{"id":35107,"date":"2018-01-19T00:14:55","date_gmt":"2018-01-19T00:14:55","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=35107"},"modified":"2018-01-19T00:14:55","modified_gmt":"2018-01-19T00:14:55","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=35107","title":{"rendered":"Corrup\u00e7\u00e3o e incentivos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jorge Fonseca Almeida, Jornal i online<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/596694\/corrupcao-e-incentivos?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Ji104.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a>S\u00e3o tr\u00eas os fatores que pesam na decis\u00e3o de enveredar ou n\u00e3o por atos de corrup\u00e7\u00e3o: a dimens\u00e3o do potencial ganho, a probabilidade de ser apanhado e a penaliza\u00e7\u00e3o prevista em caso de ser apanhado.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<article>O comportamento humano, moral ou imoral, \u00fatil ou prejudicial, ego\u00edsta ou altru\u00edsta, econ\u00f3mico, pol\u00edtico ou militar \u00e9 em grande parte determinado por incentivos sociais.<\/p>\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o surge como forma de obter vantagens de ordem material ou pol\u00edtica n\u00e3o acess\u00edveis por via legal. O incentivo para a pr\u00e1tica da corrup\u00e7\u00e3o funda-se, pois, na obten\u00e7\u00e3o de ganhos econ\u00f3micos ou estrat\u00e9gicos.<\/p>\n<div class=\"teads-inread\">\n<div>\n<div id=\"teads0\" class=\"teads-player\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Ao ganho advindo da corrup\u00e7\u00e3o op\u00f5e-se, nas sociedadesque a condenam, o risco de penaliza\u00e7\u00e3o, que pode revestir a forma de censura social, ostracismo, pris\u00e3o ou mesmo pena capital, a que corrupto e corruptores est\u00e3o expostos.<\/p>\n<p>Assim os potenciais corruptores, sendo racionais, tender\u00e3o a fazer c\u00e1lculos, ainda que n\u00e3o expl\u00edcitos, pesando o ganho contra a penaliza\u00e7\u00e3o, decidindo se vale a pena avan\u00e7ar com a sua pr\u00e1tica ilegal.<\/p>\n<p>A avaliar o que numa linguagem t\u00e9cnica se denomina o valor esperado da sua a\u00e7\u00e3o. Sendo este positivo torna-se vantajoso enveredar pela corrup\u00e7\u00e3o, sendo negativo o prov\u00e1vel ganho \u00e9 inferior \u00e0 penaliza\u00e7\u00e3o pelo que n\u00e3o vale a pena transgredir.<\/p>\n<p>S\u00e3o tr\u00eas os fatores que pesam na decis\u00e3o de enveredar ou n\u00e3o por atos de corrup\u00e7\u00e3o: a dimens\u00e3o do potencial ganho, a probabilidade de ser apanhado e a penaliza\u00e7\u00e3o prevista em caso de ser apanhado.<\/p>\n<p>Naturalmente quanto maior o ganho poss\u00edvel maior o incentivo para a pr\u00e1tica da corrup\u00e7\u00e3o e inversamente quanto maior a probabilidade de ser apanhado ou maior a penaliza\u00e7\u00e3o menor a tend\u00eancia para a corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Temos assim que qualquer estrat\u00e9gia de combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o deve passar por uma combina\u00e7\u00e3o destes tr\u00eas incentivos.<\/p>\n<p>Primeiro impedindo qualquer individuo de reunir em si o poder de atribuir ganhos elevados a terceiros. Isso significa repartir o poder de decis\u00e3o por diversos \u00f3rg\u00e3os e privilegiar a decis\u00e3o colegial em detrimento da decis\u00e3o individual.<\/p>\n<p>Em segundo combinando habilmente a probabilidade de ser apanhado com a dureza da puni\u00e7\u00e3o. Sabemos que para obter uma elevada probabilidade de apanhar um criminoso s\u00e3o necess\u00e1riosmeios humanos e materiais que implicam grandes investimentos em controlo preventivo e em investiga\u00e7\u00e3o posterior.<\/p>\n<p>Pa\u00edses a quem, por raz\u00f5es humanistas, repugna a dureza da penaliza\u00e7\u00e3o s\u00f3 t\u00eam uma via: o investimento em meios de controlo e investiga\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caso de v\u00e1rios pa\u00edses do norte da Europa.<\/p>\n<p>Pa\u00edses de menores recursos n\u00e3o investem tanto em controlo e investiga\u00e7\u00e3o mas quem \u00e9 apanhado, por insignificante que seja o delito, \u00e9 condenado a pesadas penas de pris\u00e3o ou mesmo \u00e0 pena capital.<\/p>\n<p>De ambas as formas o risco torna-se insuport\u00e1vel dissuadindo a pr\u00e1tica da corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Portugal acumula v\u00e1rias desvantagens. Muitos pol\u00edticos, nomeadamente aut\u00e1rquicos e governamentais, t\u00eam poder de decis\u00e3o sobre verbas muito elevadas, o que, como vimos, constitui um forte incentivo positivo \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. Acresce que no nosso pa\u00eds a probabilidade de ser apanhado \u00e9 baixa e quando algum corrupto cai nas malhas da Lei a penaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 em geral nula, acaba absolvido, ou muito baixa. Trata-se da mistura ideal para a corrup\u00e7\u00e3o generalizada.<\/p>\n<p>\u00c9 tempo de refletir seriamente sobre os malef\u00edcios da corrup\u00e7\u00e3o e adotar estrat\u00e9gias eficazes para o seu combate. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil mas \u00e9 uma quest\u00e3o de incentivos.<\/p>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Fonseca Almeida, Jornal i online S\u00e3o tr\u00eas os fatores que pesam na decis\u00e3o de enveredar ou n\u00e3o por atos de corrup\u00e7\u00e3o: a dimens\u00e3o do potencial ganho, a probabilidade de ser apanhado e a penaliza\u00e7\u00e3o prevista em caso de ser apanhado.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-35107","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/35107","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=35107"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/35107\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35108,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/35107\/revisions\/35108"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=35107"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=35107"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=35107"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}