{"id":41560,"date":"2018-08-04T15:09:17","date_gmt":"2018-08-04T15:09:17","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=41560"},"modified":"2018-08-04T15:09:17","modified_gmt":"2018-08-04T15:09:17","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=41560","title":{"rendered":"Um supermercado no Reino Unido e as vantagens da Uni\u00e3o Europeia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jorge Fonseca de Almeida, Jornal de Neg\u00f3cios<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/www.jornaldenegocios.pt\/opiniao\/colunistas\/jorge-fonseca-de-almeida\/detalhe\/um-supermercado-no-reino-unido-e-as-vantagens-da-uniao-europeia?ref=Opini%C3%A3o_grupo1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Podia agora comprovar os resultados dessa extraordin\u00e1ria vis\u00e3o estrat\u00e9gica de Soares e companhia. Sorri, enchi o peito de orgulho e preparei-me para comprar portugu\u00eas em terras de Sua Majestade.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<article>\n<article>\n<section id=\"content\">\n<article><\/article>\n<div id=\"meioartigos\">\n<div id=\"sas_41137\" data-sas-siteid=\"101054\" data-sas-pageid=\"652403\" data-sas-formatid=\"41137\" data-pub=\"processed\">\n<p>Recentemente visitei a pequena, bonita, tur\u00edstica e estudantil cidade de Bath no Reino Unido conhecida pelos banhos romanos, pelas repetidas estadias da grande escritora oitocentista Jane Austen e pela excelente qualidade da sua universidade.<\/p>\n<p>A\u00ed tive ocasi\u00e3o de entrar num supermercado, o Waitrose, para comprar fruta. Ao olhar para as prateleiras com grande variedade de peras, ma\u00e7\u00e3s, p\u00eassegos, kiwis, laranjas, toranjas, bananas, an\u00e1nases, tive um absurdo flashback e vi-me perante a televis\u00e3o portuguesa de meados dos anos oitenta no momento em que v\u00e1rios pol\u00edticos debitavam as m\u00faltiplas vantagens para a agricultura lusa que se abriam com a ades\u00e3o \u00e0 ent\u00e3o CEE, e hoje Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<div class=\"showLerMais\">\n<p>Entre os produtos que mais iriam beneficiar, pela sua qualidade \u00edmpar, atestada pelos mais proeminentes agr\u00f3nomos nacionais e, mesmo, internacionais, argumentavam estes pol\u00edticos, encontravam-se a fruta e o vinho.\u00a0\u00a0Grandes perspectivas que ent\u00e3o nos vendiam essas individualidades. Ir\u00edamos, competindo de igual para igual, inundar a Europa com a qualidade da nossa pinga e dos nossos frutos.<\/p>\n<p>Podia agora comprovar os resultados dessa extraordin\u00e1ria vis\u00e3o estrat\u00e9gica de Soares e companhia. Sorri, enchi o peito de orgulho e preparei-me para comprar portugu\u00eas em terras de Sua Majestade. Se bem que tivesse reparado que a nossa fruta andava algo arredia dos supermercados portugueses, a expectativa era que tal se devesse \u00e0s lucrativas exporta\u00e7\u00f5es que a n\u00e3o deixavam chegar ao mercado nacional.<\/p>\n<p>Nas prateleiras das ma\u00e7\u00e3s encontrei as Red Delicious dos Estados Unidos, as Kanzi da Nova Zel\u00e2ndia, as Opala da \u00c1frica do Sul, as Ambrosia e as Royal do Chile. Os pre\u00e7os na ordem das 4 libras (cerca de cinco euros) por quatro ma\u00e7\u00e3s. Nem uma portuguesa.<\/p>\n<p>Deasapontado, rumei \u00e0s peras. Encontrei muita variedade, incluindo as Mini da Holanda, as Pequenas da Argentina e mesmo as simples peras da \u00c1frica do Sul. Os pre\u00e7os variavam entre 1,8 libras por meia d\u00fazia e 3 libras por quatro peras de maior tamanho. Tamb\u00e9m aqui a nossa presen\u00e7a n\u00e3o se encontrava.<\/p>\n<p>Ao passear nas linhas do supermercado fui-me dando conta de que a comida era basicamente importada. Vi alhos espanh\u00f3is, batatas americanas e israelitas, e at\u00e9 gengibre da China, mas nada de nada de Portugal.<\/p>\n<p>Senti-me pesaroso. Seria poss\u00edvel que a nossa apregoada qualidade se afundasse e n\u00e3o conseguisse competir com produtos de pa\u00edses de fora da Uni\u00e3o Europeia? Para que entr\u00e1mos afinal? N\u00e3o era suposto que fosse para ter vantagem sobre os de fora? N\u00e3o era para aceder a esses mercados que ansiavam pelas nossas del\u00edcias alimentares e que viam as barreiras alfandeg\u00e1rias barrar-lhes a entrada? Mas a\u00ed estavam os produtos vindos das quatro partidas do mundo que nos eclipsavam sem piedade nem respeito pela nossa conquistada vantagem de \"estar dentro\".<\/p>\n<p>Desanimado, dirigi-me \u00e0 sec\u00e7\u00e3o dos vinhos. A\u00ed, sim, dev\u00edamos estar bem representados imaginei ingenuamente. Pois bem. Sec\u00e7\u00f5es inteiras com vinhos europeus: franceses, italianos, espanh\u00f3is, anunciavam os letreiros. Depois vinhos das Am\u00e9ricas: chilenos, argentinos, americanos e outros. Do resto do mundo, a Austr\u00e1lia e a \u00c1frica do Sul estavam profusamente representados. Nenhum letreiro indicava a exist\u00eancia de vinhos portugueses.<\/p>\n<p>N\u00e3o me deixando abater percorri as v\u00e1rias prateleiras, uma a uma em busca de um r\u00f3tulo portugu\u00eas. Na zona dos vinhos espanh\u00f3is l\u00e1 encontrei uma solit\u00e1ria garrafa de vinho verde da Quinta de Azevedo, um produto Sogrape uma empresa da fam\u00edlia Van Zeller.<\/p>\n<p>Mesmo pa\u00edses que pensamos em Portugal terem menos \"tradi\u00e7\u00e3o\" vin\u00edcola como a Alemanha, a H\u00fangria e outros tinham mais vinhos em exposi\u00e7\u00e3o neste supermercado de uma pequena cidade inglesa.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"showLerMais\">\n<p>A entrada neste supermercado foi muito ilucidativa sobre as reais vantagens da ades\u00e3o de Portugal \u00e0 CEE e das imagin\u00e1rias desvantagens dos pa\u00edses que est\u00e3o fora.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/article>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Fonseca de Almeida, Jornal de Neg\u00f3cios Podia agora comprovar os resultados dessa extraordin\u00e1ria vis\u00e3o estrat\u00e9gica de Soares e companhia. 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