{"id":41847,"date":"2018-10-13T17:22:38","date_gmt":"2018-10-13T17:22:38","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=41847"},"modified":"2018-10-13T17:22:38","modified_gmt":"2018-10-13T17:22:38","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=41847","title":{"rendered":"O populismo em democracia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Tiago Marcos, Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/629396\/o-populismo-em-democracia?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Ji142.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a>O crescimento da vaga de populismo exacerbado que se tem vivido nos pa\u00edses ocidentais \u00e9 justificado pelas fragilidades do regime democr\u00e1tico<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>Esta semana, o Brasil esteve perto de eleger, como presidente do pa\u00eds, um pol\u00edtico cujo discurso \u00e9 abertamente baseado em ataques sociais e em retrocessos hist\u00f3ricos, sendo mais um pa\u00eds a cair nos aparentes e enganadores encantos daquele que \u00e9 o principal perigo \u00e0 democracia como a conhecemos, o populismo. Assim, \u00e9 essencial refletirmos sobre o que o populismo significa para a sociedade atual, em especial considerando o per\u00edodo pr\u00e9-eleitoral em que Portugal se encontra, pela aproxima\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es de 2019 para o Parlamento Europeu e para a Assembleia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Para tal, vale a pena recordar que os pa\u00edses ocidentais experienciam (por regra) aquele que \u00e9 comummente aceite como o mais justo regime pol\u00edtico conhecido, o regime democr\u00e1tico, fruto da evolu\u00e7\u00e3o social conquistada especialmente nos s\u00e9culos XIX e XX. Este regime baseia-se no simples princ\u00edpio (ainda n\u00e3o completamente implementado) de que todos os cidad\u00e3os de uma geografia t\u00eam igualdade de direitos, liberdades e garantias, independentemente do seu sexo, ra\u00e7a, ou contexto socioecon\u00f3mico. Ainda assim, s\u00e3o v\u00e1rias as fragilidades conhecidas do regime democr\u00e1tico, importando real\u00e7ar (pelo teor da presente cr\u00f3nica) a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica pouco \u00e9tica, em especial:<\/p>\n<p>- A incapacidade frequentemente demonstrada, pelos eleitos democraticamente, em gerir racionalmente dinheiros p\u00fablicos em prol do eleitoralismo e dos interesses privados, para al\u00e9m dos frequentes casos de corrup\u00e7\u00e3o (tal como foi o caso da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato no Brasil), o que tem reaberto o espa\u00e7o de aceita\u00e7\u00e3o social ao populismo; e,<\/p>\n<p>- A capacidade de distorcer a verdade, dos candidatos pol\u00edticos, com vista a ca\u00e7ar os votos dos cidad\u00e3os que estejam menos informados sobre quaisquer mat\u00e9rias em discuss\u00e3o, o que, apesar de se ter sempre verificado, toma uma nova dimens\u00e3o com as ideologias populistas, pela agressividade das ideias defendidas (tal como foi, por exemplo, o caso das ideias defendidas pelo partido nazi na Alemanha).<\/p>\n<p>Logo, parece-me que o crescimento da vaga de populismo exacerbado que se tem vivido nos pa\u00edses ocidentais \u00e9 largamente justificado pelas referidas fragilidades do regime democr\u00e1tico, quando pessoas e partidos pol\u00edticos tradicionalmente extremistas (seja de direita ou de esquerda) procuram tirar proveito dos medos, inseguran\u00e7as e preocupa\u00e7\u00f5es de cada cidad\u00e3o para aumentar o seu poder no espa\u00e7o pol\u00edtico representativo de cada pa\u00eds. Podem ser enumerados v\u00e1rios exemplos de ideias demag\u00f3gicas que t\u00eam estado em voga, tal como:<\/p>\n<p>- Ideias ultranacionalistas como a promo\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas anti-imigra\u00e7\u00e3o ou anti minorias sociais ou \u00e9tnicas (incluindo a constru\u00e7\u00e3o de muros entre pa\u00edses), culpabilizando as minorias sociais por todas as fatalidades que ocorrem