio que sustenta a vida social. Com dinheiro, e s\u00f3 com ele, tudo se pode comprar. Tudo!<\/p>\n<p>Numa vis\u00e3o rude, mas porventura realista, quase podemos afirmar que quem tem dinheiro vive e quem n\u00e3o o tem n\u00e3o vive ou vive mal.<\/p>\n<p>\u00c9 com dinheiro que compramos os bens alimentares com que sustentamos a nossa sobreviv\u00eancia. \u00c9 com dinheiro que compramos os bens materiais que nos conferem todo o tipo de confortos. \u00c9 com dinheiro que conseguimos concretizar os nossos sonhos, como seja fazer uma viagem \u00e0 volta do mundo, comprar um autom\u00f3vel desportivo topo de gama ou uma mans\u00e3o junto ao mar.<\/p>\n<p>Quem tem dinheiro e em fun\u00e7\u00e3o do montante \/ valor de que disponha, re\u00fane condi\u00e7\u00f5es para concretizar projetos de diversa ordem. Enfim re\u00fane condi\u00e7\u00f5es para viver dentro dos par\u00e2metros que esta sociedade reconhece como os adequados. E quem n\u00e3o tem dinheiro fica irremediavelmente afastado desta possibilidade. Fica nas franjas da sociedade, Fica numa certa marginalidade.<\/p>\n<p>E entre estes limites encontramos toda uma seria\u00e7\u00e3o de possibilidades, entre os abastados e os mais ou menos remediados.<\/p>\n<p>Neste enquadramento suscita-se a quest\u00e3o relativa ao modo de acesso a esse valor t\u00e3o importante.<\/p>\n<p>O trabalho, no caso dos assalariados, e os investimentos, no caso dos investidores, s\u00e3o provavelmente as duas grandes formas socialmente legitimadas para aceder ao dinheiro. E \u00e9 em fun\u00e7\u00e3o das receitas que cada sujeito tenha que vai naturalmente encontrar o n\u00edvel de concretiza\u00e7\u00e3o e as op\u00e7\u00f5es associadas aos seus projetos de vida.<\/p>\n<p>Provavelmente neste ponto o leitor j\u00e1 se ter\u00e1 questionado, \u201csim, \u00e9 verdade que a realidade pode ser lida assim de modo simplista, mas qual a rela\u00e7\u00e3o de tudo isto com a fraude e a corrup\u00e7\u00e3o?\u201d.<\/p>\n<p>De facto a fraude e a corrup\u00e7\u00e3o encontram tamb\u00e9m neste contexto uma grande parte ou mesmo toda a explica\u00e7\u00e3o para a sua ocorr\u00eancia.<\/p>\n<p>Se a vida, e sobretudo a qualidade de vida, se faz muito por associa\u00e7\u00e3o ao dinheiro que se tem ou que n\u00e3o se tem, e se os meios socialmente legitimados para aceder ao dinheiro s\u00e3o em si mesmos limitadores da quantidade \/ valor de dinheiro de que se pode dispor, n\u00e3o ser\u00e1 descabido aceitar que a press\u00e3o consumista possa, pelo menos junto de indiv\u00edduos menos escrupulosos e mais ambiciosos, suscitar a possibilidade de aceder a mais dinheiro por vias ileg\u00edtimas, nomeadamente pela fraude e pela corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Robert Merton, nos anos 30 do s\u00e9culo passado (Merton, R. (1938). Social structure and anomie. In American Sociological Review. 3(5): 672-682) estudou esta quest\u00e3o, no modelo te\u00f3rico da anomia. Verificou que as expectativas e as op\u00e7\u00f5es de vida das pessoas em sociedade se fazem em torno de objetivos socialmente reconhecidos e de meios socialmente validados e disponibilizados para os alcan\u00e7ar. Concluiu o autor que aqueles que conseguem alcan\u00e7ar os seus objetivos atrav\u00e9s dos meios socialmente reconhecidos e validados apresentam um estilo de vida conforme com as expectativas sociais, portanto sem problemas e sem lugar a censuras ou san\u00e7\u00f5es. Outros, pretendendo alcan\u00e7ar os mesmos prop\u00f3sitos, mas n\u00e3o dispondo dos mesmos meios, avan\u00e7am com outros alternativos, socialmente n\u00e3o legitimados, assumindo solu\u00e7\u00f5es inovadoras, como lhes chamou.<\/p>\n<p>A fraude e a corrup\u00e7\u00e3o s\u00e3o solu\u00e7\u00f5es alternativas para alcan\u00e7ar o dinheiro necess\u00e1rio para concretizar sonhos que de outro modo n\u00e3o passariam disso mesmo.<\/p>\n<p>O contexto da sociedade de consumo, que parece n\u00e3o ter limites na procura de novos e sempre \u201cessenciais\u201d produtos para (alegadamente) melhorar a vida das pessoas, vai alargando as \u201cnecessidades\u201d de cada um e aumentando a press\u00e3o para a sua concretiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A probabilidade para a ocorr\u00eancia de fraude e corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 por isso uma realidade, como ali\u00e1s tem sido sobejamente mostrado pelas in\u00fameras suspei\u00e7\u00f5es todos os dias noticiadas um pouco por todo o lado.<\/p>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Jornal i A fraude e a corrup\u00e7\u00e3o s\u00e3o solu\u00e7\u00f5es alternativas para alcan\u00e7ar o dinheiro necess\u00e1rio para concretizar sonhos que de outro modo n\u00e3o passariam disso mesmo.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-42368","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42368","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=42368"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42368\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42369,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42368\/revisions\/42369"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=42368"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=42368"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=42368"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}