{"id":34493,"date":"2017-12-04T12:01:31","date_gmt":"2017-12-04T12:01:31","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=34493"},"modified":"2017-12-04T12:01:31","modified_gmt":"2017-12-04T12:01:31","slug":"corrupcao-e-desigualdade-economica-e-social-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=34493","title":{"rendered":"A cria\u00e7\u00e3o do valor partilhado no combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\"><span style=\"color: #d8070f\"><strong>Manuel Carlos Nogueira, P\u00fablico<br \/>\n<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2017\/12\/04\/economia\/opiniao\/a-criacao-do-valor-partilhado-no-combate-a-corrupcao-1794483\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/>\u00a0<\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Cronica-Publico-32-OBEGEF.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de valor partilhado foi inicialmente abordada por Michael Porter e Mark Kramer em 2011. De acordo com esta nova filosofia de gest\u00e3o, as empresas idealizam novos neg\u00f3cios ou reestruturam os existentes, com a particularidade de criar valor para si e para a sociedade. Trata-se de uma ferramenta inovadora, que dever\u00e1 ser utilizada, para que os neg\u00f3cios se tornem parte da solu\u00e7\u00e3o social, em vez de parte do problema. Muitas empresas j\u00e1 aderiram a este conceito, nomeadamente multinacionais.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<\/div>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de valor partilhado, n\u00e3o consiste no facto das empresas distribu\u00edrem os lucros existentes pelos diversos <em>stakeholders<\/em>, mas sim em criar novas oportunidades de neg\u00f3cio e, como se referiu, partilhar esse acr\u00e9scimo de mais valias com a sociedade. Nesta perspetiva, os gestores devem estar focados em oportunidades que criem valor econ\u00f3mico e social, sem descurar normas \u00e9ticas e legais.<\/p>\n<p>Os problemas sociais devem estar sempre presentes na estrat\u00e9gia corporativa, sendo que desta forma \u00e9 reconhecido o envolvimento em esfor\u00e7os coletivos, o que permite melhorar a sustentabilidade da empresa, dado que esta depende de uma sociedade mais inclusiva. O impacto coletivo exige uma vis\u00e3o de longo prazo e um compromisso de recursos que n\u00e3o pode ser descurado.<\/p>\n<p>A implementa\u00e7\u00e3o de uma estrat\u00e9gia de cria\u00e7\u00e3o de valor partilhado enriquece tanto as empresas, como a sociedade e vai mais al\u00e9m do que a simples responsabilidade social corporativa. \u00c9 uma forma mais avan\u00e7ada de compensar a sociedade pelos recursos que s\u00e3o utilizados e subtra\u00eddos a esta.<\/p>\n<p>Apesar de muitas vezes ser dif\u00edcil obter m\u00e9tricas adequadas para aferir corretamente os benef\u00edcios sociais, esta nova filosofia de gest\u00e3o tem obtido consider\u00e1veis avan\u00e7os e um elevado reconhecimento por todas as partes envolvidas de que, os benef\u00edcios m\u00fatuos e obtidos s\u00e3o evidentes.<\/p>\n<p>Certamente, os agentes econ\u00f3micos e pol\u00edticos ainda n\u00e3o perceberam \u00e9 que a cria\u00e7\u00e3o de valor partilhado tamb\u00e9m pode contribuir para o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. O Relat\u00f3rio Global de Competitividade de 2017-2018, do F\u00f3rum Econ\u00f3mico Mundial, mais uma vez e a exemplo dos anteriores, refere que a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos principais entraves ao surgimento de novos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Em termos micro, a corrup\u00e7\u00e3o distorce a eficiente aloca\u00e7\u00e3o de recursos, est\u00e1 associada a uma diminui\u00e7\u00e3o da produtividade, bem como a taxas mais lentas de penetra\u00e7\u00e3o nos mercados. Tamb\u00e9m aumenta o custo do financiamento, degrada o clima \u00e9tico interno que por sua vez pode provocar um aumento de comportamentos disfuncionais entre os colaboradores. Por fim, e n\u00e3o menos importante, em termos macro, a corrup\u00e7\u00e3o provoca consider\u00e1veis danos no contexto social e na sua coes\u00e3o, pois retarda o crescimento econ\u00f3mico, afeta o n\u00edvel de competitividade da economia e diminui o investimento, nomeadamente o investimento direto estrangeiro, al\u00e9m de provocar um fosso a n\u00edvel de rendimentos entre os cidad\u00e3os honestos e os corruptos.