{"id":35393,"date":"2018-03-22T19:01:12","date_gmt":"2018-03-22T19:01:12","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=35393"},"modified":"2018-03-22T19:01:12","modified_gmt":"2018-03-22T19:01:12","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=35393","title":{"rendered":"A Economia do Guardanapo &#8211; Um pa\u00eds de empresas politicamente expostas?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Nuno M. Guita &amp; Gilda Lopes<\/strong><\/span>, Vis\u00e3o online<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/opiniao\/silnciodafraude\/2018-03-22-A-Economia-do-Guardanapo---Um-pais-de-empresas-politicamente-expostas-\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/VisaoE479.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p><em>Segundo o Eurobar\u00f3metro de Outubro de 2017<sup> [1]<\/sup>, h\u00e1 a percep\u00e7\u00e3o de que as empresas portuguesas que n\u00e3o tenham liga\u00e7\u00e3o a pol\u00edticos (boas gra\u00e7as) s\u00e3o prejudicadas na condu\u00e7\u00e3o dos seus neg\u00f3cios! Ser\u00e1 o sucesso das empresas portuguesas vulner\u00e1vel a simpatias pol\u00edticas?<\/em><\/p>\n<p>...<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>85% dos inquiridos nesse estudo entendem existir corrup\u00e7\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas portuguesas. O impacto negativo que os actos de corromper e ser corrompido t\u00eam no desenvolvimento econ\u00f3mico, social, politico e reputacional do nosso pa\u00eds, \u00e9 t\u00e3o grave quanto a generalizada (85%) consci\u00eancia de que existem e fazem parte do \u201c<em>way of doing business<\/em>\u201d em Portugal. Ora sobre os eventuais ganhos que as empresas com estas liga\u00e7\u00f5es, t\u00eam, pouco sabemos. Mas, se 67% dos inquiridos atribui o sucesso das empresas portuguesas sobretudo ao favoritismo politico ou de pol\u00edticos, ent\u00e3o temos uma quest\u00e3o estrutural sobre a capacidade lusitana de sucesso das mesmas. Que sucesso \u00e9 este? Ser\u00e1 que os ilustres n\u00fameros de algumas empresas s\u00e3o \u201c<em>fantochadamente<\/em>\u201d gloriosos? A que custo?<\/p>\n<p>Em \u201cOs Donos de Portugal \u2013 Cem Anos de Poder Econ\u00f3mico (1910-2010)\u201d (2010), os autores aprofundaram as liga\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas dos pol\u00edticos e concluem que uma parte significativa dos ministros e secret\u00e1rios de Estado (115) desde os anos 70 teve liga\u00e7\u00f5es a grandes polos econ\u00f3micos portugueses ap\u00f3s a sua sa\u00edda de cargos pol\u00edticos. Sendo evidente o empenho marcadamente ideol\u00f3gico da publica\u00e7\u00e3o supramencionada, a mesma n\u00e3o deixa de merecer aten\u00e7\u00e3o generalizada. A isen\u00e7\u00e3o na participa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica em neg\u00f3cios de Estado, por parte dos titulares de cargos pol\u00edticos, tem vindo a ser amplamente tematizada por todos os quadrantes partid\u00e1rios \u2013 o que reflete uma esperan\u00e7osa evolu\u00e7\u00e3o da \u00e9tica pol\u00edtica!<\/p>\n<p>Empiricamente falando, podemos transpor esta rela\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f3mica, para a teoria do agente de Jensen e Mackling (1976). Nesta, define-se a rela\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica entre um representado (<em>Principal<\/em>) e um representante (Agente) como um contrato em que uma das partes (o principal) emprega a outra (o agente) para desempenhar algum servi\u00e7o em seu nome e que envolve uma delega\u00e7\u00e3o de autoridade ao agente. \u00c9 ent\u00e3o nesta rela\u00e7\u00e3o que podemos assistir ao facto de o poder politico \u201c<em>dar uma m\u00e3ozinha<\/em>\u201d a empresas atrav\u00e9s de influ\u00eancias e facilita\u00e7\u00e3o de acessos. Mas tamb\u00e9m temos empresas a \u201c<em>dar uma m\u00e3ozinha<\/em>\u201d a pol\u00edticos, patrocinando campanhas politicas e admitindo-os em altos cargos de administra\u00e7\u00e3o privada, entre outros. S\u00e3o comuns as queixas de baixa remunera\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis pol\u00edticos da na\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que as organiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o influenciadas pelo ambiente social em que se inserem e, pressupondo que as decis\u00f5es s\u00e3o tomadas no interior das mesmas, estas devem sempre ter em considera\u00e7\u00e3o o lugar onde est\u00e3o, nomeadamente, os seus centros de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, as organiza\u00e7\u00f5es que recorrem a mecanismos pol\u00edticos, mesmo que l\u00edcitos, utilizam-nos para influenciar o cen\u00e1rio econ\u00f3mico externo, propiciando e perpetuando situa\u00e7\u00f5es do seu interesse. Ao faz\u00ea-lo, as empresas modificam o seu ambiente externo com o objetivo de conquistar um posicionamento mais vantajoso <sup>[2] <\/sup>.