{"id":34220,"date":"2017-11-16T13:32:10","date_gmt":"2017-11-16T13:32:10","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=34220"},"modified":"2017-11-16T13:32:32","modified_gmt":"2017-11-16T13:32:32","slug":"fraude-academica-o-crime-compensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=34220","title":{"rendered":"Fraude acad\u00e9mica: \u201cO crime compensa?\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Raquel Brito<\/strong><\/span>, Vis\u00e3o online,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/opiniao\/silnciodafraude\/2017-11-16-Fraude-academica-O-crime-compensa-\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/VisaoE461.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p>A fraude acad\u00e9mica \u00e9 a antec\u00e2mara do cometimento de fraudes ao longo da sua futura actividade profissional? Talvez sim, mas n\u00e3o imperativamente. Talvez n\u00e3o, mas pode ensinar.<\/p>\n<p>...<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O estudo da fraude acad\u00e9mica tem adquirido cada vez mais notoriedade, bem como maior interesse por parte de investigadores de distintas \u00e1reas. As vari\u00e1veis que contribuem para o estudo deste fen\u00f3meno s\u00e3o in\u00fameras, tais como o ano escolar, a regularidade com que se pratica esta \u201ct\u00e9cnica\u201d, o g\u00e9nero de quem a pratica, a idade dos estudantes\u2026<\/p>\n<p>N\u00e3o subsistem d\u00favidas que este fen\u00f3meno \u00e9 intemporal e presente nas institui\u00e7\u00f5es de ensino, independentemente do ano escolar\/acad\u00e9mico em que os alunos se encontram, enquadrando comportamentos que v\u00e3o desde o ato de copiar (e.g. pelo colega, por equipamentos tecnol\u00f3gicos), at\u00e9 ao pl\u00e1gio, passando pela marca\u00e7\u00e3o de falsas presen\u00e7as. S\u00e3o vastos os fatores que levam \u00e0 exist\u00eancia deste fen\u00f3meno, nomeadamente a press\u00e3o para n\u00e3o falhar, a educa\u00e7\u00e3o dos pais, a forma como os estudantes percecionam o ato em si, a postura o professor, a institui\u00e7\u00e3o de ensino\u2026<\/p>\n<p>Para esta an\u00e1lise s\u00e3o considerados dois tempos: 1- durante o ensino superior e, 2- durante o 3\u00ba ciclo e ensino secund\u00e1rio; e um s\u00f3 pressuposto: h\u00e1 quem n\u00e3o pratique fraude acad\u00e9mica.<\/p>\n<p>1.Encontrados no ensino superior, n\u00e3o seria de todo descabido pensar que este fen\u00f3meno se encontrasse abolido pelos estudantes, isto se estimarmos que os jovens universit\u00e1rios se encontram numa fase de prepara\u00e7\u00e3o para a sua futura profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>A literatura<sup>[1]<\/sup> sobre o fen\u00f3meno \u00e9 vasta. Num estudo pioneiro, levado a cabo em diversas universidades Norte Americanas, os seus autores (Bunn e colegas, 1992) divulgam situa\u00e7\u00f5es em que 80% dos estudantes inquiridos revelam ter assistido a outros a copiar, bem como j\u00e1 terem presenciado colegas a serem confrontados pelos docentes por se encontrarem a copiar. De acordo com a investiga\u00e7\u00e3o de Kerkvliet e Sigmund (1999) h\u00e1 uma maior probabilidade de cometer este tipo de fraude quanto mais o estudante se afasta do in\u00edcio do seu percurso acad\u00e9mico. Esta probabilidade aumenta igualmente quando o estudante faz a pondera\u00e7\u00e3o perante o facto de passar de ano ou reprovar. Em contrapartida, h\u00e1 fatores morais que provocam um efeito contr\u00e1rio, tendo um efeito dissuasor nos estudantes relativamente ao ato de copiar. \u00c0s quest\u00f5es morais associam-se as advert\u00eancias verbais, ou seja, um aviso por parte do professor. Segundo os investigadores a principal quest\u00e3o prende-se com o facto de grande maioria dos alunos n\u00e3o reconhecer este comportamento como sendo grave. Consequentemente, \u00e9 bem prov\u00e1vel que os alunos envolvidos neste tipo de comportamento desenvolvam outras \u201ccapacidades\u201d profissionais que n\u00e3o as mais \u00e9ticas. Estando, por vezes, diretamente relacionados com profissionais inaptos e incompetentes.<\/p>\n<p>2. Se, por um lado, t\u00eam sido realizados diversos estudos relativamente \u00e0 fraude acad\u00e9mica no ensino superior, por outro lado seria cientificamente curioso perceber o que acontece em anos anteriores, no 3\u00ba ciclo e ensino secund\u00e1rio. Nestes escal\u00f5es et\u00e1rios revelar-se-ia interessante analisar este fen\u00f3meno do ponto de vista do n\u00e3o defraudador, ou seja, do aluno que n\u00e3o pratica a fraude acad\u00e9mica. E perceber como este encara o fen\u00f3meno. \u00c9 pass\u00edvel de aceitar que este estudante possa ser confrontado com experi\u00eancias nefastas no decorrer da sua vida de estudante e que, a um determinado n\u00edvel, a fraude acad\u00e9mica possa significar um dano para os indiv\u00edduos que n\u00e3o a praticam\u2026 A perce\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a, a ostraciza\u00e7\u00e3o, ver reconhecido o dem\u00e9rito, conformando-se com a sensa\u00e7\u00e3o de que \u201co crime compensa\u201d. S\u00e3o perce\u00e7\u00f5es vividas que se poder\u00e3o perpetuar futuramente. N\u00e3o deixa de ser intrigante o facto de 52% dos inquiridos percecionarem o sistema de justi\u00e7a como ineficaz no combate \u00e0 fraude, dados resultantes de um trabalho<sup>[2]<\/sup> realizado pelo OBEGEF.<\/p>\n<p>O fen\u00f3meno da fraude acad\u00e9mica engloba uma problem\u00e1tica aparentemente mais complexa do que se acredita. Os alunos que comentem esta fraude poder\u00e3o alcan\u00e7ar uma melhor avalia\u00e7\u00e3o comparativamente com o esfor\u00e7o gasto no estudo. N\u00e3o obstante, torna-se dif\u00edcil para os docentes avaliarem com justi\u00e7a a aquisi\u00e7\u00e3o (ou n\u00e3o) de conhecimentos, potenciando uma concorr\u00eancia desonesta ente os alunos e distorcendo a efic\u00e1cia do ensino.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 esta uma vis\u00e3o fatalista, ao relacionar a postura assumida pelos jovens estudantes perante a fraude acad\u00e9mica com a corrup\u00e7\u00e3o que se verifica em Portugal?<\/p>\n<p>De qualquer forma, ser\u00e1 de todo importante perceber porque uns copiam e outros n\u00e3o!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>NOTAS<\/p>\n<p>[1] Em territ\u00f3rio nacional t\u00eam sido desenvolvidos alguns estudos sobre este fen\u00f3meno.<\/p>\n<p>[2] \u00cdndice de perce\u00e7\u00e3o de fraude em Portugal. An\u00e1lise para o ano 2016. Consultar em: https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/wp056.pdf<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Raquel Brito, Vis\u00e3o online, A fraude acad\u00e9mica \u00e9 a antec\u00e2mara do cometimento de fraudes ao longo da sua futura actividade profissional? Talvez sim, mas n\u00e3o imperativamente. 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