{"id":34770,"date":"2017-12-21T10:02:28","date_gmt":"2017-12-21T10:02:28","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=34770"},"modified":"2017-12-21T10:02:28","modified_gmt":"2017-12-21T10:02:28","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=34770","title":{"rendered":"Os profissionais da \u201cpartilha\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Mariana Fontes da Costa<\/strong><\/span>, Vis\u00e3o online<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/opiniao\/silnciodafraude\/2017-12-21-Os-profissionais-da-partilha\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/VisaoE466.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p>O semianonimato t\u00edpico das transa\u00e7\u00f5es realizadas atrav\u00e9s da internet, associado ao recurso crescente a plataformas de economia colaborativa, faz perigar uma das mais importantes conquistas civilizacionais do s\u00e9culo XX: a prote\u00e7\u00e3o do consumidor enquanto tal.<\/p>\n<p>...<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>At\u00e9 muito recentemente, as sociedades ocidentais foram marcadas por uma acentuada profissionaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es comerciais, caracterizada pela divis\u00e3o do mercado nos segmentos B2B (<em>business-to-business<\/em>) e B2C (<em>business-to-consumer<\/em>).<\/p>\n<p>Se o setor <em>profissional-para-consumidor<\/em> marcou predominantemente as preocupa\u00e7\u00f5es do legislador na segunda metade do s\u00e9culo XX - com a cria\u00e7\u00e3o de um conjunto de normas jur\u00eddicas especificamente vocacionadas para a prote\u00e7\u00e3o deste \u00faltimo -, o s\u00e9culo XXI parece assistir ao recrudescimento das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas estabelecidas entre pares (<em>peer-to-peer<\/em>), com a afirma\u00e7\u00e3o crescente da designada \u201ceconomia colaborativa\u201d, ou \u201ceconomia de partilha\u201d.<\/p>\n<p>Muito se tem escrito para louvar esta nova tend\u00eancia econ\u00f3mica, invocando-se a sua natureza inclusiva, ecol\u00f3gica e promotora de sustentabilidade. Nas palavras da Comiss\u00e3o Europeia, na Agenda Europeia para a Economia Colaborativa, as plataformas colaborativas \u201c(\u2026) na medida em que possibilitam a oferta de servi\u00e7os pelos cidad\u00e3os, s\u00e3o tamb\u00e9m promotoras de novas oportunidades de emprego, de regimes de trabalho flex\u00edveis e de novas fontes de rendimento. Do ponto de vista dos consumidores, a economia colaborativa pode proporcionar vantagens gra\u00e7as a novos servi\u00e7os, maior oferta e pre\u00e7os mais baixos. Pode tamb\u00e9m incentivar a partilha de ativos e uma utiliza\u00e7\u00e3o mais eficiente dos recursos, contribuindo assim para a estrat\u00e9gia da UE para o desenvolvimento sustent\u00e1vel e para a transi\u00e7\u00e3o para a economia circular\u201d.<\/p>\n<p>S\u00e3o ineg\u00e1veis as vantagens da economia colaborativa nas suas vertentes de partilha e aproveitamento dos bens subutilizados (a designada \u201c<em>idle capacity<\/em>\u201d). No entanto, a sua promo\u00e7\u00e3o com recurso a plataformas inform\u00e1ticas e o semianonimato t\u00edpico das transa\u00e7\u00f5es realizadas atrav\u00e9s da internet produzem um efeito pernicioso, que p\u00f5e em risco a importante conquista civilizacional do s\u00e9culo XX ao n\u00edvel da prote\u00e7\u00e3o do consumidor enquanto tal. \u00c9 que em Portugal, \u00e0 semelhan\u00e7a de muitos outros pa\u00edses, in\u00fameras regras de direito do consumo fazem depender a sua aplica\u00e7\u00e3o da natureza profissional da contraparte, a qual \u00e9 fortemente obscurecida em muitas das mais famosas plataformas de economia colaborativa atualmente.<\/p>\n<p>Exemplo fortemente ilustrativo da relev\u00e2ncia do fen\u00f3meno que aqui se escreve foi encontrado pelo Gabinete do <em>Attorney General<\/em> de Nova Iorque, em investiga\u00e7\u00e3o levada a cabo entre 1 de janeiro de 2010 e 2 de junho de 2014 (dispon\u00edvel online em https:\/\/ag.ny.gov\/pdfs\/AIRBNB%20REPORT.pdf)<em>.<\/em> De acordo com esta investiga\u00e7\u00e3o, apenas 6% dos anfitri\u00f5es registados no Airbnb em Nova Iorque eram classificados como anfitri\u00f5es comerciais. Por\u00e9m, esta pequena minoria de anfitri\u00f5es profissionais era respons\u00e1vel por 36% de todas as reservas, recebendo 37% de todos os ganhos. Mais, o anfitri\u00e3o com maior volume de transa\u00e7\u00f5es nesta plataforma controlava 272 unidades de alojamento e obteve receitas de 6,8 milh\u00f5es de d\u00f3lares. \u00c9 caso para afirmar que na partilha \u00e9 que est\u00e1 o ganho!<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mariana Fontes da Costa, Vis\u00e3o online O semianonimato t\u00edpico das transa\u00e7\u00f5es realizadas atrav\u00e9s da internet, associado ao recurso crescente a plataformas de economia colaborativa, faz perigar uma das mais importantes conquistas civilizacionais do s\u00e9culo XX: a prote\u00e7\u00e3o do consumidor enquanto tal. &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-34770","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/34770","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=34770"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/34770\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34785,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/34770\/revisions\/34785"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=34770"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=34770"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=34770"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}