{"id":35471,"date":"2018-04-13T05:40:17","date_gmt":"2018-04-13T05:40:17","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=35471"},"modified":"2018-04-13T05:40:17","modified_gmt":"2018-04-13T05:40:17","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=35471","title":{"rendered":"O tempo da criatividade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira<\/strong><\/span>, Vis\u00e3o online<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/opiniao\/silnciodafraude\/2018-04-12-O-tempo-da-criatividade\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/VisaoE482.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p><em>O que aconteceu \u00e9 t\u00edpico da criatividade contabil\u00edstica: surge quando menos se espera, nunca deixa de surpreender, apresenta solu\u00e7\u00f5es \u201cengra\u00e7adas\u201d \u2026 e, em geral, vem \u00e0 mistura com explica\u00e7\u00f5es do mesmo teor, propostas por respons\u00e1veis de ar s\u00e9rio..<\/em><\/p>\n<p>...<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Vivemos tempos em que cada um sofre, de forma mais ou menos intensa, press\u00e3o para ser \u201ccriativo\u201d, para pensar e atuar \u201cout of the box\u201d, como agora se diz.<\/p>\n<p>Genericamente, o uso da criatividade, o ser-se capaz de fazer algo de forma diferente e mais eficiente, parece ser socialmente positivo. No entanto, quando se desce ao particular, ser\u00e1 o uso da criatividade, sempre, um contributo positivo para a sociedade? Talvez n\u00e3o. Mas, assim sendo, n\u00e3o se deveria adjetivar o termo, para se sinalizar o que se est\u00e1 a tratar? Por exemplo, \u201ccriatividade desej\u00e1vel\u201d e \u201ccriatividade indesej\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 um pequeno inconveniente, claro, o de n\u00e3o ser f\u00e1cil definir objetivamente, para o geral, onde posicionar a linha de separa\u00e7\u00e3o entre estas classes. Por\u00e9m, quando se desce ao n\u00edvel do concreto, a classifica\u00e7\u00e3o dos casos pode n\u00e3o ser t\u00e3o dif\u00edcil como parece. Constate o leitor, por si pr\u00f3prio.<\/p>\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li>O Novo Banco apresentou h\u00e1 dias os seus resultados referentes a 2017. Um preju\u00edzo de 1.400 milh\u00f5es de euros, para o que contribuiu o registo de um montante de imparidades de mais de dois mil milh\u00f5es.<br \/>\nImparidade?! Embora se julgue que o termo, pelo seu uso recorrente nos \u00faltimos tempos, j\u00e1 foi incorporado na linguagem do dia-a-dia, usa-se de precau\u00e7\u00e3o para com o leitor que tenha andado um pouco mais distra\u00eddo: trata-se de previs\u00e3o de perdas futuras em bens e direitos da empresa, que as regras contabil\u00edsticas imp\u00f5em sejam refletidas de imediato, como uma perda, no resultado do per\u00edodo. Sim, leitor, \u00e9 verdade que se trata de uma previs\u00e3o feita pela empresa, que vai afetar o resultado desta de modo diferente consoante seja mais agressiva (a empresa regista mais imparidades do que as necess\u00e1rias) ou mais conservadora (o oposto, registando menos do que as necess\u00e1rias).<br \/>\nClaro, tem raz\u00e3o. Existem os auditores que controlam as contas da empresa. Mas, ser\u00e1 que eles se atrevem a questionar a decis\u00e3o da empresa se as imparidades forem registadas de forma agressiva?! N\u00e3o, n\u00e3o acredite no Presidente do Novo Banco quando ele refere que \u201c\u2026 N\u00e3o houve \u2018sobreimpariza\u00e7\u00e3o\u2019 \u2026 [pois] o reconhecimento destas perdas foi validado por auditores e \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o.\u201d Sim, pode dizer que s\u00e3o tretas. Pode at\u00e9 ser coincid\u00eancia, mas veja o leitor se este registo de imparidades n\u00e3o vem no momento certo: o banco mudou de dono, aproveita-se para \u201climpar a casa\u201d, utilizando o que a literatura costuma designar como uma estrat\u00e9gia \u201cbig bath\u201d; fica tudo muito mais airoso para no futuro mostrar bons resultados e, al\u00e9m disso, e qui\u00e7\u00e1 sobretudo por isso, o sistema financeiro portugu\u00eas \u2013 a sociedade como um todo, claro \u2013 tem de colocar muitas centenas de milh\u00f5es de euros no Novo Banco, para cobrir parte dessa perda de valor, por via de cl\u00e1usulas constantes do contrato de venda. N\u00e3o abane a cabe\u00e7a com esse ar incr\u00e9dulo, \u00e9 verdade!<br \/>\nComo \u00e9 poss\u00edvel que a avalia\u00e7\u00e3o do banco, que serviu de base \u00e0 transa\u00e7\u00e3o do mesmo ocorrida h\u00e1 pouco mais de meio ano, estivesse t\u00e3o errada que um \u201cburaco\u201d deste tamanho n\u00e3o tivesse sido percecionado pelos novos donos?! N\u00e3o sei, caro leitor. O que aconteceu \u00e9 t\u00edpico da criatividade contabil\u00edstica: surge quando menos se espera, nunca deixa de surpreender, apresenta solu\u00e7\u00f5es \u201cengra\u00e7adas\u201d \u2026 e, em geral, vem \u00e0 mistura com explica\u00e7\u00f5es do mesmo teor, propostas por respons\u00e1veis de ar s\u00e9rio.