<\/p>\n<p>Neste contexto, quase podemos dizer que a chave para a sobreviv\u00eancia empresarial reside, em parte, na capacidade de adquirir e manter proximidade pol\u00edtica. Deste modo, as empresas s\u00e3o levadas a formar determinadas alian\u00e7as politico-estrat\u00e9gicas, com o objetivo primordial de se manter competitivas.<\/p>\n<p>Os actores pol\u00edticos, por seu lado, conhecem as necessidades das empresas de suavizar a carga fiscal e t\u00eam acesso a informa\u00e7\u00f5es que permitem a realiza\u00e7\u00e3o de transa\u00e7\u00f5es, com objetivo de legitimar e fazer uso de estrat\u00e9gias que refor\u00e7am a sua credibilidade e depend\u00eancia.<\/p>\n<p>Os benef\u00edcios dessas liga\u00e7\u00f5es podem ter impacto de diversas formas, nomeadamente, a diminui\u00e7\u00e3o de impostos, o tratamento diferenciado em concursos e outros contratos com o Estado, a monitoriza\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria menos exigente ou meticulosa, entre outras.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, as mudan\u00e7as operadas no ambiente externo tornam-no crescentemente mais exigente para com os processos de tomada de decis\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es. O bom Governo das Sociedades (Corporate Governance) vem estabelecendo tamb\u00e9m uma estrutura atrav\u00e9s da qual s\u00e3o fixados os objetivos da empresa e s\u00e3o determinados e controlados os meios para alcan\u00e7ar esses objectivos<sup> [3]<\/sup>.<\/p>\n<p>Vem-se defendendo a gest\u00e3o de topo (conselho de administra\u00e7\u00e3o) das organiza\u00e7\u00f5es como o n\u00facleo de defini\u00e7\u00e3o, por excel\u00eancia, de toda a cultura organizacional. A gest\u00e3o de topo deve instituir e n\u00e3o contornar as boas pr\u00e1ticas de Corporate Governance. Sendo estas entendidas como o conjunto de regras e condutas relativas ao exerc\u00edcio da dire\u00e7\u00e3o e controlo das sociedades, devem as mesmas contribuir para a optimiza\u00e7\u00e3o do desempenho e, assim, favorecer todos que t\u00eam interesses envolvidos na atividade da empresa \u2013 trabalhadores, investidores e fornecedores, entre outros, num esp\u00edrito <u>de boa gest\u00e3o<\/u> e Compliance. Quando olhamos para o exemplo de uma qualquer empresa em crise, est\u00e1 em quest\u00e3o, nada mais nem nada menos, o que ora se vem discutindo!<\/p>\n<p>O que, n\u00e3o raramente, algumas organiza\u00e7\u00f5es parecem n\u00e3o entender \u00e9 que o \u201cnamoro\u201d com pol\u00edticos \u00e9 muito inst\u00e1vel e dependente de vontades difusas que n\u00e3o s\u00e3o por eles controladas (como em todas as rela\u00e7\u00f5es da vida). Ou seja, como explicar a um CEO que a sua empresa \u00e9 muito mais competitiva se este apostar nos seus trabalhadores, em vez de nuns almo\u00e7os e jantares para criar \u201cacessos\u201d, quando, por vezes, d\u00e9cadas de experi\u00eancia comprovam o contr\u00e1rio?<\/p>\n<p>A resposta est\u00e1 ainda por encontrar. Todavia, pelos estudos te\u00f3ricos que v\u00e3o surgindo e vozes como o OBEGEF, que nos deixam a pensar sobre a cultura pol\u00edtica e empresarial portuguesa, surge, pelo menos, a preocupa\u00e7\u00e3o e, com ela a esperan\u00e7a, de melhorar as intrincadas din\u00e2micas descritas. Refletir sobre o sucesso destas rela\u00e7\u00f5es escondidas atr\u00e1s de um guardanapo, transpar\u00eancia e corrup\u00e7\u00e3o de empresas lusas \u00e9, sobretudo, preocuparmo-nos com o futuro. E esse \u201cinevitavelmente, chegar\u00e1\u201d! Se somos um pa\u00eds de empresas politicamente corruptas, n\u00e3o sei! Mas que 80% dos inquiridos pelo Eurobar\u00f3metro concordam que somos um pa\u00eds com uma cultura empresarial corruptiva \u00e9 um facto \u2013 e isso a mim incomoda-me, sobretudo, porque podem ter raz\u00e3o!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>NOTAS<\/p>\n<p><sup>[1]<\/sup> <a href=\"http:\/\/ec.europa.eu\/commfrontoffice\/publicopinion\/index.cfm\/ResultDoc\/download\/DocumentKy\/82034\">http:\/\/ec.europa.eu\/commfrontoffice\/publicopinion\/index.cfm\/ResultDoc\/download\/DocumentKy\/82034<\/a><\/p>\n<p><sup>[2]<\/sup> Pfeffer, Jeffrey; Gerald, R. Salancik (1978). The external control of organizations: a resource dependence perspective<\/p>\n<p><sup>[3]<\/sup> OCDE. (2004) Principles of Corporate Governance<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nuno M. 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