{"id":35303,"date":"2018-03-05T10:44:09","date_gmt":"2018-03-05T10:44:09","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=35303"},"modified":"2018-03-05T10:44:09","modified_gmt":"2018-03-05T10:44:09","slug":"corrupcao-e-desigualdade-economica-e-social-2-3-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=35303","title":{"rendered":"Universidade p\u00fablica versus universidade privada"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\"><span style=\"color: #d8070f\"><strong>\u00d3scar Afonso, P\u00fablico<br \/>\n<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2018\/03\/05\/sociedade\/opiniao\/universidade-publica-versus-universidade-privada-1805127\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/>\u00a0<\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Cronica-Publico-35-OBEGEF.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 seguramente a maior fonte de capital humano de um pa\u00eds e \u00e9, por isso, um dos principais motores de crescimento e desenvolvimento econ\u00f3mico. Independentemente do \u201cfornecedor\/formador\u201d, p\u00fablico ou privado, \u00e9 um bem p\u00fablico no sentido em que \u00e9 n\u00e3o-rival (o mesmo conhecimento pode ser usado por diversas pessoas ao mesmo tempo) e n\u00e3o-exclusivo (\u00e9 imposs\u00edvel impedir que algu\u00e9m utilize conhecimento transmitido).<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<\/div>\n<p>H\u00e1 sempre uma grande discuss\u00e3o em torno da quest\u00e3o da adequa\u00e7\u00e3o da rede de ensino superior \u00e0s necessidades do pa\u00eds. Mas n\u00e3o \u00e9 esse o principal objectivo desta cr\u00f3nica, que passa sobretudo pela an\u00e1lise das principais diferen\u00e7as entre o ensino universit\u00e1rio p\u00fablico e o ensino universit\u00e1rio privado. Neste processo, atendo particularmente a valores m\u00e9dios (qualidade m\u00e9dia dos estudantes, dos professores e das institui\u00e7\u00f5es) e aos conte\u00fados program\u00e1ticos leccionados nos diversos ciclos de estudos.<\/p>\n<p>Claramente, em termos m\u00e9dios, os estudantes da universidade p\u00fablica s\u00e3o melhores e mais comprometidos com o desejo de saber. Foram melhores estudantes no ensino secund\u00e1rio, escolheram em primeiro lugar os cursos, logo os melhores cursos, e apresentam-se, portanto, mais motivados; em suma, s\u00e3o mais profissionais. E porque escolhem eles cursos na universidade p\u00fablica, mesmo sabendo que, sendo melhores e estando dispostos a estudar mais, provavelmente, terminar\u00e3o o ensino superior com m\u00e9dia inferior \u00e0 de colegas do ensino universit\u00e1rio privado? A resposta \u00e9 obvia, porque a universidade p\u00fablica \u00e9 incomparavelmente melhor! N\u00e3o creio, pois, como muitas vezes se diz, que o ensino universit\u00e1rio p\u00fablico seja apenas para as supostas \u201celites\u201d, penso sim que \u00e9, em primeiro lugar, para os melhores.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de ter, em m\u00e9dia, os melhores alunos, a universidade p\u00fablica tem tamb\u00e9m, em m\u00e9dia, os melhores professores. Professores que n\u00e3o se limitam a reproduzir conhecimento estandardizado, muitas vezes ultrapassado, obsoleto, mas que se actualizam, que investigam, que geram novo conhecimento, que debatem e partilham novas descobertas com os pares situados em locais distintos do seu, seja por brio profissional, seja porque a progress\u00e3o na carreira assim o exige, ou seja ainda porque s\u00e3o estimulados pela qualidade m\u00e9dia dos estudantes. Para quem d\u00favida de mim deixo apenas a seguinte quest\u00e3o: porque ser\u00e1 que os professores do ensino universit\u00e1rio p\u00fablico n\u00e3o est\u00e3o dispostos a mudar para o ensino universit\u00e1rio privado e o contr\u00e1rio acontece?<\/p>\n<p>Se a entrada de novo conhecimento procede maioritariamente da universidade p\u00fablica por professores comprometidos com a investiga\u00e7\u00e3o e com o ensino a estudantes exigentes de conhecimento, os conte\u00fados program\u00e1ticos est\u00e3o, nestas institui\u00e7\u00f5es, por natureza em permanente actualiza\u00e7\u00e3o e interroga\u00e7\u00e3o. Como o mercado reconhece, \u00e9 efectivamente a universidade p\u00fablica que fornece as compet\u00eancias que os alunos necessitam numa economia moderna.<\/p>\n<p>Neste contexto, face \u00e0 posi\u00e7\u00e3o registada, \u00e9 evidente que a universidade privada tende a desvalorizar os <em>rankings<\/em> existentes, com a l\u00f3gica de que as m\u00e9tricas utilizadas \u2013 usualmente baseadas na qualidade da investiga\u00e7\u00e3o e na empregabilidade \u2013 n\u00e3o fazem sentido. Mas ent\u00e3o que m\u00e9tricas far\u00e3o sentido?!