{"id":35753,"date":"2018-05-25T02:06:15","date_gmt":"2018-05-25T02:06:15","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=35753"},"modified":"2018-05-25T02:06:15","modified_gmt":"2018-05-25T02:06:15","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=35753","title":{"rendered":"Tudo bons amigos!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>M\u00e1rio Tavares da Silva, Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/613463\/tudo-bons-amigos-?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Ji122.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a>O arquiteto da c\u00e2mara municipal, gente pr\u00f3xima da fam\u00edlia e seu antigo colega da tropa, dissera-lhe, com todas as letras, que \u201c\u2026ali nem pensar construir\u2026\u201d pois a \u201c...maldita da linha de \u00e1gua estava ali e n\u00e3o havia como mud\u00e1-la\u2026\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<article>\n<article>Dizia-se na vila que nada podia falhar, pois aquele neg\u00f3cio bem podia ser o neg\u00f3cio de uma vida! Pelo menos, ele assim o vaticinara. Filho \u00fanico, herdara, subitamente, dos pais, um terreno de \u00e1reas generosas, situado bem juntinho ao rio, com \u00e1rvores frondosas e sombras encharcadas de frescura, daqueles cantinhos id\u00edlicos que a todos fazem sonhar. No entanto, quis o destino que nada ali pudesse ser feito. O arquiteto da c\u00e2mara municipal, gente pr\u00f3xima da fam\u00edlia e seu antigo colega da tropa, dissera-lhe, com todas as letras, que \u201c\u2026ali nem pensar construir\u2026\u201d pois a \u201c...maldita da linha de \u00e1gua estava ali e n\u00e3o havia como mud\u00e1-la\u2026\u201d. Perante tal infort\u00fanio, ficara desesperado, pois logo agora que tinha umas massas para ali investir, quem sabe, num desses rent\u00e1veis neg\u00f3cios da moda, ligados ao ecoturismo ou ao turismo rural, eufemisticamente chamado de turismo sustent\u00e1vel, daqueles em que d\u00f3ceis cavalinhos se abeiram do rio enquanto as crian\u00e7as fazem festas nas suas longas crinas e os pais desfrutam das maravilhosas vistas que os amplos e confort\u00e1veis bungalows oferecem. Mas como avan\u00e7ar, se aquela maldita linha de \u00e1gua teimava em impedi-lo de concretizar t\u00e3o benfazejo projeto para a regi\u00e3o? Ciente de que o seu sonho disso n\u00e3o poderia passar, ainda assim n\u00e3o se resignou. Tal n\u00e3o estava, definitivamente, no seu ADN. Tinha que fazer acontecer, desse por onde desse. Ligou, ent\u00e3o, para um seu amigo Vereador, por sinal com o pelouro do planeamento urban\u00edstico e seu antigo cliente no banco, a quem outrora dera uma \u201cm\u00e3ozinha\u201d num processo de financiamento para a compra de um apartamento de f\u00e9rias que, ao que se dizia, era utilizado para prazenteiros e prolongados almo\u00e7os com altas individualidades da terra, entre elas o Provedor da miseric\u00f3rdia local, figura respeitada e influente no meio, ligado que estava \u00e0s gentes de poder da capital. Queria, ao fim e ao resto, expor-lhe o seu projeto, justificar as raz\u00f5es pelas quais o antecipava como de especial import\u00e2ncia para o desenvolvimento da economia local e, a final, ouvir o que ele tinha para lhe dizer. As expetativas, por conseguinte, estavam altas. Afinal, tinha sido ele que no auge da crise imobili\u00e1ria, lhe desbloqueara o financiamento banc\u00e1rio para a compra da sua casa de f\u00e9rias.\u00a0 Estava,pois, na altura de retribuir, pensava ele, mas sem ousar verbaliz\u00e1-lo. O Vereador, percebendo o que pretendia e aquilo de que podia vir a beneficiar, ofereceu-se, dada \u201c\u2026a amizade de muitos anos\u2026\u201d, para \u201cmediar\u201d todo o processo. Ele que esquecesse arquitetos amigos e figuras afins, pois seria ele a acompanhar o mesmo, pessoalmente e at\u00e9 decis\u00e3o final. Fazia quest\u00e3o que assim fosse, dado que o projeto lhe parecia genuinamente muito interessante. Apenas teria que lhe adiantar algum dinheiro, coisa pouca para come\u00e7ar, pois, explicou-lhe, \u201c\u2026a estrutura de licenciamento \u00e9 pesada, os pareceres s\u00e3o muitos e de muitos lados e os senhores arquitetos nem sempre percebem o que \u00e9 importante para a economia local\u2026\u201d. No entanto rematara, tranquilizando-o e dizendo-lhe que ficasse \u201c\u2026descansado pois, \u00e0s vezes, a linha de \u00e1gua at\u00e9 pode encolher, bastando apenas que as pessoas certas assim o queiram\u2026\u201d. Prometeu-lhe que falaria com o Presidente e que tudo ficaria devidamente acautelado. Os riscos estavam todos controlados. O dinheiro foi ent\u00e3o transferido para uma das contas da mulher do Vereador, empres\u00e1ria de sucesso da regi\u00e3o na \u00e1rea dos lactic\u00ednios, por pagamento de servi\u00e7os que ela jamais prestara tendo, a final, o empreendimento de sonho sido concretizado a poucos metros da linha de \u00e1gua que, em boa verdade se diga, como que por magia encolhera. Decididamente, tudo n\u00e3o passara de uma falsa quest\u00e3o, pois a verdade \u00e9 que a coisa certa com as pessoas certas, finalmente fizera avan\u00e7ar os seus intentos. O turismo rural fez-se, a bem da economia local. O Vereador, o Presidente e mais alguns intervenientes no importante processo, receberam um \u201csimp\u00e1tico retorno financeiro\u201d pelo seu esfor\u00e7o e abnega\u00e7\u00e3o em prol do desenvolvimento da regi\u00e3o e o amigo arquiteto, o tal que inicialmente dissera nada poder ser feito, acabara a fazer o t\u00e3o almejado projeto no seu atelier privado, mesmo em frente aos Pa\u00e7os do Concelho.<\/p>\n<p>Na inaugura\u00e7\u00e3o, devidamente publicitada no jornal do munic\u00edpio, marcaram presen\u00e7a destacadas figuras do concelho e altas individualidades da capital. Foi, sem d\u00favida, um dia de festa.<\/p>\n<p>Ao fim e ao resto, e como sorridentemente o Vereador fez quest\u00e3o de dizer ao Provedor \u201c\u2026a linha de \u00e1gua, vista de cima, era apenas e t\u00e3o s\u00f3 uma quest\u00e3o de perspetiva\u2026\u201d!<\/p>\n<p>Que assim seja, pois nestas coisas de linhas de \u00e1gua, manda quem pode e obedece quem deve ou, como s\u00f3i dizer-se, \u00e9 tudo bons amigos!<\/p>\n<\/article>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rio Tavares da Silva, Jornal i O arquiteto da c\u00e2mara municipal, gente pr\u00f3xima da fam\u00edlia e seu antigo colega da tropa, dissera-lhe, com todas as letras, que \u201c\u2026ali nem pensar construir\u2026\u201d pois a \u201c&#8230;maldita da linha de \u00e1gua estava ali e n\u00e3o havia como mud\u00e1-la\u2026\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-35753","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/35753","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=35753"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/35753\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35754,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/35753\/revisions\/35754"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=35753"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=35753"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=35753"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}