{"id":41733,"date":"2018-09-14T23:03:04","date_gmt":"2018-09-14T23:03:04","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=41733"},"modified":"2018-09-14T23:03:04","modified_gmt":"2018-09-14T23:03:04","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=41733","title":{"rendered":"Negacionismo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jorge Fonseca de Almeida, Jornal de Neg\u00f3cios<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/www.jornaldenegocios.pt\/opiniao\/colunistas\/jorge-fonseca-de-almeida\/detalhe\/negacionismo?ref=Opini%C3%A3o_grupo1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"noticiaTitle\">\n<div class=\"noticiaTitle\">\n<div class=\"noticiaTitle\">\n<div class=\"noticiaTitle\"><span class=\"noticiaLead\">Para solucionar qualquer problema, por m\u00ednimo que seja, \u00e9 necess\u00e1rio come\u00e7ar por reconhecer que ele existe. S\u00f3 depois dessa tomada de consci\u00eancia se pode avan\u00e7ar para a identifica\u00e7\u00e3o de causas e para a reflex\u00e3o sobre poss\u00edveis rem\u00e9dios ou solu\u00e7\u00f5es.<\/span><\/div>\n<p><!--more--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<p>Em Portugal, contudo, a tend\u00eancia das elites dominantes consiste em negar os problemas e, consequentemente, n\u00e3o os resolver. \u00c9 a t\u00e9cnica da avestruz que provoca, tantas vezes, a cat\u00e1strofe.<\/p>\n<p>Outros pa\u00edses enfrentam de frente os seus problemas, discutem-nos abertamente, identificam potenciais solu\u00e7\u00f5es, testam-nas e avan\u00e7am.<\/p>\n<p>Vejamos alguns casos de problemas concretos da sociedade portuguesa contempor\u00e2nea que s\u00e3o sistematicamente negados como forma de impedir a sua discuss\u00e3o p\u00fablica e a tomada de medidas que os eliminem ou minorem.<\/p>\n<p><strong>1.<\/strong>\u00a0A pobreza. Segundo a vers\u00e3o dominante n\u00e3o existem pobres em Portugal, mas apenas pessoas em \"risco de pobreza\" no sentido que n\u00e3o sendo pobres poder\u00e3o vir a s\u00ea-lo no futuro. No entanto, um quinto (20%) da popula\u00e7\u00e3o portuguesa vive abaixo da linha pobreza e outros tantos pouco acima. Ou seja, na verdade, quase metade da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 pobre e vive com v\u00e1rios tipos de car\u00eancias materiais.<\/p>\n<p><strong>2.<\/strong>\u00a0O racismo. A tese oficial, repetida ad nauseam, pretende fazer-nos acreditar que este fen\u00f3meno t\u00e3o caracter\u00edstico das sociedades ocidentais n\u00e3o vingou por c\u00e1. Trata-se da c\u00e9lebre exce\u00e7\u00e3o portuguesa inventada pelos ide\u00f3logos do luso-tropicalismo. Mas ao falarmos francamente com qualquer negro ou cigano todos, quase sem vozes discordantes, se queixam do racismo institucional para al\u00e9m do racismo individual que todos experimentaram na pele. Quem estar\u00e1 certo? Os que o praticam e o negam ou os que o sofrem e o reconhecem? A resposta \u00e9 por demais \u00f3bvia.<br \/>\n<strong><br \/>\n3.\u00a0<\/strong>A exist\u00eancia de classes sociais. Em Portugal vivemos no para\u00edso terrestre, o \u00fanico pa\u00eds do mundo n\u00e3o dividido em classes sociais. Aqui os oper\u00e1rios desapareceram, os capitalistas volatizaram-se, os camponeses eclipsaram-se, os intelectuais desistiram de pensar e apenas subsistem uma am\u00e1lgama de pessoas que designamos por cidad\u00e3os, contribuintes ou simplesmente portugueses. Os sindicatos s\u00e3o tratados como uma inconveniente rel\u00edquia do passado em que as classes ainda afloravam no nosso pa\u00eds. Mas as greves continuam, as manifesta\u00e7\u00f5es enchem as ruas e os conflitos irrompem perante o sil\u00eancio dos media um pouco por todo o lado.