{"id":34126,"date":"2017-11-09T13:25:04","date_gmt":"2017-11-09T13:25:04","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=34126"},"modified":"2017-11-11T22:35:42","modified_gmt":"2017-11-11T22:35:42","slug":"o-comum-dos-cidadaos-seria-capaz-de-cometer-fraude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=34126","title":{"rendered":"O comum dos cidad\u00e3os seria capaz de cometer fraude?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Tiago Miguel Marcos<\/strong><\/span>, Vis\u00e3o online,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/opiniao\/silnciodafraude\/2017-11-09-O-comum-dos-cidadaos-seria-capaz-de-cometer-fraude-\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/VisaoE460.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>N\u00e3o ser\u00e1 a resist\u00eancia de um cidad\u00e3o, a cometer atos de fraude, t\u00e3o fr\u00e1gil quanto respetiva falta de motiva\u00e7\u00e3o para os cometer?<br \/>\n...<\/div>\n<div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Existem in\u00fameros espa\u00e7os informativos nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social que s\u00e3o dedicados \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o de not\u00edcias e de opini\u00f5es (de natureza completamente divergente, mas geralmente confundida) e que nos bombardeiam frequentemente com temas relacionados com eventos\/ suspeitas de fraude, corrup\u00e7\u00e3o, suborno, ou branqueamento de capitais. Como tal, importa refletir sobre o significado destas comunica\u00e7\u00f5es para a sociedade e para cada um de n\u00f3s\u2026 Assim:<\/p>\n<ul>\n<li>Ser\u00e1 a fraude uma realidade generalizada, ou ser\u00e3o conte\u00fados informativos desta natureza uma mera utiliza\u00e7\u00e3o comercial da desgra\u00e7a alheia, j\u00e1 que \u00e9 um tema que \u201cvende\u201d?<\/li>\n<li>\u00c0 luz das not\u00edcias\/ opini\u00f5es divulgadas, ser\u00e1 o comum dos cidad\u00e3os capaz de cometer fraude?<\/li>\n<\/ul>\n<p>Para respondermos \u00e0 primeira quest\u00e3o podemos olhar para indicadores disponibilizados por institui\u00e7\u00f5es de refer\u00eancia para temas relacionados com fraude, tal como:<\/p>\n<ul>\n<li>Em Portugal, o Observat\u00f3rio de Economia e Gest\u00e3o de Fraude (OBEGEF) estimou que, em 2014\/ 2015, a economia nacional n\u00e3o registada j\u00e1 ascendia a mais de 27% da riqueza produzida anualmente no pa\u00eds (estimativa que revela um crescimento ininterrupto desde 1970). A relev\u00e2ncia deste \u00edndice para a presente cr\u00f3nica deve-se \u00e0 pr\u00f3xima rela\u00e7\u00e3o verific\u00e1vel entre a economia n\u00e3o registada e a fraude fiscal\/ das contribui\u00e7\u00f5es para a Seguran\u00e7a Social e a atividades il\u00edcitas e \u00e0 correspondente necessidade de branquear os capitais obtidos ilegalmente;<\/li>\n<li>De igual modo, a Association of Certified Fraud Examiners (ACFE) referenciou, na publica\u00e7\u00e3o <em>Report to the Nations<\/em> 2016, que foi estimado que internacionalmente as empresas perdem, em m\u00e9dia, cerca de 5% das suas receitas para custos associados a eventos de fraude (que incluem, para al\u00e9m do custo dos eventos de fraude em si, custos legais, regulamentares, ou reputacionais, entre outros).<\/li>\n<\/ul>\n<p>Assim, julgo ser f\u00e1cil percecionarmos que estas not\u00edcias\/ opini\u00f5es divulgadas n\u00e3o podem ser levemente encaradas como um mero aproveitamento comercial de situa\u00e7\u00f5es excecionais, pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o social. De facto, devem ser visualizadas como retratos de uma infeliz realidade, frequente e dimensionada, para a qual n\u00e3o existe ainda um clima de alerta em sociedade.<\/p>\n<p>Logo, e ap\u00f3s esta tentativa de desmistificar o mito de que a fraude n\u00e3o \u00e9 uma realidade relevante para a sociedade, proponho olharmos para a segunda quest\u00e3o e tema da presente cr\u00f3nica, com vista a procurar uma poss\u00edvel justifica\u00e7\u00e3o para a referida frequ\u00eancia e dimens\u00e3o da fraude: Ser\u00e1 o comum dos cidad\u00e3os capaz de cometer fraude?<\/p>\n<p>Como meio de resposta a esta quest\u00e3o, proponho realizarmos algumas reflex\u00f5es exemplificativas, com base na respeitado modelo do Tri\u00e2ngulo da Fraude, da autoria de Donald Cressey, e nos respetivos pilares \u2013 press\u00e3o, racionaliza\u00e7\u00e3o e oportunidade:<\/p>\n<ul>\n<li>Talvez o comum dos cidad\u00e3os, numa circunst\u00e2ncia natural, n\u00e3o esteja disposto a roubar\u2026Mas, e se este cidad\u00e3o se encontrar numa situa\u00e7\u00e3o de sobre-endividamento, ou se n\u00e3o conseguir pagar as presta\u00e7\u00f5es do seu cr\u00e9dito habita\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 inconscientemente vir a utilizar este fator como motiva\u00e7\u00e3o\/ racional para justificar o roubo de dinheiro\/ valores?Ou, numa situa\u00e7\u00e3o extrema, se a fam\u00edlia deste cidad\u00e3o estiver a passar fome, poder\u00e1 este inconscientemente vir a utilizar este dado como motiva\u00e7\u00e3o\/ racional para justificar um roubo de comida?