<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a investiga\u00e7\u00e3o a fonte do novo conhecimento? Claro que \u00e9! H\u00e1 quem chegue ao ponto de afirmar que a obsess\u00e3o pelas publica\u00e7\u00f5es em revistas cient\u00edficas internacionais, indexadas, como medida de investiga\u00e7\u00e3o, leva a que os professores deixem de se preocupar com a qualidade na transmiss\u00e3o do conhecimento e se isolem. Mas como se pode transmitir novo conhecimento se n\u00e3o houver envolvimento com a investiga\u00e7\u00e3o? Tenho para mim que \u00e9 imposs\u00edvel entender certos mecanismos, que conduzem a resultados, sem pelo menos haver algum envolvimento com a investiga\u00e7\u00e3o. E, tamb\u00e9m ao contr\u00e1rio do que \u00e9 dito, a investiga\u00e7\u00e3o em vez de isolar em cativeiro ou em regime de clausura possibilita a interac\u00e7\u00e3o \u00e0 escala mundial. Neste contexto, esse tipo de afirma\u00e7\u00f5es sugerem-me o desconforto de quem as profere como a obrigatoriedade de investigar, seja por incapacidade, seja porque, de facto, d\u00e1 imenso trabalho sem remunera\u00e7\u00e3o vis\u00edvel. Tenho para mim, portanto, que a um professor universit\u00e1rio deveria ser exigida a obriga\u00e7\u00e3o de, permanentemente, estar envolvido na investiga\u00e7\u00e3o, como forma de gerar e entender o novo conhecimento, e de expandir a sua vis\u00e3o, pois s\u00f3 assim ser\u00e1 capaz de transmitir correctamente esse conhecimento e de interagir com os pares situados noutros locais.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 empregabilidade, pergunto: n\u00e3o \u00e9 um indicador da adequa\u00e7\u00e3o da oferta formativa \u00e0s necessidades do mercado? Creio que \u00e9 o melhor indicador. Tal como uma empresa que produz para <em>stock<\/em> vai \u00e0 fal\u00eancia, tamb\u00e9m uma institui\u00e7\u00e3o de ensino superior que \u201cproduza\u201d desempregados dever\u00e1 redimensionar-se, no limite falir.<\/p>\n<p>\u00c9 comum ouvir-se que muitos dos diplomados pelo ensino superior privado nas \u00faltimas d\u00e9cadas ocupam hoje lugares de destaque em empresas e organiza\u00e7\u00f5es, e em muitas \u00e1reas da sociedade. \u00c9 verdade! Sobretudo na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica que, cegamente, atende exclusivamente \u00e0s m\u00e9dias de curso e assim ajuda quem optou por um percurso de menor exig\u00eancia e o concluiu com m\u00e9dias superiores \u00e0s do ensino p\u00fablico at\u00e9 porque foi tamb\u00e9m favorecido pelos professores, que deram um jeitinho e lhes subiram as m\u00e9dias. Efectivamente, a percep\u00e7\u00e3o existente \u00e9 que, comparando as escolas p\u00fablicas com as privadas, em m\u00e9dia, estas \u00faltimas tendem a beneficiar quem as frequenta. H\u00e1 quem diga at\u00e9 que, na universidade privada, professores exigentes acabam dispensados. Seja como for, a verdade \u00e9 que ainda assim h\u00e1 muitos mais diplomados pelo ensino superior p\u00fablico que, devido ao muito m\u00e9rito, ocupam lugares de destaque na sociedade portuguesa e em institui\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>E como se justifica o preconceito existente por parte dos melhores estudantes, dos pais e at\u00e9 do pr\u00f3prio mercado de trabalho sobre a forma\u00e7\u00e3o dos estudantes oriundos da universidade privada? Existem, naturalmente, excelentes estudantes, professores e institui\u00e7\u00f5es na universidade privada, mas, em termos m\u00e9dios, a percep\u00e7\u00e3o existente aponta para um enorme <em>gap<\/em> qualitativo face \u00e0 universidade p\u00fablica.<\/p>\n<p>A universidade \u00e9, e deve continuar a ser, um espa\u00e7o de investiga\u00e7\u00e3o, de cria\u00e7\u00e3o de conhecimento, de transmiss\u00e3o desse conhecimento novo, de din\u00e2micas de interven\u00e7\u00e3o, de partilha, como acontece na generalidade da universidade p\u00fablica e n\u00e3o um local de forma\u00e7\u00e3o que lembra o ensino secund\u00e1rio, nem um neg\u00f3cio!<\/p>\n<p>\u00d3scar Afonso \u2013 Presidente do OBEGEF \u2013 Observat\u00f3rio de Economia e Gest\u00e3o de Fraude<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, P\u00fablico \u00a0 A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 seguramente a maior fonte de capital humano de um pa\u00eds e \u00e9, por isso, um dos principais motores de crescimento e desenvolvimento econ\u00f3mico. 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