{"id":34136,"date":"2017-11-09T23:24:22","date_gmt":"2017-11-09T23:24:22","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=34136"},"modified":"2017-11-10T16:45:30","modified_gmt":"2017-11-10T16:45:30","slug":"o-dinheiro-e-a-fe-a-etica-protestante-o-bem-estar-social-pre-determinado-ou-um-discurso-preconceituoso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=34136","title":{"rendered":"O Dinheiro e a F\u00e9. A \u00c9tica protestante \u2013 o bem-estar social pr\u00e9-determinado ou um discurso preconceituoso?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Nuno Guita, Jornal i online<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/588044\/o-dinheiro-e-a-fe-a-etica-protestante-o-bem-estar-social-pre-determinado-ou-um-discurso-preconceituoso-?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Ji093.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a>Pode o bem-estar econ\u00f3mico e social depender de determinada religi\u00e3o? Durante s\u00e9culos afirmou-se serem os protestantes melhor sucedidos que os cat\u00f3licos. Todavia, trata-se de um pressuposto erroneamente assimilado, pois s\u00e3o outros os factores decisivos para a prosperidade das sociedades.<\/p>\n<p><!--more-->\u00c9 frequente ouvir-se que o protestantismo favorece o capitalismo, que pa\u00edses com maior influ\u00eancia protestante s\u00e3o mais produtivos e t\u00eam mais sucesso econ\u00f3mico e social, quando comparados com pa\u00edses onde predomina o catolicismo, ou outra religi\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi a obra\u201cA \u00c9tica Protestante e o Esp\u00edrito do Capitalismo\u201d, publicada em 1905 pelo soci\u00f3logo alem\u00e3o Max Weber, que veio alterar radicalmente a forma de encarar a religi\u00e3o e a economia. A tese de Weber assenta na premissa calvinista segundo a qual os protestantes buscam o sucesso mundano que os conduziu \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o e a padr\u00f5es de vida mais elevados, enquanto os cat\u00f3licos tendem a concentrar-se na esperan\u00e7a de uma salva\u00e7\u00e3o vindoura.<\/p>\n<p>Parece incontest\u00e1vel que, em mat\u00e9ria de industrializa\u00e7\u00e3o, foram os pa\u00edses protestantes como a Pr\u00fassia, a Holanda, a Inglaterra e, mais recentemente, os EUA que se destacaram e, indiscutivelmente, sobrepuseram aos cat\u00f3licos \u201cretr\u00f3grados\u201d como It\u00e1lia, Espanha, Fran\u00e7a e Portugal! Apesar de pouco simp\u00e1tico, temos repetidamente de ouvir que enquanto os protestantes produzem eficiente e disciplinadamente, os cat\u00f3licos descontraem e guardam para o dia de amanh\u00e3. Recordemos o holand\u00eas que, ainda recentemente, acusou os pa\u00edses do Sul de gastarem o dinheiro em \u201ccopos e mulheres\u201d .<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que a rea\u00e7\u00e3o de Ant\u00f3nio Costa, apesar de genu\u00edna, n\u00e3o poderia ser muito convicta pois, entre n\u00f3s, \u00e9 o pr\u00f3prio luso-pessimismo, tanto de esquerda quanto de direita, que sustenta esta \u201cevid\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Desmontando o mito<\/strong><\/p>\n<p>No entanto, a tudo isto falta fundamento cient\u00edfico!<\/p>\n<p>A validade emp\u00edrica das teorias Weberianas, apenas recentemente foi testada, nomeadamente por Davide Cantoni . Admitindo que o crescimento demogr\u00e1fico das cidades apenas \u00e9 potenciado pela produtividade econ\u00f3mica e boas institui\u00e7\u00f5es, temos, pois, um indicador fi\u00e1vel. Cantoni cruzou os n\u00fameros do crescimento demogr\u00e1fico, entre 1300 e 1900, de 272 cidades de l\u00edngua germ\u00e2nica. Nesse estudo, verificou n\u00e3o haver diferen\u00e7as no crescimento das cidades, quer fossem protestantes ou cat\u00f3licas. A \u00e9tica de trabalho protestante n\u00e3o parecia ter qualquer influ\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que conta verdadeiramente<\/strong><\/p>\n<p>Com efeito, verificou-se que a tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia, elaborada por Lutero com vista a capacitar os crist\u00e3os a lerem a B\u00edblia por si mesmos, impulsionou significativamente a alfabetiza\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es. Quando comparados com os cat\u00f3licos verifica-se, nos distritos protestantes da Pr\u00fassia do sec. XIX, uma cota de alfabetiza\u00e7\u00e3o superior, em m\u00e9dia, de 10%.<\/p>\n<p>Sendo sabido que j\u00e1 no s\u00e9culo XIX, a Pr\u00fassia tinha uma posi\u00e7\u00e3o preponderante no desenvolvimento do seu sistema educacional, faltava uma pesquisa quantitativa sobre as causas e a sua import\u00e2ncia para o desenvolvimento econ\u00f3mico.<\/p>\n<p>Ludger W\u00f6\u00dfmann , dedicou-se a investigar o capital humano e constatou\u00a0 que o mecanismo de ac\u00e7\u00e3o do protestantismo que promove a efici\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 a f\u00e9 nem mesmo a \u00e9tica, mas sim a pol\u00edtica de educa\u00e7\u00e3o aplicada.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1, portanto, nenhum esp\u00edrito protestante nem uma \u00e9tica diferenciada de trabalho, que levem os protestantes a destacarem-se dos cat\u00f3licos em termos produtivos. A \u00fanica diferen\u00e7a relevante \u00e9 a escolaridade que os protestantes iniciaram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os bens p\u00fab<\/strong><strong>licos<\/strong><\/p>\n<p>Acresce que, sem a hierarquia clerical caracter\u00edstica dos pa\u00edses cat\u00f3licos, nos territ\u00f3rios protestantes, os Estados passaram a assumir fun\u00e7\u00f5es que at\u00e9 ent\u00e3o pertenciam \u00e0 igreja \u2013 os chamados bens p\u00fablicos. O que hoje conhecemos como a seguran\u00e7a social, apoio aos pobres e doentes passou a ser garantido pelo Estado. De igual modo, empregando juristas em vez de cl\u00e9rigos, a administra\u00e7\u00e3o prussiana tornou-se mais eficiente.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi nenhuma raz\u00e3o de ordem religiosa ou espiritual que acabaria por determinar o sucesso das cidades protestantes, mas sim a organiza\u00e7\u00e3o administrativa dos bens p\u00fablicos, sem a qual nada as distinguiria das cidades cat\u00f3licas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em Suma<\/strong><\/p>\n<p>Podemos concluir que estas s\u00e3o descobertas felizes, sobretudo em tempos em que a integra\u00e7\u00e3o de outros credos se apresenta como um desafio generalizado no mundo ocidental. Verificamos que a paz, o progresso e bem-estar social, em nada dependem de um ou outro credo, mas de condi\u00e7\u00f5es gerais e basilares, nomeadamente, da forma\u00e7\u00e3o\/educa\u00e7\u00e3o e ordem social.<\/p>\n<p>No momento em que se discute o Or\u00e7amento de Estado para 2018 vale a pena pensar nisso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nuno Guita, Jornal i online Pode o bem-estar econ\u00f3mico e social depender de determinada religi\u00e3o? Durante s\u00e9culos afirmou-se serem os protestantes melhor sucedidos que os cat\u00f3licos. 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