<\/p>\n<p>Uma implementa\u00e7\u00e3o bem-sucedida de uma estrat\u00e9gia de cria\u00e7\u00e3o de valor partilhado, consiste em entender as necessidades da sociedade, o que nem sempre se afigura como simples. Rastreamentos precisos e rigorosos dessas necessidades contribuem para o seu sucesso. A capacidade de compreender e catalisar o impacto coletivo \u00e9 essencial para a implementa\u00e7\u00e3o desta estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p>Essa implementa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m incide sobre os parceiros locais, para benef\u00edcio m\u00fatuo. Melhorar as condi\u00e7\u00f5es sociais, reduzir\u00e1 a corrup\u00e7\u00e3o, pois uma sociedade mais igualit\u00e1ria reprimir\u00e1 mais fortemente a corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um excelente exemplo a apontar s\u00e3o os pa\u00edses n\u00f3rdicos, em que as empresas competem com base em crit\u00e9rios de custo e de qualidade, em vez de ser com base em conex\u00f5es opacas e subornos submissos.<\/p>\n<p>As empresas n\u00f3rdicas seguiram \u00e0 risca as teorias do sueco Eric Rhenmam, que no in\u00edcio da d\u00e9cada de 60, promoveu a vis\u00e3o de que o objetivo principal das empresas \u00e9 criar valor para todos os seus <em>stakeholders<\/em>. Assim, n\u00e3o ser\u00e1 de todo estranhar que consecutivamente estes pa\u00edses em termos de \u00cdndice de Perce\u00e7\u00e3o de Corrup\u00e7\u00e3o elaborado anualmente pela Transparency Internacional, sejam considerados os menos corruptos do mundo. Em paralelo com este indicador, em termos rela\u00e7\u00e3o entre o \u00cdndice de Gini e o PIB per capita, s\u00e3o considerados dos pa\u00edses que usufruem de rendimentos mais elevados, os menos desigualit\u00e1rios. Estamos assim perante uma verdadeira estrat\u00e9gia de sucesso. Um excelente exemplo de \u201cwin-win\u201d.<\/p>\n<p>As economias com baixa corrup\u00e7\u00e3o tendem a se desenvolver mais rapidamente do que aquelas com n\u00edveis mais elevados, onde a corrup\u00e7\u00e3o afeta negativamente o n\u00edvel de competitividade. Existe uma rela\u00e7\u00e3o inversa entre ambientes corruptos elevados e concorr\u00eancia. Esta incompatibilidade conflitante restringe o n\u00famero de novos operadores no mercado, criando menores ganhos e menor n\u00edvel de concorr\u00eancia.<\/p>\n<p>Quando a concorr\u00eancia \u00e9 menor, diminui o empreendedorismo, o que provoca uma diminui\u00e7\u00e3o da inova\u00e7\u00e3o. A competitividade e a efici\u00eancia s\u00e3o tamb\u00e9m enfraquecidas. No fundo s\u00e3o criadas amplas distor\u00e7\u00f5es dos mercados.<\/p>\n<p>Como a corrup\u00e7\u00e3o faz parte do contexto social, uma estrat\u00e9gia de cria\u00e7\u00e3o de valor partilhado, visando reduzir a corrup\u00e7\u00e3o, pode ser uma resposta eficaz para combater este flagelo, evitando desta forma a dissemina\u00e7\u00e3o de atos de corrup\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m afetam a imagem corporativa.<\/p>\n<p>Vale a pena pensar nisto<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Manuel Carlos Nogueira \u2013 Associado do OBEGEF \u2013 Observat\u00f3rio de Economia e Gest\u00e3o de Fraude<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manuel Carlos Nogueira, P\u00fablico \u00a0 A cria\u00e7\u00e3o de valor partilhado foi inicialmente abordada por Michael Porter e Mark Kramer em 2011. 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