numa sociedade. No entanto, naturalmente que estas ideias n\u00e3o t\u00eam em conta os plenos direitos humanos (fundamentais para um regime democr\u00e1tico) ou os benef\u00edcios econ\u00f3micos, sociais e culturais da diversidade \u00e9tnica, desde que todos cumpram as mesmas regras;<br \/>\n- Ideias protecionistas como a aplica\u00e7\u00e3o de taxas sobre produtos importados (quebrando acordos de com\u00e9rcio internacional), sendo estas ideias transmitidas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em conjunto com os malef\u00edcios da economia global. No entanto, estas ideias n\u00e3o consideram os benef\u00edcios da economia global (quanto todos cumprem as mesmas regras), como a universaliza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o e da oferta de bens e servi\u00e7os que, caso contr\u00e1rio, apenas estariam concentrados em algumas economias;<br \/>\n- Ideias burocr\u00e1ticas como a promo\u00e7\u00e3o da alegada necessidade de nacionalizar todas as atividades econ\u00f3micas, sendo estas ideias transmitidas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em conjunto com os malef\u00edcios das atuais regras econ\u00f3micas (erradamente apelidadas de capitalismo, j\u00e1 que existe muita interven\u00e7\u00e3o estatal). No entanto, estas ideias n\u00e3o consideram os benef\u00edcios das atuais regras, tal como a inova\u00e7\u00e3o inerente \u00e0 ideia de aumentar o patrim\u00f3nio pessoal dos investidores (que tem originado, p.e., novos medicamentos e tecnologia); ou,<br \/>\n- Ideias liberais da esquerda radical como a promo\u00e7\u00e3o da liberaliza\u00e7\u00e3o de todos os comportamentos que hoje ainda n\u00e3o s\u00e3o permitidos em sociedade, sendo defendidas apenas com a ideia de que limitam a a\u00e7\u00e3o individual. No entanto, estas ideias n\u00e3o consideram a ordem social que \u00e9 inerente \u00e0 exist\u00eancia de limites comportamentais, ou o simples facto de que cada individuo tem de prescindir de parte das suas liberdades individuais para poder fazer parte de uma sociedade (com os direitos e deveres que isso acarreta).<\/p>\n<p>Deste modo, considerando os riscos inerentes \u00e0 generaliza\u00e7\u00e3o de ideias extremistas, julgo ser essencial que cada um de n\u00f3s pense o que quer para o seu futuro e o dos seus filhos: uma sociedade preconceituosa e focada em esconder as reais solu\u00e7\u00f5es para os problemas existentes num estado democr\u00e1tico (o que pode mesmo resultar no fim do estado democr\u00e1tico); ou, uma sociedade democr\u00e1tica que seja o resultado (ainda imperfeito) da cont\u00ednua evolu\u00e7\u00e3o social que se conquistou ao longo dos s\u00e9culos, baseada em ideias de igualdade de direitos, liberdades e garantias para todos?<\/p>\n<p>Para terminar, julgo ser relevante relembrar que as principais crises sociais e humanit\u00e1rias que se viveram na Europa do s\u00e9culo XX, foram fruto de ideias extremistas que foram socialmente defendidas pelos partidos nazi (na Alemanha) e comunista (na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica) e que resultaram no afastamento destas ideias at\u00e9 muito recentemente... Vale a pena voltar a cometer os erros do passado?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tiago Marcos, Jornal i O crescimento da vaga de populismo exacerbado que se tem vivido nos pa\u00edses ocidentais \u00e9 justificado pelas fragilidades do regime democr\u00e1tico<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-41847","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/41847","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=41847"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/41847\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41848,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/41847\/revisions\/41848"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=41847"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=41847"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=41847"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}