<\/p>\n<p><strong>4.\u00a0<\/strong>Ignor\u00e2ncia e incompet\u00eancia. Desapareceu. Hoje todos se apresentam como altamente qualificados, todos profissionais de excel\u00eancia, todos \"d\u00e3o cartas\" no seu campo de atividade, todos \"ombreiam com os melhores\". E, no entanto, Portugal ostenta os mais baixos n\u00edveis educacionais da OCDE e os alunos portugueses quedam-se abaixo da mediania nos testes internacionais.<\/p>\n<div class=\"showLerMais\">\n<p><strong>5.<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Atraso tecnol\u00f3gico. Esfumou-se. Leia-se a imprensa, oi\u00e7a-se as r\u00e1dios, veja-se as televis\u00f5es e confirme que hoje todas as empresas imbu\u00eddas do melhor esp\u00edrito empreendedor adotam as mais altas tecnologias, inventando produtos de qualidade que exportam para todo o mundo. E, no entanto, nem a comida que comemos conseguimos produzir em Portugal. E s\u00f3 temos uma balan\u00e7a positiva por causa do turismo, isto \u00e9, no essencial, um neg\u00f3cio de estrangeiros que trazidos por ag\u00eancias de turismo estrangeiras, transportados em avi\u00f5es estrangeiros, hospedados em hot\u00e9is estrangeiros, vem consumir produtos estrangeiros no nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>6.<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>A viol\u00eancia policial. S\u00f3 nos EUA, ou na Coreia do Norte. Aqui n\u00e3o. Em Portugal, a Pol\u00edcia s\u00f3 atua em leg\u00edtima defesa. E, no entanto, nos bairros perif\u00e9ricos, nos guetos urbanos a popula\u00e7\u00e3o mostra os sinais abertos, as feridas dessa atua\u00e7\u00e3o sem controlo. Sucessivos relat\u00f3rios internacionais o atestam mas ningu\u00e9m tem coragem de olhar o \u00f3bvio. Cito um caso relatado pelo Sapo Noticias em 2011 \"Estavam a bater num surdo-mudo porque diziam que ele lhes tinha chamado nomes\"!!<\/p>\n<p>O negacionismo portugu\u00eas vai ao ponto de negar o passado. Dois exemplos:<\/p>\n<p><strong>1.<\/strong>\u00a0O fascismo n\u00e3o existiu em Portugal. S\u00f3 em It\u00e1lia. No nosso pa\u00eds apenas um regime paternalista que procurava o melhor para todos. E que fazer aos tantos que foram perseguidos, presos, mortos? E que dizer de institui\u00e7\u00f5es como a Uni\u00e3o Nacional, a Mocidade Portuguesa, a Legi\u00e3o, a PIDE\/DGS, os campos de concentra\u00e7\u00e3o t\u00e3o caracter\u00edsticos de um certo tipo de regimes?<br \/>\n<strong>2.<\/strong>\u00a0A escravatura foi exemplar. Os escravos eram como que fam\u00edlia dos negreiros! E, no entanto, eram for\u00e7ados a trabalhar sem direitos, vendidos como coisas, mortos sem justi\u00e7a. E que dizer da vida m\u00e9dia de\u00a0sete anos de uma pessoa depois de escravizada? E que dizer das viola\u00e7\u00f5es, das torturas, das chicotadas? Tanta dor, tanta tristeza. Era esse o tratamento exemplar que gost\u00e1vamos de receber da nossa fam\u00edlia?<\/div>\n<div><\/div>\n<div class=\"showLerMais\">\n<p>Eis como em campos-chave da vida nacional\u00a0<strong>o negacionismo fomenta a ignor\u00e2ncia, gera incompet\u00eancia, impede a discuss\u00e3o, corta a possibilidade de an\u00e1lise objetiva dos problemas e a identifica\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es contribuindo para a injusti\u00e7a, o atraso e a depend\u00eancia<\/strong>. Foi assim no passado \u00e9 assim no presente. \u00c9 preciso mudar.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Fonseca de Almeida, Jornal de Neg\u00f3cios Para solucionar qualquer problema, por m\u00ednimo que seja, \u00e9 necess\u00e1rio come\u00e7ar por reconhecer que ele existe. 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