{"id":35164,"date":"2018-02-01T23:48:11","date_gmt":"2018-02-01T23:48:11","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=35164"},"modified":"2018-02-01T23:48:11","modified_gmt":"2018-02-01T23:48:11","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=35164","title":{"rendered":"No cemit\u00e9rio das defini\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>M\u00e1rio Tavares da Silva, Jornal i online<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/598884\/no-cemiterio-das-definicoes-?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Ji106.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a>O relat\u00f3rio \u201cThe Global Risks Report 2018\u201d, apresentado no F\u00f3rum Econ\u00f3mico Mundial, define o risco global como um evento que pode provocar, pelo menos durante os pr\u00f3ximos 10 anos, um impacto negativo significativo para muitos pa\u00edses ou ind\u00fastrias.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<article>Vivemos uma \u00e9poca salpicada de incertezas, inquieta\u00e7\u00f5es e m\u00faltiplos receios de que algo aconte\u00e7a, mesmo quando tudo parece estar controlado. A necessidade de querer definir tudo e de tudo querer prever \u00e9 algo de intrinsecamente inerente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o humana, pois tendemos, por regra, a suportar melhor o que nos rodeia e interpela a curiosidade, pela singela circunst\u00e2ncia de lhe darmos um nome.<\/p>\n<p>V\u00eam estas minhas palavras a prop\u00f3sito do mais recente relat\u00f3rio relativo aos riscos globais, intitulado \u201cThe Global Risks Report 2018\u201d, apresentado por estes dias no quadro do F\u00f3rum Econ\u00f3mico Mundial, em Davos, Su\u00ed\u00e7a. Nesse documento, de import\u00e2ncia vital para os destinos das na\u00e7\u00f5es nos pr\u00f3ximos anos, define-se risco global como um evento ou condi\u00e7\u00e3o de ocorr\u00eancia incerta mas que, tendo lugar, pode provocar, pelo menos durante os pr\u00f3ximos 10 anos, um impacto negativo significativo para muitos pa\u00edses ou ind\u00fastrias. Referem-se, a\u00ed, riscos econ\u00f3micos, ambientais, geopol\u00edticos, sociais e tecnol\u00f3gicos, procurando-se, concomitantemente, descrever, de modo curto e incisivo, em que \u00e9 que cada um deles consiste e de que forma se manifesta.<\/p>\n<p>A t\u00edtulo exemplificativo, prev\u00ea-se a ocorr\u00eancia de riscos globais no plano econ\u00f3mico, em virtude do surgimento de bolhas de ativos, crises financeiras em economias chave, elevado desemprego estrutural, potenciais falhas nos mecanismos ou institui\u00e7\u00f5es financeiras ou, ainda, o risco de pr\u00e1ticas comerciais ilegais, tais como as que se traduzem por um recrudescimento da evas\u00e3o fiscal e tr\u00e1fico humano, apenas para referir duas das mais importantes.<\/p>\n<p>No contexto ambiental, os riscos n\u00e3o s\u00e3o negligenci\u00e1veis, antevendo-se, por exemplo, o surgimento de eventos climat\u00e9ricos extremos ou mesmo de falhas de v\u00e1ria ordem na ado\u00e7\u00e3o, pelos diferentes Estados, das medidas necess\u00e1rias no quadro de uma desej\u00e1vel estrat\u00e9gia de adapta\u00e7\u00e3o e de mitiga\u00e7\u00e3o \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>No plano geopol\u00edtico, antecipam-se riscos significativos conexionados com ataques terroristas em larga escala ou mesmo a entrada em cena de armas de destrui\u00e7\u00e3o maci\u00e7a, circunst\u00e2ncias estas adensadas pela emerg\u00eancia, no complexo mosaico social, de novas crises alimentares e por uma galopante prolifera\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as infeciosas, tudo enleado num ambiente de profunda instabilidade social.