{"id":34584,"date":"2017-12-08T16:58:21","date_gmt":"2017-12-08T16:58:21","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=34584"},"modified":"2017-12-08T16:58:21","modified_gmt":"2017-12-08T16:58:21","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=34584","title":{"rendered":"O natal por estes tempos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Pedro Moura, Jornal i online<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/591317\/o-natal-por-estes-tempos?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Ji097.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a>Em vez de oferecerem a algu\u00e9m um presente como compensa\u00e7\u00e3o pela vossa aus\u00eancia, experimentem n\u00e3o oferecer nada e irem ter com essa pessoa, passar um bocado com ela, falar, rir, chorar.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><!--more--><\/p>\n<p>Est\u00e1 a chegar o Natal. Ou melhor, parece que o Natal j\u00e1 chegou no in\u00edcio de Novembro. A az\u00e1fama dos an\u00fancios, das compras, das luzes de Natal, das dores de cabe\u00e7a sobre onde passar o Natal e com quem, da ansiedade generalizada com esta \u00e9poca que supostamente se pretendia de paz entre os homens em geral e para cada um em particular.<br \/>\nMuita tinta e verbo se gastou e gasta sobre a corrup\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito natal\u00edcio, transformado cada vez mais numa \u00e9poca que se tornou s\u00edmbolo e apan\u00e1gio de consumismo, despesismo e aliena\u00e7\u00e3o. Mas parecem ser palavras em saco roto, pois embora muita gente abane a cabe\u00e7a num veemente \u2018\u00e9 verdade, o Natal \u00e9 uma parvo\u00edce\u2019, essa mesma muita gente logo de seguida entra em modo \u2018Natal\u2019 no mesmo tempo que demora o Facebook a \u2018abrir\u2019.<\/p>\n<p>Que prenda dar a quem, a quem dar prenda, a pessoa a quem n\u00e3o apetece presentear mas que \u2019tem de ser\u2019, a avalia\u00e7\u00e3o angustiante de quanto se deve gastar em cada prenda para satisfazer o bin\u00f3mio \u2018or\u00e7amento dispon\u00edvel\u2019 vs \u2018n\u00e3o passar vergonha com aquela pessoa\u2019, a quantidade de coisas in\u00fateis que s\u00e3o compradas e ofertadas, enfim, um chorrilho de parvo\u00edce coletiva. E tudo isto mascarado de preocupa\u00e7\u00e3o, de suposta genu\u00edna aten\u00e7\u00e3o e liga\u00e7\u00e3o para com o outro, o que receber\u00e1 a oferenda e dever\u00e1 ficar eternamente agradecido e reverente \u00e0 nossa bondosa e magn\u00e2nime pessoa.<br \/>\nEconomicamente, rid\u00edculo. Socialmente, alienador. Culturalmente, atroz. Pessoalmente, est\u00fapido.<\/p>\n<p>\u00c9 um jogo alimentado por doses diluvianas de publicidade e condicionamento comportamental \u00e0 escala mundial. O que importa \u00e9 que cada um jogue de forma completamente separada do outro, para evitar que ambos se apercebam da parvo\u00edce auto-f\u00e1gica em que se encontram, e para que ambos continuem t\u00e3o (ou mais) separados depois de passada t\u00e3o festiva \u00e9poca.<\/p>\n<p>Um desperd\u00edcio de tempo, dinheiro, recursos, sentimentos e oportunidades. Uma BlackFriday pintalgada com flocos brancos de neve artificial que dura dois (ou mais) meses, muitas vezes com sequelas traum\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Mas esta \u00e9 a vis\u00e3o negra, realista em muitos dos casos. N\u00e3o \u00e9 assim para todos. Sobretudo, n\u00e3o tem de ser assim.<br \/>\nO Natal n\u00e3o tem para mim um significado religioso (n\u00e3o o sou). O Natal n\u00e3o tem para mim um significado festivo (qualquer momento \u00e9 bom para festa). O Natal \u00e9, para mim, uma \u00e9poca que gosto de usar como ponto de paragem, reflex\u00e3o e a\u00e7\u00e3o sobre coisas que, infelizmente, por vezes s\u00e3o esquecidas ou roubadas na voragem dos dias.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, a ren\u00fancia \u00e0 solid\u00e3o, a minha e a dos outros. A pressa, as necessidades, os desejos, os compromissos constantes levam-nos para um lugar escuro e sozinho. H\u00e1 que n\u00e3o esquecer quem nos importa, h\u00e1 que n\u00e3o negligenciar quem podemos ajudar, h\u00e1 que esquecer o ego\u00edsmo necess\u00e1rio aos pap\u00e9is velozes que desempenhamos no dia ap\u00f3s dia e re-conceber a nossa vida como algo que s\u00f3 faz sentido na presen\u00e7a da luz dos outros.<\/p>\n<p>Sugest\u00e3o: em vez de oferecerem a algu\u00e9m um presente como compensa\u00e7\u00e3o pela vossa aus\u00eancia, experimentem n\u00e3o oferecer nada e irem ter com essa pessoa, passar um bocado com ela, falar, rir, chorar.