{"id":42084,"date":"2018-12-02T00:32:52","date_gmt":"2018-12-02T00:32:52","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=42084"},"modified":"2018-12-02T00:32:52","modified_gmt":"2018-12-02T00:32:52","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=42084","title":{"rendered":"\u201cPequenos empurr\u00f5es\u201d\u00e0 irracionalidade das decis\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/636274\/-pequenos-empurroes-a-irracionalidade-das-decisoes?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Ji0149.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a>Est\u00e1 provado que a ordem de oferta dos produtos condiciona as decis\u00f5es de consumo dos agentes econ\u00f3micos<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<article>A investiga\u00e7\u00e3o em Economia Comportamental tem-se centrado no estudo da irracionalidade dos agentes econ\u00f3micos na tomada de decis\u00f5es. Uma \u00e1rea cient\u00edfica em ascens\u00e3o que em 2017 viu o pr\u00e9mio Nobel da Economia ser atribu\u00eddo a Richard Thaler, um dos seus investigadores mais conceituados. Esteve no Porto, recentemente, num evento organizado pela Porto Business School, criando a motiva\u00e7\u00e3o para que voltasse a ler o seu livro mais conhecido, \u201cNudge\u201d, co-autorado por Cass Sunstein, que em Portugal foi traduzido com o t\u00edtulo \u201cNudge: Um pequeno empurr\u00e3o\u201d (Edi\u00e7\u00f5es Lua de Papel).<\/p>\n<p>Os casos que o livro prop\u00f5e levam-nos a tomar consci\u00eancia do modo como tomamos decis\u00f5es, como a nossa irracionalidade prepondera sobre a informa\u00e7\u00e3o ao nosso dispor. A tese dos autores \u00e9 que, face a tal irracionalidade, \u201cpequenos empurr\u00f5es\u201d, \u201cnudge\u201d no original, proporcionados por terceiros podem ajudar a que tomemos melhores decis\u00f5es na nossa vida, nomeadamente enquanto consumidores (\u201cempurr\u00f5es\u201d positivos). O problema \u00e9 que esses mesmos terceiros podem tamb\u00e9m usar esses \u201cempurr\u00f5es\u201d, subliminares e destinados a alterar o nosso comportamento, para que tomemos as decis\u00f5es que lhes s\u00e3o mais vantajosas, as menos interessantes na nossa perspetiva \u2013\u201cempurr\u00f5es\u201d negativos.<\/p>\n<p>Vejamos a que tipo de \u201cempurr\u00e3o\u201d os autores se referem. No livro, come\u00e7am por ilustrar a irracionalidade dos agentes com um estudo efetuado em cantinas escolares, em que conclu\u00edram que a ordem por que eram dispostas as sobremesas (doces, frutas vs. frutas, doces) influenciava o que os estudantes consumiam. Assim sendo, uma pol\u00edtica p\u00fablica que tivesse como objetivo aumentar o consumo de fruta em detrimento do a\u00e7\u00facar poderia ter um maior impacte se tivesse em considera\u00e7\u00e3o a irracionalidade dos consumidores, neste caso os estudantes, e deliberadamente contivesse um \u201cempurr\u00e3o\u201d positivo que, atrav\u00e9s da ordena\u00e7\u00e3o das sobremesas, alterasse o respetivo padr\u00e3o de consumo.<\/p>\n<p>Menos positivo \u00e9 o \u201cempurr\u00e3o\u201d com que o leitor se depara quando entra no supermercado e se defronta, no meio dos corredores, por onde tem de passar, com expositores de produtos. O que os gestores do espa\u00e7o est\u00e3o a fazer, ao escolherem criteriosamente a ordem por que tais produtos aparecem no seu percurso, \u00e9 o mesmo que a disposi\u00e7\u00e3o das sobremesas na cantina: levar a que adquira os produtos que o estabelecimento tem interesse em lhe vender.<\/p>\n<p>\u201cMas eu n\u00e3o me deixo levar\u201d, dir\u00e1 para consigo o leitor. Est\u00e1 provado que a ordem de oferta dos produtos condiciona as decis\u00f5es de consumo dos agentes econ\u00f3micos. Se assim n\u00e3o fosse, que interesse teria o estabelecimento em dispor os produtos nessas \u00e1reas? Ou em colocar os produtos mais caros \u00e0 altura do olhar, e os mais baratos nas prateleiras rente ao ch\u00e3o? Trata-se, como \u00e9 \u00f3bvio, de \u201cempurr\u00f5es\u201d negativos, que sem obrigarem o consumidor a adotar um comportamento espec\u00edfico ou lhe reduzirem o leque de op\u00e7\u00f5es de escolha, o levam, ainda que inconscientemente, a tomar a decis\u00e3o que mais interessa ao estabelecimento.<\/p>\n<p>Tratando-se de pol\u00edticas comerciais mais agressivas, baseadas em promo\u00e7\u00f5es com descontos ou unidades \u201cgr\u00e1tis\u201d, ent\u00e3o o eventual res\u00edduo de racionalidade econ\u00f3mica que pudesse existir desvanece-se completamente e o consumidor n\u00e3o deixa passar a \u201coportunidade de uma vida\u201d. As recomenda\u00e7\u00f5es das associa\u00e7\u00f5es de defesa dos consumidores, sugerindo que quando vamos fazer compras levemos connosco uma lista de compras e dela n\u00e3o divirjamos, s\u00e3o em si mesmas \u201cempurr\u00f5es\u201d de cariz positivo, que pretendem proteger o consumidor da sua pr\u00f3pria irracionalidade.<\/p>\n<\/article>\n<div id=\"meioartigos\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Jornal i Est\u00e1 provado que a ordem de oferta dos produtos condiciona as decis\u00f5es de consumo dos agentes econ\u00f3micos<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-42084","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42084","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=42084"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42084\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42085,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/42084\/revisions\/42085"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=42084"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=42084"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=42084"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}