<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Talvez o comum dos cidad\u00e3os, numa circunst\u00e2ncia natural, n\u00e3o se reveja a obter um livro, um CD, ou um DVD de forma il\u00edcita\u2026Mas este mesmo cidad\u00e3o, (talvez) motivado pela \u201cdoen\u00e7a\u201d moderna geralmente denominada de \u201cFOMO - <em>Fear of Missing Out<\/em>\u201d (ou, em tradu\u00e7\u00e3o livre, o medo de n\u00e3o estar atualizado), poder\u00e1 vir a racionalizar o ato de realizar <em>downloads<\/em> ilegais dos mesmos conte\u00fados, em formato digital, que nunca admitiria obter de forma il\u00edcita em formato f\u00edsico?<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Talvez o comum dos cidad\u00e3os, numa circunst\u00e2ncia natural, n\u00e3o admita realizar fraude fiscal\u2026Mas este mesmo cidad\u00e3o, em especial quando compra bens de valor elevado, poder\u00e1 vir a sentir-se motivado a incentivar o respetivo fornecedor a indevidamente n\u00e3o declarar\/ liquidar impostos, pela n\u00e3o emiss\u00e3o de uma fatura, com o objetivo de pagar um valor inferior pelos bens que est\u00e1 a comprar? Nesta situa\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 o cidad\u00e3o vir a racionalizar esta a\u00e7\u00e3o com a ideia de que \u201cj\u00e1 paga demasiados impostos\u201d?<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Talvez o comum dos cidad\u00e3os, numa circunst\u00e2ncia natural, n\u00e3o realize fraude associada a ap\u00f3lices de seguros\u2026Mas este cidad\u00e3o, talvez motivado pela perce\u00e7\u00e3o de que paga em demasia pela sua ap\u00f3lice de seguro autom\u00f3vel, poder\u00e1 vir a estar disposto a simular uma avaria no autom\u00f3vel para literalmente aproveitar uma \u201cboleia\u201d da seguradora (onde det\u00e9m a sua ap\u00f3lice autom\u00f3vel)?<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Talvez o comum dos cidad\u00e3os, numa circunst\u00e2ncia natural, nunca estaria disposto a beneficiar indevidamente de subs\u00eddios estatais, criticando mesmo aqueles que o fazem\u2026Mas, este mesmo cidad\u00e3o, talvez motivado pelo facto de muitos beneficiarem indevidamente destes subs\u00eddios, poder\u00e1 vir a estar disposto a aproveitar a aparente falta de controlo inerente a estes subs\u00eddios, fabricando dados que lhe dariam esse direito?<\/li>\n<\/ul>\n<p>Talvez muitas destas situa\u00e7\u00f5es exemplificativas n\u00e3o se apliquem ao comum dos cidad\u00e3os mas, provavelmente, pelo menos uma delas j\u00e1 se tenha aplicado a cada um de n\u00f3s\u2026 Logo, deixo a quest\u00e3o: N\u00e3o ser\u00e1 a resist\u00eancia de um cidad\u00e3o, a cometer atos de fraude, t\u00e3o fr\u00e1gil quanto respetiva falta de motiva\u00e7\u00e3o para os cometer (independentemente do n\u00edvel de \u00e9tica que cada um de n\u00f3s apresenta, numa circunst\u00e2ncia natural)? N\u00e3o seremos todos n\u00f3s capazes de cometer fraude quando determinadas circunst\u00e2ncias se verificam?<\/p>\n<p>A necessidade deste tipo de reflex\u00f5es \u00e9 t\u00e3o relevante quanto as informa\u00e7\u00f5es divulgadas sobre estes temas uma vez que o comum dos cidad\u00e3os, pela sua natureza humana, poder\u00e1 estar disposto a resolver os seus problemas pessoais \u00e0 custa de outrem. Assim, ser\u00e1 esta perce\u00e7\u00e3o o elemento em falta para que a sociedade esteja preparada para come\u00e7ar a lidar com (e a combater) esta realidade?<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tiago Miguel Marcos, Vis\u00e3o online, N\u00e3o ser\u00e1 a resist\u00eancia de um cidad\u00e3o, a cometer atos de fraude, t\u00e3o fr\u00e1gil quanto respetiva falta de motiva\u00e7\u00e3o para os cometer? &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-34126","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/34126","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=34126"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/34126\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34129,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/34126\/revisions\/34129"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=34126"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=34126"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=34126"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}