<\/p>\n<p>Em segundo lugar a recalibragem de valores. Ensino sempre \u00e0s minhas crian\u00e7as que quando tudo \u00e9 importante, nada \u00e9 importante. A sapi\u00eancia do saber viver necessita de se conseguir distinguir o que \u00e9 importante do que \u00e9 urgente, o que \u00e9 fundamental do que \u00e9 acess\u00f3rio, de acordo com o ju\u00edzo de cada um. No mundo em que vivemos, com o bombardeamento cont\u00ednuo de informa\u00e7\u00e3o e solicita\u00e7\u00f5es, cada uma delas a clamar pela sua relev\u00e2ncia superior em rela\u00e7\u00e3o a tudo o resto, \u00e9 natural que o esp\u00edrito cr\u00edtico se veja amea\u00e7ado e a capacidade de prioritiza\u00e7\u00e3o entre as v\u00e1rias vertentes da exist\u00eancia diminu\u00edda. H\u00e1 que recuar um pouco de n\u00f3s mesmos e olhar para a nossa vida e para o todo em que ela se banha com olhos de ver.<\/p>\n<p>Sugest\u00e3o: se tiverem algu\u00e9m, um amigo, um familiar, que (ainda) tem um lugar no vosso cora\u00e7\u00e3o, mas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qual se tenham afastado pelo normal percurso da vida, por alguma agrura que possam ter surgido no caminho ou por qualquer outra raz\u00e3o da qual j\u00e1 nem se recordem, procurem-na, abracem-na, digam-lhe que ainda \u00e9 importante na vossa vida. \u00c9 natural sentirem-se inseguros em rela\u00e7\u00e3o a isto, ou sentirem vergonha. Isso s\u00e3o tretas quando comparadas com o que a outra pessoa significa para voc\u00eas.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar a afirma\u00e7\u00e3o da vida, da verdadeira vida, n\u00e3o da vida fingida ou projetada. Num mundo em que as pessoas passaram por ser consumidores para serem hoje sobretudo elas mesmas o produto, em que quanto mais canais e possibilidades de comunica\u00e7\u00e3o existe mais alheamento, anonimiza\u00e7\u00e3o e aliena\u00e7\u00e3o existe, em que cada vez mais as pessoas mais n\u00e3o s\u00e3o que o seu avatar nas redes sociais (geralmente um \u2018eu\u2019 perfecionado) ou um data point num algoritmo inform\u00e1tico que decide que an\u00fancio ou informa\u00e7\u00e3o podemos ver nos centos de sites onde passamos a vida, \u00e9 necess\u00e1rio reequilibrar a equa\u00e7\u00e3o. Os meios s\u00e3o hoje os fins, e impera n\u00e3o um retorno a um qualquer passado dourado (como muitos pretensamente querem) mas uma evolu\u00e7\u00e3o para um futuro onde as pessoas sejam cada vez mais (e n\u00e3o menos) pessoas, com toda a maravilhosa gama de qualidades e defeitos que nos caracterizam.<\/p>\n<p>Sugest\u00e3o: experimentem algo muito simples: no dia de Natal desliguem e escondam telem\u00f3veis, computadores, televis\u00f5es e consolas de jogos. Falem com as pessoas, resistam ao envio de SMSs de Natal e Boas Festas, ultrapassem o t\u00e9dio de terem de aturar as pessoas que vos rodeiam sem poderem ir ao Face ou ao Insta, sejam corajosos em rela\u00e7\u00e3o a essas sereias tecnol\u00f3gicas que nos raptam mais e mais dia ap\u00f3s dia, experimentem olhar os vossos amigos e fam\u00edlias nos olhos. V\u00e3o ter com algu\u00e9m mais velho e perguntem-lhe algo, sobre o seu passado, o que pensa sobre um qualquer assunto, escutem-no antes que morra. Brinquem com as crian\u00e7as antes que voc\u00eas morram. Ousem conhecer e dar-se a conhecer como pessoas (sem hashtags).<\/p>\n<p>\u00c9 o que me apraz escrever. Bom Natal, melhor vida.<\/p>\n<div id=\"meioartigos\">\n<div id=\"sas_41137\" data-sas-siteid=\"101054\" data-sas-pageid=\"652403\" data-sas-formatid=\"41137\" data-pub=\"processed\"><iframe id=\"sas_7280765_iframe\" name=\"sas_7280765_iframe_name\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Moura, Jornal i online Em vez de oferecerem a algu\u00e9m um presente como compensa\u00e7\u00e3o pela vossa aus\u00eancia, experimentem n\u00e3o oferecer nada e irem ter com essa pessoa, passar um bocado com ela, falar, rir, chorar.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-34584","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/34584","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=34584"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/34584\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34587,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/34584\/revisions\/34587"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=34584"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=34584"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=34584"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}