<\/p>\n<p>No encriptado universo dos riscos tecnol\u00f3gicos, assistir-se-\u00e1, muito provavelmente, a um aumento das situa\u00e7\u00f5es de fraude e de roubo de dados, \u00e0 explos\u00e3o de ciberataques em larga escala e, ainda, mas n\u00e3o menos importante, ao surgimento de m\u00faltiplas consequ\u00eancias adversas como resultado direto do impar\u00e1vel desenvolvimento tecnol\u00f3gico a que nos \u00faltimos anos se tem assistido.<\/p>\n<p>Em boa verdade convenhamos que todos estes riscos nos soam bem familiares. Para todos eles se ensaia, no quadro dos conhecimentos dispon\u00edveis, uma breve descri\u00e7\u00e3o, procurando, sem tibiezas, densific\u00e1-los, determinar a grau de probabilidade da sua ocorr\u00eancia e, caso esta se confirme, o respetivo impacto.<\/p>\n<p>Avan\u00e7a-se, em suma, com os riscos globais nos mais variados dom\u00ednios de atua\u00e7\u00e3o dos Estados e, paralelamente, ilustram-se os mesmos, definindo para cada um deles o que de mais importante lhes subjaz. Estes herm\u00e9ticos e arrojados exerc\u00edcios de tipifica\u00e7\u00e3o dos riscos globais e de propostas definit\u00f3rias do que neles de mais cr\u00edtico se cont\u00e9m, encerram em si uma incompreens\u00edvel e exasperante fuga para a frente dos principais decisores p\u00fablicos no palco da nova ordem mundial. Prev\u00ea-se, aqui e ali, riscos que j\u00e1 n\u00e3o o s\u00e3o, dado que a realidade que os corporiza \u00e9 j\u00e1 parte do nosso presente, heran\u00e7a que \u00e9 de um passado recente, impregnada de ensinamentos que a mem\u00f3ria dos homens persiste em obliterar e sequestrada num futuro que nos prende num continuum inesgot\u00e1vel.<\/p>\n<p>Na verdade, n\u00e3o \u00e9 incerto o que em parte j\u00e1 se conhece, o que ocorre como causa-efeito de experi\u00eancias j\u00e1 vividas, o que se mimetiza na hist\u00f3ria para, uma vez mais, nos p\u00f4r \u00e0 prova. Esse \u00e9, sem d\u00favida, o presente feito eterno futuro, que transmuta os riscos em realidade bem viva e cruel no dia-a-dia de todos e de cada um de n\u00f3s. De tal sorte que a tenta\u00e7\u00e3o de abarcar uma coisa com uma defini\u00e7\u00e3o, por mais arbitr\u00e1ria que seja, \u00e9 rejeit\u00e1-la, torn\u00e1-la ins\u00edpida e sup\u00e9rflua ou, numa s\u00f3 palavra, aniquil\u00e1-la.<\/p>\n<p>Na verdade, mais do que um \u00abcemit\u00e9rio das defini\u00e7\u00f5es\u00bb que o ambicioso Relat\u00f3rio se prop\u00f5e ser, para utilizar a poderosa express\u00e3o de Emil Cioran, imp\u00f5e-se, nesta e noutras mat\u00e9rias, que se aprenda com os erros do passado, pois \u00e9 partindo destes que, estamos certos, se esquissar\u00e3o adequada e eficazmente os riscos futuros e a sua desejada elimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rio Tavares da Silva, Jornal i online O relat\u00f3rio \u201cThe Global Risks Report 2018\u201d, apresentado no F\u00f3rum Econ\u00f3mico Mundial, define o risco global como um evento que pode provocar, pelo menos durante os pr\u00f3ximos 10 anos, um impacto negativo significativo para muitos pa\u00edses ou ind\u00fastrias.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-35164","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/35164","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=35164"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/35164\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35165,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/35164\/revisions\/35165"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=35164"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=35164"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=35164"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}