{"id":41871,"date":"2018-10-19T21:47:27","date_gmt":"2018-10-19T21:47:27","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=41871"},"modified":"2018-10-21T10:15:40","modified_gmt":"2018-10-21T10:15:40","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=41871","title":{"rendered":"Como Gaza pode ser o futuro que nos espera"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jorge Fonseca de Almeida, Jornal de Neg\u00f3cios<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/www.jornaldenegocios.pt\/opiniao\/colunistas\/jorge-fonseca-de-almeida\/detalhe\/como-gaza-pode-ser-o-futuro-que-nos-espera?ref=Opini%C3%A3o_grupo1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a>Ao analisar a sociedade atual, Mbembe identifica grandes linhas de tend\u00eancia. Vou aqui destacar duas que est\u00e3o interligadas: a fronteiriza\u00e7\u00e3o e o Governo pelo abandono.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Esteve esta semana em Lisboa o proeminente intelectual negro dos Camar\u00f5es Achille Mbembe, investigador do Instituto W. E. B. Du Bois da Universidade de Harvard nos Estados Unidos e professor universit\u00e1rio na \u00c1frica do Sul, para apresentar e discutir as suas ideias.<\/p>\n<div class=\"showLerMais\">\n<p>A confer\u00eancia principal decorreu na Culturgest, mas Mbembe falou tamb\u00e9m, em tom mais intimista, na Cova da Moura. Uma atitude que define o Homem.<\/p>\n<p>O evento parece ter passado despercebido ao grande p\u00fablico mas, pelo seu conte\u00fado, as ideias que nos deixou merecem ser analisadas e amplamente debatidas.<\/p>\n<p>Ao analisar a sociedade atual Mbembe identifica grandes linhas de tend\u00eancia. Vou aqui destacar duas que est\u00e3o interligadas: a fronteiriza\u00e7\u00e3o e o Governo pelo abandono.<\/p>\n<p>A fronteiriza\u00e7\u00e3o (\"borderisition\") \u00e9 a propens\u00e3o para o estabelecimento de novas fronteiras que separem as pessoas, dividindo-as entre os desejados por um lado e os indesejados e sup\u00e9rfluos por outro. Desenha-se a tend\u00eancia para os Estados fortes decidirem quem pode estar onde e quando, coartando o direito b\u00e1sico do ser humano a mover livremente o seu corpo.<\/p>\n<p>A fronteiriza\u00e7\u00e3o reaviva o sonho do apartheid de confinar os indesej\u00e1veis, de lhes restringir os movimentos e de os punir severamente sempre que pretendam ultrapassar os limites que lhes s\u00e3o impostos.<\/p>\n<p>A fronteiriza\u00e7\u00e3o manifesta-se externamente aos Estados, com a constru\u00e7\u00e3o de muros, e outras formas de controlo, que impe\u00e7am os estrangeiros indesejados de entrar e permitam aos estrangeiros desejados circular livremente, e internamente restringindo a mobilidade interna de certos grupos raciais ou sociais, o seu confinamento a \u00e1reas restritas e o seu policiamento e puni\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica sempre que queiram libertar-se desses constrangimentos.<\/p>\n<p>Com as novas tecnologias, as grandes bases de dados pessoais, os sat\u00e9lites, os drones, o acesso \u00e0 geolocaliza\u00e7\u00e3o de todos atrav\u00e9s dos telem\u00f3veis e tablets, \u00e9 hoje poss\u00edvel classificar e identificar de forma mais r\u00e1pida e eficaz do que coser uma estrela amarela nas roupas dos grupos indesejados como faziam os alem\u00e3es.<\/p>\n<p>Uma vez classificados e identificados, os indiv\u00edduos podem ser confinados na sua mobilidade e no acesso que t\u00eam aos diferentes bens sociais e abandonados, sem perigo, \u00e0 sua sorte.<\/p>\n<p>A segunda grande tend\u00eancia atual \u00e9 a do Governo pelo abandono. O desmantelamento do Estado social com a ren\u00fancia do Estado e de parte da sociedade em sentir-se respons\u00e1vel pelo destino da maioria dos outros e as pol\u00edticas de emigra\u00e7\u00e3o restritivas, racistas e xen\u00f3fobas s\u00e3o exemplos desta forma de governo.<\/p>\n<p>Ambas as tend\u00eancias se interpenetram e alimentam mutuamente. Sem fronteiriza\u00e7\u00e3o interna e externa n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel um Governo pelo abandono e o estabelecimento de um Governo pelo abandono necessita para ser exequ\u00edvel de um tipo eficaz de fronteiriza\u00e7\u00e3o. Para que os desvalidos, indesej\u00e1veis e sup\u00e9rfluos n\u00e3o se manifestem e se resignem \u00e0 sua m\u00e1 sorte.<\/p>\n<p>O exemplo extremo que Mbembe deu destas tend\u00eancias foi a faixa de Gaza, onde vivem quase dois milh\u00f5es de pessoas, que pode revelar-se, se nada for feito para o contrariar, o futuro de grande parte da Humanidade.<\/p>\n<p>O palestinos de Gaza n\u00e3o podem sair desse territ\u00f3rio. Um muro alto cerca todas as fronteiras terrestres. N\u00e3o podem visitar os familiares que moram em Jerusal\u00e9m ou na Cisjord\u00e2nia e muito menos os que moram no estrangeiro sem pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o de Israel.<\/p>\n<p>N\u00e3o podem pescar nas \u00e1guas da costa de Gaza fortemente patrulhada pela marinha israelita. Tudo o que entra e sai de Gaza tem de ser autorizado por Israel, desde a ajuda humanit\u00e1ria da ONU a uma simples carta. Regularmente as For\u00e7as israelitas bombardeiam, matam, ferem palestinos inocentes e desarmados.<\/p>\n<p>A agricultura foi destru\u00edda com o arranque das oliveiras e os solos contaminados com bombas de f\u00f3sforo e de outros qu\u00edmicos. A \u00e1gua do solo est\u00e1 tamb\u00e9m em grande medida contaminada, mas \u00e9 a que os palestinos s\u00e3o obrigados a beber.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria n\u00e3o pode funcionar devido aos frequentes bombardeamentos que a destroem e aos constantes cortes de eletricidade.<\/p>\n<p>O bloqueio \u00e9 f\u00e9rreo, o abandono completo, o confinamento absoluto, a mobilidade dos palestinos nula, o policiamento sofisticado, com drones, vigil\u00e2ncia eletr\u00f3nica, sat\u00e9lites e agentes infiltrados, as puni\u00e7\u00f5es constantes com bombardeamentos, arranque de \u00e1rvores, envenenamento das \u00e1guas e dos solos, disparos indiscriminados sobre homens, mulheres e crian\u00e7as. Gaza \u00e9 o Inferno na Terra. Uma pris\u00e3o, um enorme campo de concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pode ser este o futuro que nos espera?<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"noticiaTitle\">\n<div class=\"noticiaTitle\">\n<div class=\"noticiaTitle\"><!--more--><\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div class=\"showLerMais\">\n<p><em>Economista<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Fonseca de Almeida, Jornal de Neg\u00f3cios Ao analisar a sociedade atual, Mbembe identifica grandes linhas de tend\u00eancia. 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