{"id":35461,"date":"2018-04-05T22:43:36","date_gmt":"2018-04-05T22:43:36","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=35461"},"modified":"2018-04-05T22:43:36","modified_gmt":"2018-04-05T22:43:36","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=35461","title":{"rendered":"Bili\u00f5es do nosso descontentamento"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Carlos Pimenta, Jornal i online<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/606976\/bilioes-do-nosso-descontentamento?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Ji115.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a>Se viajar de Lisboa a Moscovo, o conta-quil\u00f3metros indicar\u00e1 4.563 Km. N\u00e3o chega para imaginar a riqueza nos offshores, expresso em notas de cem d\u00f3lares. Para tal precisa de apanhar em Lisboa um avi\u00e3o para Nova Iorque.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<article>1. Em 16\/02\/13 a capa de The Economist referia-se ao estudo de James Henry, ex-director de investiga\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas da McKinsey&amp; Co., que, conjugando an\u00e1lises estat\u00edsticas e entrevistas (com banqueiros, advogados e criminosos) concluiu que a riqueza \u00abperdida\u00bb em 2010 nos territ\u00f3rios offshore era entre US$ 21 e US$ 32 \u00abtrili\u00f5es\u00bb.<\/p>\n<p>Porque as tentativas de uniformiza\u00e7\u00e3o intercultural da designa\u00e7\u00e3o dos grandes n\u00fameros nunca foram aplicadas, um trili\u00e3o anglo-sax\u00f3nico (milhar de bili\u00e3o, que por sua vez \u00e9 um milhar de milh\u00e3o) \u00e9, na terminologia portuguesa, bili\u00e3o (um milh\u00e3o de milh\u00e3o). Se considerarmos o valor interm\u00e9dio podemos ser categ\u00f3ricos: a riqueza acumulada nos offshores \u00e9 de 26,5 bili\u00f5es de d\u00f3lares dos EUA. Para n\u00e3o haver confus\u00e3o estamos a falar de 26.500.000.000.000 (=26,5x1012).<\/p>\n<p>Estamos um pouco mais esclarecidos, mas o soci\u00f3logo Giddens tem raz\u00e3o quando diz que para a maioria das pessoas um milh\u00e3o j\u00e1 nada significa tendo em conta a sua viv\u00eancia e, por isso estabelece uma imagem de refer\u00eancia, rigorosamente medida: \u201cmedido em montes de notas de 100 d\u00f3lares, atinge a altura de vinte cent\u00edmetros\u201d. Ent\u00e3o 1 bili\u00e3o corresponde a 20.000.000 cent\u00edmetros, isto \u00e9, a 200.000 metros, ou a 200 quil\u00f3metros. Enfim o montante de riqueza nos offshores \u00e9 de 5.300 km. Se for de Lisboa a Moscovo de carro, o conta-quil\u00f3metros indicar\u00e1 4.563 km. N\u00e3o chega para imaginar a riqueza nos offshores, expresso em notas de cem d\u00f3lares. Para tal precisa de apanhar em Lisboa um avi\u00e3o para Nova Iorque.<\/p>\n<p>2. H\u00e1 uma pan\u00f3plia de raz\u00f5es para esses valores estarem registados nesses para\u00edsos fiscais e burocr\u00e1ticos, nessas jurisdi\u00e7\u00f5es de sigilo: do neg\u00f3cio leg\u00edtimo \u00e0 fraude fiscal; da especula\u00e7\u00e3o bolsista ao encobrimento da riqueza por motivo de um div\u00f3rcio, da lavagem de dinheiro da droga a muit\u00edssimos outros motivos desse branqueamento de capitais (da corrup\u00e7\u00e3o ao tr\u00e1fico de \u00f3rg\u00e3os humanos), de raz\u00f5es ligadas a uma heran\u00e7a \u00e0 sugest\u00e3o de um gestor de fortunas, auditora ou advogado. Enfim os motivos s\u00e3o muitos mas \u00e9 inequ\u00edvoco que a grande maioria desses valores est\u00e3o associados \u00e0 fuga ao fisco e ao branqueamento de capitais da corrup\u00e7\u00e3o e do crime organizado transnacional.<\/p>\n<p>Os offshores s\u00e3o uma via legal para os poderosos das finan\u00e7as e da riqueza mundial (crescentemente desigual) fazer com que sejamos n\u00f3s a pagar as suas fraudes e a degradar as nossas condi\u00e7\u00f5es de vida. S\u00e3o esses e outros assuntos correlacionados que procuramos abordar no livro Os offshores do nosso quotidiano, recentemente editado pela editora Almedina.<\/p>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta, Jornal i online Se viajar de Lisboa a Moscovo, o conta-quil\u00f3metros indicar\u00e1 4.563 Km. N\u00e3o chega para imaginar a riqueza nos offshores, expresso em notas de cem d\u00f3lares. Para tal precisa de apanhar em Lisboa um avi\u00e3o para Nova Iorque.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-35461","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/35461","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=35461"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/35461\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35462,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/35461\/revisions\/35462"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=35461"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=35461"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=35461"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}