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"2\">\n<li>As contas individuais anuais de 2017 da Montepio Geral Associa\u00e7\u00e3o Mutualista (MGAM) haviam sido apresentadas alguns dias antes das acima referidas. Ao leitor n\u00e3o deve ter passado despercebido o destaque que os \u201cmedia\u201d lhes dedicaram durante breves dias, por efeito da magia contabil\u00edstica que permitiu, com um registo contabil\u00edstico, divulgar quase 600 milh\u00f5es de lucro, em vez dos 220 milh\u00f5es de preju\u00edzo que seriam reportados se tal registo n\u00e3o existisse. Pela cara do leitor, este caso o assunto parece ter-lhe passado ao lado. Agora n\u00e3o foram as imparidades a principal ferramenta usada. Foram os \u201cimpostos diferidos\u201d, um instrumento contabil\u00edstico pensado para refletir no balan\u00e7o das organiza\u00e7\u00f5es o impacte futuro de responsabilidades ou direitos relativos a impostos sobre o rendimento (vulgo IRC). Tratando-se de \u201cresponsabilidades\u201d, i.e. de pagamentos em futuros per\u00edodos relacionados com transa\u00e7\u00f5es presentes, o registo do imposto diferido \u00e9 dito \u201cpassivo\u201d (IDP) e vai reduzir o resultado do per\u00edodo (tem o mesmo efeito da constitui\u00e7\u00e3o de imparidades), ou o capital pr\u00f3prio da organiza\u00e7\u00e3o. Em ambos os casos, pesa negativamente nas \u201ccontas\u201d. Tratando-se de direitos, imposto diferido \u201cativo\u201d (IDA), o impacte \u00e9 o oposto do referido, e pelo efeito desse registo a organiza\u00e7\u00e3o sofre um s\u00fabito \u201clifting\u201d de imagem, ficando de um momento para o outro com um ar (mais) saud\u00e1vel. Sim, leitor, a imagem melhora, mas nada muda na ess\u00eancia econ\u00f3mica da organiza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o pense, no entanto, que n\u00e3o h\u00e1 \u201climites\u201d \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o dos IDA, no sentido de evitar que se torne mera \u201cferramenta de natureza est\u00e9tica\u201d. H\u00e1. Por exemplo, no caso de preju\u00edzos fiscais passados, que geram IDA, para a organiza\u00e7\u00e3o os poder abater no c\u00e1lculo da mat\u00e9ria colet\u00e1vel de futuros per\u00edodos \u00e9 necess\u00e1rio provar que aquela vai ter lucros em tais per\u00edodos. Sorri?! \u00c9 verdade, a previs\u00e3o do futuro \u00e9 mais mold\u00e1vel aos interesses de quem a faz, do que a plasticina em m\u00e3os de crian\u00e7a. Mesmo numa organiza\u00e7\u00e3o que tem um hist\u00f3rico impressionante de preju\u00edzos anuais \u00e9 poss\u00edvel mostrar que o futuro vai ser risonho e cheio de lucros. Calma, leitor. \u00c9 a aplica\u00e7\u00e3o das regras contabil\u00edsticas. At\u00e9 aqui nada de criatividade, a n\u00e3o ser, eventualmente, na previs\u00e3o de um futuro risonho. Mas h\u00e1 um truque de magia nesta hist\u00f3ria, ao n\u00edvel do melhor de um Lu\u00eds de Matos. O leitor consegue perceb\u00ea-lo? Uma pista: como pode uma organiza\u00e7\u00e3o que, pela sua atividade, estaria isenta de IRC, registar impostos diferidos? Pois claro, isso mesmo, pedindo para que tal isen\u00e7\u00e3o deixe de lhe ser concedida, o que a Autoridade Tribut\u00e1ria aceitou. Tem raz\u00e3o, leitor, a sua cara triste faz sentido: como a contabilidade, e os truques que com ela se fazem, n\u00e3o criam valor, o \u201cburaco\u201d da MGAM continua a existir, apenas est\u00e1 disfar\u00e7ado, momentaneamente n\u00e3o se v\u00ea. N\u00e3o \u00e9 isto magia?<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>Pronto, leitor, agora \u00e9 a sua vez de adjetivar estes casos \u2026<\/p>\n<p>V\u00ea, at\u00e9 nem foi dif\u00edcil, pois n\u00e3o?<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Vis\u00e3o online O que aconteceu \u00e9 t\u00edpico da criatividade contabil\u00edstica: surge quando menos se espera, nunca deixa de surpreender, apresenta solu\u00e7\u00f5es \u201cengra\u00e7adas\u201d \u2026 e, em geral, vem \u00e0 mistura com explica\u00e7\u00f5es do mesmo teor, propostas por respons\u00e1veis de ar s\u00e9rio.. &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"footnotes":"","_members_access_role":[],"_members_access_error":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-35471","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/35471","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=35471"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/35471\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35497,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/35471\/revisions\/35497"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=35471"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=35471"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=35471"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}