{"id":34475,"date":"2017-12-03T14:57:11","date_gmt":"2017-12-03T14:57:11","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=34475"},"modified":"2017-12-03T14:58:28","modified_gmt":"2017-12-03T14:58:28","slug":"isolados-somos-menos-capazes-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=34475","title":{"rendered":"Corrup\u00e7\u00e3o e crescimento econ\u00f3mico: curto, m\u00e9dio e longo prazo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\"><span style=\"color: #d8070f\"><strong>\u00d3scar Afonso, Jornal de Not\u00edcias<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><a href=\"https:\/\/www.jn.pt\/opiniao\/convidados\/interior\/corrupcao-e-crescimento-economico-8958513.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Cronica-JN-11-OBEGEF.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os economistas t\u00eam apresentado v\u00e1rios canais por via dos quais a corrup\u00e7\u00e3o pode prejudicar o crescimento econ\u00f3mico. A corrup\u00e7\u00e3o aumenta o custo do investimento, penalizando a confian\u00e7a e distorcendo a concorr\u00eancia, permitindo que empresas desonestas evitem uma s\u00e9rie de regulamenta\u00e7\u00f5es governamentais e artificialmente melhorem a sua efici\u00eancia. Dificulta, pois, a correta afeta\u00e7\u00e3o dos recursos, gerando inevitavelmente perdas de bem-estar social. Al\u00e9m disso, reduz a efici\u00eancia do gasto p\u00fablico e, portanto, mina a sustentabilidade fiscal, bem como a capacidade do governo para fornecer bens p\u00fablicos. No entanto, a n\u00edvel macroecon\u00f3mico a rela\u00e7\u00e3o entre corrup\u00e7\u00e3o e crescimento tem sido dif\u00edcil de demonstrar.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Num estudo seminal sobre o tema, Mauro (1995) observa que a rela\u00e7\u00e3o entre corrup\u00e7\u00e3o e crescimento n\u00e3o \u00e9 robusta. Esse estudo foi seguido por outros que o replicaram, tomando amostras mais actualizadas e outros m\u00e9todos de estima\u00e7\u00e3o, mas sem resultados relevantes. A maioria apontou para a exist\u00eancia de uma rela\u00e7\u00e3o fraca e n\u00e3o-robusta e da\u00ed falar-se em \u201cpuzzle\u201d. A literatura oferece v\u00e1rias explica\u00e7\u00f5es potenciais para o v\u00ednculo fraco entre corrup\u00e7\u00e3o e crescimento econ\u00f3mico: erros de medi\u00e7\u00e3o, omiss\u00e3o de vari\u00e1veis nas regress\u00f5es e a exist\u00eancia de v\u00e1rias formas de corrup\u00e7\u00e3o com distintos efeitos nocivos sobre o crescimento econ\u00f3mico. Pode, assim, afirmar-se que n\u00e3o existe consenso sobre o motivo da rela\u00e7\u00e3o fraca entre corrup\u00e7\u00e3o e crescimento econ\u00f3mico na generalidade dos pa\u00edses.<\/p>\n<p>Na minha opini\u00e3o, dada a multiplicidade de argumentos te\u00f3ricos, \u00e9 altamente prov\u00e1vel que a corrup\u00e7\u00e3o tenha um efeito negativo no crescimento econ\u00f3mico potencial (a longo prazo). No entanto, a rela\u00e7\u00e3o emp\u00edrica entre os dois est\u00e1 contaminada pela causalidade reversa do crescimento econ\u00f3mico para a corrup\u00e7\u00e3o no curto e no m\u00e9dio prazo. Durante as expans\u00f5es, a receita fiscal \u00e9 superior, os or\u00e7amentos de que os burocratas s\u00e3o respons\u00e1veis engrossam, o gasto p\u00fablico \u00e9 mais f\u00e1cil e, consequentemente, aumenta a oportunidade de corrup\u00e7\u00e3o. Assim se compreende que se observem empiricamente dois efeitos compensat\u00f3rios: pa\u00edses com mais corrup\u00e7\u00e3o crescem, em m\u00e9dia, mais devagar no longo prazo, mas crescem acima do potencial no curto e no m\u00e9dio prazo. Os dois efeitos apenas podem resultar ent\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o emp\u00edrica fraca entre corrup\u00e7\u00e3o e crescimento, especialmente quando a an\u00e1lise \u00e9 testada em intervalos de tempo curtos.<\/p>\n<p>\u00d3scar Afonso \u2013 Presidente do OBEGEF \u2013 Observat\u00f3rio de Economia e Gest\u00e3o de Fraude<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Jornal de Not\u00edcias &nbsp; Os economistas t\u00eam apresentado v\u00e1rios canais por via dos quais a corrup\u00e7\u00e3o pode prejudicar o crescimento econ\u00f3mico. 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